Mostrar mensagens com a etiqueta Marguerite Yourcenar Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marguerite Yourcenar Livros. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


De Olhos Abertos

Marguerite Yourcenar

Prefácio: Matthieu Galey

Tradução: Renata Correia Botelho

Capa: Carlos César Vasconcelos

Relógio D’Água Editores, Junho de 2011

Gosto muito de ler e também gosto de reler, como os amantes de música gostam de tocar novamente um mesmo trecho, ou de pôr a tocar um mesmo disco. Entre os escritores da geração que precedeu a minha, releio muito Hardy, Conrad, Ibsen, Tolstoi… Alguns Tchekov, certos Thomas Mann… E o livro que reli, se não mais vezes, foi a autobiografia de Gandhi.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

OLHAR AS CAPAS


 Memórias de Adriano

Marguerite Yourcenar

Tradução: Maria Lamas

Prefácio: Isabel Alçada

Capa: Rui Garrido

Colecção Essencial nº 20

Leya/Livros RTP, Lisboa, Janeiro 2018

Assegurei-lhe o futuro; ele não gosta da Itália; poderá realizar o seu sonho que é voltar a Gádaros e abrir ali com um amigo uma escola de eloquência; não tem nada a perder com a minha morte. E contudo, o frágil ombro agita-se convulsamente sob as pregas da túnica; sinto sob os meus dedos lágrimas deliciosas. Adriano terá sido humanamente amado até ao fim.

Almazinha, alma terna e flutuante, companheira do meu corpo, de que foste hóspede, vais descer àqueles lugares pálidos, duros r nus onde terás que renunciar aos jogos de outrora. Contemplemos juntos, um instante ainda, as praias familiares, os objectos que certamente nunca mais veremos… Procuremos entrar na morte de olhos abertos.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

OLHAR AS CAPAS


Como a Água que Corre

Marguerite Yourcenar

Tradução: Luiza Neto Jorge

Capa: Carlos Bravo

Biblioteca Novis nº 18

Abril/Controljornal, Lisboa, Maio de 2000

Mas à hora de deitar, depois do dedal de Madeira que sempre tomava ao meter-se na cama, mostrou-se mais loquaz:

- Conheceste-lo já na ruína – disse ele subitamente, de lágrimas nos olhos. – Mas eu convivi e viajei com ele antes dos trinta anos, quando ele ainda auferia, como eu, de dinheiro e de consideração. Nunca vi homem mais livre, mais lúcido, mais nobre. A sua pujança abarcava tudo quanto havia. Percorremos juntos a Itália e a Alemanha: ele ia sempre, por assim dizer, um passo à minha frente… Mas em Amesterdão… Cada qual regressa, em suma, à concha em que Deus o pôs. Fiz carreira… Casei com uma mulher de boas famílias… Ainda se ele tivesse ficado entre os judeus, dignos de consideração pela sua riqueza e pela posição que  desfrutam entre os seus! Mas preferiu quebrar com eles e ir viver para umas águas furtadas, sozinho, como se isso pudesse ser… Asseveram-nos, além disso, que as suas últimas companhias… Talvez não passem de boatos. Eu, por mim, sempre me conservei no meu posto, sem hesitações.