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domingo, 21 de julho de 2024

OLHAR AS CAPAS

O Romance que Samanta Nunca Escreveu

Claudio Hochman

Tradução: Juana Pereira da Silva

Capa: Carlota Blanc

Julião contou-lhe que escrevia poesia. Sonetos, apenas. Depois de ler Neruda, na adolescência, ficara fascinada com o desafio. Encaixar palavras numa métrica parecia-lhe muito mais divertido do que as palavras cruzadas e ainda lhe servia como arma de sedução. Escrevia-os num caderno e recusava-se a passa-los para o computador. Computadores e poesia são inimigos mortais, dizia.

segunda-feira, 7 de março de 2022

POSTAIS SEM SELO


O sabor do desconhecido. A curiosidade que provoca.

O medo.

Apagar a fantasia para que a realidade seja real.

O desejo como fonte de inspiração.

Claudio Ochman em Ilhas

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

SUBLINHADOS SARAMAGUIANOS


 

Dito já que começaram as iniciativas que visam registar o centenário do nascimento de José Saramago, acrescenta-se que irei pegando num qualquer livro de José Saramago e copiarei dele uma frase, um parágrafo, aquilo que constitui os milhares de sublinhados que, ao longo dos muitos anos de leituras, invadiram os livros de José Saramago que habitam a  Biblioteca da Casa.

Isto foi o que se escreveu a abrir as hostilidades de reler os livros de Saramago e escolher sublinhados.

Ao quarto ou quinto dia de escolhas foi avisado dizer que se iria também entrar nos livros sobre José Saramago, e pelas inúmeras entrevistas que deu, algumas em papel de revista ou jornal, algumas já coligidas em diversos livros.

Hoje peguei na conversa que Baptista-Bastos teve, em Lanzarote, com José Saramago – José Saramago: Aproximação a Um Retrato.

Na abertura do livro, prefácio a que chamou A Ilha Ardente, escreveu Baptista-Bastos:

«Todos nós vivemos em ilhas. Todos nós vivemos cada vez mais em ilhas. As nossas ilhas particulares começam quando desistimos de existir em continente, ou quando nos obrigaram a levar a adoração a outros deuses. Quer-se dizer: as nossas reclusões são deliberadamente procuradas ou rudemente impostas.»

Em Madrid, antes de rumar a Lanzarote, o Bastos esteve numa esplanada da Gran Via à conversa com o seu amigo Pablo Del Amo que lhe disse: «Sabes aquela de que nenhum homem vive numa ilha, mesmo que viva numa ilha?»

Baptista-Bastos termina o prefácio:

«Voltámos a conversar sobre as ilhas: as solitárias ilhas que muitos homens albergam nos solitários corações. Mas também entender que o grande mundo está cada dia menor, cada dia mais pequeno, e que, frequentemente, o grande mundo é uma pequena e solitária ilha. Habitada por cegos, como Saramago nos disse, numa parábola admirável. Diz: “viver em Lanzarote é, afinal, viver num bairro de uma grande ilha que é o pequeno mundo em que todos vivemos.”»

O argentino Claudido Hochman, um sábio de ilhas, por aqui deixou escrito:

«Quem levarias para uma ilha deserta? A Solidão. Só a Solidão? Sim, é uma boa companhia.»

«Há pessoas que vivem numa ilha sem nunca terem estado numa ilha. Rodeia-as um mar de silêncio.»

sábado, 3 de julho de 2021

POSTAIS SEM SELO

Se tens a certeza de que és uma ilha, deixa-me habitar-te.

Claudio Hochman em Ilhas

sábado, 29 de maio de 2021

OLHARES


Todos os anos, o governo da ilha da Madeira compra toneladas de areia que traz de Marrocos, para poder ter uma praia que não seja de pedras. Todos os anos, no final do Verão, o mar come a areia. As ilhas não gostam de cirurgias estéticas.

Claudio Ochman em Ilhas


quinta-feira, 13 de maio de 2021

POSTAIS SEM SELO


Os olhares cruzaram-se. E assim começou tudo. Nunca imaginaram que acabariam por ser uma ilha.

Claudio Hochman em Ilhas

domingo, 21 de março de 2021

POSTAIS SEM SELO


Se não queres que te escreva mais, diz-me. Depois decido eu o que faço. Às vezes é preciso pôr os pontos nos ii. E ao dizer isto deu-se conta que o ponto do i não era outra coisa senão uma ilha.

Claudio  Hochman em Ilhas

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

POSTAIS SEM SELO


Quem levarias para uma ilha deserta? A Solidão. Só a Solidão? Sim, é uma boa companhia.

 Claudio Hochman em Ilhas

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

POSTAIS SEM SELO

Há pessoas que vivem numa ilha sem nunca terem estado numa ilha. Rodeia-as um mar de silêncio.

Claudio Hochman em Ilhas

sábado, 28 de novembro de 2020

UM LUGAR MÁGICO


 Na Foz do Arelho há ilhas que aparecem e desaparecem. Por isso é um lugar mágico. As ilhas intermitentes. Desaparecem com a maré. Praticam apneia durante seis horas e desfrutam dos encantos do fundo do mar. Ao sair, voltam a respirar e embebedam-se de sol.

Claudio Hochman em Ilhas

Legenda: fotografia de Luís Eme

terça-feira, 10 de novembro de 2020

POSTAIS SEM SELO


 A senhora francesa plantou uma cerejeira. Vive na esperança de que um dia a árvores dê os seus frutos. Ela diz que as cerejas são uma criação perfeita da natureza.

Claudio Hochman em Ilhas

Legenda: pintura de Van Gogh

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

POSTAIS SEM SELO

O aborrecimento é um mal comum nas ilhas. Uma possível solução é sentar-se a ver como os caranguejos entram e saem das suas tocas.

Claudio Hochman em Ilhas

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

CADA ILHA É UM LABIRINTO SEM SAÍDA


Quando morreu Herberto Helder, houve quem pensasse que dariam o seu nome ao aeroporto da Madeira, a ilha onde o poeta nasceu. Mas não. Deram-lhe o nome de Cristiano Ronaldo. Mais uma vez, a poesia do futebol ganhou à poesia pura e dura.

Claudio Hochman em Ilhas

terça-feira, 1 de setembro de 2020

POSTAIS SEM SELO

O recado que Afonso Cruz deixou na contracapa de Ilhas de Claudiio Hochman.

OLHAR AS CAPAS


Ilhas

Claudio Hochman

Capa e ilustrações: Beatriz Bagulho
Edição do Autor, Lisboa, Fevereiro de 2020

Sonhou que se encontrava com Isabelle Huppert numa
ilha deserta.
Oferecia-lhe um puzzle de duzentas peças.
Quando só faltava colocar uma peça, pedia-lhe um
beijo através do espaço vazio.
Ela perguntava-lhe porque é que tem de ser sempre
assim. Porque é que não podemos simplesmente
terminar de montar o puzzle. Estamos numa ilha,
respondeu-lhe, e até a fera mais feia, mais horrível,
mais terrível, pode transformar-se numa bela
companhia. Isabelle ofendeu-se e não lhe dirigiu a
palavra durante três dias.