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quinta-feira, 18 de julho de 2024

O OUTRO LADO DAS CAPAS

As primeiras aparições do nome de Júlio Dinis, surgem-me nas selectas literárias do ensino liceal nos anos 50/60.

Não havia um único livro de Júlio Dinis na Biblioteca da Casa.

O meu pai tinha uma certa simpatia pelo escritor e um dia comprou, por um preço bem acessível,  - ainda a vantagem de suaves prestações mensais -  toda a obra de Júlio Dinis, publicada pela Livraria Civilização do Porto, todos os livros encadernados em capa dura num azul forte, tal como se poderá ver acima.

As Pupilas do Senhor Reitor

Os Fidalgos da Casa Mourisca

A Morgadinha dos Canaviais

Uma Família Inglesa

Serões da Província – 2 volumes

Cartas e Esboços Literários

Poesias

Teatro Inédito – 3 volumes

Volumes apresentados pelo Prof. Dr. Egas Moniz

Deliciei-me com a leitura dos romances de Júlio Dinis, principalmente com Uma Família Inglesa.

Quem é que hoje lê Júlio Dinis?

Quantos saberão quem foi Júlio Dinis? 

OLHARES


São importantes as existentes  Casas de Escritores, e de outros intelectuais, que vamos tendo espalhadas pelo país.

Deveria ser um trabalho dos governos, das autarquias, de mecenas, fomentar a criação dessas casas, conservá-las, enriquecê-las.

Nem sempre acontece e algumas encontram-se quase ao abandono.

Uma breve viagem pela região de Aveiro deu para deslocar as pernas para Ovar e visitar a Casa de Júlio Dinis.

Joaquim Guilherme Gomes Coelho, conhecido pelo pseudónimo literário de Júlio Dinis, nasceu no Porto, a 14 de Novembro de 1839.

Tendo-lhe sido diagnosticado tuberculose, foi aconselhado que fosse tomar ares e descanso, na Casa dos Campos, em Ovar, propriedade de uma sua tia paterna.

Júlio Dinis, com 31 anos, morreu em 12 de Setembro de 1871, na cidade do Porto.

Lápide, na parede exterior da casa assinalando, a passagem do escritor por Ovar.

No exterior, frente à casa, o busto de Júlio Dinis.

Característica cozinha de aldeia. A lareira com destaque para  o forno onde se cozia o pão para os dias da semana.


Ainda na cozinha, um móvel com a mesa posta, um jarro. Na parede pratos de barro da região.

O pequeno quarto da casa.

Falando do quarto, o folheto distribuído aos visistantes, cita uma passagem de «As Pupilas do Senhor Reitor»:

«Deitou-se de costas e pôs-se então a contar as tábuas do tecto. Contou dezassete. Dezassete, noves fora, oito disse insensivelmente Daniel!»

Sala e a mesa onde Júlio Dinis escreveu, para além de outras páginas, «As Pupilas do Senhor Reitor».

A mesa onde escreveu.


António José Saraiva em História da Literatura Portuguesa:

«Há muitas afinidades entre a ideologia de Júlio Dinis e a de Herculano, mentor nesta época da pequena burguesia portuguesa.

Júlio Dinis é um romancista excepcionalmente dotado. Conjuga com extrema felicidade a descrição dos ambientes, os retratos das personagens, os conflitos dramáticos numa construção equilibrada. Acrescenta a isto um excepcional peneração  psicológica, que por vezes o leva a notações originais, estudando quando a ocasião se lhe oferece o mecanismo da associação das ideais com grande minúcia. O estilo, ao contrário do que sucede com Camilo, não se interpõe entre o leitor e os objectos descritos que apenas reveste uma levíssima gaze de humorismo discreto.»

terça-feira, 19 de agosto de 2014

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Este anúncio deverá ser de 1970.
Guardei-o porque, na altura, pensei em adquirir os livros do Júlio Dinis.
Mas por esse tempo a suavidade do pagamento não estava dentro das minhas possibilidades.
A Morgadinha dos Canaviais, Uma Família Inglesa, As Pupilas do Senhor Reitor, tiveram de esperar um bom pedaço de tempo para serem lidos.