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sábado, 14 de março de 2026

OLHAR AS CAPAS


Che Guevara: A Aventura Boliviana

Che Guevara

Carta de Che a Fidel de Castro

Diário Boliviano

Discurso de Fidel para Guevara

Tradução: Egito Gonçalves

Capa: Armando Alves

Colecção Ofício de Viver nº 16

Editorial Inova, Porto s/d

6 de Outubro

A rádio chilena dá uma notícia censurada que indica hver 1.800 homens na zona, à nossa procura.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 Diego Maradona, um dos mais fabulosos jogadores de futebol do mundo, morreu há 5 anos.

Não temos grande apetência por efemérides redondas, mas esta evocação da morte de Maradona, era para ter surgido ontem, não tivesse sido um outro 25 de Novembro.

O artigo é do jornalista António Rodrigues e foi publicado no Público.

Maradona e Fidel parasempre tatuados na pantorrilha esquerda do 25 de Novembro.

Fidel de Castro morreu a 25 de Novembro de 2016, Maradona considerava Fidel o seu grande guia político e a quem chamou “segundo pai”.


quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A PRAÇA DA REVOLUÇÃO E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO

A “Plaza de la Revolución”, em Havana, é um dos lugares mais míticos da Cuba revolucionária.

Com os seus 72.000 metros quadrados, é uma das maiores praças do Mundo, sendo rodeada por ministérios e outros edifícios governamentais, entre os quais o Palácio da Revolução, que é a sede do Governo e do Partido Comunista de Cuba.

Dois dos ministérios, em particular, chamam a nossa atenção.

O Ministério do Interior, com um gigantesco desenho de Che Guevara feito a partir da célebre fotografia que lhe foi tirada por Alberto Korda, ao lado do qual está inscrita a frase “Hasta la Victoria Siempre”.

O Ministério das Comunicações, que tem um idêntico desenho que muitos pensam ser de Fidel Castro (eu próprio o pensara, há anos atrás...), mas que, na realidade, é de Camilo Cienfuegos, e que tem ao lado a frase “Vas Bien Fidel”.

Estes desenhos estão iluminados de noite, dando à Praça um ambiente muito especial.

Numa dos extremos da Praça encontra-se o Memorial José Marti, constituído por uma torre em forma de estrela com mais de cem metros de altura e por uma estátua de mármore de Marti com 17 metros de altura, com um ar de reflexão que nos faz lembrar “O Pensador”, de Rodin.

O topo do Memorial é considerada a vista mais alta da cidade de Havana.

José Marti, o simbolo da independência cubana, agradava a gregos e a troianos, leia-se tanto a Fulgêncio Batista como a Fidel Castro. Por motivos nem sempre coincidentes, claro está…

É por isso que o Monumento a José Marti começou a ser construído na época de Fulgência e foi concluído, tal como toda a praça, em 1959, já com Fidel no comando das operações.

Os discursos de Fidel Castro têm fama de ser dos mais longos que alguma fez se fizeram. E não é só fama porque ainda hoje ele é o recordista do mais longo discurso proferido na Assembleia-Geral das Nações Unidas (4h29, em 26 de Setembro de 1960), que ainda assim ficou muito longe do seu próprio recorde pessoal, que foi de 7h10, proferido em 1986 perante o III Congresso do Partido Comunista de Cuba.

Mas, independentemente da sua duração, muitos dos historicamente mais relevantes discursos de Fidel foram feitos nesta mesma praça, como é o caso daqueles que ficaram conhecidos por Primeira e Segunda Declaração de Havana, em 02/09/1960 e 04/02/1962, respetivamente, daquele que declarou Cuba “território livre de analfabetismo”, em 22/12/1961, ou do relacionado com a safra de 10 milhões de toneladas de açúcar, de 26 de Julho de 1970, a que faz referência o filme de Chris Marker.

Com centenas de milhares de pessoas a assistir, entre cubanos e embaixadas dos “países amigos”, alguns dos discursos do 1º de Maio e de 26 de Julho ficaram, igualmente, lendários na História de Cuba.

Outros eventos importantes tiveram também lugar nesta Praça, como uma Missa rezada a 20 de Setembro de 2015 pelo Papa Francisco, cuja preparação já se fazia um mês antes, quando por lá passei.

E foi neste ambiente altamente solene e espiritual da Plaza de la Revolución que o Diabo atacou e desviou, por completo, a minha atenção. 

Vestido de vermelho, é claro…

No meio de todas aquelas respeitáveis carcaças dos anos 40 e 50 estacionadas no meio da Praça a aguardar cliente, um magnífico Ford Thunderbird, de 1958, olhava para mim com um ar desafiante, como quem me convida para alguns momentos de luxúria e de prazer.

Olhei-o de frente para lhe ver o sorriso.

Espantei-me com a elegância e a beleza das suas formas.

Mirei-lhe a traseira, de cortar a respiração.

Vi a beleza daquelas jantes incrustadas nas rodas que o agarravam ao chão.

O “coup de foudre” foi instantâneo, como sucede em relação àquelas raras mulheres que olhamos e de imediato pensamos “tens de ser minha”, sabendo perfeitamente que nunca o serão, primeiro porque não somos nenhum Paul Newman ou Alain Delon de olhar fatal, e depois porque para engate temos tanto jeito como o Woody Allen, pelo que o mais certo seria acabarmos a noite a cortar o cabelo…

“Tens de ser meu”, disse para mim próprio, de imediato.

Mas os carros têm uma enorme vantagem em relação às mulheres, que é a de podermos comprá-los (ou alugá-los) sem que tal nos provoque qualquer problema de consciência.

 E foi o que fiz de imediato, contratando-o para me rebolar com ele na manhã do dia seguinte, em que me levaria à Finca Vigia e a Cojimar.

Foi inesquecível o passeio, como poderão imaginar, em particular as passagens de ida e volta pelo Malécon.

Os feitiços perduram no tempo e, passados que foram cinco anos, ainda aqui continuo eu enfeitiçado…

É por isso que não me consigo limitar a dizer-vos “vejam bem a imponência deste lugar”, sem acrescentar, logo de seguida, “reparem na suavidade e na elegância destas linhas”...

Ou dizer-vos “ponham os olhos naqueles desenhos de Che e de Cienfuegos ali no alto dos edifícios,tão emblemáticos da Havana revolucionária e que guiam, dia e noite, o povo cubano”, sem insistir na recomendação “olhem-me bem a maravilha destas jantes raiadas”….

Nem falar-vos de José Marti, o herói da independência de Cuba e o Poeta de “Guantanamera”, que todos nós cantámos vezes sem conta, sem vos perguntar logo de seguida “viram bem aquelesinteriores…? E a traseira….?”.

Pois é…

A verdade é que o carro concentrou toda a minha atenção e já nem à Torre tive tempo para subir…

Não deixa de ser uma ironia do destino que aqui, neste local de Havana onde as memórias da Revolução mais nos esmagam, nesta histórica praça onde o Imperialismo mais criticado e mais vilipendiado foi nas últimas décadas, o Capitalismo tenha vencido…!

À minha custa e logo com um Ford, cujo criador inventou a maldita cadeia de montagem…!

Não foi como Fausto, que vendeu a Alma ao Diabo, mas quase…

Em boa verdade, enquanto gajo que se diz de esquerda, deixo muito a desejar….

PS:

A propósito dos longos discursos de Fidel, se ainda o não fizeram não percam a oportunidade de ver “Diary of a Beginner”, o episódio do israelita Elia Suleiman que integra o filme coletivo “Sete Dias em Havana” (2012). É uma verdadeira delícia de humor fino!


Texto e fotografias de Luís Miguel Mira

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

DIGNIDADES


Há 61 anos, Cuba deixava de ser o quintal, o casino, a casa de putas dos Estados Unidos. Um punhado de homens devolvia a dignidade a todo um povo.

Cuba é a revolução do meu tempo, acompanhei a visão romântica de todos aqueles passos, a grande utopia que marcou uma geração. Ainda hoje não fico indiferente quando olho aquelas fotografias em que um barbudo, no mato, rodeado de camponeses, fuma charutos e ensaia caminhos que hão-de ir da Sierra Maestra a Havana.

De Cuba se diz: ame-a ou deixe-a. Assim mesmo, sem direito a meias tintas. Há quem diga, que em Cuba não há liberdade, se persegue quem não pensa como o governo quer que se pense. Disso tenho, neste país, uma cruel experiência para que não saiba o que são esses valores de liberdade, liberdade de expressão, liberdade de escolhas.

São histórias complicadas.

Toda a minha vida profissional foi feita numa agência de navegação.

Um dia, um comandante da marinha mercante russa, já em pleno consulado de Ieltsin, dizia-me: «Isso da liberdade é uma coisa muito bonita, uma palavra que enche a boca, mas não enche a barriga». Atalhei que a afirmação, era um tanto ou quanto reacionária.

 «Chama-lhe o que quiseres, mas é assim», concluiu o comandante.




quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

PATÉTICA SAGA


Durante anos e anos. os presidentes dos Estados Unidos tentaram mais de cem maneiras para matarem Fidel Castro.
Todas reduzidas ao fracasso.
Este cartoon do artista inglês Ben Jennings, lembra essa patética saga.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SARAMAGUEANDO


José Saramago sempre foi um defensor da revolução cubana e admirava Fidel.

Na longa conversa que manteve com João Céu e Silva, disse:

«Era inevitável que o Fidel, pela idade e pela doença, tivesse que retirar-se um dia. E não é insignificante que a transição de um homem que foi tantos anos o condutor de um país, ao chegar a hora da retirada, se faça de uma maneira mecânica, automática r sem traumas. Ainda falta saber o que é que vai acontecer, porque por aquilo que vimos a renovação geracional que terá de haver não aconteceu ainda. Continua a ser a velha guarda, o que não me parece mal porque se é uma velha guarda que está pensando que efectivamente há que mudar e prepara essa transição. Cuba não é fácil. Porque castritas ou fidelistas, gente que em Cuba considera que Castro é quase um deus é muitíssima, estão lá e querem pelo menos que se respeite a figura e mais tarde a memória desse homem.»

Em 2003, Saramago desagradado com a execução de três dos autores do desvio de um barco, escreveu:

«Cuba não ganhou nenhuma heroica batalha fuzilando esses três homens, mas perdeu a minha confiança, destruiu as minhas esperanças e defraudou as minhas expectativas.
Aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá o seu caminho, eu fico.»

FIDEL, BEM-ME-QUER, MAL-ME-QUER


Fidel, um grande homem. Acabou como ditador e é preciso dizer que começou por acabar com um ditador, Fulgencio Batista. Com qualidade rara, a coragem, cortou com a sua própria situação de privilegiado e arriscou a liberdade e a vida. Aqueles que amocharam em situações semelhantes - e em Portugal ainda há gerações em que a escolha foi posta - deveriam não se esquecer de que houve um Fidel que fez o que eles deveriam ter feito e não fizeram. Que os tíbios reconheçam: "Honra aos que souberam dizer não quando o não era necessário e nós não estivemos à altura de o dizer." E depois podiam, com mais mérito, criticar o Fidel liberticida. Acresce ainda que para lutar contra a ditadura Fidel não pôde contar com o exemplo da admirável América: ela era madrinha de Batista e madrasta de Cuba. Longe de Deus, não sei, mas tão próximo dos Estados Unidos - naqueles tempos, pelo menos - era mais difícil ser democrata. Poder tomado, Fidel tirou partido do seu jeito para o simbólico: caqui, charuto, barbas... Ora, os ícones - que se mostram muito, por definição - têm de função mais própria escamotear. Esse Fidel das fotografias romantizou o que foi; e ajudou a enganar sobre o que aí vinha. Os factos acabaram por ser: o ditador Fidel assassinou muitos e a todos os seus compatriotas tirou a liberdade. Ao combatente de grande causa, honra. Ao tirano, vergonha. E a todos nós, uma lição de história.

Ferreira Fernandes no Diário de Notícias

sábado, 26 de novembro de 2016

POSTAIS SEM SELO



Si la América no puede com um pais socialista a veinte millas de distancia que se mude.

Fidel de Castro

UMA CHUVA DURA VAI CAIR


Angelina Barbosa e Pedro Serrano, os tradutores, para a Relógio d’Água, das Poesias de Bob Dylan, anotaram sobre A Hard Rain’s A-Gonna Fall:

 Escrita durante a crise dos mísseis cubanos, em Outubro de 1962, a canção reflecte a angústia da possibilidade de uma guerra nuclear provocada pelo braço de ferro entre Kennedy e Khrusschev. Diz Dylan que, quando a escreveu, pensava não lhe restar muito mais tempo para escrever outras canções, pelo que pôs tudo quanto conseguiu nesta, como se fosse uma canção contendo várias canções.
A estrutura da letra da canção baseia-se em «Lord Randall», uma canção que Dylan aprendeu com Martin Carthy.

Como mero gosto pessoal, tenho que esta é uma das grandes canções de Bob Dylan.

Neste tempo que decorre sobre a morte de Fidel, lembrei-me da canção, como também me lembro daqueles tempos de angústia, que não sei bem se, após Trump, não poderão estar de volta.

Numa carta, datada de 15 de Maio nesse mesmo ano de 1962, José Rodrigues Miguéis escrevia a José Saramago:

O mundo está muito complicado, mas não o acho suficientemente absurdo para perder a esperança.

Que se continue a acreditar em Miguéis.

Oh, onde estiveste, meu filho de olhos azuis?
Oh, onde estiveste, meu jovem querido?
Tropecei na encosta de seis montanhas brumosas
Caminhei e rastejei por seis estradas sinuosas
Entrei pelo meio de sete florestas tristes
Estive na orla de uma dúzia de oceanos mortos
Penetrei dez mil milhas na boca de um cemitério
E é dura, e é dura, é dura, é dura
E é dura a chuva que vai cair

Oh, o que viste, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que viste, meu jovem querido?
Vi um recém-nascido rodeado de lobos ferozes
Vi uma estrada de diamantes que ninguém usava
Vi um ramo negro que gotejava sangue
Vi um quarto cheio de homens com martelos sangrentos
Vi uma estrada branca toda coberta de água
Vi dez mil palradores cujas línguas estavam todas destroçadas
Vi armas e espadas cortantes nas mãos de criancinhas
E é dura, e é dura, é dura, é dura
E é dura a chuva que vai cair


E o que ouviste, meu filho de olhos azuis?
E o que ouviste, meu jovem querido?
Ouvi o som dum trovão, rugia um avisos
Ouvi o bramir duma onda que podia afogar o mundo inteiro
Ouvi uma centena de tamborileiros cujas mãoas flamejavam
Ouvi dez mil a sussurrar e ninguém e escutar
Ouvi uma pessoa a morrer de fome, ouvi muita gente a rir
Ouvi a canção dum poeta que morreu na valeta
Ouvi o soluço de um palhaço que gritou na viela
E é dura, e é dura, é dura, é dura
E é dura a chuva que vai cair

Oh quem encontraste, meu filho de olhos azuis?
Quem encontraste, meu jovem querido?
Encontrei uma criança junto a um pónei morto
Encontrei um homem branco que passeava um cão preto
Encontrei uma mulher jovem cujo corpo ardia
Encontrei uma rapariga, ela deu-me um arco-íris
Encontrei um homem ferido de amor
Encontrei um outro homem ferido de ódio
E é dura, é dura, é dura, é dura
É dura a chuva que vai cair

Oh o que farás agora, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que farás agora, meu jovem querido?
Vou voltar lá para fora antes que a chuva comece a cair
Caminharei para as profundezas da mais profunda e sombria floresta
Onde as pessoas são muitas e as suas mãos estão completamente vazias
Onde as bolinhas de veneno inundam as suas águas
Onde a casa no vale se funde na suja e húmida prisão
Onde a face do carrasco está sempre bem escondida
Onde a fome é torpe, onde as almas são esquecidas
Onde a cor é o negro, onde nada é o número
E hei-de contá-lo e pensá-lo e dizê-lo e respirá-lo
E espelha-lo da montanha para que todas as almas possam vê-lo
Então erguer-me-ei no oceano até que me comece a afundar
Mas saberei bem a minha canção antes de começar a cantar
E é dura, é dura, é dura, é dura
É dura a chuva que vai cair

 Bob Dylan

 Canção do álbum The Freewheelin’ Bob Dylan (1963)


FIDEL CASTRO (1926-2016)


«O comandante-chefe da revolução cubana morreu esta noite às 22:29».

Foi assim que o Presidente Raúl Castro anunciou a morte de Fidel Castro.

«El Comandante» morreu aos 90 anos.

Emocionado, Raúl castro terminou o anúncio da morte com a frase:

 «Até à vitória, sempre».

Goste-se ou não dele, Fidel marca uma era na História do século XX.

Tinha 14 anos quando Fidel e os seus guerrilheiros desceram da Sierra Maestra para mostrarem ao mundo que Cuba, a América Latina, não mais seria o quintal e o bordel da mafia americana.

A vitória daquelas gentes sobre os americanos foi a de um David contra Golias.

Ficou-me o fascínio, o lugar da utopia, a marca de um imaginário revolucionário que perdura.

No que a Cuba diz respeito, há alguns conflitos comigo mesmo, o coração, as razões, mas já estou velho para mudar.

sábado, 13 de agosto de 2016

OLHAR AS CAPAS


A História Me Absolverá

Fidel de Castro
Tradução e introdução: Carlos Grifo
Capa: J.C.
Colecção Perspectivas nº 25

Chego agora ao final da minha defesa mas não a acabarei, como os advogados geralmente fazem, pedindo que os acusados sejam libertos. Não posso pedir liberdade para mim enquanto os meus camaradas sofrem na ignominiosa da Ilha dos Pinheiros. Enviai-me para lá, para que me junte a eles e partilhe do seu destino. É compreensível que os homens honestos sejam mortos ou presos numa República em que o Presidente é um criminoso e um ladrão.
Para vós, Meretíssimos Juízes, a minha sincera gratidão por me haverdes permitido exprimir-me, livre de desprezíveis destrições. Não guardo amargura contra vós e reconheço que, em certos aspectos, tendes sido humanos. Sei que o Presidente deste Tribunal. Homem de uma impecável visa privada, não consegue disfarçar a sua repugnância perante o corrente estado de coisas que o obriga a tomar decisões injustas.
Mas um problema mais sério está ainda para resolver nesta sessão: as decisões a tomar quanto ao assassinato de setenta homens, ou seja, quanto ao maior massacre que jamais conhecemos. Os culpados continuam em liberdade e de armas na mão – armas que contìnuamente ameaçam os cidadãos. Se todo o peso da lei não cai sobre os culpados, por causa da cobardia ou do domínio sobre os tribunais, e se, em tal caso, todos os magistrados e juízes se não demitirem, causais-me pena. E lamento a vergonha sem precedentes que recairá sobre o poder jurídico.
Sei que estar na prisão será, para mim, tão duro como alguma vez o foi para alguém, rodeado de ameaças cobardes e perversas torturas. Porém, não temo a prisão, tal como não temo a fúria do miserável tirano que roubou as vidas a setenta dos meus camaradas.
Condenai-me. Isso não importa. A História me absolverá.


Nota do editor: A História Me Absolverá é o texto da alegação dirigida por Fidel de Castro ao Tribunal que o julgou, à porta fechada, após o insucesso da sua primeira insurreição, em 26 de Julho de 1953, contra o regime de Batista.

90 ANOS


Fidel de Castro faz hoje 90 anos.

Recentemente, discursou no encerramento do Congresso do Partido Comunista Cubano:

Em breve, terei 90 anos. Não falta muito para estar como todos os outros. Chega sempre a nossa vez.
Talvez esta seja uma das últimas vezes que falarei nesta sala.,

Os ideais dos comunistas cubanos vão permanecer.

terça-feira, 28 de julho de 2015

OS IDOS DE JULHO DE 1975


28 de Julho de 1975

Desde o dia 21, que um entusiasmado Otelo Saraiva de Carvalho encontra-se de visita a Cuba.
Vou a Cuba para tomar contacto com a revolução cubana a caminho do socialismo. Vou com os olhos e os ouvidos abertos para ver as experiências já adquiridas para, depois poder incentivar a nossa revolução.
Terá sido, no decorrer desta visita que Fidel de Castro colocou a Otelo a possibilidade de Havana se envolver no conflito angolano, correspondendo a um apelo do MPLA.
Fidel também queria saber qual seria a recção do governo português.
Otelo ficou de dizer qualquer coisa mas ter-se-á «esquecido».
Em 1977, numa passagem de Costa Gomes por Havana, Fidel de Castro disse-lhe:
Otelo desiludiu-me muito.


Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.


Legenda: Otelo em Cuba.fotografia tirada de O Segredo do 25 de Novembro de José Freire Antunes, Publicações Europa- América, Lisboa s/d.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ESPERAR PARA VER


Quando um dia lhe perguntaram o que pensava de John Kennedy, Che Guevara respondeu:

É com certeza muito boa pessoa mas é Presidente dos Estados Unidos.

Sobre a recente aproximação diplomática entre Cuba e os Estados Unidos, Fidel de Castro disse:

Não confio na política dos Estados Unidos nem troquei qualquer palavra com eles- Tal não significa – longe disso – a recusa de uma solução pacífica para os conflitos. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

FIDEL


Goste-se ou não, ninguém pode escamotear que Fidel de Castro marcou, para sucessivas gerações, uma era.
Ainda marca.
Faz hoje 85 anos.
Por ocasião de um aniversário da Revolução Cubana disse:

O que hoje se exprime desta tribuna não é exactamente o mesmo homem desse dia; é só alguém muito menos jovem, que tem o mesmo nome, que veste da mesma maneira, que pensa do mesmo modo, que sonha como então.

Não hesita em classificar a democracia como lixo e tem o cuidado de dizer que se algum país socialista se quiser tornar capitalista, temos que o respeitas, do mesmo modo que ninguém pode interferir no destino dos que desejaram permanecer socialistas.