Um
muito velho recorte de uma crónica de José Quitério no Expresso de 28 de Maio de 2011.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
VELHOS RECORTES
terça-feira, 18 de novembro de 2025
OLHAR FRIGIDEIRAS, TACHOS, PANELAS
Hoje,
as panelas, as frigideiras, os tachos, fazem uma breve homenagem a José
Quitério que há uns anos, por motivos de doença. Deixou de publicar as suas
excelentes e únicas críticas de gastronomia que publicou no semanário Expresso.
Trata-se
de um recorte (incompleto) encontrado na revista Ler do Inverno de 1989.
Fala
de caldo verde e de Camilo Castelo Branco.
Gosto
de caldo verde - «sábia simbiose entre um caldo de puré de batata, que não
se quer em exagero, e a couve galaga finamente segada e abundante, tudo
espevitado pelo azeite puro e a rodela de salpicão ou de chouriço caseiro»,
José Quitérito dixit
Mas
os mercados de Lisboa, excepção ao de Alvalade e ao 31 de Janeiro, já não
existem e aí se comprava a couve galega cortada à vista do cliente. As
embalagens de caldo verde que hoje se vendem nos supermercados, são um embuste.
Quanto a Camilo, lamentavelmente, não lhe dei a mesma atenção de leitura que dei a Eça de Queiroz.
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
OLHAR FRIGIDEIRAS, TACHOS, PAPNELAS
Nunca gostei de «chefs», sejam eles de onde forem, façam lá as «maravilhas» que lhes dê na real gana.
Aprendi
com o José Quitério: sempre gostei de cozinheiros.
domingo, 6 de outubro de 2024
O OUTRO LADO DAS CAPAS
Desde
1976, a crítica gastronómica do Expresso
é feita a partir de visitas anónimas, sendo pagas pelo jornal todas as
refeições e deslocações.
Quem iniciou a função foi José Quitério.
E desde as primeiras linhas não se preocupou apenas
com os pratos que degustou, os vinhos que bebeu.
Enrolou tudo numa escrita cativante que tratava a
gastronomia com uma cultura geral admirável, que deixou marcas e alguns
seguidores.
Segundo Mário de Carvalho «José Quitério é um dos grandes prosadores do nosso tempo. Porventura o
maior. Um jornalista? Sim, um jornalista, um escritor, um erudito, um homem de
cultura, um excelente conversador.»
Neste folheto, que aparece hoje em Olhar as Capas, debruçamo-nos sobre um
«velho» restaurante de Lisboa, «O Funil», na Avenida Elias Garcia nº 82-A:
«É grato e reconfortante fazer escala num porto seguro, sem afunilamentos, onde há respeito pela gustação e pela bolsa. Que se revisita sempre com o mesmo alvoroço festivo com que se reencontra um amigo velho.»
Legenda: pintura de Giovani Stanchi
OLHAR AS CAPAS
100 Restaurantes/100
Vinhos
José Quitério
Expresso, Lisboa, 1998
A lista de 100 restaurantes que de seguida o EXPRESSO oferece aos seus leitores é a actualização de outra editada e distribuída juntamente com o jornal de 11 de Novembro de 1995. Dos então selecionados saíram 25, entrando naturalmente outros tantos. A ficha técnica de todos os agora mencionados reporta-se a Dezembro de 1997.
Convém recordar alguns avisos à navegação gastronómica. Esta nnão, uma escolha fundamentada dos melhores, mesmo tendo em conta a subjectividade inerente. Outros haverá – num país com mais de quarenta mil restaurantes e similares – que ficam de fora por ainda não se conhecerem, outros que beneficiaram da proximidade, outros que foram vítimas da distância, no sentido em que a possibilidade de visitas mais frequentes garante maior fundamentação aos juízes de valor.
Por outro lado, este é um sector altamente instável. Mudam-se proprietários, transferem-se cozinheiros, extinguem-se subitamente casas (muitas vezes por obra de quem nunca as devia ter aberto), adormecem ou degradam-se outras, modificam-se os estilos em prol de modismos duvidosos. Numa área em que o vector fundamental é uma arte que se consome imediatamente e se extingue após o acto da criação, captar tais efemeridades e inconstância, valorá-las e, ponto fulcral, manter essa classificação actualizada, é tarefa habitualmente só al alcance de uma equipa, obviamente competente, em dedicação exclusiva.
Cumpri este trabalho sozinho e assumo a respectiva responsabilidade.
sábado, 27 de julho de 2024
CONVERSANDO
Numa das suas excelentes críticas de Gastronomia que José Quitério deixou nas páginas do Expresso, um dia deixou reparo.
O menú do
restaurante só exibia pratos de peixe e carne em ritmo de grelhados.
O excelso
crítico concluía: quando assim acontece, ficamos a saber que o cozinheiro não quis
trabalhar!
Por este
Cais, quando se abusa de citações de livros e jornais, os viajantes poderão concluir
que o escriba não esteve para se chatear!...
Mas, de
facto, está um calor infernal!...
Volta e meia
sente uma dorseca nas costas, onde quer que seja!...
Uma das coisas
de que tem medo nesta já velhice, não é o repetir-se, antes certa decadência
mental, o começar a dizer disparates sem dar dar conta…
quinta-feira, 2 de maio de 2024
O OUTRO LADO DAS CAPAS
Há uma
frase de Jorge Calado lida não lembro onde:
«O
primeiro sintoma duma cultura é a culinária. Diz-me o que comes, dir-te-ei quem
és.»
Para
continuar uma outra frase, esta do jornalista Rodrigues da Silva, que há algum
tempo nos deixou:
«…em miúdo, atraído pelo cheiros e antegozando os
sabores, metia o bedelho na cozinha, minha mãe corria comigo de lá, dizendo-me
assim: «Aprende a fazer o refogado, que depois mexes no tacho».
Sempre gostei de comer em tascas, tabernas.
Liquidaram-nas. Umas viraram frutarias, outras
bancos, outras lojas de artesanato, outras reles snacks, também restaurantes a
armar ao pingarelho.
Deixei-me de comer
Mas quando era miúdo, quando se comia fora, era
uma festa.
O livro que trouxemos hoje ao Olhar as Capas, é um
dos que constam na Biblioteca da Casa para acompanhar as experiências que vamos
fazendo na arte petisqueira e serviram na perfeição nos tempos em que a Aida
teve uma taberna em Almoçageme
A sugestão fomos encontrá-la no mestre José Quitério:
«Publicado em 1904, o Tratado conheceu êxito sólido. Quando apareceu, o último grande livro de culinária de autor português era o de João da Mata, de 1876, muito mais virado para a alta cozinha de recorte evidentemente francês. O Bento da Maia (como passou a ser identificado) é, sobretudo, uma súmula da cozinha burguesa que não descura a popular e regional portuguesa. Além das novecentas e quarenta e quatro receitas de iguarias diversas e das cento e noventa e oito dos doces, oferece amplos ensinamentos sobre tudo quanto se relaciona com a cozinha e a mesa, de maneira acessível para principiantes. Esta última característica valeu-lhe a popularidade: era o livro que se oferecia às noivas, para que pudessem trazer os maridos bem presos à rédea curta da boa petisqueira caseira.»
domingo, 26 de março de 2023
O OUTRO LADO DAS CAPAS
O meu pai sempre me foi dizendo que não devíamos emprestar livros, porque na maior parte das vezes não voltavam ao lugar da estante.
Mas também falava da cara com que não lhe apetecia dizer que não. Porque
alguns amigos ainda tinham menos posses que ele, não tinham quase dinheiro para
comprar comida quanto mais livros. Havia os que estavam nos calabouços salazaristas
da PIDE e necessitavam de livros para ajudarem os dias malditos.
Daí ter encontrado livros, com ficha feita, que não ocupavam as
prateleiras na Biblioteca da Casa, nem qualquer indicação a quem tinham sido
emprestados.
Emprestei livros, uns regressaram, outros não, mas agora o dilema já
não existe, porque sabe-se que 56% dos portugueses não leram um único livro
durante o passado ano.
No entanto aconteceu-me que, quando aqui falei na companhia que fazia ao meu avô nos programas televisivos da Maria de Lurdes Modesto, necessitei de
consultar o «Livro de Bem Comer» do José Quitério.
Voltas e mais voltas e do livro nem sombras.
Claro que metade do meu cérebro já não funciona, mas emprestar o livro
do Quitério a quem?
Há dias, fui até à Rua Passos Manuel na expectativa de, na Assírio
& Alvim encontrar por lá algum exemplar. Está esgotado, mas a amável trabalhadora
da livraria, falou-me da existência de uma edição que reunia o «Livro de Bem
Comer» e «Histórias e Curiosidades Gastronómicas».
É este o livro, editado em Maio de 2015 e que já vai em 3ª edição.
Em «Nota Posfacial», José Quitério explica:
«Livro de Bem Comer foi publicado em 1987 e «Histórias e
Curiosidades Gastronómicas» em 1992.
Fizeram sem pressas os seus caminhos e acabaram naturalmente por esgotas.
Durante muito tempo não anuí à sugestão do editor para os reeditar. Com o
passar dos anos e o galopante aumento de interesse por estes temas, fui
admitindo tal possibilidade, sobretudo porque verifiquei que continuavam a ter
serventia, traduzida na muita gente que vinha beber destas águas, bastas vezes
sem citar a fonte. Relidos os textos, também cheguei à conclusão que talvez não
merecessem não ficar sepultados e poderem ser conhecidos pelos interessados da
nova geração.
É assim que, decorridos
respectivamente 28 e 23 anos, surge agora Bem Comer & Curiosidades». Não é uma mera junção dos dois. Foram
retirados todos os textos de cariz estritamente literário-gastronómico, que
entretanto enformara, acrescidos de vários outros, o livro Escritores à
Mesa (e outros artistas), de 2010.
Eliminaram-se alguns, adicionaram-se muitos mais, todos os originais foram
sujeitos a revisão, expurgo e amiúde a ampliação.
Aqui fica. Obra definitiva e
crê-se de registo histórico da cultura gastronómica portuguesa.»
De José Quitério disse José Cardoso Pires que «é um dos nossos prosadores vivos de mais inteligente qualidade»,
enquanto Mário de Carvalho afina pelo mesmo diapasão de Cardoso Pires, mas
acrescenta «Porventura o maior».
Deliciava-me com as crónicas que durante largos anos: José Quitério
publicou no «Expresso».
A inteligência é sempre um prazer!
OLHAR AS CAPAS
Bem Comer & Curiosidades
José Quitério
Capa: O Pássaro e as Sombras,
Fresco, Século I, Pompeia
Sistema Solar, Lisboa, Abril de 2022
Mito celulóidico, fantasma
erótico de várias gerações, mulher fatal e total, Sophia Loren também pratica o
amor com culinária. Em 1968, aproveitando repouso forçado por via de
maternidade intrincada, deu à luz In Cucina com Amore, súmula de recordações e
experiências gastronómicas. Aí enuncia os seus oito mandamento da coacção das
massas. Para que fiquem como devem ficar: al dente, isto é, a oferecerem ainda
resistência à dentadura na altura de serem comidas. Aà dentadura na altura de
serem comidas. A saber:
1º - Cozê-las em
panela grande com muita água.
2º - A água deve ferver em cachão e põe-se-lhe um pouco de sal quando
entra em
ebulição.
3º - Aumentar o fogo no momento em que se põe a massa na água fervente
– diz Sophia que é este o grande segredo napolitano.
4º - Remexer as massas para que fiquem bem separadas umas das outras.
5º - Vigiar a cozedura. Desconfie dos tempos que vêm indicados nas embalagens
Trincar a massa para saber se já está al dente
6º - Antes de retirar a água, pôr na panela um fio de azeite.
7º - Sacudi-las bem no passador para que a água escorra toda.
Já está como ensinas, Sophia. Só falta o amore…
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
CONVERSANDO
Dando destino aos jornais e revistas que se vão acumulando por aqui e por ali, dei com um Fugas do Público de 23 de Julho de 2022 em que Edgardo Pacheco escrevia o obituário de Maria de Lourdes Modesto.
«Conheci Maria de Lourdes Modesto, que morreu
esta terça-feira aos 92 anos, em meados dos anos de 1990, num dos Congressos de
Gastronomia do Minho, organizados por Francisco Sampaio e Nuno Lima de
Carvalho. Eram encontros estupendos porque, entre debates sobre papas de
sarrabulho e as estratégias para o turismo termal, havia sempre tempo para se
chegar a estados etílicos alegres e em diferentes escalas, tais eram as
solicitações das adegas da região para a aferição da qualidade do Alvarinho, do
presunto e dos enchidos variados.
O grupo de Lisboa ia para o Minho num autocarro fretado. À frente, os palestrantes, a meio, uns eruditos (com o jornalista António Valdemar à cabeça) e, atrás, a maralha, liderada por esse pândego cativante que era o Hélder Pinho – conhecido no universo gastronómico como Dom Pipas (Capital).»
Guardei o recorte porque a sua morte mandou-me para os
tempos dos meus 13/14 anos em que determinados programas, na televisão
Nordmend, a preto e branco, não tinham outros assistentes que não o avô, eu e o
gato Trafaria.
Ali ficávamos os dois, o Trafaria, ronronando,
aconchegado nos joelhos do meu avô, olhando as habilidades culinárias da então
colaboradora semanal da televisão-canal-único, a sua simpatia, o trato fácil, excelente
comunicadora, era professora no Liceu francês, os seus gestos, o seu grande
sorriso, o gosto pela cozinha alentejana, Beja a viu nascer, um tempo em que
não havia «chefs», apenas cozinheiro(a)s que falavam do que portuguesmente
queriam saber, e José Quitério no seu Histórias
e Curiosidades Gastronómicas, chamou a Maria de Lourdes Modesto, uma das
cada vez mais raras Guardiãs do Fogo.
Mas o recorte também ficou guardado porque Edgardo
Pacheco falava do Helder Pinho, meu grande amigo, jornalista, desde os primeiros
números, de A Capital, das andanças e trangalhadanças de D. Pipas.
Saudades.
Curiosamente, há dias, guardei uns recortes em que Jorge Pereirinha Pires, no «Expresso» escrevia sobre os portugueses na Califórnia («O primeiro europeu a chegar à costa da actual Claifónia foi, como, como se sabe, João Rodrigues Cabrilho. Natural da freguesia de Cabril, perto de Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre.») e onde era referido o nome de Helder Pinho e o livro, Portugueses na Califórnia, que reuniu as reportagens que realizou para A Capital», com prefácio de Jorge de Sena.
«Pede-me Helder Pinho algumas palavras de apresentação do seu livro sobre os portugueses na Califónia que ele publicou por Abril e Maio do corrente ano (1977), no jornal A Capital, e que representavam a soma das suas pesquisas e contactos de jornalista consciencioso e lúcido como poucos, para tão complexo tipo de reportagens jornalisticas e/ou literárias. Pelo que até aqui já vai dito é óbvio que os contactos que com ele tive já vai dito é óbvio que os contactos que com ele tive, o modo como o vi actuar, o que ouvi da actuação dele junto das várias pessoas, e os textos que li atentamente e com prazer e enorme proveito (quem de todos nós faz deste estudos brilhantes e ao mesmo tempo da funda seriedade e sólida documentação, se escreve de gentes e lugares que foi ver só para escrever deles?), me fazem julgar o autor como um admirável e os artigos que ele publicou como nada de efémero, e sim como essencial base documental para entender-se o problema dos portugueses e seus descendentes no estrangeiro, e em particylar na América do Norte.»
Conversando, o meu amigo Helder Pinho, Jorge de Sena, o meu avô, o gato
Trafaria, Maria de Lurdes Modesto, a rara Guardiã
do Fogo, como lhe chamou José Quitério, uma televisão Nordmend, a preto e
branco, comprada a prestações, que levou anos e anos a pagar, e o primeiro programa
que nessa televisão vi, «Nat King
Cole Show» e em boa hora isso aconteceu, memórias e mais memórias…
sábado, 22 de agosto de 2020
ANTOLOGIA DO CAIS
quinta-feira, 26 de março de 2020
DIÁRIO DOS DIAS DIFÍCEIS
«A resposta da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, até agora, podia ser anedótica, se isto desse vontade de rir a alguém. Resume-se a isto: 7,5 mil milhões de euros que cabem na cova de um dente - e que nem sequer é dinheiro novo - e o fim do limite dos 3% de défice, que, durante anos, só alguns é que estavam obrigados a cumprir.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.»
.jpg)
.jpg)



.jpg)













