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terça-feira, 19 de outubro de 2021

AS FOTOGRAFIAS DO VIAJANTE


A Câmara de Carregal do Sal assumiu, em Maio de 2020, e por um período de dez anos, a tutela da Casa do Passal.

A Câmara de Carregal do Sal receberá 300.000 euros do Ministério da Cultura, em três anos, para a gestão e funcionamento da musealização da antiga residência do cônsul Aristides de Sousa Mendes. 

Fechada ao público há quase 50 anos, sofreu uma intervenção nas paredes exteriores e cobertura em 2014.

 Ao passar por Cabanas de Viriato, o viajante olhou a casa fechada onde nasceu e viveu Aristides Sousa Mendes.


Nesta fotografia poderá ver-se no muro e a casa, uma escultura de Cristo na cruz.

Em conversa com a vizinhança deu para perceber que no interior da casa nem tudo estará nas melhores condições e a ruína de algumas salas deverá ser uma constante. 

Por aqueles lados, as autarquias são mais lestas em colocarem rotundas do que realizar outro tipo de obras, e até poderá acontecer não se saber muito bem por onde anda o dinheiro, que o governo, protocolarmente, diz ter cedido à autarquia.


A última fotografia o viajante tirou-a do alto do Miradouro de Cabanas de Viriato, uma outra perspectiva da casa e, um tanto ou quanto ao longe, avista-se a Serra da Estrela.

O viajante não sabe se voltará àqueles lados, mas se por acaso voltar, gostaria de olhar os interiores da casa devidamente restaurados, algo que há muito já deveria ter acontecido.

ARISTIDES SOUSA MENDES NO PANTEÃO


 Aristides de Sousa Mendes, antigo Cônsul-Geral de Portugal em Bordéus, recebe hoje, em Lisboa, honras de Panteão Nacional.

No início da II Guerra Mundial, à revelia de Salazar, o diplomata concedeu milhares de vistos a judeus e outros refugiados.

Os países que se mantinham neutros face à guerra evitavam qualquer conflito com a Alemanha e muitos consulados limitavam os vistos ou encerravam as portas. Para controlar a situação, Salazar enviou a todos os agentes diplomáticos uma circular que determinava a proibição da concessão de vistos a quaisquer refugiados judeus, exilados políticos bem como outros cidadãos.

Entre salvar vidas ou desobedecer ao governo, Sousa Mendes não hesitou.

Obrigado a voltar a Portugal, Sousa Mendes foi demitido do cargo e ficou na miséria, com a sua numerosa família. Morreu na pobreza em 03 de Abril de 1954, no Hospital dos Franciscanos, em Lisboa.

Em 1967, foi reconhecido pelo instituto Yad Vashem, memorial dos mártires e heróis do Holocausto, como um Justo entre as Nações.

Em 1988 a Assembleia da República aprovou a reabilitação de Aristides Sousa Mendes no cargo de Cônsul.

No dia 3 de Abril de 2017, o Presidente da República condecorou o Cônsul com a Grã Cruz da Ordem da Liberdade.

Na agenda da cerimónia está o descerramento de uma placa simbólica na Sala 2, onde se encontram sepultados Humberto Delgado, Sophia de Mello Breyner,  Aquilino Ribeiro e Eusébio.

A decisão de não trasladar o corpo de Aristides de Sousa Mendes para Lisboa foi tomada pelo Parlamento, de modo a respeitar o desejo do próprio ao querer ficar sepultado em Carregal do Sal, sua terra natal.