George Steiner disse recentemente que
vivemos demasiado.
Numa velha entrevista ao Expresso, Maria João Seixas, quando viveu em África,
referiu que o animal que mais a impressionou foi o elefante. Pela sua maneira
de viver em grupo, de se sociabilizar…
«Também porque nos dá uma grande lição de morte. A dignidade da morte é uma
coisa que nos escapa. Os elefantes quando sentem que vão morrer escolhem um
parceiro e afastam-se do grupo com ele. Podem andar os dois vários quilómetros
em silêncio. A um dado momento o elefante que sabe que vai morrer encontra o
seu cemitério, um círculo imaginário na terra queimada na savana, e estaca no
perímetro. Trombeteia para o outro que lhe responde e vai-se embora. O elefante
doente senta-se espera a morte. Sozinho».
Da nota final que Vittorini escreveu:
«Discurso sobre a
morte, poderia eu ter chamado ao livrinho. Ou pelo contrário: Da importância de viver. Porque não?
Eu não pensava, ao
escrever, terminar onde terminei. Tinha na ideia uma segunda parte em que
procuraríamos, pelos bosques em torno da cidade, o velho que se foi. Mas não
digo que não retome em mãos a coisa, dentro de algum tempo. É um motivo que me
é muito caro. Portanto, pode acontecer que nos voltemos a ver por aí, com o
«meu avô», pouco importa se não for propriamente no livro imediatamente a
seguir a este».