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sábado, 15 de junho de 2024

OLHAR AS CAPAS


 Coca-cola Killer

António Victorino de Almeida

Edições O Jornal, Lisboa, Novembro de 1981

                                                                        Qualquer semelhança

                                                                         entre este livro

                                                                         e uma garrafa

                                                                         é pura coincidência.

Ainda que este livro não deva ser, de modod algum, uma daquelas autobiografias grotescas em que o autor relata toda a sua história desde a idade das fraldas, não posso deixar de citar a data triste da minha infância em que – motivado pela circunstância de meu avô dormir de braçaos abertos – pretendi crucifica-lo no colchão, chegando a cravar-lhe uma cavilha na mão esquerda.

Ao contrário do que se propalou pelas vias da coscuvilhice da vizinhança, a gangrena que o vitimou não derivou do ferro ferrugento da cavilha, mas de um panarício anterior ao atentado – o que não impediu que tanto a acção concreta como a calúnia me marcassem para o resto da vida, com a memória escaldante de uma tragédia

segunda-feira, 15 de abril de 2024

VIAGENS POR ABRIL


                       Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                                João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

 

15 de Abril de 1974

Neste dia, de há 50 anos, existem notícias curiosas.

1ª                                                                                                                              

Henry Kissinger, de má memória, falecido há meses, como secretário de estado americano, ofereceu em Nova Iorque um jantar ao vice-primeiro ministro chinês Deng Xiaoping, chefe da delegação chinesa à sessão especial da Assembleia Geral da ONU sobre matérias primas. Apesar do clime de bom entendimento entre Washington e Pequim, desde a visita, dois anos antes, do presidente Nixon à China, Deng não poupou críticas na ONU aos seus anfitriões, acusando os Estados Unidos e a União Soviética de serem «os dois maiores exploradores e opressores internacionais».

2ª                            

O Egipto ameaçou declarar guerra a Israel se o estado hebraico persiste nos seus ataques contra a Síria e o Líbano. «Não ficaremos de braços cruzados deixando Israel atacar impunemente o Líbano e a Síria».

O maestro António Victorino de Almeida foi nomeado adido cultural em Viena. O maestro realizou  um trabalho meritório na capital austríaca, com excelentes programas realizados para a então RTP ,que foram largamente referidos por Mário Castrim nas suas críticas que publicava no Diário de Lisboa.

MAS HÁ QUE VOLTAR às inúmeras reuniões, realizadas em todo o País, com vista à concretização da queda da ditadura. Não sei em que dia, finais de Novembro de 1973, Luís Ataíde Banazol, no meio de uma série de conversas repetidas, acabou por dizer:

«Meus caros camaradas:

Estão a esgotar-se com um assunto que não vale a pena. Isto não é uma questão de galões. O que vocês estão, e todos nós, é agonizantes. Estrangulados por um regime que nos conduz directamente para o abismo. É preciso que acordemos do pesadelo, é preciso acabarmos de vez com a maldita guerra colonial. Impõe-se a revolução armada desde já, seja qual for o seu preço e as suas consequências.»

Legenda: a fotografia que encima o dia de hoje é uma reunião-chá-canastra das «senhoras» do Movimento Nacional Feminino com vista a angariação de fundos para comprarem esferográficas, crucifixos,  imagens pequeninas da senhora de Fátima, terços, aerogramas, alguns cigarros, não muitos, porque o tabaco mata, ao contrário da guerra em África, que as madamas com o seu fervor católico, apoiavam fervorosamente!

domingo, 24 de março de 2024

OLHAR AS CAPAS


Histórias de Lamento e Regozijo

António Victorino de Almeida

Parceria A. M. Pereira, Lisboa, 1968

Um dia entrei em casa e vi um indivíduo , que era eu, sentadoi numa cadeira a fumar tranquilamente

Como é lógico, fiquei espantadíssimo, pois não fumo…

Um pouco a medo dirigi-me ao outro e perguntei:

- Que faz você aqui?...

O outro não respondeu. Insisti. Insistiu no silêncio. E então compreendi: o outro não respondia porque não estava lá nenhum outro. Se lá estava alguém, esse alguém não era outro – era eu!

Perguntei então:

- Estou a fumar?

Respondi imediatamente:

-Estou…

- Mas eu não fumo! – adverti

- Ah não? – retorqui por minha vez. – Pois então se eu não fumo… vou deixar de fumar!

E nesse mesmo instante deitei o cigarro fora e voltei a entrar em mim.