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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

SOLTAS


Ovelho recorte que há dias publicámos sobre o encerramento da Editora/Livraria Cotovia, revelava que o seu proprietário apenas publicava os livros de que gostava. O dinheiro era dele, a editora era dele, a escolha era dele e não estava para cedências, fossem elas quais fossem.

Nunca encontrei o livro, especificamente não sabia da sua existência, mas fiquei a saber que João André editou um livro sobre os começos dos poemas de Jorge de Sena e isso é tão importante quando se sabe que muitos poemas não têm título e apenas funciona o começo de cada poema.

Apesar de saber que os livros de Poesia do Jorge de Sena têm um Índice dos Primeiros Versos, achei a edição do João André uma coisa maravilhosa.

1.

Portugal foi em 2025 o quinto país do mundo que mais milionários recebeu, ao mesmo tempo que se vai sabendo que o risco de pobreza ou exclusão social  ameaça 2,1 milhões de pessoas.

2.

Por vezes vem-me à memória os tempos do confinamento provocado  do Covid desce até nós.

As horas em que não sabíamos nada uns dos outros.

Há um Diário por aqui.

«Sexta-feira 13.

Dia de azar.

Feitiços. Bruxas. Gatos pretos. Não passes por debaixo de escadas. Não abras o chapéu-de-chuva dentro de casa. Não tenhas relógios parados dentro de casa.

Em tempo de pandemia valerá a pena falar de sextas-feiras 13?

Bluff absolutamente inútil?

O papel todo branco à espera, ninguém sabe bem de quê!...»

3.

Dom Quixote de Miguel Cervantes.

Está lá tudo.

Um livro impar que não é tão lido como se apregoa por aí.

Mas muito poucos, mesmo muito poucos admitem que não o leram.

5. Não se pode ser português e assim suave, sem se sentir, primeiro, alguma raiva e, depois, uma melancolia incurável. Disso se morre por vezes. Disso terá morrido o pintor Bernardo Marques, compadre o poeta José Gomes Ferreira

4.

Como dizia a mulher do tipo que se atirou do Viaduto Duarte Pacheco: a vida tem as suas compensações.

 5.

Existem 4800 médicos estrangeiros inscritos na Ordem dos Médicos mas apenas 976 têm contrato com o SNS. em 2025 as duas maternidades onde se realizaram mais partos são de hospitais particulares; seis em cada dez partos em hospitais privados são feitos com recurso a cesarianas, o dobro do que se verifica no sector público.

6.

«Sá de Miranda já falava do desconcerto do mundo, Camões aprofundou o desconcerto do mundo, Vieira sentiu na pele o desconcerto do mundo, Nicolau Tolentino denunciou em versos autocomplacentes o desconcerto do mundo, o desconcerto do mundo persegue-nos. Do renascimento ao barroco, da arcádia lusitana ao romantismo, do modernismo ao surrealismo, passando pelo neo-realismo e demais ismos, sempre o desconcerto do mundo, sempre esta sensação de injustiça, de premiação do mal e desprezo do bem. Ainda hoje, o desconcerto do mundo. Uma guilhotina suspensa por fios débeis sobre as nossas consciências.»

Hmbf  em Antologia do Esquecimento 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

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O D. Quixote de La Mancha, em Maio de 2002, foi votado, por um conjunto de 100 escritores de 54 países, numa iniciativa do Instituto Nobel na Noruega, como o melhor romance do mundo.

A seguir ficou Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust.
 
Estas coisas valem o que valem e a referência apenas aqui aparece por mera curiosidade.

O  D.Quixote é também um dos livros mais traduzidos em todo o mundo, e Ben Okri, escritor de origem nigeriana, disse que ninguém deveria morrer sem o ter lido.

A minha primeira leitura do D. Quixote deu-se em finais do ano de 1957, numa edição da Portugália Editora, fazendo parte da Colecção Biblioteca dos Rapazes, traduzido e adaptado por Maria Ponce e com ilustrações de Eduardo Coelho.

Este é dos tais livros em que não podemos ficar sem uma leitura do texto original.

Para o efeito comprei, quase início dos anos 80, a edição do Círculo de Leitores, uma bonita edição, diga-se, em quatro volumes, num total de 1.332 páginas.

A edição da Biblioteca dos Rapazes tem 283 páginas

Na tradução de Maria Ponce é este o começo:

«Numa aldeia da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito tempo, um fidalgo dos de lança velha, escudo ferrugento, cavalicoque magro e galgo corredor.»

Repito a tradução de Viscondes de Castilho e Azevedo:

«Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor.»

Já agora, cite-se o começo original de El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de La Mancha :

«En un lugar de la Mancha, de cuyu nombre no quiero acordarme, no ha mucho tiempo que vivia un hidalgo de los de lanza en astillero, adarga antigua, rocin flaco y galgo corredor.»

 
Este é um recorte do Diário de Lisboa de Dezembro de 1965 que encontrei dentro do livro da Portugália Editora e que noticia que quatro jovens estavam a percorrer, a cavalo, a região de La mancha evocando o itinerário de D. Quixote.

OLHAR AS CAPAS


D. Quixote de La Mancha

Miguel de Cervantes
Tradução: Viscondes de Castilho e de Azevedo
Ilustrações; Gustave Doré
Capa Manuel Dias
Círculo de Leitores, Lisboa, Agosto de 1978

Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia, não há muito, um fidalgo, dos de lança em cabido, adarga antiga, rocim fraco, e galgo corredor.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

SARAMAGUEANDO


A Imprensa Nacional - Casa da Moeda apresenta hoje, pelas 18,00 horas, na Casa dos Bicos, em Lisboa, a emissão especial de moedas em ouro e prata, dedicada ao escritor José Saramago.

A emissão especial da INCM é uma moeda no valor de 2,5 euros, em ouro e prata, que se integra na colecção Escritores Europeus, da série Europa, na qual participam dez países convidados, que evocam os seus escritores, entre os quais o espanhol Miguel de Cervantes

As moedas da série Europa são emissões oficiais em euros que, embora com uma temática anual comum, cada uma delas é específica do Estado que a emite, e apenas aí tem curso legal.

Nesta série estão também representados o austríaco Stefan Zweig, o irlandês James Joyce, o francês Gustave Flaubert e o belga Hugo Claus.