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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


 Um grupo de manifestantes, reunidos numa praça do Porto, protestavam pela habitação e o aumento do custo de vida, acabaram por ser barbaramente agredidos e perseguidos.

Imagens televisivas, e outras, mostram agressões, pontapés. algo a lembrar um tal Capitão Maltês de péssima memória.

O presidente da Câmara do Porto, o chefe das polícias. apressaram-se a dizer que os manifestantes não respeitaram as ordens policiais.

O presidente da república gaguejou qualquer coisinha, o primeiro-ministro, mais o seu sorrisozinho, pediu que não caíssemos “na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria acção, de importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa”.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

SOLTAS


Ao longo dos tempos a Casa onde viveu António Sérgio sempre viveu momentos difíceis, desde ser vendida, ao abandono a que diversas entidades a submeteram.

Há dias lia-se no Público que a Casa António Sérgio, em Lisboa, tem futuro incerto.

«Numa cave de uma moradia na Lapa, na freguesia lisboeta da Estrela, guardam-se à volta de 7500 livros que pertenciam ao pensador e ensaísta António Sérgio (1883-1969). “Aqui há de tudo: desde química até filosofia”, nota a técnica documentalista Sónia Queiroga. “Muitos têm dedicatória ou anotações e vários eram oferecidos.” Uma sala ao lado reveste-se de diversas publicações sobre cooperativismo e economia social ou de obras da autoria do próprio António Sérgio. Neste depósito, há ainda espólios de outros autores.

Com um acervo único, a Casa António Sérgio, em Lisboa, tem um futuro incerto
Neste momento, a Casa António Sérgio tem o seu destino em aberto. Nos últimos anos, este tem sido um espaço gerido pela CASES, cuja dissolução foi recentemente aprovada, após a saída do Estado como seu membro. Funcionários e direcção alertam para um património “único” que se pode perder. Em relação ao seu proprietário, a Câmara de Lisboa, que o tem cedido desde 1982, refere que possíveis mudanças ou desenvolvimentos serão analisados em “momento oportuno”.».

A imagem em cima, mostra um recorte do Diário de Lisboa de 5 de Janeiro de 1980 em que se noticiava que um incêndio,dado o abandono que rodeava o edifício, ocorreu na casa onde viveu António Sérgio. 

1.

«A amizade é uma coisa muito complexa… É-se amigo de alguém, na minha opinião, quando se cria uma exigência em relação a essa pessoa extremamente utópica. Isto é: quando se pretende que essa pessoa seja o próprio em melhor. Eu sou amigo de alguém, exigindo dele coisas que não sei que não sei capaz de fazer.»

José Cardoso Pires

2.

Os cortes orçamentais estão a levar as organizações de apoio aos refugiados ao "ponto de rutura" em áreas cruciais, onde cerca de 8,3 milhões de pessoas arriscam ficar sem ajuda este ano, alertou esta terça-feira a ONU.

"A proteção não pode ser reduzida indefinidamente sem provocar o colapso dos sistemas", disse o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Abaixo de um determinado limiar, os serviços não se limitam a atingir menos pessoas, alertou.

"Podem deixar de funcionar por completo, deixando os mais vulneráveis sem a proteção de que necessitam", sublinhou Dominique Hyde, diretora de relações externas do ACNUR, por ocasião da publicação de um relatório da organização, sedeada em Genebra, na Suíça.

3.

Desde que os EUA iniciaram a onda de ataques ao Irão, a 28 de fevereiro deste ano, não foram só o preço dos combustíveis e a conta do supermercado que passaram a pesar mais no orçamento das famílias. O Banco Central Europeu aumentou por duas vezes as taxas de juro, a última das quais a 10 de setembro, em 0,25 pontos percentuais. Quem tem crédito à habitação com taxa variável - quase um milhão de famílias, segundo dados oficiais do Banco Portugal -, viu as prestações escalarem, para lá, em alguns casos, dos 100 euros.

4.

«Mussolini era mau, mas fazia chegar os comboios a horas), passaram a servir de inspiração e legitimação sem qualquer pudor, nem rigor.»

José Pacheco Pereira no Público

5.

São mais de 32,5 milhões por ano para pagar as 381 novas reformas acima de cinco mil euros da Função Pública até setembro. Médicos, administradores hospitalares e juízes lideram a lista de reformados e aposentados pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) este ano, onde estão nomes como Carmona Rodrigues, Maria de Lurdes Rodrigues, Barradas Leitão ou José João Abrantes.

O número de novas reformas acima de cinco mil euros brutos na Função Pública caiu ligeiramente face a 2025, mas os gastos subiram. As reformas de 381 novos pensionistas dariam para pagar aos 3212 recém-reformados com menos de mil euros.

sábado, 19 de setembro de 2026

SOLTAS


 Seis meses de guerra no Irão já custaram 43,6 mil milhões de dólares aos Estados Unidos.

1.

Voltamos ao vinho:


«Viticultores do Douro que deixem uva por vindimar receberão 1125 euros por hectare
viticultores que não encontrem comprador para as suas uvas e que, por isso, as deixem ficar nas videiras receberão um apoio máximo do Estado de 1125 euros por hectare, o que equivale a assegurarem escoamento para a produção de três pipas, pouco mais de 1500 litros de vinho, como de resto tinha antecipado o cronista Pedro Garcias, na rubrica que assina semanalmente na Fugas.

Os 12 milhões de euros do Governo para o Douro são uma ofensa e um desperdício
Chegou, finalmente, o dia da vergonha e da humilhação no Douro. Não foi nenhuma surpresa, não surgiu do nada. Estava escrito na pedra há muito tempo. Mas nem isso diminui a vergonha e a humilhação. Ficará para os anais: na vindima de 2026, no dia 4 de Setembro, o Governo de Portugal, liderado por Luís Montenegro e cujo ministro da Agricultura se chama José Manuel Fernandes, aprovou a concessão de 12 milhões de euros do Orçamento Geral do Estado para pagar aos durienses que deixem as uvas maduras na vinha.»

O curioso, assim como quem diz que é, o governo dá milhões de euros para que os viniticultores não apanhem as uvas, e nos supermercados, estamos a comprar uvas, vindas de toda a parte, menos Portugal, a preços incomportáveis e de qualidade duvidosa, enquanto as excelente uvas do Douro ficam a olhar a paisagem.

2.

Um leitor do Público, por causa do cómico Jerry Seinfeld, lamenta-se:

« Não me levam a mal, mas a conclusão de que Israel está a cometer genocídio consta dos relatórios da Comissão Independente da ONU, da Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio, ou de organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional, o Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos, o Human Rights Watch, o Médecins Sans Frontières e ainda de prestigiadas ONG's israelitas como a B'Tselem e a Physicians for Human Rights. Também são da mesma opinião dois especialistas israelitas judeus: Omer Bartov, "I’m a Genocide Scholar. I Know It When I See It", NYT, e Amos Goldberg, "Holocaust Memory in a Time of Genocide". Sem dúvida há sempre jornalistas do Público e leitores aqui que o negam. Respeito as suas opiniões. Porém, nunca nenhum apresentou um estudo a apoiá-las.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias:

«Recordo, para quem ande esquecido, que esta posição de Seinfeld é discutida num contexto em que o Governo israelita massacra a população de Gaza, destrói as condições da sua sobrevivência e pratica atos que a Amnistia Internacional classificou como genocídio. A desproporção em relação aos ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro de 2023 é evidente. Esses crimes não justificam matar civis, provocar fome ou destruir um território. As vítimas palestinianas não são responsáveis coletivamente pelos crimes do Hamas.»

3.

Um estudo da Marktest indica que três em cada quatro portugueses adultos consome bebidas alcoólicas.

4.

A electricidade fica mais cara em Outubro no mercado regulado por causa da guerra no Irão. São mais 0,005 euros por kWh, a aplicar a partir de 1 de Outubro de 2026.

5.

Portugal registou o maior aumento anual do custo da habitação entre 57 países analisados num estudo internacional, tendo-se verificado um aumento de 15,2% em apenas um ano, enquanto o preço das casas, em termos mundiais, caíu 1,2% no mesmo período.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SOLTAS

«Doía-lhe ver todos os anos o Nobel ir para escritores que considerava menores que ele»

Revista Sábado, 11 de Março de 2026.

1.

Os diários generalistas estão a vender menos em banca. O mercado perdeu 6611 exemplares por dia, uma quebra de 12,1% entre Janeiro e Junho.

2.

Lisboa é a oitava cidade com maior densidade de turistas, com cerca de  1793 turistas por cada 100 residentes; a Baixa de Lisboa perdeu 23% dos residentes em dez anos.

Numa década, Portugal perdeu quase 88 mil alunos.

3.

Num retrato feito pelo Banco de Portugal, 2024, conclui-se que os trabalhadores por conta de outrem, com nacionalidade estrangeira recebem menos, mas são mais qualificados do que os portugueses: 67% dos imigrantes têm ensino secundário ou superior completo, face aos 60% de portugueses na mesma situação. O fosso salarial é de 133 euros para os menores de 35 anos e de 164 euros para os mais velhos.

4.


Público,  25 de Agosto.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


 A pianista Maria João Pires disse que terminou a carreira como intérprete, depois de em Junho ter sofrido um problema de saúde que a afastou dos palcos, e está agora num "processo de mudança radical".

No discurso de agradecimento pelo Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, entregue este sábado numa cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, afirmou que adoeceu porque tentou "ultrapassar-se e ir até limites proibidos".

Disse ainda:

«Assistimos ao mesmo tempo a massacres hediondos, à destruição de povos, de culturas e, sem piedade, ao massacre do planeta. Parece que de repente temos de nos interrogar, afinal o ser humano será não inteligente ou simplesmente incapaz de evoluir com a experiência adquirida? É de certo modo explorar, tirar, não se importar, ficar indiferente ao Outro, recusar a realidade do grupo e a pertença comum. E perder é ficar de fora.»

José Saramago:

Por tudo o que me fez ouvir e sentir, Maria João, obrigado.» 

1.

A Galp registou um lucro de 973 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, com um recorde de 407 milhões de euros no terceiro trimestre (+53%).

2.
A Siemens anunciou que vai despedir cerca de uma centena de trabalhadores da sua fábrica de produção e manutenção de pás eólicas em Oliveira de Frades. E tudo indica que irá fechar portas em breve. A notícia surge nove meses depois da multinacional alemã ter avançado com um despedimento coletivo de 222 operários na sua unidade em Vagos.

3.

Preços das casas ultrapassam dois mil euros por metro quadrado pela primeira vez.
Num trimestre em que foram vendidas mais de 41 mil casas em Portugal, o preço mediano aumentou em quase 19% e fixou-se em 2065 euros por metro quadrado, o valor mais alto já registado pelo INE.

4.
Dois em cada cinco residentes em Lisboa são estrangeiros. No final de 2024 residiam em Portugal milhão e meio de estrangeiros, 85% dos quais em idade activa.  Os imigrantes são 17% da força de trabalho.

5.

Um estudo da Universidade da Beira Interior indica que mais de metade do país corre o risco de ficar sem cobertura jornalística e indica que cresce o número de concelhos sem órgãos de comunicação social.

5.

Nuno Júdice tem uma interessante reflexão sobre o assunto, em entrevista dada a Ricardo Marques, em que diz nomeadamente “Quando se escreve nós vemos as palavras, é um pouco como a pintura, onde temos a tela, esse sujar as mãos na tinta. Escrever para mim também é sujar as mãos nas palavras e é esse trabalho que eu também quero que esteja visível no poema”.

sábado, 27 de setembro de 2025

DISTO, DAQULO E DAQUELOUTRO

Esta secção nasceu com o propósito de ser semanal, mas nunca conseguimos seguir esse propósito. Resta apresentar os necessários pedidos de desculpa.


De Donald Trump há que esperar tudo, mais alguma coisa  e ainda a procissão vai no adro.

Como um país, como a América, consegue colocar um louco a governá-lo, é algo que ultrapassa todos os limites da incompreensão, dizer ainda dos milhões de admiradores que ele tem pelo vasto mundo, do qual Portugal não escapa.

O discurso que Trump proferiu esta semana nas ONU, está repleto de ameaças e lá vieram os imigrantes -  «é tempo de acabar de com a experiência falhada das fronteiras abertas. Têm de acabar com isso agora. Posso dizer-vos que sou muito bom nestas coisas. Os vossos países vão para o inferno».

Mas o mais surpreendente foi  ouvi-lo lamentar-se de que em tempos, foi preterido como empreiteiro num concurso para a renovação do edifício das Nações Unidas.

1.

Os preços das casas em Portugal Continental subiram 21,6% em Agosto face a igual período do ano passado. Há quase 40 anos que não se verificava uma subida tão acentuada em Portugal.

 

2.

João Ferreira da CDU, apresenta-se como o mais bem preparado candidato à Câmara Municipal de Lisboa.

«Carlos Moedas e Alexandra Leitão, candidatos à Câmara Municipal de Lisboa estavam mesmo convencidos de que iam ser favas contadas. Quando já estava decretada a corrida a dois, um desastre: os confortáveis debates frente a frente, apenas um contra o outro (tão ao gosto dos nossos comentadores do espectáculo político), foram travados pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social , que repôs a justiça (e a lei) e forçou a comunicação social a incluir todas a forças políticas com vereadores eleitos na autarquia – sendo a CDU a única candidatura excluída.

Nem mesmo a opção absurda de incluir o Chega (sem que nenhum critério o justificasse) alterou o resultado dos dois primeiros debates (na SIC e no Observador): «Ferreira venceu. Moedas pouco melhor que Leitão», declarou o Observador («João Ferreira ganha de novo e Leitão perde para Moedas», repetiram dias mais tarde); «Com Moedas à defesa, João Ferreira impôs-se no debate de Lisboa e levou Alexandra Leitão ao prolongamento», concluiu o Expresso; o podcast da equipa de política do Público é peremptório no título escolhido – «A vitória de João Ferreira».

Lido em Abril, Abril

3. 

«Um genocídio na Palestina, guerra na Ucrânia, tensão nos EUA e entre os EUA e Venezuela, autárquicas à porta... mas a televisão pública dedica os primeiros 22 minutos do Jornal da Tarde à mudança de treinador no Benfica. E está a repetir a desgraça no Telejornal. Isto não é apenas doentio, é indecoroso. É a miséria em que estamos metidos».

Lido no blogue Antologia do Esquecimento

4.

Os dirigentes das principais universidades do país e dois dos mais prestigiados investigadores nacionais arrasam a extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a medida do governo é radical, não tem fundamento e compromete a ciência.

5.

«De acordo com dados da empresa, há quatro concelhos sem pontos de venda de imprensa; cerca de duas dezenas só com um; 61% das freguesias, onde residem 19% do portuguesas não têm pontos de venda de jornais. Com exceção para a Grande Lisboa e Grande Porto, Setúbal, Coimbra e Braga, o resto do país tem rentabilidade negativa.

Sem leitura, aumenta a dependência das redes sociais como fonte primária de informação. Ora, sabemos bem como essas plataformas são terreno fértil para teorias da conspiração e manipulações. A ausência de informação profissional e verificada deixa o espaço público vulnerável.

Ler continua a ser um ato político, no sentido mais nobre do termo. Ler amplia horizontes, combate preconceitos e fortalece a cidadania. Mas para que isso seja possível é necessário que o Governo assuma a sua responsabilidade: garantir que a imprensa chega a todo o território, apoiar uma rede de distribuição que não pode ser deixada ao abandono, e reforçar políticas públicas que promovam a leitura desde cedo e ao longo da vida.»

Do editorial de Valentina Marcelino no Diário de Notícias de 23 de Setembro

6.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, cada português desperdiça por ano 182,7 quilos de alimentos, e os dados de 2023 indicam que nesse ano desperdiçaram-se no país 1,9 milhões de toneladas de alimentos, sendo 66,8% desse desperdício atribuídos às famílias.

7.

Também uma frase do poeta e editor Paulo da Costa Domingos:

«É cada vez mais nos livros velhos que devemos buscar as verdades novas.»

terça-feira, 23 de setembro de 2025

QUOTIDIANOS


Ninguém Escreveao Coronel… mas a caixa do correio vai-se enchendo de facturas para pagar – velho que sou nunca aderi a Débitos Directos… - publicidades várias… e estarão para chegar os apelos a votos nas eleições autárquicas… e hoje, algo para resolver o problema da habitação… dado que o governo declarou que o Luís não tempo para tudo… 

quinta-feira, 6 de março de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


É um facto, as guerras que se desenrolam na Ucrânia e em Gaza, não têm fim à vista.

Os políticos esquecem sempre uma ideia: qualquer vida humana é para respeitar.

1.

«E a Europa que ia tão bem à sombra de Washington, vivendo do que sobrava da rapina norte-americana, o que dava para a nossa classe política viver bem, desde que não faltasse também a riqueza que continua a escorrer enquanto esprememos os nossos povos. Trump veio estragar tudo.»

José Goulão em Abril, Abril

2.

Crise da habitação?

Portugal é o país da OCDE onde é mais difícil comprar casa; os preços das casas em Portugal aumentaram 135% em dez anos enquanto os rendimentos subiram 33%.

Novas unidades hoteleiras disparam nas duas principais cidades do país. Algumas terão 300 quartos. É no Porto que a subida será mais expressiva, prevendo-se um aumento de 64,2% no número de hotéis.

3.

O Crédito Agrícola fechou 2024 com lucros recorde de 438,2 milhões de euros, um aumento de 47,4% face ao ano anterior.

4.

A Caixa Geral de Depósitos obteve em 2024 lucros de quase 1735 milhões de euros, os maiores de sempre do banco público.

 5.

Há quem tenha a opinião, e se calhar estão certos:

«Os membros da Academia de Hollywood votam sem terem assistido aos filmes.»

6.

Lido no Público:

As escolas matam a leitura?
O que parece é que os professores de Português nunca leram outro livro que não seja os de leitura obrigatória, para insistirem tanto na obrigatoriedade e na desculpa que sao "obras canónicas", dá a ideia que se colocarem os alunos a ler outro livro os professores já não conseguem interpretar nem dar a aula. Essas obras estão mais que ultrapassadas e sim, são chatas, irrelevantes em 2025.

7.

 O total estimado de professores e educadores de infância que se terão reformado durante 2024 é de quatro mil, o número mais elevado dos últimos 10 anos.

8.

Chegar a tempo.

Quem não sabe chegar a horas deve aparecer maia hora mais cedo.

9.

«Um curso superior é só um diploma para se começar a aprender.»

Marçal Grilo

10.

Treze mil pessoas estavam em situação de sem-abrigo em 2023, um aumento de mais de 2300 casos face ao ano anterior,

11.

Portugal precisa de 50 mil a 100 mil imigrantes por ano para pôr a economia a crescer. É a estimativa que vem num relatório sobre Migrações e Direitos Humanos. 

domingo, 18 de fevereiro de 2024

OH AS CASAS AS CASAS AS CASAS



O título do texto pertence a um poema de Ruy Belo que vive no seu livro O País Possível:

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala

Nos inquéritos recolhidos por Alexandra Tavares-Telles, que o Diário de Notícias tem vindo a publicar, em que os diversos intervenientes se lembram dos dias de há 50 anos, hoje  coube a vez à escritora Ana Vidal que, então, tinha 17 anos.

A história que conta remete para tempos que são mesmo de outros tempos, como o existirem familiares em Lisboa que dispunham de uma quarto, de uma casa  para apoaiarem os jovens familiares,  vindos da província para estudar, e  não tivessem que enfrentar os preços pornográficos, miseráveis, absurdos, sei lá mais o quê, que os senhorios impõem, porque o estado não consegue, ou não quer?, construir apartamentos para estudantes.

É mais fácil dar dinheiro aos bancos do que enfrentar os problemas da habitação:

«Neste dia frio de fevereiro eu estava a meio do meu último ano letivo no Liceu de Santarém. O antigo “sétimo ano dos Liceus”, portanto. Era boa aluna, estava dispensada de ir a exame a quase todas as disciplinas. O meu futuro próximo desenhava-se paulatinamente, sem grandes ondas à vista: a ida para Lisboa, para entrar na Universidade – Direito ou Filosofia, ainda não me tinha decidido – e, o que mais me empolgava, o mergulho de cabeça no meu primeiro voo para a independência. Tal como a minha irmã mais velha, já no primeiro ano de Economia e Finanças, e alguns dos meus primos, ficaria alojada na casa da Rua da Junqueira que uns tios nossos, sem filhos, punham à disposição de todos os sobrinhos durante o tempo dos estudos na capital. Tios esses que não viviam lá, o que fazia daquela casa uma espécie de República de estudantes, muito apetecida e ponto de encontro de todos os nossos amigos que viviam com os pais.»


Legenda: imagem Shorpy