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quinta-feira, 2 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Nunca o caminho percorrido é o mais acertado logo que reavemos a nossa capacidade de auto-critica e nos imaginamos pelo outro que não percorremos. O percurso que não fizemos é sempre melhor, e o melhor que teríamos feito, só porque se pensa que se se pensasse não se faria. Nós sabemos: somos um erro - mas a consciência disso isola-nos do erro alheio.

António Maria Lisboa

sexta-feira, 7 de junho de 2024

OLHAR AS CAPAS


 

Malaquias ou a História de um Homem Bàrbaramente Agredido

Manuel de Lima

Prefácio : António Maria Lisboa

Capa: Soares Rocha

Colecção Obras de Manuel de Lima nº 2

Editorial Estampa, Lisboa, Novembro de 1972

Chamou um avaliador; o avaliador estudou o assunto e, no fim, disse: - Cientificamente falando, interesso-me apenas por certo e determinado número de obras que aqui estão.

Foi quando deixou de ser definitivamente analfabeto. Porque aprendeu a ler os livros como quem vê o sangue a correr a favor de uma causa.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

POSTAIS SEM SELO


Uma vez por todas não escrevo para os que não sabem ler.

António Maria Lisboa

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

POSTAIS SEM SELO


Todo o acto leviano tem a sua guilhotina própria.

António Maria Lisboa

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PROJECTO DE SUCESSÃO


Para o Mário Henrique

Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra.

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos.

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nú em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio. 

Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias. 

António Maria Lisboa

Legenda: poema de António Maria Lisboa encontrado no espaço do Legado de Mário Henrique Leiria

domingo, 25 de janeiro de 2015

PROJECTO DE SUCESSÃO


Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias.

António Maria Lisboa, poema dedicado a Mário-Henrique Leiria

Legenda: Grupo Surrealista de Lisboa, Portugal 1949. Na foto, da esquerda para a direita : Henrique Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa e Fernando Alves dos Santos. I Exposição dos Surrealistas, Junho/Julho, 1949.

Imagem retirada de Citizen Grave

sexta-feira, 27 de julho de 2012

OLHAR AS CAPAS



Erro Próprio

António Maria Lisboa
Prefácio de Mário Cesariny de Vasconcelos
Guimarães Editores, Lisboa Março de 1962

Uma vez por todas não escrevo para os que não sabem ler.