«Neste
inverno há homens que enlouquecem e outros que se salvam. Todos caem, alguns
saberão levantar-se.»
― Nuno Camarneiro em Debaixo de Algum Céu
«Neste
inverno há homens que enlouquecem e outros que se salvam. Todos caem, alguns
saberão levantar-se.»
― Nuno Camarneiro em Debaixo de Algum Céu
Quando alguém conta
um dia ou uma vida está a calar quase tudo, as vidas são imensas e não se podem
contar só por palavras. Haveria que inventar artes de encher o silêncio e de
descobrir nele o peso certo do que somos. O que se é só se pode encontrar no
que não é dito, nas culpas deixadas dentro, nos castigos que se vão escolhendo.
Nuno Camarneiro em Debaixo de Algum Céu
Legenda: imagem
Shorpy
O medo nasce em
qualquer lugar, como erva daninha por dentro. O medo suporta tudo e cresce no
escuro até ser adulto, até ser do tamanho de um homem, e lhe tomar o corpo e
pensar por ele.
Nuno Camarneiro em Debaixode Algum Céu
Somos todos uns sentimentais e por isso demoramos no que nos dói. Temos o choro fácil que dá ou não dá em lágrimas, guardamos as dores cheias de pormenor enquanto as felicidades ficam por ali, confusas, com algumas caras, alguns sons, incertas e vagas. Lembramos os sapatos que calçávamos quando alguém morreu, a hora da notícia, o programa que passava nesse instante e até as vergonhas que pensámos. Folheemos as páginas do riso e pouco encontraremos, algumas frases, momentos caricatos, elementos de uma paisagem. Pouco e mal contado, estávamos distraídos, demasiado ocupados na felicidade para lhe fazermos o retrato. Somos tolos e sentimentais, temos arcas cheias de mágoas que não esquecemos e que abrimos a todo o momento a ver se ainda nos doem, e doem sempre. Descuramos o arquivo do bem que apesar de tudo nos vai acontecendo, somos tolos de lágrimas.