O poema transgride pela manhã
e cobre gloriosamente a trepadeira púrpura;
agora, que tudo e todos se odeiam,
na impenetrável aurora
sentem-se melhor.
A precisão maligna de impulsos
à astúcia de um pressuposto de luz
(pedaço a pedaço revelando a morte
e o nojo reprimidos)
declina o Tempo zodiacal:
a violenta partição do fluxo:
da Via Láctea ao vírus;
da epifania à produção em série;
do incesto ao tributo pago;
do continente à subida das ágüas;
da fala à sílaba;
da geografia à Arca; …
A gavinha do poema lambe caliça
num recanto de sombra, re-canta:
as escolhas e permutas na cidade-cluster.
De mão estendida o poema alastra.
Já sem núcleo, uma onomatopeia cindida.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
O POEMA TRANSGRIDE PELA MANHÃ
sábado, 27 de setembro de 2025
DISTO, DAQULO E DAQUELOUTRO
Esta secção nasceu com o propósito de ser semanal, mas nunca conseguimos seguir esse propósito. Resta apresentar os necessários pedidos de desculpa.
De
Donald Trump há que esperar tudo, mais alguma coisa e ainda a procissão vai no adro.
Como
um país, como a América, consegue colocar um louco a governá-lo, é algo que
ultrapassa todos os limites da incompreensão, dizer ainda dos milhões de
admiradores que ele tem pelo vasto mundo, do qual Portugal não escapa.
O
discurso que Trump proferiu esta semana nas ONU, está repleto de ameaças e lá
vieram os imigrantes - «é tempo de
acabar de com a experiência falhada das fronteiras abertas. Têm de acabar com
isso agora. Posso dizer-vos que sou muito bom nestas coisas. Os vossos países
vão para o inferno».
Mas
o mais surpreendente foi ouvi-lo
lamentar-se de que em tempos, foi preterido como empreiteiro num concurso para
a renovação do edifício das Nações Unidas.
1.
Os preços das
casas em Portugal Continental subiram 21,6% em Agosto face a igual período do
ano passado. Há quase 40 anos que não se verificava uma subida tão acentuada em
Portugal.
2.
João Ferreira da
CDU, apresenta-se como o mais bem preparado candidato à Câmara Municipal de
Lisboa.
«Carlos Moedas e Alexandra Leitão, candidatos à Câmara
Municipal de Lisboa estavam mesmo convencidos de que iam ser favas
contadas. Quando já estava decretada a corrida a dois, um desastre:
os confortáveis debates frente a frente, apenas um contra o outro (tão ao gosto
dos nossos comentadores do espectáculo político), foram travados
pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social , que repôs a
justiça (e a lei) e forçou a comunicação social a incluir todas
a forças políticas com vereadores eleitos na autarquia – sendo a CDU
a única candidatura excluída.
Nem mesmo a opção absurda de incluir o Chega (sem que nenhum critério o justificasse) alterou o resultado dos dois primeiros debates (na SIC e no Observador): «Ferreira venceu. Moedas pouco melhor que Leitão», declarou o Observador («João Ferreira ganha de novo e Leitão perde para Moedas», repetiram dias mais tarde); «Com Moedas à defesa, João Ferreira impôs-se no debate de Lisboa e levou Alexandra Leitão ao prolongamento», concluiu o Expresso; o podcast da equipa de política do Público é peremptório no título escolhido – «A vitória de João Ferreira».
Lido em Abril,
Abril
3.
«Um genocídio na Palestina, guerra na Ucrânia, tensão
nos EUA e entre os EUA e Venezuela, autárquicas à porta... mas a televisão pública
dedica os primeiros 22 minutos do Jornal da Tarde à mudança de treinador no
Benfica. E está a repetir a desgraça no Telejornal. Isto não é apenas doentio,
é indecoroso. É a miséria em que estamos metidos».
Lido no blogue Antologia do Esquecimento
4.
Os dirigentes
das principais universidades do país e dois dos mais prestigiados investigadores
nacionais arrasam a extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a medida
do governo é radical, não tem fundamento e compromete a ciência.
5.
«De acordo com dados da empresa, há quatro concelhos
sem pontos de venda de imprensa; cerca de duas dezenas só com um; 61% das
freguesias, onde residem 19% do portuguesas não têm pontos de venda de jornais.
Com exceção para a Grande Lisboa e Grande Porto, Setúbal, Coimbra e Braga, o
resto do país tem rentabilidade negativa.
Sem leitura, aumenta a dependência das redes sociais
como fonte primária de informação. Ora, sabemos bem como essas plataformas são
terreno fértil para teorias da conspiração e manipulações. A ausência de
informação profissional e verificada deixa o espaço público vulnerável.
Ler continua a ser um ato político, no sentido mais nobre do termo. Ler amplia horizontes, combate preconceitos e fortalece a cidadania. Mas para que isso seja possível é necessário que o Governo assuma a sua responsabilidade: garantir que a imprensa chega a todo o território, apoiar uma rede de distribuição que não pode ser deixada ao abandono, e reforçar políticas públicas que promovam a leitura desde cedo e ao longo da vida.»
Do editorial de
Valentina Marcelino no Diário de Notícias de 23 de Setembro
6.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, cada português desperdiça por ano 182,7 quilos de alimentos, e os dados de 2023 indicam que nesse ano desperdiçaram-se no país 1,9 milhões de toneladas de alimentos, sendo 66,8% desse desperdício atribuídos às famílias.
7.
Também uma frase do poeta e editor Paulo da Costa Domingos:
«É cada vez mais nos livros velhos que devemos buscar
as verdades novas.»
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
DO «OFÍCIO DE VIVER» (CESARE PAVESE)
Por fim, escreve-se imaginando
que o leitor sabe
ler.
Movendo-me em
torno do informe
entoo em silêncio
um pensamento
ritmado, sempre o
mesmo talvez.
Palavras e ligamentos
dão colorido ético
à nova musical,
materializando-se,
o que é o mais
importante. Resta
voltar aí
repetidamente, a
esses poucos versos
iniciais. Torturá-los,
interrogá-los,
pô-los sob tensão,
até que descubro
o tom justo, o
verdadeiro enigma
que, ligado ao
núcleo, exclui
o erro. Até que as
possibilidades
intrínsecas ao
ponto de partida
se tornam
individualizadas
segundo as minhas
forças. Núcleos
rítmicos visíveis:
a magia
do poema a
formar-se.
Fumo um cigarro,
tento pensar agora
Noutra coisa, mas
sorrio
Estimulado pelo
meu segredo.
Escreve-se
imaginando um leitor
Que saiba ler.
Farrapos.
Paulo da Costa Domingos, em Resumo: a
poesia em 2010.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...
Sophia Mello Breyner Andresen sempre se admirou por as pessoas celebrarem a passagem do ano, dizia ela que o ano está sempre a passar. Há quem nunca deseje bom ano a ninguém, dizem que dá azar. E há a velha sabedoria que nos diz que os anos só são novos enquanto os novos somos nós.
Se viram um amável filme da norte-americana Rob Reiner, com Meg Ryan e Billy
Cristal, When Harry Meet Sally, quase
no final, numa festa de fim de ano, Harry reencontra Sally, começam a ouvir-se
os acordes de Auld Lang Syne, e Henry diz que nunca entendeu o significado da
canção pois diz que os velhos conhecidos devem ser esquecidos ou que se os
esquecemos devemos recordá-los, mas como recordar se já os esquecemos? Sally
não tem resposta mas, sorrindo, acaba por lhe dizer: seja o que for é uma
canção sobre velhas amizades.
Chegamos a bom porto: velhas amizades, lembrar os que já não estão connosco, e os
que ainda fazem do Natal a festa dos amigos, celebrar a amizade, e o desejo que
a viagem, pelos dias do novo ano, seja uma viagem tranquila.
1.
De trás para a
frente, da frente para atrás para que, após lamentável atraso, aconteça a lei
que o catolicismo do presidente tem criado dificuldades várias. Marcelo Rebelo
de Sousa decidiu enviar para o Tribunal Constitucional o diploma relativo à
Eutanásia para confirmar se as exigências formuladas em 2021 estão devidamente
rectificadas no novo diploma.
De trás para a frente,
da frente para até que, após lamentável atraso, aconteça a lei que o
catolicismo do presidente tem criado obstáculos.
Um antiga afirmação
de Teresa Beleza, que não tem nada a ver com esta lei, com o que quer que seja:
«Mas a formação dos magistrados é absolutamente
essencial, porque já se tornou por demais evidente que ainda hoje há decisões
judiciais absolutamente indignas de um país que se diz ser um Estado de direito
democrático e tem uma Constituição da República correspondente, que aliás
recebe expressamente no seu texto a Declaração Universal como ponto de
referência interpretativo privilegiado em matéria de direitos liberdades e
garantias.»
Anemoia: nostalgia de um tempo no qual tu nunca viveste.
3.
Ando sempre em
demanda de livros que gostava de ter, que gostava de recuperar e percorro
alfarrabistas, pergunto a amigos, frequento a Loja Frenesi. Há dias estava por
lá O Nosso Amargo Cancioneiro, organização e prefácio de José Viale Moutuinho,
Edições Latitude, exemplar estimado, capa suja, miolo limpo, 1ª edição, 50,00
euros e IVA e portes incluídos.
Paulo da Costa
Domingos, dono da loja, cita o prefácio:
«Acertadamente refere
Viale Moutinho, no seu prefácio, «um caminho – o da amargura», ao caracterizar
o «momento fecundo da primeira metade de 1972» na intervenção continuada dos
cantores sociais, em que um Zeca Afonso, ou um Adriano Correia de Oliveira, ou
um Luís Cília, ou um José Mário Branco, ou um Sérgio Godinho foram pontos de
referência à navegação de assalto às mentiras do Estado Novo. Num substancial
resumo da enorme diversidade de poemas cantados nessa época, vamos encontrar a
escrita directa de poetas como Afonso Duarte, Alexandre O’Neill, António Borges
Coelho, António Cabral, António Gedeão, António Rebordão Navarro, Carlos de
Oliveira, Daniel Filipe, Eduardo Valente da Fonseca, Fernando Assis Pacheco,
Fiama Hasse Pais Brandão, João Apolinário, Ary dos Santos, José Gomes Ferreira,
Saramago, Manuel Alegre, Maria Teresa Horta, Natália Correia, Orlando da Costa,
Raul de Carvalho, Reinaldo Ferreira, Sophia de Mello Breyner, Urbano Tavares
Rodrigues, etc.
Outros tempos, estes
em que cantores cantavam poetas de referência, em vez de gargarejarem umas
coisas que lhes ocorrem no banheiro.»
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
O OUTRO LADO DAS CAPAS
Por vezes as contracapas não têm quaisquer indicações.
Assim acontece em Poemas da Cidade de María Jesús
Echevarría.
Apenas a continuação
da ilustração da capa feita propositadamente para este livro por Maria Malheiro.
Para outras referências há que ir ao miolo do livro, onde encontramos a Nota Final feita pelo tradutor Paulo da Costa Domngos:
«María Jesús Echevarría, nascida em Madrid, em Setembro de 1932, aí veio a falecer, à beira dos trinta e um anos de idade (Agosto de 1963), tendo vivido em Nova Iorque o tempo suficiente para colher a amarga lição que este seu livro testemunha. Precisamente, é a sua experiência como estudante universitária e, em simultâneo, correspondente jornalística, o que aqui lemos transposto em arte. Não devemos, todavia, estender-nos em considerações literárias muito para além do que esta mulher-intelectual nos legou. Versos escritos em tom epistolográfico – e que as respectivas dedicatórias confirmam –, são eles notícia da desumanização e da hipocrisia da grande metrópole, a Grande Maçã podre, capital de um império que se posicionou, após a Segunda Guerra Mundial, como o polícia do mundo. Lírica sobre um cavername de ferro e betão, lírica corrida de asfalto, lírica de um desespero trágico. E mais não digo»
Talvez pudéssemos nós ir um pouco mais adiante, recolhendo, por fora, outros pormenores:
A América vai-se
transformando numa decepção sem fim à vista.
Joe Biden arrisca-se
a ficar na história dos Estados Unidos, como o pior Presidente de sempre.
Será mesmo possível?
Depois
dos Bushs, do Trump?
Para além de ter
feito tudo para provocar a Guerra na Ucrânia, apareceu há umas semanas em
conluio com os déspotas da Arábia saudita.
Antes de ser eleito,
Biden garantiu aos americanos, e ao mundo, que constituiria a Arábia Saudita
como um Estado Pária, mas já apareceu em conversas com toda aquela gente e
manifestando-se como um «parceiro comprometido com o Médio Oriente».
Nestes breves poemas
de María Jesús Echevarría ressalta parte evidente do que é a grande maçã podre.
«Dai-me, Senhor, o estrépito, o ruído e a miséria.», lê-se no
primeiro verso do poema «Oração da cidade e eu» de Echevarría.
OLHAR AS CAPAS
Poemas da Cidade
María Jesús
Echevarría
Tradução: Paulo da
Costa Domingos
Capa: Mariana
Malheiro
Ilustrações: Mariana
Malheiro
Barco Bêbado, Lisboa,
Agosto de 2021
Subpoema
E tu, monte de
trapos.
Boneco, marioneta
de um teatro tristíssimo.
Manipanso
carregado de terrores
seguindo em fila
como um colegial da vida.
E tu, como uma
vara frágil e antiga.
Feito de angústia,
irmão meu.
Assustas-me sempre
que se atiça
essa chispa
fortíssima dos teus olhos,
esse cílio que
incessantemente agitas
e esconde a
delicada amiba do teu espírito.
Sei muito acerca
de ti. Fizeram-te
de um raro
material branco e brilhante,
verteram sobre ele
a aborrecida obrigação
da existência.
Assim, feito de
trapos.
Boneco de
serradura.
Os teus modos
teatrais de papelão
vão ficar em pasta
com a chuva
e morrerás em
lágrimas.
Ainda que também
pudesses morrer de queitude
e somente abrir os
olhos
nas Festas à Vida
dos outros.
Como os altos e
empoeirados monstros
nos esconsos das
nossas catedrais.
terça-feira, 4 de maio de 2021
FOLHAS DE RELVA
De
bolsos vazios
e alma
cheia,
sapatos
na lama,
mas, um
pormenor:
o falcão
em mim
pelos
ares me leva.
Silêncio
e solidão
se
instalaram nesta
casa.
Assim sendo,
só mais
um pormenor:
são na
subida os ares
tão
frios quão na queda.
Doravante
nenhum
golpe de
sorte,
cuidarei
eu das plantas.
Doravante,
a estrada
estreita,
as raízes
se
tornam aéreas.
O gato
terá seu pires
de leite
e a serradura
mudada...
Ou não:
serei eu
inútil
no
sonho-fantasma
em
cadeira de baloiço.
Não te
rales,
camarada,
te dou
minha
mão,
seguiremos
juntos
por todo
o tempo
que
vivermos.
Mesmo
nada sabendo
do voo
ou dos ventos
comigo
te levo
camarada,
e juntos
bateremos
sola:
ofício
de treva.
Dinamicamente
resolveremos
o dilema
e o
paradoxo
da noite
perene;
que seja
essa
a nossa
leveza.
Dinamicamente,
por
sobre
o arame
farpado,
passaremos
nosso
labor.
Paulo da Costa Domingos em Versos Abrasileirados
terça-feira, 23 de março de 2021
TIRAR O VÉU A CARTAS DESTA VALIA
A capa do precioso livrinho já mereceu um Olhar.
Hoje, reproduzo as palavras que os editores, Emanuel Carneira e Paulo da Costa Domingues, colocam no prefácio. No meio de todo o lixo que por aí campeia, sabem bem estas palavras:
«Tem-se, por vezes, a sorte de ler aquilo
que poetas e editores entre si trocam de mensagens. Fala-se de livros, fala-se
do como dar a ler a oficina poética em páginas límpidas. Conspira-se sobre
esboços a legar ao Futuro. Tem-se, por vezes, sorte. A sorte de testemunhar da
fábrica, a sorte de sermos nós o autêntico destinatário, o alvo verdadeiramente
cultural de preocupações e minúcias editoriais. Cuja implícita pedagogia é de agradecermos.
Aqui, numa toada que nos faz lembrar o bailado felino de dois gigantes
criativos que se respeitam mutuamente e que, mutuamente, procuram eles (e
encontram) o melhor terreno para a travessia dalguma arte vinda do outro lado
do oceano. E se é um triângulo o que aqui temos, não é ele o buraco negro
sorvedouro de matéria, mas, isso sim, o triângulo “amoroso” revelador do
espírito de uma época culta irrepetível. Tirar o véu a cartas desta valia, que
circunstâncias várias acabam, tantas vezes, por votar a uma invisibilidade
perene – não fosse a acção dos que se dedicam, com obstinado entusiasmo, à
preservação de arquivos e da memória histórica – favorece, pois, a
possibilidade de enquadrar, de avivar protagonismos, de desenterrar detalhes
dessa extraordinária aventura humana, poética e/ou editorial.
Em cena: Mário Cesariny, poeta-ex-editor proponente de um original inédito do
poeta brasileiro Sérgio Lima, a Vitor Silva Tavares, editor-poeta e guardião do
Subterrâneo Três. O livro a que tudo se refere – Aluvião Rei – sairia chancelado & etc, no mês de
Setembro de 1992.
Da transcrição dos manuscritos, vai aproximativamente diplomática.»
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
OLHAR AS CAPAS
Jorge Fallorca
Capa: Paulo da Costa
Domingues
Frenesi, Lisboa, Maio
de 2001
Aprendia a caminhar devagar porque o calçado também
se gasta, e além disso não tinha pressa nenhuma.
Está tudo à mão, só é preciso saber chegar-lhe.
Não?
Digo eu, não sei:
se vai à vela, remos ou motor,
mas que já não largou o porto é certo
«Senta aí, homem.»
«Sento porque eu quero. O corpo é meu»
Era sempre assim,
começavam
Foram a Sines pelo caminho velho.
Assomaram ao campo que foi de aviação, e torpes lá che-
garam a Sines.
Ele, tretas & tretas doutros escaldões.
Ele visitou a mana que habita o largo e volto-me já.
Foram:
o miúdo ao patinhas
ela às louças
ele com os olhos lambendo as paredes, dono das
cores.
Depois, voltaram ao porto e foram à maré.
Completos:
galritos
caniço
o peixe doutro nome como
isco
cacilhos nos beiços que se apagam cedo.
Desceram:
pedra riscada, juliana
(fora) a prima da abrótea, mais
uns caramujos de enteter.
Burriés?
Sim.
Mas não tem som.
Só as gralhas do porto:
escreve-se
na areia o que o papel nunca diz, depois
vem o que esquece tudo e nunca soube de nada.
Vento também há, menos.
Cheira.
Pega-se-nos cheio de linhas, telegráfico.
Espécie de renda coando a intimidade das janelas.
Vento:
Cada um a sua, e quantas vezes salpicadas de estrelas,
latindo para as canas.
Disputam-nas:
berreiros, gamanços,
canadas, porrões, copos, pois, e
mais copos por uma cana.
Sendo vidrada, melhor.
Atestado de água boa – sabia-lhe os sítios – foi-se a estes
montes sem dizer:
andou, andou, andar-se
até à beirinha de uma pedra
a olhar pró pessegueiro.
Ham!, é uma forma de dizer, sabe-se lá se não era mas é
a ilha o que estava a ver?
terça-feira, 9 de junho de 2020
POSTAIS SEM SELO
segunda-feira, 13 de abril de 2020
SOCORRENDO-SE APENAS DA MEMÓRIA...
quinta-feira, 28 de março de 2019
POSTAIS SEM SELO
sexta-feira, 29 de junho de 2018
OLHAR AS CAPAS
quinta-feira, 10 de maio de 2018
LER, NÃO CHEGA...
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
CAEM
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
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22.7.09
OLHAR AS CAPAS
terça-feira, 12 de setembro de 2017
OLHAR AS CAPAS
sábado, 26 de setembro de 2015
V.S.T. & ETC
O texto do Vitor Silva Tavares, publicado em Coisas, termina assim:

















