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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

NOTÍCIAS DO CIRCO

Um país a ver passar os combóis ou, quase sempre, nem isso.

Com o título «CP surpreendida com interferência do ministro nos planos para a alta velocidade» pode ler-se, hoje, no Público, um artigo de Carlos Cipriano: «O governo admite comprar menos comboios do que a empresa ferroviária quer, podendo impedir o objectivo de ter um comboio da CP a cada meia hora na ligação entre Porto e Lisboa.»

Do artigo também se fica a saber que o ministro Pinto Luz diz não ser “saudável para o mercado o Estado investir tanto em comboios».

Miguel Pinto da Luz, Ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal do verno de Luís Montenegro, vive em Cascais e, bem se lembram é aquele rapaz que, já o governo de Pedro Passos Coelho já quase não era governo vendeu a TAP por tuta e meia.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

Num país onde um governo com maioria absoluta no Parlamento, pode ser demitido por um parágrafo de um comunicado da Procuradora Geral da República.

Num país onde se gastou tempo e dinheiro na elaboração de um relatório para se saber onde fica o futuro aeroporto, e ouve-se Júlio Montenegro, candidato a primeiro-ministro, dizer ao povo que uma das suas primeiras decisões será borrifar-se no relatório elaborado por especialistas ditos independentes, e Pedro Nuno Santos, outro candidato a primeiro-ministro, que promete avançar com o novo aeroporto sem consenso com Montenegro.

Num país onde um jornal, dito de referência, coloca nas suas páginas: «Novo aeroporto: se quiser Montijo vote PSD, para Alcochete vote PS.», teremos o direito de lembrar Alexandra Alpha:

«ISTO NÃO É UM PAÍS, É UM SÍTIO MAL FREQUENTADO!»

quarta-feira, 7 de junho de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

A política portuguesa não existe.

A maioria absoluta do Partido Socialista existe para tudo mas não para pensar nos portugueses: o gravíssimo problema com a situação dos professores, os percalços diversos com o Serviço Nacional de Saúde, o preço da habitação, os preços nos supermercados, o cartel dos bancos com os Certificados de Aforro, a TAP e o não saber-se quem acciona as secretas do país.

Um perfeito desastre!

Para completar o ramalhete atrás, ligeiramente, mencionado, leia-se este comentário do jornalista Pedro Tadeu no Diário de Notícias:

 «Das audições de ontem no Parlamento sobre a TAP retive algumas coisas que me impressionaram bastante mais do que a de saber quem mandou quem avisar o SIRP/SIS de que Frederico Pinheiro, na noite de 26 de abril, levara consigo o computador com que trabalhara no Ministério das Infraestruturas.

1 - Impressionou-me a decisão de entregar 55 milhões de euros a David Neeleman para ele aceitar deixar de ser o maior acionista privado da companhia aérea. Quer Pedro Nuno Santos, quer João Leão, os ministros que trataram do caso na altura, alegam que era isso ou ir para litígio em tribunal, o que poderia inviabilizar a autorização da Comissão Europeia para o Estado português meter dinheiro para salvar a TAP.

Pagou-se, portanto, 55 milhões para Neeleman não chatear mais. Lembro que a venda da TAP, que trouxe Neeleman para a empresa, pelo governo Passo Coelho, foi apreçada em, apenas, 10 milhões de euros. Fantástico!

2 - Impressionou-me ninguém responsável ter percebido, entre 2015 e 2022 (apesar dos rumores sobre o caso que o ex-ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, disse ter escutado), que Neeleman fez um negócio de troca de compra de aviões, a que se convencionou chamar "fundos Airbus", que na prática pagou a compra da TAP sem que Neeleman gastasse dinheiro do seu bolso. Como é possível ninguém saber?

3 - Impressiona-me que uma parte desses responsáveis, que durante anos não deram pela existência dos fundos Airbus, digam agora que, mesmo não conhecendo essa negociação (cito o ex-ministro das Finanças, João Leão), concluam que ela "lesa os interesses da TAP". Agora?!

4 - Impressiona-me que o governo de Passos Coelho, aquando da privatização apressada que fez, já com o governo demissionário, tenha assinado aquilo que o Tribunal de Contas designou como "cartas de conforto" ao comprador da TAP, que obrigava o Estado a garantir o pagamento de dívidas passadas e futuras da empresa, caso os privados não o conseguissem. Isto não é, simplesmente, ilegal? Se é legal, não devia passar a ser ilegal para o futuro?

5 - Impressiona-me que o ex-ministro Pedro Nuno Santos, que ontem defendeu convincentemente os méritos políticos, económicos e financeiros da gestão pública, desde que entregue a gente competente e não a clientelas político-financeiras, seja o mesmo ex-ministro Pedro Nuno Santos que também ontem defendeu, no mesmo local, que a única solução para a TAP é a sua privatização. Que contradição!

6 - Impressiona-me que os deputados do PSD se calem muito caladinhos sobre as óbvias asneiras feitas pelo governo do seu Pedro Passos Coelho na privatização da TAP, mas rujam como leões para atacar as asneiras do governo do PS. Não se enxergam?

7 - Impressionou-me que a Iniciativa Liberal critique o governo por ter metido 3,2 mil milhões de euros na TAP e que a tenha nacionalizado mas, ao mesmo tempo, defenda que o governo deveria ter emprestado os mesmos 3,2 mil milhões à TAP, mas deixando David Neeleman, o homem que comprou a empresa sem gastar um tostão, a mandar na empresa. Isto é que é defender o contribuinte?

- Impressionou-me que todo o processo de reestruturação da TAP estivesse dependente da análise e aprovação da Comissão Europeia e que ela pudesse unilateralmente impor cortes na empresa, na atividade e no pessoal, com base em interesses e critérios que o governo e o Parlamento português não podem objetar. "Só se saíssemos da União Europeia" disse Pedro Nuno Santos. Somos, portanto, uma colónia de Bruxelas, com autonomia limitada, que obedece a um poder executivo que nem sequer é eleito. Isto não devia mudar?

9 - Impressionou-me a vacuidade propagandística do Chega. Certo.

10 - Impressiona-me ninguém saber qual é o funcionamento protocolado entre o governo e o SIRP/SIS, nem qual o enquadramento legal que levou o SIS a ir buscar o computador de Frederico Pinheiro. Que paciência para esta novela!»

sexta-feira, 2 de junho de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

A invasão da Ucrânia pela Rússia.

Vivemos no meio de uma seca terrível. Há quanto tempo não chove?

No Algarve, e não só, continuamos a regar os campos de golfe e a encher as piscinas dos hotéis.

A longa e dura luta dos professores.

Os preços dos produtos alimentares nos supermercados.

Os gravíssimos problemas do Serviço Nacional de Saúde.

De quinze em quinze em quinze minutos as televisões, totalmente viradas à direita e extrema-direita, vão desfiando o longo novelo da novela mexicana que envolve o primeiro-ministro, o presidente da república, a Tap, a polícia secreta, sei lá mais o quê.

Por todos os lados irrompe a chocante incompetência do governo.

Nós merecemos o que nos está a acontecer porque ao longo do tempos elegemos gente que sempre pensaram em si próprios e nos amigos do que nos portugueses.

sábado, 11 de março de 2023

O FECHAR DOS TAIPAIS


Serão terríveis os nossos dias futuros!

Marcelo Rebelo de Sousa entendeu assinalar os seus 7 anos de Presidência da República  com uma entrevista televisiva, conduzida por  António José Teixeira da RTP e Manuel Carvalho do Público, do em que foi buscar laivos catequistas dos domingos na TVI, malandrices como quando enganou Paulo Portas com a tal vichyssoise.

No fundo dos fundos arrasou António Costa e os padres que andam completamente desorientados no meio da pedofilia que pretenderam esconder durante anos e anos.

Resumindo:

A maioria de António Costa enrola-se num desgaste físico e mental que vai olhando para o curto prazo e não para os dias futuros, um ano político praticamente perdido, um PRR que, na visão de Belém, está atrasado, assinala as sucessivas greves dos professores, o ter que se repensar rapidamente a reconstituição do Serviço Nacional de Saúde (allô,allô, privados), e as trapalhadas da TAP e o diploma sobre a habitação.

Sobre a TAP deixa um sério aviso a Fernando Medina para que reveja os últimos anos em que foi Presidente da Câmara de Lisboa, porque podem aparecer alguns esqueletos no armário, dando a entender que tem informação privilegiada sobre algo que só ele saberá o quê.

«Dar sete dias para discutir um diploma sobre habitação depois de sete anos de espera é uma coisa do outro mundo e já se percebeu que os municípios não têm capacidade para descobrir as casas devolutas.»

Por fim não deixou de lembrar:

«O Presidente da República, até ao dia 9 de Setembro de 2025, tem o poder de dissolução.»

 «Mantenho esse princípio de manter a legislatura até ao fim, mas não peçam para renunciar ao poder de dissolver a Assembleia da República.»

1.

A crise nos Açores pressiona PSD a separar águas. Chega e IL são descritos pelos sociais-democratas como “imaturos e não confiáveis”.

O PSD pensou que poderia constitui nos Açores uma geringonça de direita.

Esqueceram-se que os partidos da geringonça de esquerda, com todos os seus defeitos, de algo não poderiam ser acusados: de imaturos e não confiáveis.

2.

 O governo acordou tarde para os preços que andam a ser marcados nos super e híper mercados. A ASAE no terreno  revela elementos que tornam evidentes as desconfianças de aproveitamento relativamente ao aumento do custo de vida. Todos os elementos levam à conclusão de que as margens brutas, ou seja, a percentagem de lucro obtida com a venda de produtos, considerando o custo de aquisição junto dos fornecedores e produtores e o preço a que, posteriormente os produtos são vendidos, aumentaram.

Os camionistas já vieram dizer que não é por eles que os produtos alimentares têm o aumento que se verifica.

Também a CEO da Sonae, que registou um lucro consolidado de 143 milhões de euros em 2022, mais 19% do que em 2021, escreveu uma carta aos trabalhadores da empresa em que declara que, face aos aumentos que se verificam na cadeia alimentar, existe  uma «campanha de desinformação» e que tal provoca «danos gravosos para a reputação do sector da distribuição alimentar». Nunca falando dos lucros, a empresária reconhece que existe inflação dos produtos alimentares, mas que tal é consequência de um «fenómeno global». Procurando a compreensão dos trabalhadores, lembra: «Como sabem, baixámos as nossas margens para acomodar o aumento dos custos». 

Por sua vez a Confederação Nacional dos Agricultores garante que enquanto os lucros das grandes empresas aumentam, o «rendimento dos agricultores desceu 11,8% em 2022», e que a culpa primeira terá que ser endereçada ao governo de António Costa.

3.

Os cinco maiores bancos que operam em Portugal obtiveram lucros agregados de 2583 milhões de euros em 2022, mais mil milhões de euros do que em 2021, segundo as contas da Lusa.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi o que conseguiu os maiores lucros, de 843 milhões de euros em 2022, mais 45% do que em 2021. O banco público anunciou ainda que pretende dar ao seu acionista, o Estado, o "maior dividendo" da sua história, de 350 milhões de euros.

O Santander Totta foi o segundo banco com melhores resultados em 2022, sendo o banco privado com mais lucros, o resultado do banco detido pelo espanhol Santander foi o maior da sua história, já o Novo Banco triplicou os lucros enquanto os lucros do BCP subiram 50% para 207,5 milhões de euros e os do BPI cresceram 19% para 365 milhões de euros.

4.

Ainda não esquecemos as borlas e regalias que o ex-presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina deu à cantora Madona e vai-se agora sabendo que Medina comprometeu a autarquia em encargos que durarão até o investigador e bibliógrafo argentino Alberto Manguel morrer: despesas diárias pagas e o palacete onde será alojada a biblioteca do argentino tem de ter cozinha e WC só para Manguel. A revista Sábado revelou agora a polémica relação entre a Câmara Municipal de Lisboa  e Manguel: um protocolo, um memorando e um contrato. Até hoje, só o primeiro tinha sido tornado público pela CML.

Enquanto o Ministro, Pedro Adão e Siulva, vão afirmando que é muito curto o dinheiro destinado aos artistas e companhias de cultura!

segunda-feira, 6 de março de 2023

O FECHAR DOS TAIPAIS


 Com letra e música de José Mário Branco encontramos, no seu primeiro álbum, «Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades», a canção «Nevoeiro» que nos fala de um caminheiro, com o seu passo apressado, indo ao cais do terreiro saber de um tal rei Sebastião, chegado num veleiro sem leme nem gageiro, num lençol amortalhado, ficaria bem enterrado.

 Pedro Passos Coelho aparece-nos nos últimos dias qual dom sebastião para salvar a direita e concretamente o PSD. Anda por  aí uma enorme polvorosa,  O Diário de Notícias ouviu hoje diversos politólogos e um deles, Paula Espírito Santo, adianta: «Não se pode esquecer que foi, na altura, alguém que uniu o partido, ganhou eleições e trouxe o poder ao PSD numa altura difícil na vida do país.»

Lembrar-se-á a senhora que Passos Coelho nos lixou a vida, ultrapassando largamente o que a tal troika nos impôs?

Muitos e muitos trabalhadores, reformados, estão bem lembrados e não nos queiram fazer esquecer esses com toques de cantares de sereia envolvidos em nevoeiros sebastianistas.

1.

Identificados pelo INE existem, sem qualquer tipo de utilização, 723.215 fogos devolutos em Portugal.

2.

 O Papa Francisco apelou, este domingo, ao fim do tráfico ilegal de migrantes, uma semana depois de um barco se ter afundado no sul de Itália, matando pelo menos 70 pessoas, incluindo 15 menores.

Na sua oração dominical, o Papa Francisco disse:

"Que os traficantes de seres humanos sejam detidos, que deixem de poder dispor da vida de tantas pessoas inocentes, que estas viagens de esperança nunca mais se transformem em viagens de morte e que as águas claras do Mediterrâneo já não sejam ensanguentadas por incidentes tão dramáticos».

Três suspeitos de serem contrabandistas foram presos. De acordo com relatos dos meios de comunicação italianos, são suspeitos de terem cobrado entre 5 mil e 8 mil euros a cada migrante que tinham trazido para a Turquia, três dias antes.

Como se passará, há tantos e tantos, nas odemiras do nosso Portugal à beira-mar plantado?

4.

José Sócrates foi detido há mais de oito anos, em Novembro de 2014, foi acusado em Outubro de 2017 e pronunciado em Abril de 2021.

A partir daqui uma nuvem enorme de recursos tem vindo a bloquear a continuação do processo e a data do início do julgamento estará perdida ninguém sabe onde. Duvida-se que alguma vez acontecerá.

A Justiça atrasa-se.

 Os advogados vão enchendo os bolsos.

5.

Os primeiros meses do ano arrancaram difíceis para as famílias portuguesas que, só em Janeiro, gastaram 907 milhões de euros nos supermercados.

Apesar de algumas inspecções, o governo não consegue  impedir as especulações dos grandes merceeiros do país, que nos obrigam a sair a porta dos supermercados com menos produtos no carrinho e menos dinheiro na carteira.

A incompetência governamental, ou os diversos compadrios com o patronato, continua a manter fora das intenções da maioria absoluta a questão de taxar os lucros, mais que excessivos, de certas e bem conhecidas empresas.

5.

«Duas semanas depois de ter recebido o relatório da Comissão Independente, a Igreja ainda anda aos papéis. Não para encontrar a melhor forma de confortar as vítimas e fazer justiça, mas com a preocupação de salvaguardar a posição dos seus abusadores e encobridores.»

Paulo Baldaia, hoje,  no Diário de Notícias

6.

Lido no Jornal de Notícias:

Dada a falta de mão de obra nacional, um grupo de cerca de 500 indonésios, cerca de 75% dos tripulantes, trabalham nos barcos de pesca em Caxinas, a maior comunidade piscatória do país. 

Sendo a Indonésia um país de pesca, estes imigrantes já chegam habituados ao mar e adaptam-se rapidamente. Os trabalhadores recebem o salário mínimo, mas com estadia, alimentação e viagens pagas, parte do dinheiro vai para a família, que está a 13 mil quilómetros de distância.

 7.

«Era um homem de muitos talentos, mas destaco um: sabia escrever cartas. Um atalho para o coração. Reconheço na escrita de uma carta a maior finura do espírito, a verbalização do que em abstracto se sente ou se pensa e um exercício da inteligência.»

Carmo Afonso, recordando o advogado José Manuel Galvão Teles, crónica no Público. 

Legenda: pintura de Aurora Bernardo

sábado, 25 de fevereiro de 2023

O FECHAR DOS TAIPAIS


 Por estes dias, no tempo de fechar os taipais do Kioske, a continuação dos acontecimentos e notícias que marcam o passar de um ano sobre a invasão da Ucrânia.

Um começo de escrita que nunca se quer desenhar, a guerra em suma, e ninguém gosta de abordar guerras.

1.

Vladimir Putin voltou acusar que o Ocidente quer destruir a Rússia.

Simplesmente a  "operação militar especial", como lhe chama Moscovo, desencadeou uma guerra de larga escala que mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. 

2.

Os 27 aprovaram o décimo pacote de sanções na sequência da invasão da Ucrânia. Além do conjunto de medidas punitivas equivalentes vários milhares de milhões de euros de prejuízo para a economia russa, pela primeira vez vão ser listadas personalidades e empresas de um país terceiro, o Irão.

3. 

Marcelo Rebelo de Sousa  afirmou que a guerra na Ucrânia vai durar por muito tempo e acrescenta que o Governo pode ter de ponderar novas ajudas sociais. Complementares nos próximos meses.

O Presidente da República considerou que as concentrações são normais em democracia, são "manifestações legítimas", e "haverá outras certamente", mas recusou que esteja em causa a estabilidade.

4.

Ice Merchants, de João Gonzalez, venceu o prémio de melhor-curta metragem nos Annie, em Los Angeles. É a segunda vez que uma curta portuguesa vence os mais importantes prémios norte-americanos do cinema de animação, atribuídos pela Sociedade Internacional de Cinema de Animação. A vitória acontece na antecâmara dos Óscares, agendados para daqui a duas semanas, para os quais um filme de autoria portuguesa está nomeado pela primeira vez. 

5 

A SIC Notícias está a avançar que o projeto de parecer da Inspeção-Geral de Finanças aponta irregularidades no processo que envolveu o pagamento de uma indemnização de 500 mil euros pela TAP à antiga administradora e ex-secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

Quando era miúdo - ao tempo que isso foi! -  falava-se de algo, aplicado a muitas e variadas coisas, como «negócios da China».

Qualquer coisa como saber hoje, notícia do jornal Público, que terá sido a própria TAP, com capital público, e não o consórcio privado formado por David Neeleman e por Humberto Pedrosa quem suportou o custo da capitalização da companhia no âmbito da privatização, nomontante de 226,75 milhões de dólares (211,15 milhões de euros ao câmbio actual), e que constituíram o pilar do negócio.

Que fazem os conselhos de gerência da TAP?

Que fazem os delegados, ou o que lhes chamam, que o governo coloca na TAP?

É tão triste, tão desesperante (re)confirmar que isto é um país de lorpas, de oportunistas, de corruptos, gente que não se lava todos os dias.

Ou como diria  a Alexandra Alpha:

«Isto não é um país, é um sítio mal frequentado» 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

NOTÍCIAS DO CIRCO

 

Governo de maioria absoluta. TAP. Fernando Medina. Pedro Nuno Santos. Alexandra Reis. Uma confusão dita do outro mundo.

Ontem, quase ao bater da meia-noite, Medina comunicou a Alexandra Reis, recente secretária de estado do Tesouro, para pedir a demissão.

Assim aconteceu.

Medina explica:

«Tomei esta decisão no sentido de preservar a autoridade política do Ministério das Finanças num momento particularmente sensível na vida de milhões de portugueses. No momento em que enfrentamos importantes exigências e desafios, considero essencial que o Ministério das Finanças permaneça um referencial de estabilidade, de autoridade e de confiança dos cidadãos. São valores fundamentais à boa condução da política económica e financeira e à direção do setor empresarial do Estado».

O ministro termina a nota agradecendo a Alexandra Reis, «detentora de um curriculum profissional de enorme mérito e qualidade, todo o trabalho desenvolvido, reconhecendo a integridade e correção com que neste período pessoalmente difícil assegurou a defesa do interesse público».

Mas o imbróglio político não termina com este gesto ministerial.

Continua por saber se Alexandra Reis foi demitida da TAP, ou se pediu escusa de continuar como gestora.

No meio encontram-se atravessados 500 mil euros pagos a Alexandra por ser demitida ou por ter pedido escusa.

A situação veio colocar a céu aberto o chocante contraste entre as indemnizações obscenas pagas a gestores da TAP e aquelas que são pagas aos trabalhadores.

Entretanto, na segunda-feira, Fernando Medina assinou o cheque que permite a entrada de 980 milhões de euros nos cofres da TAP.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

NOTÍCIAS DO CIRCO

Depois do caso daquele sorridente rapaz de Caminha que de autarca passou a braço direito de António Costa, sem ninguém saber, no governo, dos disparates que andou, no risonho Minho, a fazer, outro caso ou casinho, tanto faz, nos bate à porta em final de ano: o caso da secretária de estado do Tesouro, Alexandra Reis, que saiu do conselho directivo da TAP com indemnização de peso, passou pela NAV e acaba, qual passe de mágica, no governo.

Pedaço de prosa do editorial do Público:

«Se este é o cenário traçado pelo Governo de António Costa, não custa perceber que se tenha tornado difícil para os portugueses engolir, entre duas rabanadas, a indemnização de 500 mil euros, atribuída a uma administradora que quatro meses mais tarde encontrou emprego numa empresa pública, nomeada pelo mesmo ministro que tutelava a TAP, e que hoje é secretária de Estado do Tesouro.»

Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

NOTÍCIAS DO CIRCO

Foi anunciado que a TAP abriu um concurso para substituir, em regime de renting, uma frota automóvel para 50 administradores e diretores.

Face às reacções dos portugueses, que ainda pensam no seu país e nos disparates que sucessivos governos lhes têm imposto, levaram a que a ideia fosse posta de lado.

Vão manter a anterior frota automóvel que, diga-se,  já custa um balúrdio de dinheiro.

O despautério está no comunicado da companhia que nos diz ter reparado no sentimento geral dos portugueses.

Isto é brincar connosco, ou pior ainda.

A falta de sensibilidade e bom senso daquela gente brada aos céus.

Claro que não é só na TAP!

Perfeitos irresponsáveis e… incompetentes.

Mas não há ninguém, mesmo ninguém, que acabe com estas mordomias empresariais das empresas governamentais?

Alguém sabe das razões porque não andam em transportes públicos, ou em carros utilitários?

Eu sei…, mas faz-se tarde e, como diria o Astérix, tenho um javali ao lume.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

NOTÍCIAS DO CIRCO


Dizem os noticiários televisivos que está e decorrer a reestruturação da TAP, com a necessária benção da Comissão Europeia.

Dizem os noticiários televisivos que Ramiro Sequeira, que ocupa o cargo de presidente executivo da TAP, de forma interina desde meados de Setembro, passou a receber 35 mil euros brutos por mês com a subida à liderança da companhia aérea, quase o dobro do que ganhava no anterior cargo de administrador.

Dizem os noticiários televisivos que também o presidente do conselho de administração da TAP, Miguel Frasquilho, teve um aumento salarial – de 12 mil para 13,5 mil euros brutos por mês, que Alexandra Vieira Reis, que já era directora da TAP e também foi para a comissão executiva, ganhava 14 mil euros mensais e passou a receber 25 mil euros por mês.

Os noticiários televisivos são omissos sobre o despedimento de 1800 trabalhadores da TAP, e o corte de vencimento aos trabalhadores que vão permanecer na companhia.

 Os noticiários televisivos são também omissos no vernáculo que, no café do bairro, se fez ouvir quando o locutor televisivo leu a notícia.

Gente merdosa foi o mais simpático que se ouviu.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

... E OS DIAS DIMINUEM

No século XX, os amigos estrangeiros que viajavam com a TAP eram francamente elogiosos relativamente à companhia de aviação: diziam que se comia melhor do que em qualquer outra companhia aérea, que os produtos servidos eram de qualidade, que os profissionais de bordo, que a manutenção dos aviões eram altamente competentes e profissionais.

O Hans-Martin, alemão de Reinbek, meu amigo, quando vinha a Portugal em férias, só viajava pela TAP mesmo sabendo que havia companhias que lhe faziam preços mais simpáticos.

Fiz viagens aéreas apenas por obrigação profissional, e os dedos das mãos chegam para as contar, porque viajar de avião nunca fez parte dos meus gostos. Mas sempre que isso aconteceu fiz questão de sempre viajar pela TAP.

Há muito que devíamos ter resolvido os inúmeros problemas que a TAP foi acumulando ao longo de muitos e muitos anos. Neste findar de ano, o futuro da TAP outro não será do que a extinguir tal como se encontra. O que o governo propõe fazer – e nada é claro, nem transparente – é encharcar a TAP com mais dinheiro, que pouco ou nada resolverá, e que será suportado por todos nós como já aconteceu, e vem acontecendo, com os bancos que temos vindo a financiar.

Quando, talvez, os sinos comecem a dobrar tela TAP, hoje já se fala em despedimento colectivo, lembremos Carlos Paredes, recordando a excelência de uma companhia aérea:

 «Devo à TAP imensos favores. Um deles é deixar levar no avião a guitarra junto a mim, porque se fosse para o porão podia sujeitar-se a ser furada…»

1.

Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, ainda não percebeu que não tem nenhumas condições, nenhumas mesmo, para continuar no cargo.

Devia demitir-se.

A não fazê-lo, terá que ser demitido.

O brutal e inqualificável assassinato de Ihor Homenyuk, o mais grave atentado ao estado de direito d pós-25 de Abril,é algo que não permite outras leituras.

Por outro lado Marcelo, como é de seu feitio, enredou-se, pelas piores razões, neste episódio.

Marcelo é a mesma pessoa que telefonou  em direto a Cristina Ferreira, para lhe desejar sorte num programa televisivo, que manda, por dá cá aquela palha, afectos e condolências a toda a gente, mas esqueceu  a viúva e os filhos de Igor  e, quando confrontado com o esquecimento, se enredou numa explicação canhestra e tristre por não o ter feito.

2.

Colocando de lado o aspecto de ambos sermos associados do Benfica, em muitíssimas poucas coisas estarei a concordar co António Bagão Félix.

Ressalvo esta, de uma entrevista dada num qualquer Natal passado:

«Bacalhau com batatas na ceia de Natal. é o  aquele verdadeiramente me transmite a conjugação feliz entre a comida e a família.»

domingo, 12 de julho de 2020

ETECETERA


A pandemia alastra pelo mundo, ainda há quem efusivamente se divirta, mas a esmagadora maioria tem o seu viver feito em estilhaços, outros enfrentam o frágil jogo de equilíbrio entre não se sabe bem o quê, mas não está longe de se encaminhar para trágicos desfechos.

Em França, um motorista de autocarro morreu na sexta-feira, depois de ter ficado em morte cerebral na sequência de um violento ataque por parte de passageiros, isto depois de lhes ter pedido que utilizassem máscara como medida de prevenção contra o novo coronavírus.

1.

Neste domingo, Lisboa derreteu-se de calor.

Há dias, um tipo, que cheguei a pensar estar a fazer qualquer coisa por aí, chafurdar em dinheiro, por exemplo, menos ter que o ouvir dizer barbaridades, Durão Barroso de seu nome, um tempão decorrido, 100 mil mortos e tudo o resto que é muito, assumiu que a realização da Cimeira das Lages, e o apoio à invasão do Iraque pelos Estados Unidos, foi um erro, e ainda deu para nos dizer que não foi esse apoio que o levou a ser presidente da Europa.

O Expresso, numa das suas primeiras páginas, informava que a sociedade de advogados SRS, liderada por Pedro Rebelo de Sousa, vai juntar-se à AAA Sociedade, de que Dulce Franco, antiga secretária do governo de Durão Barroso, é socia fundadora. Juntos serão mais fortes, pois então.

O orçamento retificativo, o último documento preparado por Mário Centeno, indica uma previsão de recessão de 6,9% do PIB este ano, com retoma para um crescimento de 4,3% em 2021. Das 263 propostas que a Oposição apresentou só passaram 35.

2.

Continua o calor infernal.

António Costa olha os tempos difíceis: Tap, Efacec, Novo Banco, parte do Partido Socialista, grande parte mesmo, a não compreender porque não apresenta um candidato do partido às presidenciais, o que levou o ministro Pedro Nuno Santos a dizer que se isso não acontecer terá que votar no candidato do BE ou do PCP, enquano os incêndios que começam a rebentar com meio mundo a dizer que nada foi feito para os prevenir e combater.

3.

Sobre o que se passa no Brasil muito pouco se sabe,  mas é certo que o COVID-19 assaltou Bolsonaro e, à data, entrou nos  1.643.539 brasileiros atacado pela tal «gripezinha». O governo investiga agora o jornalista que desejou que Bolsonaro morresse.

4.

José António Saraiva foi condenado por devassa da vida privada.

A jornalista Fernanda Câncio é uma das indemnizadas. Autor do livro "Eu e os políticos", que foi retirado do mercado por ordem judicial, foi condenado a 180 dias de multa à taxa diária de 30 euros: 5400 euros e a pagar indemnizações aos autores da queixa e assistentes no processo, a jornalista Fernanda Câncio e um seu ex-namorado no valor de 15 mil euros cada.

O  ​​​​​​livro "Eu eos Políticos - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje", foi publicado pela Gradiva em Setembro de 2016.

José António Saraiva, que não se cansa de dizer que será um dos próximos Prémio Nobel da Literatura, ainda não disse se recorrerá da sentença.

5.

Portugal comprou pelo menos 627 mil máscaras FFP (modelos mais avançados, para uso dos profissionais de saúde em contacto com as pessoas infetadas) sem certificado de qualidade ou com um certificado de qualidade duvidoso, revelou o jornal Público. O fenómeno repetiu-se por toda a Europa, uma vez que durante a pandemia da Covid-19 a União Europeia aliviou os critérios de certificação para permitir a rápida aquisição do material necessário: nesta altura, não é obrigatório que o equipamento tenha a indicação CE (que garante o cumprimento das normas europeias), embora vendedores e compradores tenham de assegurar a qualidade das máscaras, sujeita a fiscalização.

6. 

Títulos ao acaso.

Primeira página do Público de 6 de Julho.

7.


Com 92 anos, morreu Enio Morricone, autor de inúmeras bandas sonoras, tendo trabalhado com grandes realizadores e vendido mais de 70 milões de discos.

Lisboa, Maio de 2019,  fez parte das cidades que assistiram  à digressão mundial da sua despedida dos palcos.

8.


No dia 5 de Julho morreu o realizador Alfredo Tropa. Um dos seus notáveis trabalhos para a televisão  chama-se Povo Que Canta.

Para o cinema realizou, em 1970, Pedro Só, uma adaptação sua da obra de Manuel Mendes Pedro – Romance Dum Vagabundo, em que contou com a colaboração de Fernando Assis Pacheco e Afonso Praça. As canções do filme  têm poemas de Ferando Assis Pacheco, música de Manuel Jorge Velosos e são cantadas por Manuel Freire,

domingo, 5 de julho de 2020

ETECETERA



Neste domingo esteve um calor sufocante.

A semana que passou teve momentos de completo pesadelo. O desconfinamento processou-se de maneira caótica. A região de Lisboa vive momentos complicados.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa atropelam-se, por aí, em palavras e visitas.

A confusão é muita: a TAP, nacionaliza-se não se nacionaliza, e sabemos que  registou, no primeiro trimestre do ano, prejuízos de 395 milhões de euros, relacionados com os impactos da pandemia deCcovid-19.

Olhamos e antevemos que está a nascer um outro buraco como o do Novo Banco.

A justiça a braços com juízes corruptos. Rui Rangel é um desses casos: arrendava apartamentos em Lisboa por vários milhares de euros por mês, um almoço que custou quase 19 mil euros, utilizava a identidade de cidadãos estrangeiros para escapar a multas por excesso de velocidade e está tudo nas 348 páginas do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça e constata-se que manteve uma conduta desonesta com um vencimento que não chegava aos quatro mil euros por mês.

O governo britânico decidiu manter a quarentena obrigatória aos turistas que regressem de Portugal depois de passarem férias e a decisão afectará o turismo algarvio.

Está tudo muito confuso e a pandemia não nos dá um segundo de tranquilidade.

1.

Não concordo mesmo nada que qualquer governante seja comentador político nas televisões.

Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, disse na TVI, que com maus chefes e pouco exército não é possível ganhar esta guerra.

Admitem-se os alvos mas não se vislumbra a oportunidade. Alguém devia ter dito a Medina que combater uma pandemia não é a mesma coisa que invadir a cidade de pistas para bicicletas.

2.

O aumento de novos casos de infeção da Covid-19 na comunidade portuguesa residente no Luxemburgo está a preocupar as autoridades de saúde locais.

A notícia foi avançada este domingo que recordou que dos 325 novos casos confirmados na última semana, muitos foram identificados na comunidade portuguesa.

Na origem deste aumento de infeções no país podem estar viagens de e para o estrangeiro, festas privadas ou encontros familiares.
Uma grande parte dos portugueses que trabalham no Luxemburgo mantém planos para vir passar as férias a Portugal

2.

«A Cirque du Soleil» terá cerca de 890 milhões de euros de dívidas que se tornaram insustentáveis com a crise pandémica. Vão despedir cerca de 3.500 funcionários. 

3.

Segundo o presidente do Instituto Politécnico da Guarda oito dos alunos que testaram positivo terão ficado internados na Unidade Local de Saúde, "por não terem nos respetivos alojamentos condições para estarem em isolamento durante o período de quarentena".

Estão suspensos os exames presidenciais, a decisão foi tomada após a instituição ter tido conhecimento da existência de estudantes infetados com covid-19. Uma parte dos contágios terá ocorrido em festas covid realizadas na Guarda, à semelhança do que terá ocorrido noutras cidades com estabelecimentos de ensino superior.


4.

O apoio da Câmara Municipal de Almada às associações de Cultura e Desporto no concelho baixou de quase 700 mil euros em 2017 para 177 770 euros em 2019.

5.

«O cenário dos transportes públicos em hora de ponta é a imagem gritante da impotência. Mandam as pessoas para casa em bairros problemáticos de casas degradadas e inabitáveis, com multidões que têm que sair para sobreviver em trabalhos clandestinos. Multar e perseguir os desempregados, vagabundos da crise, deixar os alunos na rua porque as escolas não têm condições, espalhar o pânico doentio. Ignora-se o resultado de três meses de paragem dos tribunais, a desigualdade social é uma chaga, e um SNS desprezado pelos sucessivos governos é agora a medida de todas as liberdades. Agora como dantes, as ARS (administrações regionais de saúde), a DGS, o Ministério da Saúde compõem estruturas burocráticas sobrepostas e insensíveis, juntamente com a proteção civil e a segurança social, incapazes de ligação ao terreno, aos diretores dos hospitais como ponto de partida para uma ação eficaz. Criminalizar o combate à epidemia é querer parar o vento com as mãos.

O absurdo não se dissolve no azul da água, há uma culpa difusa neste clima de delação, até na inexplicável dificuldade em ter um corpo. Os efeitos do buraco negro criado com a economia parada, com a incompetência institucional, vão obrigar-nos ao maior combate das nossas vidas. Em cada facto novo há um movimento em falso.»

Maria José Morgado

6.

A CP não tem capacidade para aumentar o número de comboios em circulação na Área Metropolitana de Lisboa, afirmou o ministro das Infraestruturas, revelando que está em estudo a possibilidade de alterações de horários.

7.

Numa das suas últimas crónicas no Expresso, José Tolentino Mendonça lembra a correspondência, em tempos difíceis de guerra, que Stefan Zweig trocou com Joseph Roth e em que este escreve:

«Por fim, a amizade é a verdadeira pátria.»

8.

Por muito tempo que se viva, haverá sempre quem nunca esqueça aqueles 8 minutos e 48 segundos em que o polícia Derek Chauvin manteve o seu joelho no pescoço do negro Floyd até que ele deixasse de respirar e dos outros polícias e mirones que presenciaram a cena sem nada fazerem para evitar a morte de um ser humano.

sábado, 4 de julho de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

O ANNUS HORRIBILIS DE SALAZAR

O segundo ano da década de 60, é o annus horribilis da ditadura de Salazar.

Efectivamente, nesse ano, começa o caminho, longo e difícil de 13 anos que há-de culminar na madrugada do 25 de Abril de 1974.

No dia 22 de Janeiro de 1961, o paquete Santa Maria, a navegar no alto mar, é assaltado, a 4 de Fevereiro, em Angola, ocorrem incidentes que serão o rastilho do deflagrar da guerra colonial, o apelo de Salazar: para Angola, rapidamente e em força, em Março, verifica-se golpe militar do General Botelho Moniz, em Julho a República do Benim intima Portugal a abandonar o Forte de São João Baptista de Ajudá e Salazar ordena ao responsável para o incendiar, em 19 de Novembro, Palma Inácio desvia um avião da TAP, que fazia a carreira Casablanca-Lisboa, lançando panfletos sobre a capital portuguesa, a 18 de Dezembro, a União Indiana invade Goa, Damão e Diu, por fim, no último dia do ano, ocorre o assalto ao Quartel de Beja.



Faz hoje 50 anos que umas escassas dezenas de idealistas portugueses e espanhóis, comandados por Henrique Galvão e Jorge Soutomaior, apoderaram-se do paquete Santa Maria. O plano designado por Operação Dulcineia, personagem do D. Quixote de Cervantes, consistia no desvio do navio, para posterior ocupação da colónia espanhola de Fernando Pó, de onde se partiria para Angola, iniciando um levantamento insurreccional contra as ditaduras ibéricas.



Para mais uma das suas viagens regulares às Américas, O Santa Maria largara de Lisboa a 9 de Janeiro de 1961. No dia 20 fez escala em La Guaira e é neste porto venezuelano que embarca o grupo de revoltosos. A caminho de Port Everglades, na Florida, com 612 passageiros e 350 tripulantes, precisamente à 1 hora e 45 minutos da madrugada de 22 de Janeiro de1961, o grupo domina os oficiais do navio. O terceiro piloto João José Nascimento Costa ofereceu resistência aos assaltantes e foi morto a tiro. A 23 de Janeiro, o navio aproximou-se da ilha de Santa Lúcia e desembarcou, numa das lanchas a motor, 2 feridos graves mais 5 tripulantes, comprometendo assim a possibilidade de atingir a costa africana sem ser detectado. No dia 25, o paquete, que passara a chamar-se Santa Liberdade, é localizado por um avião norte-americano.


A 2 de Fevereiro, o Santa Liberdade fundeou no porto brasileiro do Recife, os passageiros e tripulantes foram desembarcados, enquanto os revolucionários entregaram-se às autoridades brasileiras, vindo, posteriormente, a obter asilo político.


Nesse dia o paquete voltou a chamar-se Santa Maria e, embandeirado em arco, a 16 de Fevereiro de 1961, entrava na barra do Tejo.

Só no dia 24 de Janeiro os jornais publicam a nota oficiosa do governo, dando conta do assalto ao Santa Maria. E os seus editoriais expressam a indignação face ao acontecimento.

Também nesse dia, a Assembleia Nacional, antes da ordem do dia, ouve as vozes de repulsa dos deputados, srs. drs. Proença Duarte e Homem de Melo (conde de Águeda).

Da intervenção do sr.dr. Proença Duarte:

«Neste momento em que a alma nacional se encontra altamente emocionada e magoada, tenho eu por certo que interpretar o sentimento de todos os portugueses de boa vontade, seja qual for o seu credo político ou religioso afirmando aqui a sua repulsa e condenação deste acto de inqualificável indignidade.»


Da intervenção do sr. Conde de Águeda:

E como há circunstâncias em que o coração carece do auxílio da inteligência para transbordar de indignação e de patriotismo, desse patriotismo que é apanágio de todos nós. É, pois, o coração, e só ele, que, num grito indignado protesto, verbera o acto de pirataria praticado no Mar das Caraíbas, contra um navio português e se envergonha por saber que o chefe dos ladrões do mar pôde um dia estar sentado nestas cadeiras, fazendo parte da representação nacional».

O editorial do “Diário de Notícias” tinha por título Crime Praticado contra Portugal e podia ler-se:

Registamos, como o faz o governo, que tais ocorrências não se passaram sem a resistência de oficiais e tripulantes, que deste modo honraram, até ao sacrifício da própria vida, as tradições da Marinha portuguesa.
A consciência dos portugueses condenará sem hesitações este crime praticado contra Portugal.

O título do editorial de O Século era Unamo-nos os de Boa Têmpera e terminava assim:


«Unamo-nos os milhões que somos contra esse escasso cento de renegados; unamo-nos os de boa têmpera, indomáveis na vontade, prontos ao sacrifício. Portugal chama-os. Responderão: Presente.»


O editorial do Diário da Manhã,  Quando o Ódio se Alucina, destacava:

«Se no aspecto pessoal, o acto cometido representa a condenação final dum crápula exibicionista, sem consciência moral, que se perdeu definitivamente nos caminhos do crime, no aspecto politico é a prova irrefutável do que são e do que não são capazes os criminosos que publicam panfletos onde é nítida a intenção comunista, desagregadora da unidade dos homens e das terras da Nação portuguesa – e acabam por cair, de forma a não deixarem dúvidas, no assalto à mão armada, no roubo, no assassínio, na prática pura e simples da pirataria.»

Título do editorial de O Primeiro de Janeiro: Absolutamente abominável, do jornal  A Voz: Preferiram cair a render-se, das Novidades: Queremos Ser um Povo que não se demite, do Diário Ilustrado: Indignação e Revolta, do Jornal de ComércioRespeite-se Portugal, do Diário de Lisboa: Acto Insólito, do Diário PopularUm Crime Inédito contra a Pátria e a Civilização, do Jornal de Notícias: Todos os Portugueses Sentem a Maior Repulsa, de O Comércio do PortoNão há Explicação nem Justificação.


Em Setembro do ano passado, estreou Assalto ao Santa Maria um filme de Francisco Manso, com argumento de João Nunes, e Vicente Alves do Ó.

Segundo Francisco Manso, o filme retrata a epopeia e a aventura quixotesca do assalto ao paquete Santa Maria envolvido por uma história de amor entre uma passageira, filha de um apoiante de Salazar, e um dos revolucionários.

Texto publicado no dia 22 de Janeiro de 2011.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

ETECETERA


Por isto ou por aquilo a TAP anda sempre pelas páginas dos jornais, pelos noticiários das televisões.

Não é só de agora e quase nunca por bons motivos.

No dia 12 de Agosto de 2009, Manuel António Pina escrevia a sua habitual crónica no Jornal de Notícias.

E era sobre a TAP:

«As más notícias são que a TAP atravessa, segundo o Conselho de Administração de Fernando Pinto, uma "crise gravíssima", tendo tido no ano passado 280 milhões de euros de prejuízos e vendo-se forçada a pedir sacrifícios aos trabalhadores e a recusar-lhes aumentos salariais.
As boas são que, no mesmo ano de 2008, os administradores atribuíram-se "prémios" com que duplicaram os seus vencimentos (Fernando Pinto, por exemplo, levou 816 mil euros, em vez dos miseráveis 30 mil mensais mais regalias que lhe cabiam); e que decidiram entretanto adquirir 42 automóveis topo de gama para si e as dezenas de directores avulsos que enxameiam a empresa, pois deslocavam-se todos em viaturas "velhas" de quatro anos, impróprias das suas altas funções. Trata-se de uma inovadora ideia de gestão: vão-se os dedos mas fiquem os anéis (e comprem-se mais). Deve-se, a inventiva ideia, a Dali que, contava Gala, era nos momentos em que atravessava "crises gravíssimas" que mais gastava, pois, argumentava ele, "a piedade dos vizinhos mata". A TAP pode morrer, mas ninguém há-de ter razões para se apiedar dos seus administradores.»

1

A companhia aérea de baixo custo EasyJet anunciou que vai despedir 4.500 trabalhadores e reduzir a frota, devido à diminuição da procura.
A companhia aérea britânica, que emprega 15 mil pessoas em oito países da Europa, revelou que vai iniciar conversações com os trabalhadores nos próximos dias.

2

Os Estados Unidos ultrapassaram os 100 mil mortos.

3.

Os colombianos criaram camas de hospital de cartão que se transformam em caixões.

4

Sempre vai haver a festa do livro no Parque Eduardo VII.
A 90ª edição da Feira do Livro ocorrerá entre os dias 28 de Agosto e 13 de Setembro, com naturais restricções e condicionalismos, mas os livros sairão à rua.

5

As consequências económicas da pandemia de Covid-19 podem levar cerca de 86 milhões de crianças a mais à pobreza até final do ano, segundo um estudo divulgado hoje pela organização não-governamental Save the Children da UNICEF. No total, serão 672 milhões de crianças afectadas pela pobreza este ano, o que traduz um aumento de 15% em relação à 2019.

6.

A escritora Luísa Costa Gomes sobre a morte de Maria Velho da Costa:

Em vez de chorar o desaparecimento da Maria Velho deviam ler os livros que publicou ao longo da vida. Está tudo nos livros, a voz dela está lá toda, viva».

7.

Pelo menos cinco bairros sociais na Grande Lisboa têm casos de covid-19.
Além dos 32 casos confirmados pela DGS espalhados por três bairros no Seixal (só o da Jamaica e de Santa Marta, em Corroios, foram identificados), há também famílias infectadas no Bairro da Torre (Loures) e Alfredo Bensaúde (Olivais).
Segundo o jornal Público, há em Lisboa 200 bairros ilegais, campo fértil para o vírus.

8.

Fiquem em casa.
Agora podem sair de casa.
Contudo o vírus ainda se passeia por aí e não sabemos quando terminará o seu caminhar.
A sobrevivência está na linha da frente.
Isto não está para acabar e é bem capaz de não acabar bem.
O medo.
Acima de tudo o medo.

9.

A vida é dizer-se adeus a um espelho.

Ramón Gómez de la Serna em Greguerías

domingo, 12 de abril de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS



Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE…

Uma em duas, duas em uma, como preferirem.

Carlos Paredes já há muito nos deixou, um homem do outro mundo, José Duarte dixit.

Nada passou a ser como era.

«Que saudades meu amigo
Das flores do teu jardim
Eu sentada num degrau
E tu esquecido de mim
Eram flores de fim de dia
Tinham gotas de luar
Que saudades meu amigo
Do teu jardim de encantar»

Y.K. Centeno

A TAP está em vias de, selvaticamente, deixar de ser nossa.

Só não se sabe quando.

Há uma boa dezena de anos, ou mais, disse-me o Hans-Martin, um amigo alemão, que de aviões e companhias de aviação percebe, que a TAP era das melhores companhias de aviação do mundo, só não disse que era a melhor porque, por difícil de validar, essas coisas não se dizem.


Por um aniversário, a TAP convidou Carlos Paredes para gravar um disco para ser distribuído pelos passageiros e feito da seguinte maneira: eu fiz dois temas dedicados exclusivamente à TAP - «Asas sobre o Mundo» e «Nas Asas do Saudade» - que depois misturei com outros já gravados, e fez-se um disco novo, um disco que eu tive o cuidado de relacionar com aspectos da vida nacional: as sua paisagens, etc.

José Duarte que o ouvia, acrescentou: «é a maneira de a tua música andar a voar por aí… »
Disse, então, Carlos Paredes, naquela humildade que se lhe conhecia:

«Tenho muita honra e devo à TAP imensos favores. Um deles é deixar levar no avião a guitarra junto a mim, porque se fosse para o porão podia sujeitar-se a ser furada…»


Texto publicado em 17 de Fevereiro de 2013.