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terça-feira, 19 de maio de 2026

OLHAR AS CAPAS

A Chave de Vidro

Dashiell Hammett

Tradução: Helena Domingos

Capa: João Botelho

Colecção: Série Negra nº 5

A Regra do Jogo Edições, Junho de 1980

Ned Beaumont foi para casa. Bebeu café, fumou, leu um jornal, uma revista, metade de um livro. De vez em quando parava de ler e punha-se a passear, enervado, pela casa. A campainha da porta não tocou. O telefone não tocou

Às oito da manhã tomou banho, fez a barba e vestiu-se de lavado. Depois mandou vir o pequeno almoço e comeu-o.

terça-feira, 5 de maio de 2026

OLHAR AS CAPAS


O Falcão de Malta

Dashiel Hammett

Tradução: Helena Domingos

Capa: João Botelho

A Regra do Jogo Edições, Lisboa Setembro de 1970

O maxilar de Samuel Spade era comprido e ossudo, o queixo era um V saliente e sob o V mais flexível da boca. As narinas desciam recortando outro V mais pequeno. Os olhos cinzentos amarelados abriam-se horizontalmente. Espessas sobrancelhas que emergiam de duas rugas paralelas ao cimo de um nariz adunco formavam novo V e o cabelo castanho adensava-se, a partir de têmporas altas e lisas, no cimo da testa. Tinha o ar agradável de um demónio loiro.

terça-feira, 14 de abril de 2026

OLHAR AS CAPAS


A Maldição Dain

Dashiell Hammett

Tradução: Manuel Grangeio Crespo

Capa: João Botelho

Colecção Série Negra nº 7

A Regra do Jogo Edições, Lisboa, Novembro de 1980

Mas ela não o amava. Pelo menos não há razão nenhuma para supor que sim. Ele não passava para ela dum troféu de caça; e isso é um valor que a morte não apaga. Embalsama-se a cabeça e pendura-se na parede.

terça-feira, 10 de março de 2026

OLHAR AS CAPAS


Ceifa Vermelha

Dashiell Hammett

Tradução: Fernanda Pinto Basto e António Sabler

Capa: João Botelho

Colecção. Série Negra nº 4

A Regra do Jogo, Lisboa, 1979

Dum telefone da estação liguei para o Herald, pedi para falar a Donald  Willson e disse-lhe que tinha chegado.

-Pode vir esta noite a minha casa às dez?

Tinha um voz viva, agradável.

- É no 2101 de Mountain Boulevard. Você toma um eléctrico de Broadway, sai em Laurel Avenue e anda dois quarteirões para oeste.

Prometi lá ir ter. Fui direito ao Great Western Hotel, larguei as malas e saí para dar uma volta pela cidade.

Não era uma cidade bonita. A maior parte dos proprietários só cuidava da ostentação. Talvez tivesse resultado a princípio. Entretanto as fundições, cujas altas chaminés de tijolo se destacavam da montanha escura ao sul, tinham coberto tudo com a sujidade uniforme do seu fumo amarelo.

domingo, 1 de outubro de 2017

OLHAR AS CAPAS


O Falcão de Malta

Dashiell Hammett
Tradução: Baptista de Carvalho
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 34
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Ah, Sr. Spade – disse ele com entusiasmo, estendendo ao «detective» uma mão que se assemelhava a uma gorda estrela vermelha.
Spade apertou-lhe a mão, sorriu e disse:
- Como passou Sr. Gutman?
Sem largar a mão de Spade, o homem postou-se a seu lado e, apoiando a mão esquerda no cotovelo do «detective», conduziu-o a uma cadeira estofada de verde, colocada ao lado de uma mesa sobre a qual se via um sifão, alguns copos, uma garrafa de «whiskey» sobre um tabuleiro, uma caixa de charutos «Coronas del Ritz», dois jornais e uma pequena caixa amarela. Spade sentou-se na cadeira. O seu anfitrião começou a encher dois copos de «whiskey» e soda. O rapaz desaparecera. As três portas do aposento estavam fechadas. Por detrás do Spade abriam-se duas janelas sobre Geary Street.
- Comecemos bem, senhor – disse o homem, estendendo um copo a Spade. – Não gosto das pessoas que receiam beber muito, porque quando o fazem não merecem confiança.
Spade pegou no copo e esboçou uma vénia, sorrindo. O outro ergueu o copo, observou o líquido à luz e fez um gesto de satisfação ao ver desfazerem-se as bolinhas da bebida.
- Pelo bom êxito da nossa entrevista – brindou o gorducho.
Beberam e repuseram os copos sobre a mesa.
- Gosta de conversar? – perguntou Gutman, olhando atentamente para Spade.
- Sim, quando o assunto me interessa – replicou o «detective».
- Óptimo – exclamou o homem – Detesto pessoas que falam pouco. Em regra só falam quando não é preciso e para dizer coisas desnecessárias. Para falar acertadamente, é preciso praticar.
Gutman estendeu a Spade a caixa de «Coronas del Ritz».

- Quer servir-se de um charuto, senhor?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

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Estranha Maldição

Dashiell Hammett
Tradução Wilson Velloso
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 64
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Apaguei as luzes do quarto, deixei a porta aberta e sentei-me na escuridão vigiando a porta da jovem e amaldiçoando o mundo. Lembrei-me da história do cego no quarto escuro procurando um chapéu preto que lá não estava e compreendi a sua situação.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

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A Chave de Vidro

Dashiell Hammett
Tradução: Sílvia Mendes Cajada
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 47
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Ned Beaumont fechou a porta-
- Empreste-me algum dinheiro – Pediu
Madvig tirou uma grande carteira parda do bolso interno do casaco.
- Quanto é que você quer?
- Duzentos.
Madvig estendeu-lhe uma nota de cem dólares e mais cinco de vinte.
- Dados? – perguntou.
- Obrigado.
Ned Beaumont enfiou o dinheiro no bolso.
- Sim.
- Há muito que você não ganha, não é verdade? – indagou Madvig devolvendo as mãos aos bolsos das calças
- Nem tanto… um mês, ou mês e meio.
Madvig sorriu.
- Para perder já é bastante.
- Não para mim.
Havia uma leve irritação na voz de Ned Beaumont.
Madvig fazia tilintar moedas no bolso.
- Jogo forte, esta noite?
Ele sentou-se num canto da mesa a abaixou os olhos para os sapatos castanhos, lustrosos.
Ned Beaumont fitou os olhos curiosos no homem loiro, depois sacudiu a cabeça.
- Fraquinho – respondeu.
Dirigiu-se para a janela. Por cima dos prédios do aldo oposto da rua, o céu estava negro e pesado. Ned Beaumomt foi até ao telefone atrás de Madvig e pediu um número.
- Allô, Bernie. É Ned quem fala. Quanto é que Peggy O’Toole está a pagar?... Só isso?... Bem, dê-me quinhentos de cada… Certo… Aposto que vai chover, e se isso se der, ela venverá Incinerator… Está bem, nesse caso, pague mais… Óptimo.
Desligou o telefone, deu uma volta e postou-se novamente diante de Madvig.
- Por que não para de jogar por algum tempo, enquanto está a perder dessa maneira? – perguntou ele.
Ned Beaumont carregou o sobrolho.
- Não vale a pena; só serve para aumentar o azar. Eu devia ter jogado os mil e quinhentos dólares de uma vez, em lugar de os esparramar na mesa. Bem poderia aceitar o seu conselho e parar.
Madig riu-se e ergueu a cabeça.
- Se você for capaz de resistir à tentação – disse.
Ned Beaumont deixou cair os cantos da boca e as pontas do bigode acompanhando-lhes o movimento.
- Sou capaz de resistir a udo o que tiver de resistir – disse enveredando para a porta. Tinha a mão na maçaneta quando Madvig falou.
- Nesse ponto acredito que possa, Ned – disse com sinceridade.
- Possa o quê? – perguntou Ned Beaumont voltando-se mal humorado.
Madvig passou a olhar para a janela.
- Possa resistir a tudo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OLHAR AS CAPAS


O Homem Transparente

Dashiell Hammett
Tradução: Helena Domingos
Capa: João Botelho
Colecção Série Negra nº 9
A Regra do Jogo, Lisboa 1981

«O principal», avisei, «É não se deixarem cansar por ela. Quando uma pessoa a apanha numa mentira, admite que sim e arranja logo outra para o lugar da primeira e quando se apanha na segunda, volta a admitir e arranja mais outra, e mais outra e mais outra. A maior parte das pessoas – mesmo mulheres – desanima quando é apanhada na terceira ou na quarta mentira chapada e das duas uma: ou resolvem dizer a verdade ou calar-se, não é? Mas a Mimi. Nunca desiste. Tem que se ter muito cuidado porque senão acaba por se acreditar, não porque pareça falar verdade mas porque já se está cansado de não acreditar.»

Nota do editor: existe uma outra tradução na Colecção Vampiro.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


O Homem Sombra

Dashiell Hammett
Tradução: Almeida Campos
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 152
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Aquele maldito Sparow – explicou-me. – Não se pode ter a mínima contemplação com ele quando está bebido.
Studsy estava na mesa seguinte, aquela que fora derrubada, ajudando as pessoas a levantarem-se e a tomarem posse do que lhes pertencia.
- Isto foi mau – comentava ele – mau para o negócio, mas como se pode evitar uma coisa destas? Isto aqui não é uma taberna, mas a verdade é que também não pretendo que seja um colégio de meninas.