quinta-feira, 17 de setembro de 2026

CENSURAS, SOMBRAS E RAIVAS


Durante 48 anos perseguiram, prenderam, espancaram, mataram, quem neste país queria ter liberdade de pensar.

Naqueles tempos Adriano Correia de Oliveira cantava Manuel Alegre:

Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.

Meu pensamento
Quebrou amarras
Partiu no vento
Deixa guitarras.

Meu pensamento
Por onde passas
Estátua de vento
Em cada praça.

Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.

Foi à conquista
Do novo mundo
Foi vagabundo
Contrabandista.

Foi marinheiro
Maltês ganhão
Foi prisioneiro
Mas servo não.

Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.

E os reis mandaram
Fazer muralhas
Tecer as malhas
De negras leis.

Homens morreram
Chamas ao vento
Por ti morreram
Meu pensamento.

A imagem que acima se reproduz, faz parte de um trabalho que, a seguir ao 25 de Abril, a revista Cinéfilo publicou e em que mostraram como fomos censurados.

No dia 22 de Setembro, pelas 19,30 horas, a Cinemateca apresentará um filme de Manuel Mozos sobre cortes de cinema executados pela comissão de censura do Estado dito Novo:

 

  « ALGUNS CORTES: CENSURA III

de Manuel Mozos

Portugal, 2014 - 50 min

M/12

sessão apresentada por Manuel Mozos e Margarida Sousa e seguida de conversa após projeção

A partir de várias horas de cortes realizados pela Comissão de Censura durante as décadas de cinquenta e sessenta conservados pela Cinemateca, Manuel Mozos assina um filme de montagem através do qual se dá a ver a violência da censura enquanto negação da possibilidade de olhar estas imagens. 
Ao contrário do anunciado, será apresentado o terceiro filme de montagem (de 2014), dedicado a cortes feitos de acordo com o que a Comissão estabeleceu como critérios morais, na sua relação com os comportamentos das mulheres e com a sua imagem, e não o primeiro (de 1999).»

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