Durante 48 anos perseguiram, prenderam, espancaram, mataram, quem neste país queria ter liberdade de pensar.
Naqueles tempos Adriano
Correia de Oliveira cantava Manuel Alegre:
Meu
pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.
Meu pensamento
Quebrou amarras
Partiu no vento
Deixa guitarras.
Meu pensamento
Por onde passas
Estátua de vento
Em cada praça.
Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.
Foi à conquista
Do novo mundo
Foi vagabundo
Contrabandista.
Foi marinheiro
Maltês ganhão
Foi prisioneiro
Mas servo não.
Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.
E os reis mandaram
Fazer muralhas
Tecer as malhas
De negras leis.
Homens morreram
Chamas ao vento
Por ti morreram
Meu pensamento.
A
imagem que acima se reproduz, faz parte de um trabalho que, a seguir ao 25 de
Abril, a revista Cinéfilo publicou e em que mostraram como fomos censurados.
No
dia 22 de Setembro, pelas 19,30 horas, a Cinemateca apresentará um filme de
Manuel Mozos sobre cortes de cinema executados pela comissão de censura do
Estado dito Novo:
« ALGUNS CORTES: CENSURA III
de Manuel Mozos
Portugal, 2014 - 50 min
M/12
sessão apresentada por
Manuel Mozos e Margarida Sousa e seguida de conversa após projeção
A partir de várias horas de
cortes realizados pela Comissão de Censura durante as décadas de cinquenta e
sessenta conservados pela Cinemateca, Manuel Mozos assina um filme de montagem
através do qual se dá a ver a violência da censura enquanto negação da
possibilidade de olhar estas imagens.
Ao contrário do anunciado, será apresentado o terceiro filme de montagem
(de 2014), dedicado a cortes feitos de acordo com o que a Comissão estabeleceu
como critérios morais, na sua relação com os comportamentos das mulheres e com
a sua imagem, e não o primeiro (de 1999).»

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