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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

ETECETERA

 

O Senhor Fernando Pessoa, vestido de Ricardo Reis, aconselhava:

«Para ser grande, sê inteiro».

Assim foi Juliette Gréco que, no dia 23 de Setembro, nos deixou.

Miles Davis voltou a sorrir-lhe e a repetir que reconheceria, aquele movimento de ancas em qualquer parte do mundo.

 Nasceu a 7 de Fevereiro, corria o ano de 1927.

A mãe disse-lhe que nesse dia chovia.

«A chuva ajuda todas as plantas a crescer, mesmo as venenosas», escreveu Gréco.

Jean Cocteau apelidou-a de «rosa das trevas», Sartre dizia que ela tinha mil poemas na voz.

Em 1965, para sair de um mundo ignóbil e imundo, tentou suicidar-se.

«Sartre tinha razão quando falou do inferno que são os outros. Tinha vontade de vomitar quando olhava à minha volta e via gente que era de uma tal mediocridade e de uma baixeza abominável. Todas essas personagens que dormiam com toda a gente, que não se amavam, que diziam mal uns dos outros. Aqueles a quem chamávamos a tout-Paris.

Falhou o suicídio e, mais tarde, com elegância, teve a possibilidade de dizer:

«Estou muito reconhecida à vida, embora por vezes ela tenha sido para mim muito cruel, muito dolorosa, muito difícil.»


1.

Abandonou o governo do país para se tornar presidente da união europeia, ocupa o cargo de presidente não executivo da Goldman Sachs International e agora, como presidente da Gavi-The Vaccine Alliance, irá monitorizar a distribuição de vacinas contra a Covid-19.

Durão Barroso, é ele o traste personagem que estamos referindo, dirá parvamente, entre dois arrotos de whisky, uma qualquer pilhéria, que sim, é mesmo um tipo esperto.

Para além de trafulhices, o personagem também percebe de vacinas?

O Fernando Assis Pacheco diria que isto são histórias para camelos.

Os camelos somos muitos de nós, quase a totalidade.

Isto anda tudo ligado e as vigarices, as corrupções, combinam-se em cada canto de uma qualquer rua deste mundo podre.

2.

Enquanto deputada da nação, pretendia que o orçamento da Assembleia da República lhe pagasse os fins-de-semana em Paris, cidade onde, então, vivia.

Como presidente da Câmara de Almada, disse que os miseráveis bairros de Almada têm uma vista privilegiada sobre o rio e sobre Lisboa e não se importava de lá viver.

A mediocridade política desta gente, explode em cada segundo dos dias que passam.

O nosso desencanto é enorme.

Que fazer?

3.

Segundo o Público, o governo prometeu 2500 camas para universitários mas só há 300.

E continua a desenfreada especulação, o escândalo sem nome, dos senhorios a alugarem quartos e apartamentos a estes jovens, que grande parte não conseguem suportar.

 4.

O processo chama-se Operação Lex.

Entre outros, três juízes vão sentar-se no banco dos réus.

De há muito os portugueses têm vindo a desconfiar da justiça portuguesa.

A partir de agora, aconteça o que acontecer, as razões dizem aos mesmos portugueses que não mais poderão pensar de modo diferente.

5.

Uma sondagem indica que 60,6% dos portugueses não acreditam que os fundos europeus que aí vêm, sejam bem aplicados, bem geridos geridos.

Há que seguir dinheiro.

Mas quem o fará?

 6.

António Costa vai dizendo :

«O nosso lema volta a ser emprego, emprego, emprego.»

Em resposta o Montepio deu início a uma onda de despedimentos enquanto e os inscritos nos centros de emprego de todo o país atingem os 409 mil e não havia tanto desemprego registado desde Janeiro de 2018.

7.

Uma história antiga:

«Lembro-me que me abracei a um polícia e, ambos aos saltos, saudando um crime: o Vata marcara com a mão e íamos à final da Champions.» 

Ferreira Fernandes no Público

domingo, 27 de setembro de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


 Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.

 ESSE MOVIMENTO DE ANCAS

 Juliette Greco evoca Miles Davis, amante. Quando, anos depois, o reencontrou em Paris. Ela, alguns passos na sala, de costas, um pouco curvada, desatenta: procurar um isqueiro, encher um copo com álcool, abrir uma janela porque faz calor. E ele ri, feliz. Juliette Greco pergunta: "Estás a rir, porquê?” E Miles Davis responde: “Porque reconheceria esse movimento de ancas em qualquer parte do mundo.”

Eduardo Prado Coelho em Tudo o Que Não Escrevi, Volume I

 Legenda: Miles DavisJuliette Gréco e Boris Vian

 Texto publicado em 26 de Novembro de 2014

quinta-feira, 4 de abril de 2013

À CONVERSA...


Perguntaram-lhe:

Será, imagino, fácil perder a fé quando se passou por situações extremas.

Respondeu:

Exige muita força. Mas, quando vemos que é nos países desfavorecidos que a religião tem mais peso, pensamos no modo como a miséria humana é atraída de um modo automático  e destruidor pela religião.
A política não é uma religião, a não ser uma religião em si mesma. Acr4ditamos em nós mesmos e há muito pouca poesia na política. E muito menos amor pelo próximo.
No comunismo é irrealizável. É magnífico mas é impossível. Jesus era um bom comunista. O melhor de todos. Mas é uma utopia. Há sempre o momento em que precisamos das coisas materiais. Talvez um dia os homens se possam amar, mas parece-me improvável.
A piedade é repugnante. O que falta é um olhar desinteressado, mas apaixonado, sobre os outros. Estamos a regredir. Estamos a chegar a um estado de barbárie onde todos matam todos. Onde os accionistas matam os empregados. Vivemos numa época muito perigosa.

Juliette Gréco, numa entrevista ao Público.