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sábado, 8 de junho de 2024

FARTO E CANSADO

Há dias e dias.

Bons, maus, assim-assim.

O de hoje é aquele a que há 50 anos, antecedendo um domingo de eleições, decidiram chamar «Dia de Reflexão».

Para um povo que, muito raramente, reflecte, pensa, a ideia é quase macabra e já decorreu suficiente tempo para que uma qualquer entidade lhe colocasse um fim.

Esta crónica de Eduardo Marçal Grilo, que ocupou o cargo de Ministro da Educação no XIII Governo Constitucional, chefiado por António Guterres, de 28 de Outubro de 1995 a 25 de Outubro de 1999, parece de útil leitura num dia como o de hoje.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

NOTÍCIAS DO CIRCO

O Tribunal Constitucional deu seguimento às reclamações apresentadas por cinco partidos: CHEGA, PAN, LIVRE, VOLT e MAS.

É necessário repetir as eleições nas mesas de voto da Europa.

E desta vez não será admitido o voto por correspondência apenas o voto presencial.

Com tudo isto, novo governo só lá para a Primavera. numa qualquer representação diplomática.

Eu leio mal, mas será que nas entrelinhas consegui vislumbrar que o presidente Marcelo terá insinuado que nos devíamos borrifar para estas «miudezas».

A incompetência político-partidária grassa por aí.

Há uma frase em O Livro do Meio, escrita por Maria Velho da Costa:

«Estás com o focinho demasiado em cima da merda; assim não respiras a tua respiração.»

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

O RISCO DE SE FICAR MAL NO RETRATO

Num comício em Outubro de 2015, Jerónimo de Sousa afirmou que o «PS só não forma governo se não quiser.»

Passos Coelho e Paulo Portas tinham ganho as eleições, mas existia uma maioria de esquerda na Assembleia.

No dia 15 de Fevereiro de 2016 por aqui se escrevia:

«Há um governo do Partido Socialista, apoiado pelas esquerdas.

O passe de mágica que destronou a direita, que se preparava para nos infernizar a vida por mais quatro anos, aconteceu.

Lembrar o quanto José Saramago ficaria feliz com a possibilidade das esquerdas -finalmente! – terem iniciado os caminhos da unidade.

Uma unidade que já vem dos tempos da Assembleia Constituinte, mas que certos actores, com fins então inconfessáveis, desprezaram.

 Em artigos de opinião, em conferências, em entrevistas, José Saramago nunca deixou de vincar o mote da unidade com vista ao nosso futuro de povo.

Nos dias que correm, estão muito difíceis os tempos deste governo do Partido Socialista apoiado pelas esquerdas.

Bruxelas, os mercados, o raio que os parta, tudo junto, a tentarem que o sonho, mesmo sendo débil, se desfaça.

Um trabalho que, tanto o Partido Socialista, o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda, têm de preservar.

Sob pena de não existir uma outra oportunidade e de todos ficarem mal no retrato.»

A água continuou a correr por debaixo das pontes.

Corria o findar de Outubro de 2021.

Cada um com a devida quota parte de responsabilidades, Partido Socialista, Partido Comunista, Bloco de Esquerda, acabaram por provocar o desfecho de obrigarem o Presidente da República a marcar eleições legislativas para o dia 30 de Janeiro de 2022.

Cada um tem a sua explicação.

Ressalta a quem lê a história por fora, que António Costa apenas aguardava a oportunidade de afastar aquela esquerda do seu caminho.

Quando Paulo Portas chamou «geringonça» aos acordos do PS, do PCP, do BE, António Costa, num debate quinzenal na Assembleia da República, ainda disse:

«É geringonça, mas funciona.»

Mas era difícil o palmilhar naquele caminho de pedras.

António Costa ainda lembrou que os portugueses não gostam de maiorias, mas começou a recente campanha por exigi-la.

Os palradores televisivos logo disserem que uma maioria absoluta era quase uma impossibilidade.

As sondagens das diversas empresas foram dando empates técnicos, ligeira percentagem a António Costa, uma sondagem ainda conseguiu dar a vitória a Rui Rio, mas os resultados são aqueles que os votantes entenderam dar no domingo.

Não sei como funciona o negócio das sondagens mas terá que existir uma qualquer explicação para tanto disparate.

Há clubes de futebol que arranjam bruxos para influenciar resultados, há partidos que arranjem gurus para mexer cordelinhos.

Outras histórias.

Segundo o Diário de Notícias, António Costa pretende indicar Edite Estrela como futura Presidente da Assembleia da República.

Se assim acontecer, opinião minha, os novos caminhos não começam nada bem…

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O DIA SEGUINTE

Alexandre O’ Neill, em tempos de ditadura, poetizava que o medo tem tendência natural para ter tudo e pensava no que o medo ia ter e tinha medo, que é justamente o que o medo queria e assim perfilados de medo, cada um por seu caminho, chegaríamos a ratos, sim, a ratos.

Lembra-se que a avó muitas vezes dizia que quem tem cu tem medo, mas que quem tem medo devia comprar um cão.

Pedro Tadeu, hoje, no Diário de Notícias escreveu:

«O medo de um governo de direita, que as inúmeras sondagens anteriores às eleições tornaram, erradamente, uma possibilidade viável na cabeça de muitos eleitores, levaram a uma concentração de votos da população de esquerda no Partido Socialista, com sacrifício do Bloco e da CDU, e originaram uma grande vitória pessoal de António Costa.»

Henrique Bento Fialho no seu blogue Antologia do Esquecimento:

«O discurso do voto útil, o medo de ver o tiranete Rui Rio no poder, coligado com uma horda de tontos, hipócritas e corruptos, pesou. O medo pesa sempre muito. Daqui a quatro anos, o mais provável e ninguém ter votado PS. Aconteceu o mesmo com Sócrates. As pessoas têm memória, mas é curta e só serve para o que lhes serve. A paz, que o pão, a saúde, a habitação, a gente cá se vai amanhando. Agora é olhar em frente e continuar a lutar por quem trabalha, trabalhando com quem luta. Viva a democracia, viva a liberdade, viva Abril.»

Se isto fosse a sério, se as empresas de sondagens não estivessem ao serviço não se sabe bem de que mandaretes, era tempo de  colocar toda aquela gente no desemprego a que se juntaria os palavrosos-parvónios- -comentaristas de serviço pelas televisões.

Sim, houve o medo, mas é bom que se diga que isso, pouco ou nada, explica o tsunami eleitoral que ontem aconteceu.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

PARA SE ACABAR O DIA

Estamos sempre em estado de emergência. Ou o raio daquele título do livro do Manuel António Pina: Ainda não é o fim nem o princípio do mundo, calma é apenas um pouco tarde.

Por vezes temos frio ainda que um maravilhoso sol de Outono nos envolva.

Em cada final de Verão, ele e o avô pintavam o celeiro. Uma trabalheira. «Oh avô! para quê isto todos os anos este ritual?» O avô, calmamente: «O celeiro é da família. Se não formos nós a tratar dele, quem é que o fará?»

Miguel Torga no seu Diário:

« Quando eu era pequeno, havia em casa de meu pai, no cimo dum lameiro, uma costeira que era só fraga; e meu pai, na vessada, cavava também aquêle bocado, que nunca deu sequer feijão chícharo. Só com dez anos de vida, sem conhecer o pavor dos retalhos de tempo, preguntava-lhe eu, já cansado:

- Mas porque é que cava também isto?

E êle, como quem sabia uma verdade eterna:

- Para se acabar o dia.»

u era pequeno, havia em casa de meu pai, no cimo dum lameiro, uma costeira que era só fraga; e meu pai, na  nunca deu sequer feijão chícharo. Só com dez 

O DIA SEGUINTE

Retomar o caminho batido.

Chamar o Senhor Wolfgang Amadeus Mozart que em 1781, tinha então 25 anos, compôs a Sonata para Dois Pianos em D Maior, lembrar também Arthur Koestler, jornalista e escritor, que nunca leu, mas conhece uma frase batida: «a maturidade dos povos consiste na sua capacidade de reconhecer os seus próprios interesses».

domingo, 5 de setembro de 2021

AS FOTOGRAFIAS DO VIAJANTE


Pelos anos 90, no auge do cavaquismo, um secretário-de-estado-do-ambiente, Macário Correia de seu nome, largou a frase bombástica:

«Beijar uma rapariga que fuma é como lamber um cinzeiro».

O viajante foi, agora, encontrar o sorriso do tal personagem, num cartaz de propaganda da freguesia da Encarnação, perto de Tavira, e a frase:

«A esperança volta à nossa freguesia.»

Macário ainda pensará como no tempo em que era secretário-de-estado-cavaquista?

Que pensarão as moças tavirenses que fumam, sobre este regresso da esperança?

O viajante que captou o sorriso Macário, apetecia-lhe acrescentar uns comentários, mas está um calor de rachar telha. 

OLHARES


 Pelas terras e terrinhas país fora, multiplicam-se as obras e as obrinhas em tempo de eleições para as autarquias.

O que foi prometido, e deveria ter sido cumprido ao longo do mandato, foi deixado para as vésperas do cidadão depositar o papelinho na urna.

Há um ror de tempo que este pedacinho na Rotunda das Olaias em Lisboa, junto à Escola António Arroio, agora com verde verdinho de relva e que outrora foi erva e lixo durante largo tempo, está a aguardar que o presidente da junta tenha um buraquinho na agenda para fazer uma arruada, tire os plásticos dos bancos, e bote discurso.

domingo, 13 de outubro de 2019

ETECETERA


Domingo de eleições.

Conclui, mais uma vez, passados que são 45 anos de democracia, que não elevámos o nível de cultura dos portugueses.

Entristeceu-se com o cair do dia, a chegada da noite.

Sabe o porquê da tristeza e não pode dizer que é só por os pássaros terem partido para o sul.

1.

Francisco Mendes da Silva, membro da comissão política do CDS, numa entrevista ao Público, disse que «o aparecimento do Chega põe em causa todo o regime.»

Diz também que a direita terá de se entender para poder ir a eleições e governar, mas exclui o Chega porque não basta dizer que os políticos são todos uma cambada de ladrões, ou dizer mal dos ciganos.

2.

Rui Montenegro perfila-se para discutir a presidência do PSD a Rui Rio.

O partido necessita de uma lufada de ar fresco, disse, ou alguém por ele.

Nada tenho nada, mesmo nada a ver com o PSD, mas garanto que prefiro que a conduzir os destinos do partido esteja Rui Rio, do que o antigo parlamentar,  um sorriso cínico, um encadeador de palavras que nada dizem, que lembra as políticas pedropassoscoelhos, mais o Relvas, a Maria Albuquerque .

O rapaz diz, agora, que o Partido Socialista era batível se tivesse existido uma oposição firme.


Pois… ou os prognósticos só no fim do jogo, como diria o outro…

3.



Recortes do Público.

4.

Não digo que não existam razões, mas tudo o resto é uma mentira e uma imbecilidade.

Ninguém deixa de ser culpado neste circo de vaidades, desprezos e vinganças.

Um dos últimos nomes que entrou na roda é o de Plácido Domingo.

Jorge Calado, numa crónica publicada no Expresso, deixa  a ideia que Domingo se terá portado um tanto ou quanto mal.


Este é o final da crónica:


5.

No dia 8 morreu o jornalista Rogério Rodrigues.

Ainda sou do tempo em que havia jornais e jornalistas e, com a sua morte, já não resta quase ninguém como eçe.
.já poucos restam
Rogério Rodrigues foi fundador do semanário O Jornal, foi um dos últimos chefes de redação do jornal A Capital, foi jornalista no Público e Jornal de Notícias trabalhou na RTP e no Rádio Clube português.

Quando Fernando Assis Pacheco morreu, Rogério Rodrigues escreveu uma emocionada prosa:

«Morreu o Assis como é do conhecimento público, como já tinha morrido o Esteves da leitaria, o O’Neill da seda chinesa em feira de cigano. Morreu o Assis, o doido que me foi buscar a um modesto liceu de Trás-os-Montes, em má hora me trouxe para os jornais, durante meses me aklimentou, foi meu mestre, foi meu amigo e foi meu compadre. Aquele barbas, aquele doido. Porque o Assis era doido – de ternura, de generosidade, de talento.»

Rogério Rodrigues foi também jornalista do Diário de Lisboa, no qual, em Maio de 1975, publicou uma crónica sobre uma mulher, de seu nome Teresa Olga, que, num intervalo do tratamento psiquiátrico, dançava nua no cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro, acontecimento de que José Afonso faria poema e música e que faz parte do álbum Com as Minhas Tamanquinhas.

domingo, 6 de outubro de 2019

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS


O dia está a findar, uma temperatura amena, de quase Verão, vagueia por Lisboa.

As eleições trouxeram os resultados que, mais ou menos, se esperavam.

O número de abstencionistas cifrou-se em 45%.

É triste que quase metade dos eleitores se estejam borrifando para quem, durante quatro anos, nos vai governar.

Não se consegue vislumbrar quem queira dar a volta a este problema.

Mas estas eleições trouxeram um dado tremendamente negativo de consequências futuras preocupantes: como partido, a extrema-direita acaba de entrar no Parlamento português.

Em cada dia vamos perdendo a capacidade de nos indignarmos.

Mas não nos podemos resignar a este temor.

Aquele advogado, que é tromba do partido de extrema-direita, não merece apenas o nosso desprezo, a nossa tristeza, merece, acima de tudo, o nosso combate.

Face a esta canalha, é perigosíssimo baixarmos de vez os braços.

sábado, 25 de maio de 2019

AMANHÃ HÁ ELEIÇÕES


Amanhã há eleições.
Eleições para o Parlamento Europeu.
O tempo que faz é de quase Verão e a abstenção será elevada.
Os portugueses pouco ou nada sabem da Europa, também não querem saber.
Durante a campanha eleitoral discutiu-se tudo, menos a Europa.
Sempre que há eleições e, neste dia a que parvamente chamam de reflexão, recordo sempre aquele texto do Manuel Beça Múrias que foi crónica no semanário O Jornal:

«Este domingo, ao declarar o meu nome de cidadão que o 25 de Abril libertou, vou passar em revista, uma a uma, memórias das noites solitárias de Nambuanagongo, quando as hienas vinham ao arame, ao cheiro do coval fresco no cemitério sempre em crescimento.
Este domingo vou poisar com amor a minha mão no ombro do meu filho Pedro e garantir-lhe que o “Vera Cruz” está na sucata.
Este domingo, sim, este domingo, vou limpar na minha mesa o pó do quadrado onde antes esteve instalado o telefone que ditava as ordens do lápis azul, na voz baça do alferes Cirne.
Mas também, claro, este domingo o meu risco azul num quadrado inesperado, (mais “talvez” do que “sim”, mais “cabeça” que “coração”) não é assinatura reconhecida da minha desistência.
Porque, neste domingo, eu estarei de vigília pelas noites em que as Chaimites saíram à rua e as fardas se puseram, por um instante de História, sempre, sempre ao lado do povo.»

sábado, 13 de abril de 2019

SÓ OS POBRES É QUE SE ENGANAM!...


Um artigo que li no outro dia perguntava: porque é que os perus votam a favor do Natal? Ou seja, porque é que as pessoas votam contra os seus próprios interesses? O subtítulo dizia: “façam de nós mais pobres” e o artigo concluía que quem numa campanha eleitoral começa a racionalizar e a explicar também começa a perder porque as pessoas vão apoiar não os que lhes dão melhores alternativas, mas aqueles que lhes contam melhores histórias, melhores tretas. Isto é de facto altamente preocupante.

Mário de Carvalho na Seara Nova, Verão 2010

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Logo a seguir ao 25 de Abril apareceu a um filme marado que dava pelo nome: «Você interessa-se pela coisa.»
O interessar-se pelo que quer que seja, é o busílis dos quotidianos do homem.
Se a cada um interessar o futuro do país, da sua cidade, da sua aldeia, não será um qualquer jogo de futebol que impedirá que exerça o seu direito de voto.
Umas cabecinhas pensadoras do governo do Partido Socialista, volta e meia, põem cá fora umas ideias que não lembram, para citar Marcelo, ao careca.
Chatearam-se que a liga de futebol programe jogos para o dia de eleições e, para o futuro, irão legislar de acordo.
Vão também impedir que o cidadão, em dia de eleições, vá à praia, ao cinema, ao teatro, ao jardim, ao centro comercial, ao café?
Portem-se bem e esqueçam o disparate.
Porque, quando nos interessamos pela coisa, não há nada que faça impedir esse interesse.