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sábado, 6 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 No dia 1 de Junho de 1926, em Los Angeles, nascia Norma Jeane Mortensensen que o mundo, mais tarde, passaria a conhecer como Marilyn Monroe.

Apesar do muito e muito que se escreveu, nem tudo se sabe sobre Marilyn.

Marilyn Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais, poemas, frases, cartas, notas várias.

Os papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua morte.

Parte de todo este material foi publicado em livro. Os editores chamaram-lhe Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters.

Do mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o seu livro de segredos.

Nesse livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia, do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.

Naturalmente este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes Letters.

Diz, quem já o leu, que Fragments, não é a essência da literatura,  mas permite concluir que Marilyn não foi, exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e impingiu à opinião pública de todo o mundo.

«Um símbolo sexual torna-se um objecto. Eu detesto ser um objecto», disse a actriz.

O escritor António Tabucchi  (1943-2012), escreveu o prefácio para a edição francesa do livro,  e observa:

No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita.

Para a música desta manhã vamos buscar algumas canções de Marilyn:




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

RETRATOS


Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou descontrolada e, por vezes, difícil de lidar. Mas se não consegue lidar comigo nos meus piores momentos, de certeza que não me merece nos meus melhores.

Marilyn Monroe

terça-feira, 16 de setembro de 2025

POSTAIS SEM SELO


Não falar a língua é a primeira janela virada para a solidão, confirma o austríaco Billy Wilder que tanto havia de filmar Marilyn: olhos, lábios, seios, nádegas e pernas, e nunca por esta ordem, reconhecendo ao corpo dessa extraordinária mulher uma solidão que mais ninguém tão bem lhe reconheceu.

Manuel S. Fonseca na sua Página Negra 

terça-feira, 29 de outubro de 2024

REOLHARES


 REOLHARES vai buscar textos antigos publicados neste Cais do Olhar.

A «Casa Museu de Karen Blixen» foi publicado em 2 de Março de 2010.

A casa Museu de Karen Blixen fica em Rungsted, numa lindíssima parte de Copenhaga, a que chamam a riviera dinamarquesa.

Um sossego de paraíso paira pela casa, nos jardins que a circundam, é suave o cântico dos pássaros que se abrigam pelas árvores. Karen Blixen assim quis. É por isso que custa, imaginar, que perante tanta beleza, Karen Blixen tenha passado os últimos anos da sua vida em ódios e vinganças, egoísmos e invejas com os seus amigos e também com os companheiros de escrita. A amargura de tudo o que se passou no Nepal -“Tive uma fazenda em África” - não pode justificar tudo.

Da casa museu de Karen Blixen trouxe dois postais: a secretária no quarto Ewalds, com a sua máquina de escrever “Corona” e Karen Blixen quando visitou Nova Iorque.

Sentados a uma mesa, vêem-se Karen Blixen, Arthur Miller, Marilyn Monroe e Carson McCullers. A fotografia foi tirada no dia 5 de Fevereiro de 1959.


CarsonMcCullers tinha 42 anos, devido a problemas físicos e emocionais, era quase uma reclusa, todos os anos relia "Out of Africa" e considerava Blixen a sua "amiga imaginária," que sempre "estava lá quieta, serena e com grande sabedoria para me confortar."

Ao saber que Blixen gostaria de conhecer Marilyn Monroe, McCullers ligou para Arthur Miller, ainda casado com Marilyn, e marcou o almoço.

Blixen tinha 74 anos, e estava muitíssimo debilitada pela sífilis que contraiu em África. Por ser anoréxica, pesava 36 quilos e alimentava-se de ostras que acompanhava com champanhe!

Monroe tinha 33 anos e não conhecia, nem nunca lera, McCullers, tão pouco Blixen. Tinha acabado de filmar "Quanto Mais Quente Melhor" e, as usual, chegou atrasada ao almoço.

As três entenderam-se maravilhosamente, embora Arthur Miller diga que faz parte da lenda, a história de que as três dançaram juntas sobre a mesa de jantar de mármore de Carson McCullers. Riram a bandeiras despregadas quando Marilyn contou que, certa vez, tentara acabar de cozinhar macarrão usando um secador de cabelo.

Por sua vez Blixen disse que Marilyn era "quase que inacreditavelmente bonita," cheia de "uma vitalidade ilimitada" e de "uma inocência incrível"

Karen Blixen morreu em 1962 de inanição, Marilyn Monroe, no mesmo ano, de overdose ou, segundo outras versões, assassinada a mando do Clan da família Kennedy. Carson McCullers morreu em 1967 vitimada por um derrame cerebral. Arthur Miller morreu, de insuficiência cardíaca, em 2005.

Vou, agora, buscar o maravilhoso diálogo que encerra o terceiro capítulo da “África Minha”, quando o criado Ndwetti fala do voo que Karen Blixen fizera com Denys:

« — Hoje subiram muito alto. Não vos conseguíamos ver, só ouvíamos o aeroplano zumbir como uma abelha.

Concordei que andáramos a voar muito alto.

- Viram Deus? - perguntou ele.

- Não, Ndwetti – respondi eu. Não vimos Deus.

- Ah, então é porque não subiram o suficiente. Mas digam-me lá: acham que conseguem subir o suficiente no seu aeroplano para ver Deus? - perguntou ele dirigindo-se a Denys.

- Na realidade, não sei - foi a resposta.

- Então - disse Ndwetti - não sei porque é que vocês os dois vão voar.»

segunda-feira, 8 de abril de 2024

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?

O Luís Miguel Mira já nos prometeu que irá voltar às crónicas de viagens mas, por agora, anda entretido a divulgar grandes filmes, todas as quarta-feiras, pelas 15,30 horas na:

Nova Atena
Universidade Senior
Rua Almeida Garrett, 20
Linda-a-Velha

Na próxima quarta-feira, dia 10 de Abril, será apresentado o filme A Culpa Foi do Macaco de Howard Hawks.


 A CULPA FOI DO MACACO (1952)

 (Monkey Business)

 

Realização:     Howard Hawks

Argumento:   Ben Hecht, Charles Lederer e I.A.L. Diamond, com base numa história de Harry Segall

Montagem:    William B. Murphy 

Fotografia:      Milton Krasner

Música:           Leigh Harline e Lionel Newman       

Direção Artística: Lyle R. Wheeler e George Patrick

Interpretação:   Cary Grant (Dr. Barnaby Fulton), Ginger Rogers (Edwina Fulton), Charles Coburn (Oliver Oxly), Marilyn Monroe (Lois Laurel), Hugh Marlowe (Hank Entwhistle), etc            

Produção:      Sol C. Siegel, para a 20th Century Fox    

Duração:     93 mn

 

Howard Hawks, o realizador do nosso filme de hoje, foi um dos maiores cineastas americanos do século passado.

Entre 1926 e 1970 realizou 39 filmes, quase todos eles com grande sucesso do público, embora não da crítica, que o ignorou durante muito tempo.

Ao contrário de outros colegas seus que se especializaram num determinado género cinematográfico, Hawks cultivou, com igual mestria e sucesso, quase todos os géneros, como o Filme de Guerra, o Filme de Aventuras, o Filme de Gangsters, o Filme Negro, a Comédia, o Western, o Musical e o Filme Histórico.

Foi grande em todos eles e quando hoje se evocam os melhores em cada um desses géneros cinematográficos, é certo que lá estará um filme de Howard Hawks.

Passa-se uma coisa muito curiosa quando se comparam os Westerns ou os Filmes de Aventuras de Hawks com as suas Comédias.

Nos primeiros estamos num universo de homens, marcado por uma amizade viril e profunda entre todos eles e no qual as mulheres ou estão completamente ausentes, ou, no limite, estão presentes, mas parece que apenas para perturbar essa imensa harmonia existente no meio masculino.

Nas comédias, tudo é virado às avessas. É um mundo em que são as mulheres quem parece comandar e ditar as regras do jogo, e os homens, por muitos conhecimentos que tenham, são meros joguetes nas mãos delas, sujeitos às situações mais ridículas e aos comportamentos mais infantis que possamos imaginar, acabando não raras vezes eles próprios disfarçados de mulher ou vestidos com roupas de mulher, como sucede no filme que hoje vamos ver.   

Se se lembrarem de “As Duas Feras”, deste mesmo realizador, que por aqui passou há tempos, também por lá andava Cary Grant em bolandas no meio de Katherine Hepburn e de uma pantera chamada “Baby”, a quem também eram atribuídas muitas culpas.

No filme de hoje voltamos a ver Cary Grant (no total fez 4 comédias e um filme de Aventuras/Aviação com Hawks), de novo profissional altamente qualificado, de novo meio atarantado entre as mulheres e de novo com um animal de permeio, desta vez um macaco a quem o tradutor do filme parece atribuir todas as culpas pelas peripécias da história, embora, na minha modesta opinião, me pareça ser aquele que nelas menos culpa tem… 

Apenas mais um aviso prévio, antes de entrarmos no filme.

Ao lermos a ficha técnica, imediatamente nos saltam à vista os nomes dos três argumentistas, Ben Hecht, Charles Lederer e I.A.L. Diamond, que foram dos maiores autores de comédia que passaram pelo cinema americano. Os dois primeiros estão entre os precursores da comédia louca e desbragada a que os americanos chamaram “screwball comedy” e o último foi o fiel parceiro de Billy Wilder, o realizador de “Quanto Mais Quente Melhor”, em todas as suas hilariantes comédias a partir de 1957.

Ora com “malandros” deste calibre na escrita do argumento, uma coisa é certa: por muito simples que a história nos pareça ser, ela terá sempre muitas pontas por onde lhe possamos pegar.

Mas já lá iremos…

O filme conta-nos um pedaço da vida do Dr. Barnaby Fulton (Cary Grant), um investigador químico que, por conta de um laboratório privado, procura descobrir uma espécie de “elixir da juventude”, uma poção que permita ao Ser Humano, através de um rápido rejuvenescimento das suas células, voltar ao que fora muitos anos antes (B-4, que se lerá “before”, é precisamente o nome comercial que a empresa já encontrou para a tal poção ainda por descobrir…). Para testar os efeitos das várias combinações químicas que vai preparando, o Dr. Barnaby tem ao seu dispor, para além doutros animais de menor porte, dois chimpanzés, um muito jovem e outro mais idoso, que mantém enjaulados no seu próprio gabinete de trabalho.  

Barnaby está de tal maneira obcecado pela sua pesquisa que, para grande desgosto da sua mulher Edwina (Ginger Rogers), parece desleixar em demasia não só as suas obrigações sociais, como também - suspeitamos nós… - outras mais…

Numa ocasião em que Barnaby se ausenta temporariamente do laboratório, o chimpanzé mais novo consegue libertar-se da sua jaula e senta-se ao balcão de trabalho do investigador, manuseando e misturando os vários produtos químicos nos diversos tubos de ensaio, tal como sempre tinha observado, à distância, Barnaby fazer.

No final das suas brincadeiras, o chimpanzé resolve deitar a mistura química que fez no depósito do distribuidor de água potável existente no laboratório e continua por ali a fazer outras traquinices, até que Barnaby regressa ao seu gabinete e o volta a encerrar na sua jaula, sem de nada suspeitar.

É claro que já perceberam que, numa penada, o bom do chimpanzé conseguiu descobrir a milagrosa fórmula que Barnaby tanto se esforçara por encontrar. E que ninguém até ao final do filme irá perceber que é ali, misturada com a água potável, e não nos diversos tubos de ensaio, que ela se encontra…   

Nesse mesmo dia Barnaby estava com a fezada de que a poção que tinha preparado seria mesmo a boa, porque na véspera lhe tinha surgido uma ideia que considerara luminosa e infalível, pelo que estava ansioso por a testar em si próprio.  “A auto-experimentação vai contra as regras da boa investigação”, diz-lhe um dos seus Assistentes, ao qual Barnaby responde que “a História das descobertas é feita por quem não segue regras”, enquanto trata de beber a sua poção.

No final vai beber água ao distribuidor, para tirar o amargo da boca, e pouco tempo depois começa a sentir os primeiros sinais de rejuvenescimento, por obra e graça da poção do chimpanzé e não pela poção que acabara de preparar, embora ele fique convencido que sim…  

A partir daquele momento e sem fazerem a mínima ideia que é misturada com a água que se encontra a milagrosa poção, e não nos frascos de onde a julgam beber, várias pessoas irão beber àquele distribuidor de água e sentirão a vida a andar para trás:  Barnaby, a sua mulher, em separado e em simultâneo, Oxly, o patrão de Barnaby, e toda a equipa de cientistas/investigadores que com ele  trabalham.  Só se safou Lois, a vistosa secretária de Oxly, que manifestamente não necessitava da poção para nada… (Marilyn Monroe no papel de ”loira burra”, um ano antes de passar a “loira esperta” em “Os Homens Preferem as Loiras”, do mesmo Hawks…) 

O que o filme nos vai contar é, precisamente, as consequências da tomada dessa poção no comportamento de uns e de outros, e terei de me ficar por aqui porque as peripécias são de tal maneira rocambolescas e hilariantes que não só não disponho de espaço para as contar, como jamais ousaria roubar-vos esse efeito de surpresa.

É claro que, em tom de comédia e a pretexto das peripécias do casal Barnaby/Edwina, o filme evoca o trauma que constitui, para a generalidade das pessoas da chamada meia-idade, a consciência da progressiva perda das suas capacidades e da aproximação da velhice. Daquilo que foram e que já não são, do que foram capazes de fazer e agora já não fazem, dos sonhos que sonharam e que já deixaram de sonhar… 

Mas, neste aspeto da perda da juventude, Hawks parece começar por brincar com os seus próprios atores. Na verdade e com recurso a um efeito de distanciação “brechtiano” que nos habituámos a ver nos anos 60 e 70 em algumas comédias de Jerry Lewis e de Mel Brooks,  mas que não esperávamos de todo ver num filme de 1952, aqueles primeiros momentos do filme são verdadeiramente surpreendentes. A voz que ouvimos por duas vezes dizer “not yet Cary” é a voz do próprio realizador e dirige-se ao ator, não a Barbaby, o personagem. Mas enorme ironia é a de associar ao eterno galã do cinema americano, que ainda iria durar nesse estilo de papeis durante mais de 20 anos, um personagem em aparente menopausa e com tão pouca atração pelo sexo oposto. Tal como ironia será ter posto Ginger Rogers, uma das grandes bailarinas da comedia musical americana que tantas vezes vimos ao lado de Fred Astaire, a dar ridículos passos de dança.  “Private- jokes” de Hawks, lhes chamou João Bénard da Costa (1), às quais suspeito que os argumentistas também devem ter ajudado…      

Alguns críticos viram também neste filme uma sátira à Ciência e aos cientistas, o que se poderá compreender quando vemos que um pobre chimpanzé descobriu, num ápice, aquilo que cientistas altamente qualificados levavam anos a procurar, sem sucesso. Mas também quando vemos os cientistas “rejuvenescidos” na brincadeira entre si, com verdadeiros comportamentos de macacos...

Mas esta análise poder-se-á tornar mais compreensível e interessante se enquadramos o filme no seu tempo.

Como é sabido, o período pós-II Grande Guerra foi uma época de profundas transformações sociais na América.

Soldados regressados da frente de combate, muitos deles com profundos traumas de guerra, tiveram de retomar, por vezes com grande dificuldade, a sua vida normal.

Muitas mulheres, cujo trabalho na retaguarda foi essencial para o esforço de guerra, ganharam novas ambições de realização pessoal, recusaram o destino de uma vida doméstica e optaram por entrar, em força, no mercado de trabalho, com todas as dificuldades de adaptação a um novo ambiente laboral por vezes “stressante” e competitivo no qual tinham de impor as suas valências, tanto mais que, muitas vezes, tinham de conciliar as exigências e as responsabilidades da sua vida profissional com as da lida doméstica.

Não é, assim, estranho que palavras tais como angústia, ansiedade, insónia, depressão e outras equivalentes entrassem rapidamente no quotidiano americano, e que a Indústria Farmacêutica disso se tivesse aproveitado para florescer. E o mesmo se diga da Indústria de Cosméticos, já que o acesso ao mercado de trabalho colocava novas exigências em termos de “apresentação”.

E, já agora, também não foi por mero acaso que filmes sobre perturbações mentais, com recurso à psicanálise e à interpretação dos sonhos, irromperam em força no cinema americano, precisamente nesse pós-guerra. 

Ora, em boa verdade, o que vemos neste filme é uma empresa farmacêutica ansiosa por ganhar muitíssimo dinheiro com um novo medicamento milagroso…

Mas, lá está, esta é, apenas, uma das tais pontas por onde poderemos puxar neste filme, e não me parece que, embora sociologicamente interessante, até seja a mais relevante.

Outra dessas pontas a pegar será no que é dito e não dito, no que é mostrado e no que fica nas entrelinhas, no consciente e no subconsciente, tal como Barnaby e Edwina o abordam numa cena crucial do filme. 

Uma das subtilezas do argumento é, precisamente, a de deixar enormes espaços em branco, para que sejamos nós, espectadores, a colocar as questões e a procurar as respostas…   

Porque mostra Edwina uma tão grande ansiedade por uma nova lua de mel…?  O que se terá passado, na verdade, dez anos antes naquele quarto 304 do Hotel Peckwick Arms, em La Jolla…? E porque é que a noite em que decidiram faltar a um compromisso de jantar e ficar em casa, apenas uma semana após terem regressado dessa lua de mel, lhes parece, hoje, muito mais memorável…?

Porquê tanta proximidade entre Edwina e o seu antigo namorado, aquele que só beijou uma única vez, sendo que, como ela não se cansa de explicar, foi ele quem a beijou a ela, e não ela a ele…? E porque tem Barnaby tantos ciúmes e tanta sede de vingança, ao ponto de pretender imolar e tirar o escalpe ao pobre homem…? 

E se Barnaby andava assim tão distraído e era tão insensível aos encantos da secretária do seu patrão, como é que a reconheceu de imediato só por lhe ter visto os tornozelos…? E porquê, como lhe aponta a mulher roidinha de ciúmes, lhe apareceram na face tantas marcas de batom, quando o filme só nos dá justificação para apenas uma…? 

E porquê teve o patrão de Barnaby tanta necessidade de ir a voar para ser ele o primeiro a experimentar a poção, e por que razão, já supostamente rejuvenescido, não para ele de correr atrás do rabo da sua secretária com um sifão na mão…? 

Entre o visto e o não visto, o dito e o não dito, o consciente e o subconsciente, se passa esta excelente comédia, que nos faz pensar.

Mas não fiquem a pensar que será necessária uma elaborada reflexão para poderem usufruir do prazer deste filme… Algumas das suas hilariantes cenas bastam-se a si próprias: o macaco a preparar a poção…; a reconstituição da malfadada lua de mel…; a dança dos “índios” pequenos e do “índio” grande…; a mulher de Barnaby com o seu suposto marido/bebé nos braços, a quem, apesar da sua tenra idade, Marilyn Monroe não pode tocar nem com a ponta de um dedo (este também é um filme sobre o ciúme…), são alguns exemplos.

E vou ficar por aqui, porque já me alonguei demasiado…

Se - como é o meu caso - já tivermos alguns anos em cima, talvez também possamos dizer, como no final Barnaby acaba por confessar à sua mulher num momento de maior lucidez e maturidade, que não necessitaremos de poções mágicas para nada, porque, afinal de contas, a juventude não passa de uma falsa ilusão, porque ela não foi mais do que uma série de “desajustamentos e desastres pouco cómicos”, aos quais não sabemos muito bem como conseguimos sobreviver…

E, já que estamos em registo de comédia e ninguém me levará a mal, também nada nos impedirá de logo à noite apagarmos a luz e perguntarmos à nossa parceira ou ao nosso parceiro quanto tempo é que ainda falta para o jantar…

Porque – e é essa a grande conclusão moral deste filme – só é velho quem se esquecer que é jovem…

  1. DA COSTA, João Bénard, “Escritos Sobre Cinema”, Tomo 1, 3º Volume, Edição da Cinemateca Portuguesa, 287
LUÍS MIGUEL MIRA

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

MÚSICA PELA MANHÃ

Marilyn:

Sabia representar,

Sabia cantar,

Sabia, quase, tudo…

Legenda. Marilyn Monroe em Rio Sem Regresso de Otto Preminger


quinta-feira, 20 de julho de 2023

MÚSICA PELA MANHÃ


 «Correu tudo muito bem em Hollywood e na Broadway. Aqui actuei durante três semanas da primeira vez e oito da segunda. Chegado a Hollywood, foi a mesma coisa. Mas propuseram-me um filme com Marilyn Monroe, num papel que me queimaria até ao fim da minha vida. De resto, Cary Grant e Gregory Peck tinham-no recusado. Mas a ideia de ne estrear em Hollywood fez-me esquecer os riscos que corria, e, depois, conhecer uma mulher como Marilyn era um dos meus sonhos de garoto… Foi uma experiência que me marcou. Há alturas em que devíamos ser Einstein, mas somos apenas nós!»

Yves Montand em O Canto de Um Homem

O filme chama-se Let’s Make Love e foi realizado por George Cukor ,mas Yves Montand andou perdido na pele de um milionário. «Não basta usar chapéu para se ser milionário, nem andar sempre de charuto na boca» e Marilyn Monroe ainda não chegara aos seus melhores dias.

O filme não terá sido o semifracasso que os críticos apontaram.

Contém algumas cenas deliciosas como esta em que Monroe aparece a cantar  My Heart Belongs to Daddy.



sábado, 31 de dezembro de 2022

DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...


 Os Estados Unidos e a União Europeia são as principais fontes de assistência financeira à Ucrânia. Estima-se que esse apoio ronde os cem mil milhões de euros o que corresponde a menos de metade dos gastos que o Catar teve para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol.

1.

«Tornámo-nos uma sociedade de surdos», palavras de José Tolentino de Mendonça na homilia de Natal no Funchal.

2.

Dinheiro, almoços em bons restaurantes, electrodomésticos, viagens e até um presunto de Montalegre. Eram estes os subornos mais frequentes entregues a 13 funcionários da Autoridade Tributária, que estão a ser julgados em Lisboa, por praticarem actos que beneficiavam particulares necessitados de resolver situações junto da administração fiscal”, segundo a acusação do Ministério Público.

Entre estes funcionários há técnicos, chefes, inspectores e um advogado que exercia as funções de jurista especializado no Centro de Estudos Fiscais e Aduaneiros

3.

Devido ao custo da habitação quase 60 mil pessoas foram forçadas a deixar Lisboa nos últimos três anos;

4.

«No dia 12 Dezembro de 2020, no Twitter, André Ventura informou o país do seguinte: “Deus confiou-me a difícil mas honrosa missão de transformar Portugal.” O Criador, no âmbito da sua actividade de administrador do universo, teria dedicado algum do seu tempo a pensar omniscientemente em Portugal e, após observação cuidada, concluíra que o país precisava de uma transformação e que a pessoa mais bem colocada para a operar seria aquele comentador de futebol que discutia foras-de-jogo com Aníbal Pinto na CMTV. É este mesmo candidato, cuja carreira é patrocinada por um ser omnipotente, que se queixa de não ser convidado por um palhaço para um programa de entretenimento. Talvez a ERC devesse recomendar a Nosso Senhor a necessidade de compensar os outros candidatos. Se necessário, evidentemente.»

 Ricardo Araújo Pereira

5.

«Marilyn Monroe. Em Quanto Mais Quente Melhor, obra-prima de Billy Wilder, Marilyn faz do seu corpo o que quer, mostra e tapa, insinua e provoca; metido num apertado vestido preto e em cima de uns saltos altos, o posterior dela faz resfolegar um comboio no mais hiperbólico jacto de vapor que o cinema já viu. Quem está na sala de cinema – aconteceu-me, aconteceu-me! – levanta-se e grita: “Pára, pára, mais não, mais não!” São gritos desvairados e deslumbrados. E chega o momento em que Marilyn beija Tony Curtis. Eis o que quero dizer: Marilyn beija de chulipa. Tony Curtis é, no filme, um milionário, e os beijos de Marylin são sumptuários, de calcanhar. Ela beija já e só o prazer de beijar e Tony Curtis confessa que sente os dedos dos pés como se estivessem num barbecue a fogo lento.»

Manuel S. Fonseca em A Página Negra

terça-feira, 13 de setembro de 2022

PAPÉIS DATADOS


Quando Marilyn Monroe morreu, tinha ele 17 anos.

Súbita e violentamente leu a notícia na 1ª página de O Século, numa esplanada de praia na Trafaria.

Tinha do cinema a ideia daquela feira de luzes e espantos, captada na plateia de pau do Cine-Oriente. Os filmes eram com e não de, e Marilyn, doce Marilyn, outras mais, constituíam as paixões platónicas, os anos da inocência, o bater mais apressado do coração. Quero permanecer apenas na fantasia do homem comum. Só muitos anos depois iria apreciar os dotes de artista daquela loira burra, como então muitos lhe chamavam.

O cinema é um mundo enorme de gente, um todo em que não se consegue saber onde está a ponta do novelo. Mas que seria o cinema sem Marilyn Monroe?

Foi em 5 de Agosto de 1962, uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha ou suspeitou que tinha errado a vida, para citar o belíssimo poema de Ruy Belo sobre a morte de Marilyn, um telefone que tocou em busca de ajuda, que alguém ouviu, sabia quem era, mas não quis atender.

Meses antes cantara para John Kennedy “Happy Birthday Mr. President”. Nem precisa de olhar a fotografia para reconstituir a performance daquela noite, a apresentação feita por Peter Lawford, depois o sussurro mais sensual de que há memória num happy birthday, aquela silhueta na noite, aquele vestido cingido ao corpo, que em Outubro de 1999, foi vendido por 1,26 milhões de dólares num leilão da Christie’s. Provavelmente terá sido aí que se começou a desenhar, o suicídio organizado de Marilyn Monroe e que culminaria na descoberta do seu corpo deitado na cama, a mão a apertar o auscultador do telefone, a tal chamada que alguém não quis atender.

Sou a mulher mais bonita do mundo mas não tenho ninguém com quem sair este fim-de-semana, confidenciou a alguém.

Dez anos de carreira, doze filmes, todos eles memoráveis, inesquecíveis. Fica por saber, não fora a morte brutal, até onde teria chegado Marilyn.

Billy Wilder, esse cínico genial e maravilhoso realizador, disse que Deus deu-lhe tudo e que Marilyn poderia fazer o que quisesse em cinema.

Vinicius de Morais que ela foi um dos seres mais lindos que já nasceram e se há quem disso possa falar, Vinicius estava completamente à vontade.

Irving Berlin confessou um dia que Marilyn Monroe foi a melhor intérprete das canções que compôs.

O actor Robert Mitchum comentou: Ela assemelha-se a uma criança perdida, uma doce criança perdida, uma fragilidade intensa e genuína.

A criança feita mulher, abandonada nas linhas paralelas da passagem de nível sem guarda (as duas linhas de todas as mais paralelas e as mais negras), sem que o medo a deixasse fugir e sem nós conseguirmos gritar-lhe (como nos pesadelos) que se afastasse. Todo o tempo dela foi tempo da morte a vir, como escreveu João Bénard da Costa nos 40 anos da morte de Marilyn.

A minha cabeça vai estoirar.

Os comprimidos não fazem efeito.

Já não sei o texto. A tristeza afoga-me.

Não há ninguém com quem se possa falar.

Daqui a pouco tenho de sorrir.

Sorrir é uma das coisas que faço bem.

Consigo até sorrir com os olhos.

Poucas pessoas conseguem sorrir assim

Marilyn Monroe morreu há 47 anos.

Suicídio? Assassínio?

Sabe-se apenas que a sua morte é uma história mal contada, tal como leu numa crónica do Eduardo Guerra Carneiro: Ainda há estrelas no céu.

(25 de Agosto de 2009)

Legenda: fotografia de Elliot Erwitt

terça-feira, 19 de julho de 2022

DIAS INFERNAIS...


O país continua a arder.

Temperaturas extremas em Londres – Londres a cinzenta, quem diria? –  danificaram uma parte da pista de aterragem e descolagem do aeroporto de Luton, a 55 quilómetros de Londres. A pista esteve fechada durante quase duas horas e obrigou a desviar e atrasar voos.

Por cá, ficamos a saber que as altíssima temperaturas voltam amanhã.

Dou-me pessimamente com o calor. Quando trabalhava, mandava as férias sempre para Setembro.

Vou agora ter com a Autobiografia  Woody Allen para ele me contar da Primavera e do Outono em Central Park.

«Veja, o verão em Nova Iorque são más notícias. É quente, sufocante, estão todos fora, e sim, podemos andar de um lado para o outro com menos trânsito, mas é entediante, tendo todos os amigos partido e estando tudo pegajoso e húmido. De qualquer maneira, chega o outono e a cidade começa a mexer. Os nova-iorquinos regressam de férias, o tempo arrefece. Quando eu era miúdo, em Brooklyn, os verões eram uma dádiva, porque significava que não havia escola e eu podia jogar à bola todo o dia e ir ao cinema. Era divertido, mas mesmo então, o outono significava que todas as raparigas giras regressavam dos campos de férias, e embora o pesadelo dos livros e das aulas pairasse no horizonte, pelo menos havia alguma anatomia sigmoide para acelerar o fluxo sanguíneo.»

Pelos dias quentes, vou também ter com o Billy Wilder, no filme O Pecado Mora ao Lado.

A imagem que encima o texto, tem Marilyn, da janela olhando, o vizinho do andar de baixo

Quando Marilyn Monroe, a regar as flores, numa daquelas noites do Verão de Manhattan, quase espeta com um tomateiro na cabeça de Tom Ewel que, no terraço em baixo, lê o jornal.

Ele levanta-se com uma fúria desmedida, mas depara com o rosto de Marilyn entre os vasos de flores, e convida-a para uma bebida.

Marilyn aceita o convite e acontece este delicioso diálogo:

- Vou à cozinha vestir-me.

- À cozinha?

- Sim! Quando está calor guardo a roupa interior no congelador. 

sábado, 12 de março de 2022

OLHARES


Terá Marilyn Monroe lido todo o Ulisses de James Joyce?

Eu não, nunca o acabei, e penso que, pelo andar da carruagem, ficará na lista dos livros comprados e não lidos.

Disso, hei-de falar um destes dias, também a juntar a uma boa quantidade de diversas histórias que fiquei de contar por aqui... e ainda não tiveram concretização.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

OLHARES

Uma fotografia tem sempre o encanto de se saber o que ela nos mostra. Passam os anos e cada vez que a vemos, sabemos que nos mostra uma coisa diferente.

Será assim?

Marilyn Monroe, em Los Angeles, 2 de Setembro de 1953, de pulôver e uma caneca de café na mão.

 Belíssima fotografia da autoria de Milton Greene para a revista Look, retirada do arquivo da Shorpy.

Marilyn Monroe morreu em 5 de Agosto de 1962, uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha ou suspeitou que tinha errado a vida, para citar o belíssimo poema de Ruy Belo sobre a morte de Marilyn, um telefone que tocou em busca de ajuda, que alguém ouviu, sabia quem era, mas não quis atender. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

OLHARES


Em Outubro de 1955, Maurice Chevalier visitou, durante as filmagens de Quanto Mais Quente Melhor ,Marilyn Monroe, e acabaram empoleirados no topo de um piano vertical.

Milton Greene andava por ali e fez o boneco.

No meio da pandemia que nos assola, é sempre bom ouvir música, e como estamos com o filme de Billy Wider nas mãos, colocar Marilyn a cantar I Wanna Be Loved By You e, recuando algum tempo, ouvir ainda a versão que Helen Hane nos deixou.


terça-feira, 19 de maio de 2020

OLHAR AS CAPAS


O Centro do Mundo

Ana Cristina Leonardo
Capa: Rui Rodrigues
Quetzal Editores, Lisboa Junho de 2018

 Apesar da «nobre indiferença muçulmana pelo autoclismo, o esgoto, a árvore frondosa e a ânsia de ar das ruas novas» de que falava Aquilino dando razão a Boris, e da falta de pergaminhos que já em 1758 era notada pelo prior Sebastião de Sousa, Olhão mantém um lastro de glória. Industriais, pescadores e vates contrabandistas continuam a partilhar o desrespeito pela lei e o culto do Senhor dos Aflitos, numa vila pródiga em dândis e espanholas, estrangeiros e aventureiros, sardinhas e anarquistas, operários e fedor. Tresanda, resume Raul Brandão. Não exagera o simbolista. Ao peixe que apodrece sob o calor africano junta-se a matéria fecal que escorre a céu aberto, húmus pestilento que Captain Zorra nunca conseguiu olvidar, memória primeva que nos conduz, um pouco abruptamente, é certo, a Marilyn  Monroe, actriz que nunca veio a Olhão.
Monroe, que Billy Wilder foi dos poucos a levar a sério, garantindo a contracorrente que ela não precisava de lições de representação, apenas de se inscrever no colégio suíço Ómega, «onde são dados cursos de pontualidade superior», ainda não era nascida quando o olhanense Manuel Zorra, Captain ou Manny Zora nos States, troca as águas do Algarve pelas margens do rio Hudson. Era a segunda fuga. A primeira, a bordo de um barco de pesca que se dirigia a Gibraltar, acabou com o rapaz a ser mandado para casa, uma dúzia de anos apenas.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

LOVE IS A TRAVELER ON THE RIVER OF NO RETURN


“Rio Sem Regresso” (Otto Preminger – 1954) é um filme que parece não ter deixado grandes saudades a quem o fez…

Marilyn Monroe tinha os caprichos que se conhecem, Robert Mitchum o mau feitio que se sabe, e Preminger também tinha a fama de ser um realizador com quem nem sempre era fácil trabalhar.

Mistura explosiva, portanto, e todos trataram  de esquecer rapidamente o filme. Parece que Bob Mitchum nem queria sequer ouvir falar nele e chamava-lhe “the picture of no return”…


Curiosamente, nada disto transparece no filme, que aos meus olhos é um filme sereno, com a beleza telúrica daquelas magníficas paisagens das “Rocky Mountains” canadianas, tudo isto em Cinemascope e com uma bela fotografia de Joseph LaShelle. 

Apesar de alguns perigos (os índios, os “rápidos”, os “maus” que não são índios,…), o filme desenrola-se serenamente, por entre as montanhas e ao sabor do rio,  desaguando naquele inesquecível  happy end do Mitchum com a Marilyn às costas, que todos nós desejávamos que acontecesse…! 

E de todos os filmes de Marilyn,  “Rio sem Regresso” é um daqueles onde  mais gosto de a ver.



Sinto vontade de rever, de vez em quando, aquela cena onde, tão bonita e tão serena, guarda num saco os sapatos altos vermelhos, símbolo de um passado que desejaria encerrar para sempre, veste a camisa, ajeita os cabelos, desaperta o cinto, põe as fraldas para dentro, puxa da guitarra e canta para o miúdo “Down in the Meadow”, como quem embala nos braços, ternamente, a criança que sempre desejou mas que nunca conseguiu ter.


O filme foi realizado aqui, nos arredores da bonita cidade de Banff, no Canadá. 

Onde veem as quedas de água, o  operador de câmara teve muito cuidado em ocultar tudo quanto era urbanismo e modernidade, que fatalmente apareceriam na imagem se descaísse a câmara um pouco mais para a direita, ou para a esquerda...

Mas o rio atravessa um enorme Parque Nacional, pelo que grande parte dos espaços  permanecem livres e selvagens.


Parei num deles para fazermos um piquenique.

Sentei-me junto ao rio, pousei nele o olhar e o pensamento e deixei-me levar pelas águas...    

“There is a river, called the river of no return
Sometimes it’s peacefull and sometimes wild and free
Love is a traveler on the river of no return
Swept on forever to be lost in a stormy sea (wail-a-ree...)
I can hear the river call (no return, no return, ...)”

Texto e fotografias de Luís Miguel Mira

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

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Esta novela foi adaptada para o filme que Blake Edwards realizou com o mesmo nome, um amável filme cativante, cheio de humor e «glamour».
«Moon River» canção tema do filme, com música de Henri Mancini, letra de Johnny Mercer, ganhou o Óscar para a melhor canção original.
No calor da noite, a beleza de Audrey Hepburn, cantando «Moon River»,  luas, rios, vagabundos de sonhos Manhattan e o bar do Joe Bell:
«Vou preparar-te uma bebida. Uma coisa nova. Chamam-lhe Anjo Branco» - disse ele misturando maia de vodka e meia de gin, sem vermute.»
Truman Capote, entendia que Marilyn Monroe era a pessoa certa para a personagem de Holy Golightly, uma prostituta solitária e inquieta de Manhattan.
Não digo que Capote não tivesse as suas razões – e como eu gosto de Marilyn! - mas teríamos perdido aquela doçura de uma boneca de luxo chamada Audrey Hepburn.
Um crítico norte-americano escreveu que quase todos aqueles que hoje escrevem devem algo a Truman Capote e o excessivo Norman Mailer considerou-o o escritor mais perfeito da sua geração.


domingo, 5 de agosto de 2018

POSTAIS SEM SELO


Eu não quero dinheiro. Eu só quero ser maravilhosa.

Marilyn Monroe

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


E alguém escreveu: saber que um livro novo nos espera em casa para ser lido, é dos melhores sentimentos!

Autor desconhecido

Legenda: Marilyn Monroe

sábado, 5 de agosto de 2017

AINDA HÁ ESTRELAS NO CÉU


Há 55 anos morria, segundo Ruy Belo, «a mulher mais bela do mundo.»
A sua morte permanece como uma história muito mal contada.
John Huston disse que foram os filhos da puta dos médicos que a mataram - «eles viciaram-na em pílulas.»
Há quem conclua que os Kennedys estão metidos no desenlace fatal.
Um dia se saberá!!

Legenda: Marilyn fotografia de Eve Arnold, 1960.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Todos, homens e mulheres, estamos a morrer a cada momento que passa.

Fala de Marilyn Monroe no filme The Mistifits