No
dia 1 de Junho de 1926, em Los Angeles, nascia Norma Jeane Mortensensen que o
mundo, mais tarde, passaria a conhecer como Marilyn Monroe.
Apesar
do muito e muito que se escreveu, nem tudo se sabe sobre Marilyn.
Marilyn
Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais,
poemas, frases, cartas, notas várias.
Os
papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua
morte.
Parte
de todo este material foi publicado em livro. Os editores chamaram-lhe Fragments:
Poems, Intimate Notes, Letters.
Do
mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um
dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa
vermelha a que chamava o seu livro de segredos.
Nesse
livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar
Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia,
do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn
ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.
Naturalmente
este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes
Letters.
Diz,
quem já o leu, que Fragments, não é a essência da
literatura, mas permite concluir que Marilyn não foi,
exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e
impingiu à opinião pública de todo o mundo.
«Um símbolo sexual torna-se
um objecto. Eu detesto ser um objecto», disse a actriz.
O
escritor António Tabucchi (1943-2012), escreveu o prefácio para a
edição francesa do livro, e observa:
No interior deste corpo
vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de
suspeita.
Para
a música desta manhã vamos buscar algumas canções de Marilyn:
Sou egoísta, impaciente
e um pouco insegura. Cometo erros, sou descontrolada e, por vezes, difícil de
lidar. Mas se não consegue lidar comigo nos meus piores momentos, de certeza
que não me merece nos meus melhores.
Não falar a língua é a
primeira janela virada para a solidão, confirma o austríaco Billy Wilder que
tanto havia de filmar Marilyn: olhos, lábios, seios, nádegas e pernas, e nunca
por esta ordem, reconhecendo ao corpo dessa extraordinária mulher uma solidão
que mais ninguém tão bem lhe reconheceu.
REOLHARES vai buscar textos antigos publicados neste Cais do Olhar.
A «Casa Museu de Karen Blixen» foi publicado em 2 de
Março de 2010.
A casa Museu de Karen Blixen fica em Rungsted, numa
lindíssima parte de Copenhaga, a que chamam a riviera dinamarquesa.
Um sossego de paraíso paira pela casa, nos jardins que a circundam, é suave o
cântico dos pássaros que se abrigam pelas árvores. Karen Blixen assim quis. É
por isso que custa, imaginar, que perante tanta beleza, Karen Blixen tenha
passado os últimos anos da sua vida em ódios e vinganças, egoísmos e invejas
com os seus amigos e também com os companheiros de escrita. A amargura de tudo
o que se passou no Nepal -“Tive uma
fazenda em África” - não pode justificar tudo.
Da casa museu de Karen Blixen trouxe dois postais: a secretária no quarto
Ewalds, com a sua máquina de escrever “Corona” e Karen Blixen quando visitou
Nova Iorque.
Sentados a uma mesa, vêem-se Karen Blixen, Arthur Miller, Marilyn Monroe e
Carson McCullers. A fotografia foi tirada no dia 5 de Fevereiro de 1959.
CarsonMcCullers tinha 42 anos, devido a problemas
físicos e emocionais, era quase uma reclusa, todos os anos relia "Out of Africa" e considerava
Blixen a sua "amiga imaginária," que sempre "estava lá quieta,
serena e com grande sabedoria para me confortar."
Ao saber que Blixen gostaria de conhecer Marilyn Monroe, McCullers ligou para
Arthur Miller, ainda casado com Marilyn, e marcou o almoço.
Blixen tinha 74 anos, e estava muitíssimo debilitada pela sífilis que contraiu
em África. Por ser anoréxica, pesava 36 quilos e alimentava-se de ostras que
acompanhava com champanhe!
Monroe tinha 33 anos e não conhecia, nem nunca lera, McCullers, tão pouco
Blixen. Tinha acabado de filmar "Quanto
Mais Quente Melhor" e, as usual, chegou atrasada ao almoço.
As três entenderam-se maravilhosamente, embora Arthur Miller diga que faz parte
da lenda, a história de que as três dançaram juntas sobre a mesa de jantar de
mármore de Carson McCullers. Riram a bandeiras despregadas quando Marilyn
contou que, certa vez, tentara acabar de cozinhar macarrão usando um secador de
cabelo.
Por sua vez Blixen disse que Marilyn era "quase que inacreditavelmente
bonita," cheia de "uma vitalidade ilimitada" e de "uma
inocência incrível"
Karen Blixen morreu em 1962 de inanição, Marilyn Monroe,
no mesmo ano, de overdose ou, segundo outras versões, assassinada a mando do
Clan da família Kennedy. Carson McCullers morreu em 1967 vitimada por um
derrame cerebral. Arthur Miller morreu, de insuficiência cardíaca, em 2005.
Vou, agora, buscar o maravilhoso diálogo que encerra o terceiro capítulo da
“África Minha”, quando o criado Ndwetti fala do voo que Karen Blixen fizera com
Denys:
« — Hoje subiram muito alto. Não vos conseguíamos ver, só ouvíamos o aeroplano
zumbir como uma abelha.
Concordei que andáramos a voar muito alto.
- Viram Deus? - perguntou ele.
- Não, Ndwetti – respondi eu. Não vimos Deus.
- Ah, então é porque não subiram o suficiente. Mas digam-me lá: acham que
conseguem subir o suficiente no seu aeroplano para ver Deus? - perguntou ele dirigindo-se
a Denys.
- Na realidade, não sei - foi a resposta.
- Então - disse Ndwetti - não sei porque é que vocês os dois vão voar.»
O Luís Miguel Mira já nos prometeu que irá voltar
às crónicas de viagens mas, por agora, anda entretido a divulgar grandes
filmes, todas as quarta-feiras, pelas 15,30 horas na:
Nova Atena
Universidade Senior
Rua Almeida Garrett, 20
Linda-a-Velha
Na próxima quarta-feira, dia 10 de Abril, será apresentado o filme A Culpa Foi do Macaco de Howard Hawks.
A CULPA FOI DO MACACO (1952)
(Monkey Business)
Realização:
Howard Hawks
Argumento:
Ben Hecht, Charles Lederer e I.A.L. Diamond, com base numa história de Harry
Segall
Montagem:
William B. Murphy
Fotografia:
Milton Krasner
Música:
Leigh Harline e Lionel
Newman
Direção
Artística: Lyle R. Wheeler e George Patrick
Interpretação:
Cary Grant (Dr. Barnaby Fulton), Ginger Rogers (Edwina Fulton), Charles Coburn
(Oliver Oxly), Marilyn Monroe (Lois Laurel), Hugh Marlowe (Hank Entwhistle),
etc
Produção:
Sol C. Siegel, para a 20th Century Fox
Duração:
93 mn
Howard Hawks, o realizador do nosso filme de hoje,
foi um dos maiores cineastas americanos do século passado.
Entre 1926 e 1970 realizou 39 filmes, quase todos
eles com grande sucesso do público, embora não da crítica, que o ignorou
durante muito tempo.
Ao contrário de outros colegas seus que se
especializaram num determinado género cinematográfico, Hawks cultivou, com
igual mestria e sucesso, quase todos os géneros, como o Filme de Guerra, o
Filme de Aventuras, o Filme de Gangsters, o Filme Negro, a Comédia, o Western,
o Musical e o Filme Histórico.
Foi grande em todos eles e quando hoje se evocam os
melhores em cada um desses géneros cinematográficos, é certo que lá estará um
filme de Howard Hawks.
Passa-se uma coisa muito curiosa quando se comparam
os Westerns ou os Filmes de Aventuras de Hawks com as suas Comédias.
Nos primeiros estamos num universo de homens,
marcado por uma amizade viril e profunda entre todos eles e no qual as mulheres
ou estão completamente ausentes, ou, no limite, estão presentes, mas parece que
apenas para perturbar essa imensa harmonia existente no meio masculino.
Nas comédias, tudo é virado às avessas. É um mundo
em que são as mulheres quem parece comandar e ditar as regras do jogo, e os
homens, por muitos conhecimentos que tenham, são meros joguetes nas mãos delas,
sujeitos às situações mais ridículas e aos comportamentos mais infantis que
possamos imaginar, acabando não raras vezes eles próprios disfarçados de mulher
ou vestidos com roupas de mulher, como sucede no filme que hoje vamos
ver.
Se se lembrarem de “As Duas Feras”, deste mesmo
realizador, que por aqui passou há tempos, também por lá andava Cary Grant em
bolandas no meio de Katherine Hepburn e de uma pantera chamada “Baby”, a quem
também eram atribuídas muitas culpas.
No filme de hoje voltamos a ver Cary Grant (no
total fez 4 comédias e um filme de Aventuras/Aviação com Hawks), de novo
profissional altamente qualificado, de novo meio atarantado entre as mulheres e
de novo com um animal de permeio, desta vez um macaco a quem o tradutor do
filme parece atribuir todas as culpas pelas peripécias da história, embora, na
minha modesta opinião, me pareça ser aquele que nelas menos culpa tem…
Apenas mais um aviso prévio, antes de entrarmos no
filme.
Ao lermos a ficha técnica, imediatamente nos saltam
à vista os nomes dos três argumentistas, Ben Hecht, Charles Lederer e I.A.L.
Diamond, que foram dos maiores autores de comédia que passaram pelo cinema
americano. Os dois primeiros estão entre os precursores da comédia louca e
desbragada a que os americanos chamaram “screwball comedy” e o último foi o
fiel parceiro de Billy Wilder, o realizador de “Quanto Mais Quente Melhor”, em
todas as suas hilariantes comédias a partir de 1957.
Ora com “malandros” deste calibre na escrita do
argumento, uma coisa é certa: por muito simples que a história nos pareça ser,
ela terá sempre muitas pontas por onde lhe possamos pegar.
Mas já lá iremos…
O filme conta-nos um pedaço da vida do Dr. Barnaby
Fulton (Cary Grant), um investigador químico que, por conta de um laboratório
privado, procura descobrir uma espécie de “elixir da juventude”, uma poção que
permita ao Ser Humano, através de um rápido rejuvenescimento das suas células,
voltar ao que fora muitos anos antes (B-4, que se lerá “before”, é
precisamente o nome comercial que a empresa já encontrou para a tal poção ainda
por descobrir…). Para testar os efeitos das várias combinações químicas que vai
preparando, o Dr. Barnaby tem ao seu dispor, para além doutros animais de menor
porte, dois chimpanzés, um muito jovem e outro mais idoso, que mantém
enjaulados no seu próprio gabinete de trabalho.
Barnaby está de tal maneira obcecado pela sua
pesquisa que, para grande desgosto da sua mulher Edwina (Ginger Rogers), parece
desleixar em demasia não só as suas obrigações sociais, como também -
suspeitamos nós… - outras mais…
Numa ocasião em que Barnaby se ausenta
temporariamente do laboratório, o chimpanzé mais novo consegue libertar-se da
sua jaula e senta-se ao balcão de trabalho do investigador, manuseando e
misturando os vários produtos químicos nos diversos tubos de ensaio, tal como
sempre tinha observado, à distância, Barnaby fazer.
No final das suas brincadeiras, o chimpanzé resolve
deitar a mistura química que fez no depósito do distribuidor de água potável
existente no laboratório e continua por ali a fazer outras traquinices, até que
Barnaby regressa ao seu gabinete e o volta a encerrar na sua jaula, sem de nada
suspeitar.
É claro que já perceberam que, numa penada, o bom
do chimpanzé conseguiu descobrir a milagrosa fórmula que Barnaby tanto se
esforçara por encontrar. E que ninguém até ao final do filme irá perceber que é
ali, misturada com a água potável, e não nos diversos tubos de ensaio, que ela
se encontra…
Nesse mesmo dia Barnaby estava com a fezada de que
a poção que tinha preparado seria mesmo a boa, porque na véspera lhe tinha
surgido uma ideia que considerara luminosa e infalível, pelo que estava ansioso
por a testar em si próprio. “A auto-experimentação vai contra as
regras daboainvestigação”, diz-lhe um dos seus Assistentes,
ao qual Barnaby responde que “a História dasdescobertas é feita por
quem não segue regras”, enquanto trata de beber a sua poção.
No final vai beber água ao distribuidor, para tirar
o amargo da boca, e pouco tempo depois começa a sentir os primeiros sinais de
rejuvenescimento, por obra e graça da poção do chimpanzé e não pela poção que
acabara de preparar, embora ele fique convencido que sim…
A partir daquele momento e sem fazerem a mínima
ideia que é misturada com a água que se encontra a milagrosa poção, e não nos
frascos de onde a julgam beber, várias pessoas irão beber àquele distribuidor
de água e sentirão a vida a andar para trás: Barnaby, a sua mulher, em
separado e em simultâneo, Oxly, o patrão de Barnaby, e toda a equipa de
cientistas/investigadores que com ele trabalham. Só se safou Lois,
a vistosa secretária de Oxly, que manifestamente não necessitava da poção para
nada… (Marilyn Monroe no papel de ”loira burra”, um ano antes de passar a
“loira esperta” em “Os Homens Preferem as Loiras”, do mesmo Hawks…)
O que o filme nos vai contar é, precisamente, as
consequências da tomada dessa poção no comportamento de uns e de outros, e
terei de me ficar por aqui porque as peripécias são de tal maneira
rocambolescas e hilariantes que não só não disponho de espaço para as contar,
como jamais ousaria roubar-vos esse efeito de surpresa.
É claro que, em tom de comédia e a pretexto das
peripécias do casal Barnaby/Edwina, o filme evoca o trauma que constitui, para
a generalidade das pessoas da chamada meia-idade, a consciência da progressiva
perda das suas capacidades e da aproximação da velhice. Daquilo que foram e que
já não são, do que foram capazes de fazer e agora já não fazem, dos sonhos que
sonharam e que já deixaram de sonhar…
Mas, neste aspeto da perda da juventude, Hawks
parece começar por brincar com os seus próprios atores. Na verdade e com
recurso a um efeito de distanciação “brechtiano” que nos habituámos a ver nos
anos 60 e 70 em algumas comédias de Jerry Lewis e de Mel Brooks, mas que
não esperávamos de todo ver num filme de 1952, aqueles primeiros momentos do
filme são verdadeiramente surpreendentes. A voz que ouvimos por duas vezes
dizer “not yet Cary” é a voz do próprio realizador e dirige-se ao ator, não a
Barbaby, o personagem. Mas enorme ironia é a de associar ao eterno galã do
cinema americano, que ainda iria durar nesse estilo de papeis durante mais de
20 anos, um personagem em aparente menopausa e com tão pouca atração pelo sexo
oposto. Tal como ironia será ter posto Ginger Rogers, uma das grandes
bailarinas da comedia musical americana que tantas vezes vimos ao lado de Fred
Astaire, a dar ridículos passos de dança. “Private- jokes” de Hawks, lhes
chamou João Bénard da Costa (1), às quais suspeito que os argumentistas também
devem ter ajudado…
Alguns críticos viram também neste filme uma sátira
à Ciência e aos cientistas, o que se poderá compreender quando vemos que um
pobre chimpanzé descobriu, num ápice, aquilo que cientistas altamente
qualificados levavam anos a procurar, sem sucesso. Mas também quando vemos os
cientistas “rejuvenescidos” na brincadeira entre si, com verdadeiros
comportamentos de macacos...
Mas esta análise poder-se-á tornar mais
compreensível e interessante se enquadramos o filme no seu tempo.
Como é sabido, o período pós-II Grande Guerra foi
uma época de profundas transformações sociais na América.
Soldados regressados da frente de combate, muitos
deles com profundos traumas de guerra, tiveram de retomar, por vezes com grande
dificuldade, a sua vida normal.
Muitas mulheres, cujo trabalho na retaguarda foi
essencial para o esforço de guerra, ganharam novas ambições de realização
pessoal, recusaram o destino de uma vida doméstica e optaram por entrar, em
força, no mercado de trabalho, com todas as dificuldades de adaptação a um novo
ambiente laboral por vezes “stressante” e competitivo no qual tinham de impor
as suas valências, tanto mais que, muitas vezes, tinham de conciliar as
exigências e as responsabilidades da sua vida profissional com as da lida
doméstica.
Não é, assim, estranho que palavras tais como
angústia, ansiedade, insónia, depressão e outras equivalentes entrassem
rapidamente no quotidiano americano, e que a Indústria Farmacêutica disso se
tivesse aproveitado para florescer. E o mesmo se diga da Indústria de
Cosméticos, já que o acesso ao mercado de trabalho colocava novas exigências em
termos de “apresentação”.
E, já agora, também não foi por mero acaso que
filmes sobre perturbações mentais, com recurso à psicanálise e à interpretação
dos sonhos, irromperam em força no cinema americano, precisamente nesse
pós-guerra.
Ora, em boa verdade, o que vemos neste filme é uma
empresa farmacêutica ansiosa por ganhar muitíssimo dinheiro com um novo
medicamento milagroso…
Mas, lá está, esta é, apenas, uma das tais pontas
por onde poderemos puxar neste filme, e não me parece que, embora
sociologicamente interessante, até seja a mais relevante.
Outra dessas pontas a pegar será no que é dito e
não dito, no que é mostrado e no que fica nas entrelinhas, no consciente e no
subconsciente, tal como Barnaby e Edwina o abordam numa cena crucial do
filme.
Uma das subtilezas do argumento é, precisamente, a
de deixar enormes espaços em branco, para que sejamos nós, espectadores, a
colocar as questões e a procurar as respostas…
Porque mostra Edwina uma tão grande ansiedade por
uma nova lua de mel…? O que se terá passado, na verdade, dez anos antes
naquele quarto 304 do Hotel Peckwick Arms, em La Jolla…? E porque é que a noite
em que decidiram faltar a um compromisso de jantar e ficar em casa, apenas uma
semana após terem regressado dessa lua de mel, lhes parece, hoje, muito mais
memorável…?
Porquê tanta proximidade entre Edwina e o seu
antigo namorado, aquele que só beijou uma única vez, sendo que, como ela não se
cansa de explicar, foi ele quem a beijou a ela, e não ela a ele…? E porque tem
Barnaby tantos ciúmes e tanta sede de vingança, ao ponto de pretender imolar e
tirar o escalpe ao pobre homem…?
E se Barnaby andava assim tão distraído e era tão
insensível aos encantos da secretária do seu patrão, como é que a reconheceu de
imediato só por lhe ter visto os tornozelos…? E porquê, como lhe aponta a
mulher roidinha de ciúmes, lhe apareceram na face tantas marcas de batom,
quando o filme só nos dá justificação para apenas uma…?
E porquê teve o patrão de Barnaby tanta necessidade
de ir a voar para ser ele o primeiro a experimentar a poção, e por que razão,
já supostamente rejuvenescido, não para ele de correr atrás do rabo da sua
secretária com um sifão na mão…?
Entre o visto e o não visto, o dito e o não dito, o
consciente e o subconsciente, se passa esta excelente comédia, que nos faz
pensar.
Mas não fiquem a pensar que será necessária uma
elaborada reflexão para poderem usufruir do prazer deste filme… Algumas das
suas hilariantes cenas bastam-se a si próprias: o macaco a preparar a poção…; a
reconstituição da malfadada lua de mel…; a dança dos “índios” pequenos e do
“índio” grande…; a mulher de Barnaby com o seu suposto marido/bebé nos braços,
a quem, apesar da sua tenra idade, Marilyn Monroe não pode tocar nem com a
ponta de um dedo (este também é um filme sobre o ciúme…), são alguns exemplos.
E vou ficar por aqui, porque já me alonguei
demasiado…
Se - como é o meu caso - já tivermos alguns anos em
cima, talvez também possamos dizer, como no final Barnaby acaba por confessar à
sua mulher num momento de maior lucidez e maturidade, que não necessitaremos de
poções mágicas para nada, porque, afinal de contas, a juventude não passa de
uma falsa ilusão, porque ela não foi mais do que uma série de “desajustamentos
e desastres pouco cómicos”, aos quais não sabemos muito bem como conseguimos
sobreviver…
E, já que estamos em registo de comédia e ninguém
me levará a mal, também nada nos impedirá de logo à noite apagarmos a luz e
perguntarmos à nossa parceira ou ao nosso parceiro quanto tempo é que ainda falta
para o jantar…
Porque – e é essa a grande conclusão moral deste
filme – só é velho quem se esquecer que é jovem…
DA COSTA, João Bénard, “Escritos Sobre Cinema”, Tomo 1, 3º Volume,
Edição da Cinemateca Portuguesa, 287
«Correu tudo muito bem em Hollywood e na
Broadway. Aqui actuei durante três semanas da primeira vez e oito da segunda.
Chegado a Hollywood, foi a mesma coisa. Mas propuseram-me um filme com Marilyn
Monroe, num papel que me queimaria até ao fim da minha vida. De resto, Cary
Grant e Gregory Peck tinham-no recusado. Mas a ideia de ne estrear em Hollywood
fez-me esquecer os riscos que corria, e, depois, conhecer uma mulher como
Marilyn era um dos meus sonhos de garoto… Foi uma experiência que me marcou. Há
alturas em que devíamos ser Einstein, mas somos apenas nós!»
O filme
chama-se Let’s Make Love e foi
realizado por George Cukor ,mas Yves Montand andou perdido na pele de um
milionário. «Não basta usar chapéu para
se ser milionário, nem andar sempre de charuto na boca» e Marilyn Monroe
ainda não chegara aos seus melhores dias.
O filme
não terá sido o semifracasso que os críticos apontaram.
Contém
algumas cenas deliciosas como esta em que Monroe aparece a cantar My Heart
Belongs to Daddy.
Os Estados Unidos e a União Europeia são as principais
fontes de assistência financeira à Ucrânia. Estima-se que esse apoio ronde os
cem mil milhões de euros o que corresponde a menos de metade dos gastos que o
Catar teve para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol.
1.
«Tornámo-nos uma
sociedade de surdos», palavras de José Tolentino de Mendonça na homilia de
Natal no Funchal.
2.
Dinheiro, almoços em
bons restaurantes, electrodomésticos, viagens e até um presunto de Montalegre.
Eram estes os subornos mais frequentes entregues a 13 funcionários da Autoridade Tributária, que estão a ser julgados em Lisboa, por praticarem actos que beneficiavam particulares necessitados de resolver
situações junto da administração fiscal”, segundo a acusação do Ministério
Público.
Entre estes
funcionários há técnicos, chefes, inspectores e um advogado que exercia as
funções de jurista especializado no Centro de Estudos Fiscais e Aduaneiros
3.
Devido ao custo da
habitação quase 60 mil pessoas foram forçadas a deixar Lisboa nos últimos três
anos;
4.
«No dia 12 Dezembro de
2020, no Twitter, André Ventura informou o país do seguinte: “Deus confiou-me a
difícil mas honrosa missão de transformar Portugal.” O Criador, no âmbito da
sua actividade de administrador do universo, teria dedicado algum do seu tempo
a pensar omniscientemente em Portugal e, após observação cuidada, concluíra que
o país precisava de uma transformação e que a pessoa mais bem colocada para a
operar seria aquele comentador de futebol que discutia foras-de-jogo com Aníbal
Pinto na CMTV. É este mesmo candidato, cuja carreira é patrocinada por um ser
omnipotente, que se queixa de não ser convidado por um palhaço para um programa
de entretenimento. Talvez a ERC devesse recomendar a Nosso Senhor a necessidade
de compensar os outros candidatos. Se necessário, evidentemente.»
Ricardo Araújo
Pereira
5.
«Marilyn Monroe.
Em Quanto Mais Quente Melhor, obra-prima de Billy Wilder, Marilyn
faz do seu corpo o que quer, mostra e tapa, insinua e provoca; metido num
apertado vestido preto e em cima de uns saltos altos, o posterior dela faz
resfolegar um comboio no mais hiperbólico jacto de vapor que o cinema já viu.
Quem está na sala de cinema – aconteceu-me, aconteceu-me! – levanta-se e grita:
“Pára, pára, mais não, mais não!” São gritos desvairados e deslumbrados. E
chega o momento em que Marilyn beija Tony Curtis. Eis o que quero dizer:
Marilyn beija de chulipa. Tony Curtis é, no filme, um milionário, e os beijos
de Marylin são sumptuários, de calcanhar. Ela beija já e só o prazer de beijar
e Tony Curtis confessa que sente os dedos dos pés como se estivessem num barbecue a
fogo lento.»
Súbita e
violentamente leu a notícia na 1ª página de O
Século, numa esplanada de praia na Trafaria.
Tinha do cinema a
ideia daquela feira de luzes e espantos, captada na plateia de pau do Cine-Oriente. Os filmes eram com e não
de, e Marilyn, doce Marilyn, outras mais, constituíam as paixões platónicas, os
anos da inocência, o bater mais apressado do coração. Quero permanecer apenas na fantasia do homem comum. Só muitos anos
depois iria apreciar os dotes de artista daquela loira burra, como então muitos
lhe chamavam.
O cinema é um mundo
enorme de gente, um todo em que não se consegue saber onde está a ponta do
novelo. Mas que seria o cinema sem Marilyn Monroe?
Foi em 5 de Agosto de
1962, uma noite ao deitar-se quando se
sentiu sozinha ou suspeitou que tinha errado a vida, para citar o belíssimo poema
de Ruy Belo sobre a morte de Marilyn, um telefone que tocou em busca de ajuda,
que alguém ouviu, sabia quem era, mas não quis atender.
Meses antes cantara para John Kennedy “Happy Birthday Mr. President”.Nem
precisa de olhar a fotografia para reconstituir a performance daquela noite, a
apresentação feita por Peter Lawford, depois o sussurro mais sensual de que há
memória num happy birthday, aquela
silhueta na noite, aquele vestido cingido ao corpo, que em Outubro de 1999, foi
vendido por 1,26 milhões de dólares num leilão da Christie’s. Provavelmente terá sido aí que se começou a desenhar, o suicídio organizado de Marilyn Monroe
e que culminaria na descoberta do seu corpo deitado na cama, a mão a apertar o
auscultador do telefone, a tal chamada que alguém não quis atender.
Sou a mulher mais bonita do mundo mas não tenho ninguém com quem sair
este fim-de-semana, confidenciou a alguém.
Dez anos de carreira,
doze filmes, todos eles memoráveis, inesquecíveis. Fica por saber, não fora a
morte brutal, até onde teria chegado Marilyn.
Billy Wilder, esse
cínico genial e maravilhoso realizador, disse que Deus deu-lhe tudo e que Marilyn poderia
fazer o que quisesse em cinema.
Vinicius de Morais
que ela foi um dos seres mais lindos que
já nasceram e se há quem disso possa falar, Vinicius estava completamente à
vontade.
Irving Berlin
confessou um dia que Marilyn Monroe foi a melhor intérprete das canções que
compôs.
O actor Robert
Mitchum comentou: Ela assemelha-se a uma
criança perdida, uma doce criança perdida, uma fragilidade intensa e
genuína.
A criança feita mulher, abandonada nas linhas paralelas da passagem de
nível sem guarda (as duas linhas de todas as mais paralelas e as mais negras),
sem que o medo a deixasse fugir e sem nós conseguirmos gritar-lhe (como nos
pesadelos) que se afastasse. Todo o tempo dela foi tempo da morte a vir,
como escreveu João Bénard da Costa nos 40 anos da morte de Marilyn.
A minha cabeça vai estoirar.
Os comprimidos não fazem efeito.
Já não sei o texto. A tristeza afoga-me.
Não há ninguém com quem se possa falar.
Daqui a pouco tenho de sorrir.
Sorrir é uma das coisas que faço bem.
Consigo até sorrir com os olhos.
Poucas pessoas conseguem sorrir assim
Marilyn Monroe morreu
há 47 anos.
Suicídio? Assassínio?
Sabe-se apenas que a
sua morte é uma história mal contada,
tal como leu numa crónica do Eduardo Guerra Carneiro: Ainda há estrelas no céu.
Temperaturas extremas
em Londres – Londres a cinzenta, quem diria? – danificaram uma parte da pista de aterragem e
descolagem do aeroporto de Luton, a 55 quilómetros de Londres. A pista esteve
fechada durante quase duas horas e obrigou a desviar e atrasar voos.
Por cá, ficamos a
saber que as altíssima temperaturas voltam amanhã.
Dou-me pessimamente
com o calor. Quando trabalhava, mandava as férias sempre para Setembro.
Vou agora ter com a Autobiografia Woody Allen para ele me contar da Primavera e do Outono em Central Park.
«Veja, o verão em
Nova Iorque são más notícias. É quente, sufocante, estão todos fora, e sim,
podemos andar de um lado para o outro com menos trânsito, mas é entediante,
tendo todos os amigos partido e estando tudo pegajoso e húmido. De qualquer maneira,
chega o outono e a cidade começa a mexer. Os nova-iorquinos regressam de
férias, o tempo arrefece. Quando eu era miúdo, em Brooklyn, os verões eram uma
dádiva, porque significava que não havia escola e eu podia jogar à bola todo o
dia e ir ao cinema. Era divertido, mas mesmo então, o outono significava que
todas as raparigas giras regressavam dos campos de férias, e embora o pesadelo
dos livros e das aulas pairasse no horizonte, pelo menos havia alguma anatomia
sigmoide para acelerar o fluxo sanguíneo.»
Pelos dias quentes,
vou também ter com o Billy Wilder, no filme O Pecado Mora ao Lado.
A imagem que encima o
texto, tem Marilyn, da janela olhando, o vizinho do andar de baixo
Quando Marilyn Monroe, a regar as flores, numa daquelas noites do Verão de
Manhattan, quase espeta com um tomateiro na cabeça de Tom Ewel que, no terraço
em baixo, lê o jornal.
Ele levanta-se com uma fúria desmedida, mas depara com o rosto de Marilyn entre
os vasos de flores, e convida-a para uma bebida.
Marilyn aceita o convite e acontece este delicioso diálogo:
- Vou à cozinha vestir-me.
- À cozinha?
- Sim! Quando está calor guardo a roupa interior no congelador.
Terá Marilyn Monroe lido todo o Ulisses de James Joyce?
Eu não, nunca o acabei, e penso que, pelo andar da carruagem, ficará na lista dos livros comprados e não lidos.
Disso, hei-de falar um destes dias, também a juntar a uma boa quantidade de diversas histórias que fiquei de contar por aqui... e ainda não tiveram concretização.
Uma
fotografia tem sempre o encanto de se saber o que ela nos mostra. Passam os
anos e cada vez que a vemos, sabemos que nos mostra uma coisa diferente.
Será
assim?
Marilyn
Monroe, em Los Angeles, 2 de Setembro de 1953, de pulôver e uma caneca de café
na mão.
Belíssima fotografia da autoria de Milton Greene para a revista Look, retirada do arquivo da Shorpy.
Marilyn Monroe morreu em
5 de Agosto de 1962, uma noite ao
deitar-se quando se sentiu sozinha ou suspeitou que tinha errado a vida,
para citar o belíssimo poema de Ruy Belo sobre a morte de Marilyn, um telefone
que tocou em busca de ajuda, que alguém ouviu, sabia quem era, mas não quis
atender.
Em Outubro de 1955, Maurice
Chevalier visitou, durante as filmagens de Quanto
Mais Quente Melhor ,Marilyn Monroe, e acabaram empoleirados no topo de um
piano vertical.
Milton Greene andava
por ali e fez o boneco.
No meio da pandemia
que nos assola, é sempre bom ouvir música, e como estamos com o filme de Billy
Wider nas mãos, colocar Marilyn a cantar I Wanna Be Loved By You e, recuando
algum tempo, ouvir ainda a versão que Helen Hane nos deixou.
Apesar da «nobre indiferença
muçulmana pelo autoclismo, o esgoto, a árvore frondosa e a ânsia de ar das ruas
novas» de que falava Aquilino dando razão a Boris, e da falta de pergaminhos que
já em 1758 era notada pelo prior Sebastião de Sousa, Olhão mantém um lastro de
glória. Industriais, pescadores e vates contrabandistas continuam a partilhar o
desrespeito pela lei e o culto do Senhor dos Aflitos, numa vila pródiga em
dândis e espanholas, estrangeiros e aventureiros, sardinhas e anarquistas,
operários e fedor. Tresanda, resume Raul Brandão. Não exagera o simbolista. Ao
peixe que apodrece sob o calor africano junta-se a matéria fecal que escorre a
céu aberto, húmus pestilento que Captain Zorra nunca conseguiu olvidar, memória
primeva que nos conduz, um pouco abruptamente, é certo, a Marilyn Monroe,
actriz que nunca veio a Olhão.
Monroe, que Billy Wilder foi dos poucos
a levar a sério, garantindo a contracorrente que ela não precisava de lições de
representação, apenas de se inscrever no colégio suíço Ómega, «onde são dados
cursos de pontualidade superior», ainda não era nascida quando o olhanense
Manuel Zorra, Captain ou Manny Zora nos States, troca as águas do Algarve pelas
margens do rio Hudson. Era a segunda fuga. A primeira, a bordo de um barco de
pesca que se dirigia a Gibraltar, acabou com o rapaz a ser mandado para casa,
uma dúzia de anos apenas.
“Rio Sem
Regresso” (Otto Preminger – 1954) é um filme que parece não ter deixado grandes
saudades a quem o fez…
Marilyn
Monroe tinha os caprichos que se conhecem, Robert Mitchum o mau feitio que se
sabe, e Preminger também tinha a fama de ser um realizador com quem nem sempre
era fácil trabalhar.
Mistura
explosiva, portanto, e todos trataram de esquecer rapidamente o filme.
Parece que Bob Mitchum nem queria sequer ouvir falar nele e chamava-lhe “the
picture of no return”…
Curiosamente,
nada disto transparece no filme, que aos meus olhos é um filme sereno, com a
beleza telúrica daquelas magníficas paisagens das “Rocky Mountains”
canadianas, tudo isto em Cinemascope e com uma bela fotografia de Joseph
LaShelle.
Apesar de
alguns perigos (os índios, os “rápidos”, os “maus” que não são índios,…), o
filme desenrola-se serenamente, por entre as montanhas e ao sabor do rio,
desaguando naquele inesquecível happy
end do Mitchum com a Marilyn às costas, que todos nós desejávamos que
acontecesse…!
E de todos os
filmes de Marilyn, “Rio sem Regresso” é um daqueles onde mais gosto
de a ver.
Sinto vontade
de rever, de vez em quando, aquela cena onde, tão bonita e tão serena, guarda
num saco os sapatos altos vermelhos, símbolo de um passado que desejaria
encerrar para sempre, veste a camisa, ajeita os cabelos, desaperta o cinto, põe
as fraldas para dentro, puxa da guitarra e canta para o miúdo “Down in the
Meadow”, como quem embala nos braços, ternamente, a criança que sempre
desejou mas que nunca conseguiu ter.
O filme foi
realizado aqui, nos arredores da bonita cidade de Banff, no Canadá.
Onde veem as
quedas de água, o operador de câmara teve muito cuidado em ocultar tudo
quanto era urbanismo e modernidade, que fatalmente apareceriam na imagem se
descaísse a câmara um pouco mais para a direita, ou para a esquerda...
Mas o rio
atravessa um enorme Parque Nacional, pelo que grande parte dos espaços
permanecem livres e selvagens.
Parei num
deles para fazermos um piquenique.
Sentei-me
junto ao rio, pousei nele o olhar e o pensamento e deixei-me levar pelas
águas...
“There is a
river, called the river of no return
Sometimes
it’s peacefull and sometimes wild and free
Love is a
traveler on the river of no return
Swept on
forever to be lost in a stormy sea (wail-a-ree...)
I can hear
the river call (no return, no return, ...)” Texto e fotografias de Luís Miguel Mira
Esta novela foi adaptada para o filme que Blake Edwards realizou com o mesmo nome, um amável
filme cativante, cheio de humor e «glamour».
«Moon River»
canção tema do filme, com música de Henri Mancini, letra de Johnny Mercer,
ganhou o Óscar para a melhor canção original.
No calor da
noite, a beleza de Audrey Hepburn, cantando «Moon River», luas, rios, vagabundos de sonhos Manhattan e o bar do Joe Bell: «Vou preparar-te uma bebida. Uma coisa nova. Chamam-lhe Anjo Branco» - disse ele misturando maia de vodka e meia de gin, sem vermute.»
Truman Capote, entendia
que Marilyn Monroe era a pessoa certa para a personagem de Holy Golightly, uma
prostituta solitária e inquieta de Manhattan.
Não digo que Capote
não tivesse as suas razões – e como eu gosto de Marilyn! - mas teríamos perdido
aquela doçura de uma boneca de luxo chamada Audrey Hepburn.
Um crítico
norte-americano escreveu que quase todos aqueles que hoje escrevem devem algo a
Truman Capote e o excessivo Norman Mailer considerou-o o escritor mais perfeito
da sua geração.