Mostrar mensagens com a etiqueta Pinheiro de Lafões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pinheiro de Lafões. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OLHAR AS CAPAS


Natal Macabro

Lionel White
Tradução Fernanda Pinto Rodrigues
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 278
 Edição Livros do Brasil, Lisboa s/d

Parece-me que o Hubert Pringle é um grandíssimo mentiroso. Quando lhe perguntei quem era o tipo que fez de pai Natal, respondeu-me que se tratava de um vadio que encontrara na rua.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

GENEALOGIA II


“Ouves os ruídos dos filhos, retido na cama. Uma gripe
não te afasta do mundo, mas mostra-te como és fraco;
eles continuam, alegres ou deixando a adolescência,
ou permanecendo crianças, rindo.
Tinhas pulmões de aço, fumadores, adultos,
e um gosto elegante pelo futuro. Fumas de pijama,
na varanda, enquanto os turistas de domingo vão à praia,
saudáveis e comentando as notícias do dia,
vestidos de branco no meio do Verão.
Borboletas nas roseiras, cadeiras na penumbra,
sentes que a morte avisa uma e outra vez,
soletrando o teu nome, aprendendo as tuas sílabas,
o teu caminho, para depois te encontrar mais depressa.
Ouves os teus filhos, comovido. Terás de deixar-lhes
uma herança para além dos livros,
das observações sobre meteorologia, das receitas
de família, das recordações de aldeia.”

Francisco José Viegas em “Se me Comovesse o Amor”

sábado, 13 de agosto de 2011

ITINERÁRIOS




O Vouga perto de Pinheiro de Lafões, numa manhã mansa de Setembro.
Apenas se ouvem as árvores, os pássaros, a água correndo entre pedras e pedrinhas.
Um silêncio do tamanho do mundo.
Certamente o paraíso tem muitas definições, cada um tem o sua e imagina o paraíso imagina-o a seu belo prazer.
Por mim poderia ser como o Vouga passando perto de Pinheiro de Lafões.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

JOÃO MARIA TUDELA (1929-2011)

Soube há pouco: morreu o João Maria Tudela. Tinha 82 anos.
Gostava de o ouvir, gostava do seu charme.
Ficará para sempre ligado a uma canção da minha juventude: “Kanimambo”.Está na Antologia “Óculos de Sol” e por Setembro do ano passado, com amigos em Pinheiro de Lafões, foi cantada em coro, e dançada.
Kanimambo, João Maria Tudela.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Comovo-me cada vez que entro numa casa e vejo livros.
Nunca consigo explicar esta sensação, nem colocá-la por escrito.
Ao olhar esta estante, no solar do Luís, em Pinheiro de Lafões, lembrei-me do começo de um poema do António Gedeão, não sei poemas de cor mas tenho as suas memórias:

“A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões
nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.”

Nesta estante estão os livros da “Colecção Argonauta”, pertença do pai do Luís que os leu, os amou e não é difícil imaginá-lo, a quietude da casa, o prazer da leitura e, em fundo, talvez a correria, as vozes dos filhos., talvez ainda a chuva a bater nos vidros da janela, a leitura acompanhada de uma chávena de chá.
O tempo em que corria branda a noite e a vida era serena.
Um dia, numa casa que tivemos em Almoçageme, o Manuel Luís, ao descer as escadas do sótão, disse:
- Cheira a romances policiais.


Os livros têm cheiro?
Têm.
Como escreveu Jorge Listopad: “O livro cheirava a papel fresco que eu gosto, como o pão ainda quente do padeiro.”
Maria do Rosário Pedreira tem um belíssimo livro de poema a que chamou “A Casa e o Cheiro dos Livros”

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

OLHARES


Couve entre pedras, numa rua de Vouzela.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

COISAS DE NÃO

Come-se bem muito bem na região de Lafões.


Exemplo disso é “O Retiro Dom Alves” em Oliveira de Frades.

Uma vitela no forno de se lhe tirar o chapéu de coco, uns filetes de polvo, 35,00 euros a dose, mas Dom Alves, mãos assentes na mesa, olhando de frente os clientes,  recita que não encontramos outros filetes como aqueles. Nem em Paris. Quem comeu os filetes confirmou o dito de Dom Alves, que pelas delícias da vitela me fiquei.




.Para além de se comer bem, “O Retiro Dom Alves” recolhe um repositório de coisas de “Não”:

“Não aceitamos cartões de crédito nem Multibanco”
“Não são permitidos jogos dentro deste recinto”
“Não é permitida a entrada de animais”
“Não mexam nas árvores”
“Não tenho tudo o que gosto mas gosto de tudo o que tenho”




Depois desta tirada filosófica, sombreada por um viçoso manjerico a brilhar ao sol de um Outono que se aproximava, e, apesar das coisas de "não", há a vontade de voltar. Então para os tais filetes de polvo, a 35,00 euros a dose, e que “nem em Paris”.


Ternurento este Portugal desconhecido que espera por nós, como dizia a canção.

sábado, 25 de setembro de 2010

POSTAIS SEM SELO


Agora mesmo uma rapariga, com jeito de rodopio alegre, estacou  de súbito perto do marco do correio, onde, a ondear o braço, enfiou uma carta. Depois, a sorrir sem motivo, senão o de haver sol, desatou a corre pela rua fora…
Parei a vê-la e a dizer, de mim para mim, aposto que vai voar… que vai pairar por cima dos telhados… agarrada a uma pena de leveza azul… Aposto…

José Gomes Ferreira em “Dias Comuns”, 1º volume, “Publicações Dom Quixote”, Lisboa 1990.

Legenda: Marco do Correio em Vouzela.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

AS MÃOS

"Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade."


Manuel Alegre em "O Canto e as Armas"