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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

POSTAIS SEM SELO

Quando pronuncio a palavra Futuro, a primeira sílaba já pertence ao passado».

Wislawa Szymborska

Legenda:design de Maria João Lima, tirado daqui.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

POSTAIS SEM SELO


 Este mundo aterrador não é desprovido de encantos, das manhãs que fazem com que o acordar valha a pena.

Wislawa Szymborska

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da imagem.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

OLHAR AS CAPAS


Instante

Wistawa Szymborska
Tradução: Elzbieta Milewska e Sérgio Neves
Relógio d’Água Editores, Lisboa, Janeiro de 2006

Fotografia de 11 de Setembro

Atiraram-se dos andares em chamas.
Um, dois, ainda alguns,
mais acima, mais abaixo.

A fotografia deteve-os na vida
e agora preserva-os
sobre a terra rumo à terra.

Cada um ainda na íntegra
com rosto individual
e sangue bem guardado.

Ainda há tempo
Para os cabelos esvoaçarem
e do bolso caírem
chaves e alguns trocos.

Ainda estão ao alcance do ar,
no âmbito dos lugares
que acabaram de se abrir.

Só duas coisas posso por eles fazer:
descrever este voo
e não acrescentar a última frase.

domingo, 24 de junho de 2012

À CONVERSA...


Perguntaram-lhe:

Qual a razão para uma obra tão escassa?

Respondeu:

Escrevo os poemas à noite, mas relei-os à luz do dia, e nem todos sobrevivem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

WISLAWA SZYMBORSKA (1923-2012)


Morreu ontem, tranquilamente durante o sono, a poetisa polaca  Wislawa Szymborska, Nobel da Literatura de 1996.

Tinha 88 anos e a Academia Sueca valorizou-a como representante de um olhar poético de uma pureza e de uma força raras.
Aqui publiquei um poema de Wislawa Szymborska e, hoje, no dia da sua morte, um outro que copiei do Cadeirão Voltaire, e que está publicado em Paisagem Com Grão de Areia, editado pela Relógio d’Água em 1998 e traduzido por Júlio Sousa Gomes).

O poema chama-se O Terrorista Olha:

A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
São neste momento treze e dezasseis.
Alguns conseguem ainda entrar,
alguns sair.
O terrorista passou já para o outro lado da rua.
A esta distância ficará livre de perigo
e, quanto a vista, é como no cinema:
Uma mulher de casaco amarelo… entra.
Um homem de óculos escuros… sai.
Rapazes de jeans… conversam.
Treze horas, dezassete minutos e quatro segundos.
Aquele baixinho tem sorte e senta-se na vespa,
mais um tipo alto que entra.
Treze horas, dezassete minutos e quarenta segundos.
Passa uma moça de fita verde nos cabelos.
Só que o autocarro oculta-a.
Treze e dezoito.
A rapariga desapareceu.
Se foi bastante estúpida para entrar ou não,
isso se saberá pelas notícias.
Treze e dezanove.
Parece que ninguém entra.
Há porém um careca gordo que sai.
Mas olha, parece que procura algo nos bolsos,
faltam treze segundos para as treze e vinte,
e ele volta a entrar em busca das luvas que perdeu.
São treze e vinte.
Como o tempo voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
Sim, é agora.
A bomba…. explode.