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quinta-feira, 12 de junho de 2025

MÚSICA PELA MANHÃ


Aproveitamos a Música pela Manhã, para lembrar as canções de Yoko e dos Rolling Stones resultantes do julgamento de Angela Davis em 1970.

Lembramos também Nina Simone, que com o seu Mississipi Goddam permitiu a Angela Davis constituir a canção como um gritoda sua revolta, como o foi o We Shall Overcome e lembrar ainda  que às 09,00 horas publicámos o poema de Nicolas Guillen sobre Angela traduzido por António Ramos Rosa.




sábado, 15 de junho de 2024

MÚSICA PELA MANHÃ




Está velho e cansado.

De quê?

Não sabe responder.

Repete muitas coisas. No meio das conversas já esquece o que estava a dizer.

No recorte que hoje para aqui trouxe, lembrou uma canção de Brel. Uma canção de que por aqui já falou que é a versão dessa canção na voz de Nina Simone.

Repete muitas coisas, escreveu atrás.

Mas relê agora que nesse texto prometeu que um dia traria a versão da Maysa Matarazzo.

Esqueceu-se. 

Mas fica agora.


domingo, 2 de abril de 2023

VELHAS CANÇÕES


 «Ne Me Quite Pas»

Não será, como alguns dizem, o grande clássico de Jaques Brel, mas é uma extraordinária canção.

Milhentas são as versões que correm mundo pelos mais variados intérpretes.

Jacques Brel considerou a versão de Nina Simone como algo de extraordinário, fazendo referência ao modo como Nina fazia deslizar o seu francês e José Duarte, na sua crónica a «A fotografia da música», não deixou de salientar que «o sotaque do seu francês é saborosíssimo».

Existe uma outra excelente versão da canção de Brel, uma interpretação da brasileira Maysa Matarazzo. Possivelmente Brel ouviu-a mas não conheço qualquer referência que lhe tenha feito.

Hoje ficamos com a versão de Nina Simone, numa outra ocasião, traremos aqui Maysa.

A FOTOGRAFIA DA MÚSICA


 1 de Setembro de 1989.

Nina Simone actuou no Casino Estoril.

Dela dizem que bebe muito e tem mau feitio. Nina esteve mal, dizem.

Zé Duarte não viu, mas no seu «Jazzé e Outra Histórias», mostra uma fotografia de Nina Simone e trata de a ver, rever, interpretar. Chamou-lhe «A Fotografia da Música»:

«Está sentada.

Como fundo foi escolhido um misterioso motivo muito simples que se repete muito.

Como certa música africana.

Há uma ou duas folhas de planta de clima quente no canto inferior direito.

O pano que a cobra quase toda não tem botões, nem cinto, nem mangas, embrulha-a só em diagonal no tronco, revela a área do ombro que nos está mais próximo.

As tiras estampadas no pano – algodão? – reproduzem flores, plantas.

Como a Fleurette Indienne de Ellington.

O cabelo é curto, afro, sempre o usou assim, às vezes com touca de malha justa, africana.

As sobrancelhas finas desafiam, até porque a direita subiu mais que a esquerda.

Altiva.

A câmara, em contra-plongé, ajuda a pose. O que para o caso, é maneira de ser e estar, mas os olhos não olham para nós, olham de cima para baixo, para a nossa direita.
Rainha nunca cruza os olhos com os súbditos.

Estrela tem lux própria.

Há um brinco só, jóia branca, em forma de quarto crescente pendurado.

Lábios grossos, sensuais, que guardam a voz igual a eles, educada na igreja, na secular pregação de textos religiosos musicados.

O porte é magnífico, dá-o a elegância do pescoço, o aprumo da coluna.

Há raça e majestade, seriedade e mistério, algum orgulho, talvez provocação soberba.

Magnetismo.

A pele, a cor e a pureza de linhas do ombro, peito e quase nada de um seio.

Fera em repouso.

Pulseira com medalhas variadas no braço, pulseiras simples nos pulsos.

Nos tornozelos?

África.

Mãos grandes descansam nas coxas, dedos compridos e largos, mãos treinadas nas boas escolas de música de Nova Iorque e Filadélfia, mãos de professora de piano, mãos de compositora de melodias para letras de notáveis poetas afro-americanos: Paul Junbar, Langstone Hughes.

«Nova, Dotada e Negra» - como escreveu Hughes e ela canta.

Tem 56 anos.

As linhas olíquas em fundo contrariam a verticalidade da impressionante mulher, destacam a sua imagem de desafio e coragem, símbolo de luta, provas dadas quando compõe, toca e canta as misérias do racismo, da condição feminina, das realidades sociais.

Está-se mesmo a ver, basta olhá-la, que ela não esquece o elogio do Homem, do sexo.

Reportório variado, entre o Homem e o Deus, das alegorias sexuais aos misticismos desbragados, incluindo mesmo uma cantiga onde o sotaque do seu francês é saborosíssimo e outras pobres comerciais antes de por ela terem sido transformadas.

Tão boa pagã como mística, em concerto provoca sempre e quase numa toada média. Música e letras entoadas, um estado de sensualidade sugerida que paira e satura o ar.

Chega a dirigir-se ao público, depende dele.

Um animal de todos os prazeres.

O pano que a cobre deve chegar-lhe aos pés, como ela gosta.

O mistério das pernas sempres ocultas, reverso de Tina, outra fera, mas essa em permanente ataque, enquanto está em permanente ameaça, portanto muito mais inquietante.

Sentada ao piano já dança um pouco, com os ombros, com o tronco, mas quando estica as pernas e se levanta o bailado tem ainda mais magia, embora contido, denso. Só um ou outro requebro discreto, dançar só da cintura para cima, movimentos raros, secos, inesperados sempre em contratempo.

Às vezes bate palmas, poucas em esquema rítmico difícil.

A América africana.

A grande música negra.

Cuidado quando, logo à noite no Casino, Nina Simone se levantar…»

Numa entrevista ao Expresso, 6 de Fevereiro de 2016 (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos« Cinco Minutos de Jazz», perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz.

José Duarte lembrou-se de um, deliciosos mesmo, que, por acaso. mete Nina Simone:

«Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.»

Um orgulho tão grande, tão grande que, certamente, na chegada à Portela, obrigaram o José Duarte a pagar excesso de bagagem.

sábado, 27 de março de 2021

CONVERSANDO


Nunca teve certezas de nada, também sabe que não serve de exemplo para ninguém.

Ainda no outro século, o médico que lhe prestava assistência no posto da Junta de Freguesia, perguntou-lhe por vacinas, fossem elas quais fossem. Tirando as que teve que tomar durante a tropa, nunca mais as frequentou. É conveniente, por Outubro, tomar a vacina contra a gripe, disse-lhe o médico. Nunca está engripado, acabou por responder. Mas pode vir a estar, ripostou. Se tiver que ser, vamos a isso e, a partir daquele ano, por Outubro vacina-se.

Os tempos agora são de pandemia. Aguarda que o chamem para ser vacinado contra o Corvid-19.

Não consegue entender como há gente-anti-vacinas. Tanta gente, mesmo.

Não lhes chama qualquer nome mas, pensa, que não estão a agir correctamente. Contudo, se não querem ser vacinados, pelo menos não incitem os outros a seguir o mesmo caminho.

Omar Khayyam, um poeta e astrónomo persa que morreu com 83 anos, escreveu esta frase:

«Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, então o paraíso deve estar vazio.»

Está um bonito dia de sol, a temperatura está bem amena.

Que bem sabe ouvir I Love you, Porgy neste velho EP.

Numa entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:

Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.

Um orgulho tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, obrigaram o José Duarte a pagar excesso de bagagem.

domingo, 22 de março de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS

Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.

NUNCA CAMINHARÃO SOZINHOS

Foram os ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe «The Beautiful Game.»

Vivem o jogo como ninguém.

Deslocam-se, enchem os estádios.

Avós, pais, filhos, netos, bisnetos: a família.

A festa.

Nem em tempo de Natal o dispensam.

Bem pelo contrário: exigem que haja jogos nesses dias.

Nos dias de transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família, do mais novo ao mais velho, foram ao futebol.

Uma das claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.

Tomaram como hino You’ll Necer Walk Alone, uma canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical da Broadway Carousel, de 1945 e que, em 1956, foi adaptado ao cinema por Henry King.

Mas seria com a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade, que a canção se tornaria o hino do clube.

Hoje, outros clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.

Simplesmente  arrepiante.

Uma visita ao You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música norte-americana, bem como outros, que gravaram You'll Never Walk Alone.

Shirley Jones gravou-a para a banda sonora de Carousel, mas há versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha Franklin, Mahalia Jackson, Nina Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra Streisand, Andy Williams, Judy Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom Jones.

Também é possível encontrar uma versão dos Beatles.

Estas são as minhas escolhas.

A versão da Nina Simone é tocada ao piano.

Numa entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:

Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.

Um orgulho tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, obrigaram o José Duarte a pagar excesso de bagagem.

Texto publicado em 24 de Maio de 2016







sábado, 13 de outubro de 2018

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A crónica do Luís Miguel Mira é motivo mais que suficiente para trazer aqui meia dúzia de versões, entre as centenas e centenas que por aí andam, da canção «The House of the Rising Sun»
Escolhi a versão dos The Animals. Johnny Hallyday, Bob Dylan, Nina Simone, Woody Goothrie e, em conversa, o Luís Mira adiantou que deveria colocar a do Clarence Ashley, que não sendo a primeira versão, é uma das primeiras de que existe memória em gravação.
A do Johnny Hallyday terá sido a primeira versão que terei ouvido.
Remonta aos tempos em que ouvia telefonia – o que eu gosto desta palavra!...- quase de manhã à noite, uma rádio fortemente inundada daquilo a que o João Paulo Guerra um dia classificou como o «nacional-cançonetismo», e o resto eram canções francesas, italianas e espanholas.
Se de uma qualquer canção, há uma versão de Nina Simone, não hesito e é a razão maior para o alinhamento e porque, ainda o Mira, terá sido a primeira versão que os  The Animals ouviram.









sexta-feira, 31 de março de 2017

NESSA NOITE, FUI DESPEDIDO


Naquele tempo, costumava levar gelo à Nina Simone. Era sempre simpática comigo. Tratava-me sempre por “Queriiido”. Levava-lhe uma bandeja cinzenta de plástico cheia de gelo, para ela pôr no “Whisky”.
Ela descascava a cabeleira loura e atirava-a para o chão. Por debaixo da cabeleira, o seu cabelo verdadeiro era miudinho, como o pelo de um cordeiro negro tosquiado. Descascava as pestanas postiças e colocava-as ao espelho. As pálpebras eram salientes. Pintava-as de azul. Faziam-me sempre pensar numa dessas rainhas egípcias como as que eu tinha visto no “National Geographic.
A sua pele brilhava de molhada. Enrolava uma toalha azul à volta do pescoço e depois inclinava-se para a frente, descansando os cotovelos sobre os joelhos. O suor rolava-lhe pela cara abaixo, salpicando o chão vermelho de cimento entre os seus pés. Habitualmente acabava o espectáculo com a canção “Jenny The Pirate” de Bertold Brecht.
Cantava sempre esta canção como se se tratasse de uma vingança sua, muito profunda, como se tivesse sido ela própria a autora do poema. A sua actuação era como um tiro, que alvejava, primeiro, a garganta de uma audiência branca. Depois o coração. Finalmente a cabeça.
Nesses tempos, ela disparava a matar. A canção do seu espectáculo que realmente me punha fora de mim era “Que bom era ter-te à minha espera.” Sempre que a cantava, eu ficava assombrado, hipnotizado. Andava a recolher copos de Whiskey Sour quando ela atacava aquele piano, que desabava sobre nós, retumbante, com a sua voz fantasmagórica, serpenteando através do amontoado das cordas.
Os meus olhos subiam para o palco e por lá ficavam, enquanto as minhas mãos continuavam a trabalhar. Uma vez, estava ela a cantar essa canção, derrubei uma vela. A cera quente espirrou para cima do fato de um homem de negócios, sujando-o todo.
Fui chamado ao escritório do gerente. O homem já lá estava, com os salpicos de cera quente espalhados pelas calças abaixo. Parecia que se tinha vindo para cima do fato. Nessa noite, fui despedido. Lá fora, na rua, ainda podia ouvir a sua voz atravessando as paredes: “Seria o paraíso ter-te à minha espera”.


Sam Shepard, em Crónicas Americanas

terça-feira, 24 de maio de 2016

NUNCA CAMINHARÃO SOZINHOS


Foram os ingleses que inventaram o futebol, têm um enorme respeito por ele e chamam-lhe «The Beautiful Game.»

Vivem o jogo como ninguém.

Deslocam-se, enchem os estádios.

Avós, pais, filhos, netos, bisnetos: a família.

A festa.

Nem em tempo de Natal o dispensam.

Bem pelo contrário: exigem que haja jogos nesses dias.

Nos dias de transmissão do futebol inglês, quando as câmaras focam as bancadas, vêem-se espectadores das mais variadas idades. Por vezes, parece que toda uma família, do mais novo ao mais velho, foi ao futebol.

Uma das claques mais conhecidas, no Reino Unido, é a do Liverpool.

Tomaram como hino You’ll Necer Walk Alone, uma canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical da Broadway Carousel, de 1945 e que, em 1956, foi adaptado ao cinema por Henry King.

Mas seria com a versão de Gerry &The Pacemaker, conjunto oriundo da própria cidade, que a canção se tornaria o hino do clube.

Hoje, outros clubes, em outros países, o adoptaram como hino, mas nada como em Anfield Road.

Simplesmente  arrepiante.

Uma visita ao You Tube permite ficarmos a saber dos grandes nomes da música norte-americana, bem como outros, que gravaram You'll Never Walk Alone.

Shirley Jones gravou-a para a banda sonora de Carousel, mas há versões de Ella Fitzgerald, Ray Charles, Aretha Franklin, Mahalia Jackson, Nina Simone, Louis Armstrong, Elvis Presley, Barbra Streisand, Andy Williams, Judy Garland, Frank Sinatra, Johnny Cash, Roy Orbinson, The Rigteous Brothers, Tom Jones.

Também é possível encontrar uma versão dos Beatles.

Estas são as minhas escolhas.

A versão da Nina Simone é tocada ao piano.

Numa entrevista ao Expresso (06.02.2016), por ocasião dos 50 anos dos Cinco Minutos de Jazz, perguntaram-lhe por um episódio destes longuíssimos minutos de jazz, o José Duarte respondeu:

Fui a uma rádio em Los Angeles, que passa jazz 24 horas por dia. O edifício era lindo, alto, todo em vidro. Era o início dos anos 70, o João ainda era vivo. Eu tinha levado comigo uma cassete da Nina Simone a tocar piano. O apresentador fez-me perguntas, estranhou onde era Portugal, expliquei-lhe que se nadasse sempre em frente chegaria a Lisboa. E quando lhe contei que tinha um programa de cinco minutos fechou o microfone, pensava que eu me tinha enganado no inglês! No fim, pôs a minha cassete da Nina Simone e ia caindo da cadeira: nunca a tinha ouvido só a tocar o piano. Saí daquela rádio orgulhoso.

Um orgulho tão grande que, certamente, no regresso a Lisboa, o obrigaram a pagar excesso de bagagem.

                                         

                                          

                                          


                                          

                                          

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

DA MINHA GALERIA


Eunice Kathleen Waymon, mais conhecida por Nina Simone, nasceu em Tryon a 21 de Fevereiro de 1933 e morreu a 21 de Abril de 2003.

Pianista, cantora, compositora, activista pelos direitos civis americanos.
Passeou-se pelo jazz, blues, soul, folk, R&B, gospel, pop, música clássica.

Em todos os géneros deixou marca.

E que marca!

Foi aos 20 anos que escolheu passar a chamar-se Nina Simone.

Nina, do espanhol menina, Simone, como homenagem a Simone Signoret.

No ano de 1986, uma canção sua, My Baby Just Cares For Me, foi usada num vídeo publicitário do Perfume Chanel 5.

Nina Simone quis ser pianista clássica e desejava morrer a tocar Bach.

Sonhos desfeitos: ao não ser admitida, por causa da cor da pele, numa escola de música. Morreu enquanto dormia.

Diz quem destas coisas sabe, que tinha um péssimo feitio, insuportável mesmo.

Quem se importa com isso quando nos deixou canções maravilhosas, interpretadas de uma maneira que só ela sabia.

Não lembro quem disse que Wild Is The Wind é a canção mais linda do mundo.

Sorrio sempre quando ouço Nina Simone a cantar Ne Me Quite Pas, naquele francês de americana negra.

Nas canções de Nina Simone há ternura e raiva que me provoca uma sensação assim pele de galinha.

Os desesperados caminham sem um ruído.

Que bem começam os dias quando se ouve Nina Simone.




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

EU TENHO UM SONHO


Neste dia, no ano de 1929 nascia Martin Luther King, o homem que tinha um sonho e por esse sonho foi assassinado.

Lentamente, muito lentamente, o sonho desse homem tem percorrido passos muito curtos, é certo, mas passos.

Contra todos os obstáculos e incompreensões.

Disse um dia:

O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.

Mais ainda:

Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.

Este negro, nascido em Atalanta, descobriu e morreu por aquilo em que acreditava.

Talvez tenha esboçado um leve sorriso no dia em que um negro foi eleito Presidente dos Estados Unidos.

Sem Martin Luther King, talvez, esse negro não tivesse transposto as portas da Casa Branca.

Muito caminho percorrido.

Muito mais a percorrer.

No dia 4 de Abril de 1968, em Menphis, Tennessee, mataram o homem não mataram o sonho.

Dois dias depois de ter siso assassinado, Nina Simone, com uma emoção única e devastadora, cantou    em sua memória.

Arrepiante.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O VERÃO A DESPEDIR-SE...


Vão faltar tantas estupendas versões de Summertime.

Mas a de Nina Simone de modo algum poderia estar nesse número.

O resto é o Verão a encaminhar os seus passos para o Outono.

Alice só tinha ido ainda uma vez à praia e chegara à conclusão de que a qualquer praia onde uma pessoa vá há-de encontrar sempre uma série de barracas, crianças a cavar na areia com pazinhas, uma fila de pensões e  hotéis e,  por ta deles, uma estação de caminho de ferro.

Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, Publicações Europa-América, Lisboa Outubro de 1977.


Legenda: imagem tirada do blogue Duas ou Três Coisas.