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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

SEGUIMOS NOS SEU CARRIS


«Alguém sai numa estação de comboio enquanto os passageiros continuam a sua viagem: esta pode ser uma imagem da morte. O temo como o vivemos, não permite outras dimensões, seguimos nos seus carris, no seu caminho-de-ferro, até a morte nos deixar num apeadeiro qualquer.»

Afonso Cruz em O Que a Chama Iluminou.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

OS 500 ANOS DE LUÍS DE CAMÕES

Pormenor da capa de Afonso Cruz para o JL – nº 1400 da edição de 29 de Maio a 11 de Junho de 2024 - em que são evocados os 500 anos do nascimento de Luís de Camões.

Larga colaboração em que se destaca o artigo de Lucas laurentino, professor na Universal Federal do Rio de Janeiro, quando destaca o nome de Jorge de Sema como o mais profundo e competente estudioso de Camões:

«O conjunto das obras de Jorge de Sena dedicadas a Luís de Camões desnorteia e impressiona o leitor. Talvez o melhor adjectivo para descrevê-lo seja “monumental”. Já houve quem contasse nada menos do que 2.158 páginas senianas sobre o poeta, entre livros e coletâneas de ensaios. Haverá outro pesquisador que tenha lido Camões com maior minúcia? Sena parece examinar os poemas camonianos num microscópio, disposto a investigar cada detalhe de casa verso.»

Recorde-se que Jorge de Sena, no ano de 1977, foi o convidado para proferir o discurso  das Comemorações do Dia de Portugal e de Camões. E nunca estas comemorações voltaram a ter um discurso tão inteligente, tão culto, tão livre, tão repleto de sentimento.

Esse discurso faz parte do livro Rever Portugal  - Textos Políticos e Afins, que é o tomo V das Obras Completas de Jorge de Sena editadas pela Guimarães.

Importa agora registar que a editora Guerra & Paz de Manuel F. Fonseca tem vindo a publicar a obra de Jorge de Sena:

«Ah, o 10 de Junho! Às 17:00, numa sessão que vai ser universal e nada paroquial, Margarida Braga Neves e António Carlos Cortez falam de Camões-Jorge de Sena, e aí se estreará o talvez mais belo dos 5 livros que comemoram os nossos 500 anos de Camões vistos por Sena. Apoiado pela Gulbenkian, o livro chama-se Babel e Sião: está lá, de Camões, a redondilha Sobre os rios que vão, em papel negro escrita a prata. E está lá o conto Super Flumina Babylonis, no primeiro encontro, no mesmo livro, de Sena e Camões enquanto poetas e criadores. Obrigado, Isabel de Sena, por ter abençoado este encontro comovente.»

Copia-se a abertura do discurso de Jorge de Sena na cidade da Guarda: 

É para mim uma honra insigne o ter sido oficialmente convidado pela comissão organizadora das comemorações de Camões em 1975, e do dedicar-se do Dia de Camões à recordação das comunidades portuguesas ou de origem portuguesa dispersas pelo mundo, para aqui falar na minha dupla qualidade de estudioso de Camões, e de residente no estrangeiro, que eu sou. Com efeito, em 1978, cumprem-se trinta anos sobre a primeira vez que, de público me ocupei de Camões, iniciando o que, sem vaidade me permito dizê-lo, tem sido uma contínua campanha para dar a Portugal um Camões autêntico e inteiramente diferente do que tinham feito dele: um Camões profundo, um Camões dramático e dividido, um Camões subversivo e revolucionário, em tudo um homem do nosso tempo, que poderia juntar-se ao espírito da Revolução de Abril de 1974, e ao mesmo tempo sofrer em si mesmo as angústias e as dúvidas do homem moderno que não obedece a nada nem a ninguém senão à sua própria consciência. Esse meu Camões foi longamente o riso dos eruditos e dos doutos, de qualquer cor ou feitio; foi a indignação do nacionalismo fascista, dentro e fora das universidades, dentro e fora de Portugal; foi a aflição inquieta do catolicismo estreito e tradicional, dentro e fora de Portugal; e foi a desconfiança suspeitosa de muita gente de esquerda, a quem eu oferecia um Camões que deveria ser o deles, quando eles preferiam atacar ou desculpar o Camões dos outros. Foi e ainda é, e será. Porque, sendo Camões o maior escritor da nossa língua que é uma das seis grandes línguas do mundo e um dos maiores poetas que esse mundo alguma vez produziu (ainda que esse mundo, na sua maioria, mesmo no Ocidente, o não saiba), ele é uma pedra de toque para portugueses, e porque tentar vê-lo como ele foi e não como as pessoas quiserem ou querem que ele seja, é um escândalo. São essa pedra de toque e esse escândalo o que, neste momento solene, a três anos de distância do 4o. centenário da morte do maior português de todos os tempos, vos trago aqui, certo e seguro de que ele mesmo assim o desejaria. E, antes de mais, peço que, nas minhas palavras anteriores ou nas minhas palavras seguintes, ninguém veja ataques ou referências pessoais que não há; tenhamos todos, tenham todos a humildade de reconhecer que, quando se fala de Camões e de Portugal, não podemos pensar em mais ninguém.
Quanto a ser um residente no estrangeiro, vai para dezoito anos que o sou, o que, curiosamente, é mais ou menos o tempo que o próprio Camões viveu fora de Portugal, desde que dele partiu para as Índias [em 1553, até que regressou,]* em 1570, tão pobre como partira, mas com Os Lusíadas no bolso ou na bagagem, para publicá-los. Eu nem estou a regressar, nem tenho Lusíadas nenhuns. Mas não sou exactamente um emigrante no estrangeiro, ainda que neste viva, e com os emigrantes me possa identificar – aqueles emigrantes que vi e tenho visto de perto, primeiro no Brasil e depois nos Estados Unidos, e também pelo mais largo mundo que tenho percorrido, e que, com a sua laboriosidade, a sua dignidade, a sua humanidade convivente, são em toda a parte, míseros e mesquinhos, ou ascendidos e triunfantes, muitas vezes, os embaixadores que Portugal não envia, ou os representantes da cultura que Portugal não exporta. Por dezassete anos, recordemos, Camões foi apenas um deles, quando ninguém sabia ou podia ainda saber o génio que ele era. Reatando: eu não sou exactamente um emigrante no estrangeiro, porque, quando saí de Portugal, tinha vinte anos de escritor publicado, e desde então a maior parte da minha obra, ou grande parte dela, foi escrita para Portugal ou em Portugal publicada. Seja o que seja, continuo a ser o que era, quando me exilei muito a tempo naqueles idos negros e tristes de 1959: um escritor português que vive no estrangeiro e que mantém um permanente contacto com Portugal, até por obrigação profissional: catedrático de Literatura Portuguesa, que é um dos meus títulos e deveres, não tenho outro remédio senão estar a par do que se publica. Por outro lado, a minha fidelidade a Portugal – e fidelidade é uma das palavras-chave da minha pessoa e da minha obra, como liberdade é outra – nunca me permitiu livrar-me de partilhar (acrescentadas da dor da distância) as dores e as alegrias, os desalentos e as esperanças de Portugal. Permitam-me ainda um esclarecimento. Na melhor das intenções, vária imprensa anunciou ou referiu que eu falaria aqui como representante dos luso-americanos. Se alguém pensou que eu tal faria, mais que num plano meramente simbólico de partilhar com eles o viver nos Estados Unidos, enganou-se redondamente. Primeiro que tudo, eu não sou um luso-americano: esta palavra significa não o português que vive na América, mas ou o que adquiriu a cidadania americana, ou o que descende de portugueses e já nasceu americano: luso-americanas são duas filhas minhas, por naturalização, e um neto meu que o é nato, como brasileiro por naturalização eu sou, e dois filhos meus o são natos, enquanto minha mulher e outros cinco filhos mantiveram a nacionalidade portuguesa. E, em segundo lugar, que é o primeiro de todos, eu não recebi dos luso-americanos nenhum mandato eleitoral para falar em nome deles, embora esteja certo de que mo teriam dado, se a eles o tivesse pedido, por saberem que os respeito e estimo, sem distinção de credo ou cor (porque há luso-americanos de cor, idos de Cabo Verde para lá, por exemplo). Democrata como sou, eu não falo em nome de ninguém, sem ter recebido um expresso mandato para tal. Eu fui convidado por Lisboa e de Lisboa, o que é uma honra, mas Lisboa não tem o direito de nomear representantes de nada ou de ninguém. Esse vício centralista da nossa tradição administrativa – um dos vícios que Camões denunciou e castigou nos seus Lusíadas – deve ser eliminado e banido dos costumes portugueses, sem perda da autoridade central que deve manter unido um dos povos mais anárquicos do mundo e menos realistas quando de política se trata. Porque os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha; e por isso disfarçam a sua insegurança adulta com a máscara da paixão cega, da obediência partidária não menos cega, ou do cinismo mais oportunista, quando se vêem confrontados, como é o caso desde Abril de 1974, com a experiência da liberdade. Isto não sucedeu só agora, e não é senão repetição de outros momentos da nossa história sempre repartida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível (ou sejam as liberdades dos outros, tão respeitáveis como a de cada um) e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades, seja ele um homem, um partido, ou D. Sebastião. Também dos limites da ordem social e dos deveres do homem para consigo mesmo e a sociedade de que faz parte foi Camões um mestre. Assim, aqui, no âmbito de celebrações que são camoneanas e do Portugal disperso pelo mundo desde que o país existe e desde que, no estrangeiro, comunidades portuguesas ou de lusa origem se formaram ou mantiveram, eu não represento luso-americanos, e não falo em nome deles ou de ninguém no largo mundo. Aceito falar, como eu mesmo, da importância e do significado de Camões hoje, e da necessidade de ter presente ao espírito esta ideia tão simples: um país não é só a terra com que se identifica e a gente que vive nela e nasce nela, porque um país é isso mais a irradiação secular da humanidade que exportou.»

sexta-feira, 22 de março de 2024

OLHAR AS CAPAS


 

A Morte de Um Apicultor

Lars Gustafsson

Tradução: Afonso Cruz e Mélanie Wolfram

Capa: Vera Espinha

Editorial Presença, Lisboa, Fevereiro de 2022

Este outono, devia ter tratado de uma série de coisas nas colmeias: renovar os suportes de madeira, fazer entradas novas, reparar os caixilhos, colocar material isolante. Mas, sem que perceba porquê, acabei por não tratar de nada. Não consigo mesmo compreender a razão disso. Devo ter estado imensamente apático e passivo durante este outono. Felizmente, este inverno dá todos os indícios de vir a ser inusitadamente quente, a avaliar pelo tempo que temos agora, no final de janeiro. Chove durante dias seguidos, e eu fico  na cama mais tempo do que é costume – aproveitando a escuridão do inverno -, apenas pelo prazer de ouvir a chuva a bater no telhado.

domingo, 1 de agosto de 2021

OLHAR AS CAPAS


Granta

Nº 1

Direcção e Editorial: Carlos Vaz Marques

Textos de Dulce Maria Cardoso, Valério Romão, Saul Bellow, Hélia Correia,  

                  Ricardo Felner, Fernando Pessoa, Ryszard Kapusciriski, Afonso Cruz,

                  Daniel Blaufuks, Simon Gray, Rui Cardoso Martins, Orhan Pamuk,

                  Rachel Cusk, Valter Hugo Mãe

Capa: Daniel Blaufuks

Edições Tinta-da-China, Lisboa, Maio de 2013

No conceito de deus, há o horror ao seu próprio vazio, Nuns tempos comos os de hoje, a abundância de recursos preencheu o espaço em que a fatalidade e o capricho, instrumentos da infelicidade, nos atiravam de uma esquina para a outra, como tremendos bofetões divinos. Vestimos os coletes insufláveis e nada pode golpear-nos, nem a água, nem as arestas, nem sequer a idade. Corremos muito à frente do destino com os mistérios do corpo e os da alma consideravelmente diminuídos. Temos o organismo escrutinado e não somente por transparecer mas por se revelar quimicamente. Se pensarmos no tanto que sofreram os investigadores renascentistas a fim de dissecarem um cadáver, não deixaremos de nos sentir gratos pelo sorteio cronológico que pôs o nosso nascimento nesta época.

Do texto Intervencionados de Hélia Correia

terça-feira, 1 de setembro de 2020

POSTAIS SEM SELO

O recado que Afonso Cruz deixou na contracapa de Ilhas de Claudiio Hochman.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

DESRESPEITOS EDITORIAIS


Quem gosta de ler, compra livros pelo motivo primeiro desse gosto.

Mas também compro livros pelos seus começos, pelos seus finais, por um qualquer pedacinho perdido nas páginas e que calhou logo ler no folhear do livro na livraria, pela beleza das capas.

Era o tempo em que se folheavam livros no silêncio monástico das livrarias, o tempo em que os livreiros espalhavam pelos escaparates, à medida que iam chegando, as novidades e nunca por qualquer cunha ou pagamentos por debaixo da mesa de quem quer que seja.

É inadmissível que as editoras estraguem as capas dos livros com a prensagem de dizeres como um prémio com que o livro, ou o autor, tenha sido distinguido.

Gosto da capa que a equipa da Editorial Caminho concebeu para Os Livros Que Devoraram o Meu Pai de Afonso Cruz.

Mas não posso gostar de que no topo faça parte da capa que o livro é Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009 e no fundo do lado direito esteja que o livro faz parte do Plano Nacional de Leitura.

O prémio e  o Plano Nacional de Leitura são coisas recomendáveis e abonatórias, mas não têm que estar pespegadas na capa do livro.

Nos tempos em que se respeitavam os livros, estas coisas de prémios ou afins, surgiam numa cinta, envolvendo o livro, que se descartava e, quem quisesse, guardava dentro do livro.

Vou buscar este exemplo:


Pouco depois da atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago, a Caminho publicou o 5º volume de Cadernos de Lanzarote, não estragou a capa do livro com a atribuição do prémio e colocou a tal cinta que referia o Premio e que ainda guardo no interior do livro.
Não sei o que as gentes das editoras pensam sobre estes incidentes, mas por mim não deixam de ser um total desrespeito pelos autores dos livros, os autores das capas, pelos leitores.  

terça-feira, 26 de maio de 2020

OLHAR AS CAPAS


Os Livros Que Devoraram o Meu Pai

Afonso Cruz
Editorial Caminho, Lisboa, Fevereiro de 2019

No outro dia sentei-me no cadeirão e comecei a folhear o livro o Fahrenheit 451. Percebi que essa era a temperatura a que arde o papel. O livro conta a história, passada no futuro, dum mundo onde os livros são proibidos e queimados. É um livro cheio de papel queimado. Os bombeiros, nesse universo criado por Ray Bradbury (o autor), não servem para apagar fogos. Pelo contrário, servem para os atear, fazem fogueiras para queimar livros. Mas nesse mundo, tal como em todos os mundos que se prezem, há pessoas subversivas, capazes de fazer coisas extraordinárias pela liberdade de pensamento. Havia, nesse lugar, quem arriscasse a vida só pelo prazer de ler. Essas pessoas guardavam livros, escondiam-nos em suas casas.
A personagem principal desta história é um bombeiro, um tal Montag, que, aos poucos, se vai insurgindo contra o seu próprio trabalho de queimar literatura. Começa a ter curiosidade por ler e, um dia, salva uns livros da fogueira e desata a lê-los. Montag acaba por se tornar um foragido e, no final, encontra um grupo de pessoas que o ajudam. São homens que não têm livros, pois tê-los poderia significar o fim das suas vidas, mas não prescindiram da literatura. Tiveram uma ideia muito curiosa: passaram a viver como vagabundos e a decorar livros. Cada pessoa decorava um e até passava a ser conhecido pelo título do livro. Eram livros humanos.
Conheci, junto dessas pessoas, literatura de todo o tipo. Eram uma biblioteca com pernas e sorrisos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

GRANDE PRÉMIO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES


Paulo Varela Gomes foi distinguido, a título póstumo, com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pela obra Era Uma Vez em Goa.

Paulo Varela Gomes morreu a 30 de Abril do ano passado, aos 63 anos, mas a Associação aceitou a admissão do romance a concurso, por ter sido editado ainda em vida do autor.

Eram finalistas a este prémio, no valor de 15 mil euros, as obras Flores, de Afonso Cruz, As Claras Madrugadas, de Amadeu Lopes Sabino, Os Timorenses (1973-1980), de Joana Ruas, e O Sonho Português, de Paulo Castilho.

O júri foi constituído por José Correia Tavares, Dionísio Vila Maior, Fernando Pinto do Amaral, Isabel Cristina Rodrigues, José Manuel de Vasconcelos e Paula Mendes Coelho.

Publicado em Fevereiro de 2015, Era Uma Vez em Goa, está editado pela Tinta-da-China.

segunda-feira, 7 de março de 2016

POSTAIS SEM SELO



De resto, não é preciso ler o jornal, as notícias estão marcadas na cara das pessoas.

terça-feira, 28 de julho de 2015

POSTAIS SEM SELO


Não há nada que exponha da forma mais devastadora a nossa incapacidade de mudar o mundo do que o desejo ou o sonho de uma criança.

Afonso Cruz

Legenda: fotografia de Arthur Rothstein

domingo, 14 de dezembro de 2014

OLHAR AS CAPAS


Para Onde Vão os Guarda-Chuvas

Afonso Cruz
Ilustrações Afonso Cruz
Capa: Panóplia
Editora Objectiva, Lisboa, Outubro de 2013

Histórias de Natal – para crianças que já não acreditam no Pai Natal

O Pai Natal tem uma barriga muito grande e umas barbas enormes da cor do leite a escorrer pelo queixo.
O Pai Natal vive no Pólo Norte, no meio da neve e do frio.
Gosta muito das suas renas e passeia com elas como se fossem velhos amigos.
Por vezes, abraça-as e dá-lhe palmadas nas costas, como nós fazemos quando vemos pessoas de quem temos saudades.
Uma das coisas de que o Pai natal mais se orgulha é a sua colorida fábrica de brinquedos.
Onde os seus duendes trabalham dia e noite sem nunca se cansarem. E cantam de alegria enquanto fabricam tanta felicidade em forma de bonecas e carrinhos.
Quando as prendas estão prontas, são embrulhadas em papéis coloridos. O Pai Natal gosta especialmente dos embrulhos em que ele aparece.
Depois , o Pai Natal monta no seu trenó, diz um poema às renas para elas conseguirem voar e percorrer o mundo.
Vai distribuindo os presentes por todo o lado.
Por todas as chaminés.
E é assim que os meninos bem comportados recebem as suas prendas.
Feliz Natal!

domingo, 12 de outubro de 2014

ONDE MAIS SE TRABALHA E ONDE MENOS SE LÊ


Não há dinheiro para a educação, para a saúde, para tanta coisa mais
.
Como poderia haver dinheiro para a cultura?

Quando ouço falar de cultura puxo logo da pistola, convém não esquecer.

João César Monteiro dizia que a primeira condição para, em Portugal, se ser secretário de Estado da Cultura, é distinguir uma vaca de um boi.

Afonso Cruz deixou esta história no JL:

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


O Pai Natal passa o ano a sacudir almofadas, que é onde ficam os restos dos nossos sonhos, disse eu à minha irmã mais nova. É assim que ele sabe o que mais desejamos.

Ela fez bem em não acreditar

Afonso Cruz em O Livro do Ano

Colaboração de Sara Calisto

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


O meu pai ata as palavras umas às outras,
numa corda muito comprida.

É capaz de atravessar o espaço entre prédios
muito altos, equilibrado em cordas de palavras.

E pode saltar.

E evadir-se da prisão.

Ele chama livros às suas cordas.

Afonso Cruz em O Livro do Ano

Colaboração de Sara Calisto

Legenda. pintura de Gerard Dubois

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


Para aquecer o corpo, o melhor é uma lareira. Mas, para aquecer a parte de dentro do corpo, o melhor é ler.

Afonso Cruz em O Livro do Ano

Colaboração de Sara Calisto

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

POSTAIS SEM SELO


Quanto mais facilidade uma música tem em entrar na cabeça, mais dificuldade tem em sair.

Afonso Cruz em O Livro do Ano

Colaboração de Sara Calisto

Legenda. Desenho de Anton Pieck

terça-feira, 29 de outubro de 2013

POSTAIS SEM SELO


O meu avô passa muito tempo no parque. Diz que o problema de envelhecer não é esquecermo-nos das coisas, é que tudo se esqueça de nós.

Afonso Cruz em O Livro do Ano

Colaboração de Sara Calisto

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

OLHAR AS CAPAS


O Livro do Ano

Afonso Cruz
Capa: Panóplia
Editora Objectiva, Lisboa Junho de 2013

Caiu uma folha dum livro. Já é Outono.

Colaboração de Sara Calisto

terça-feira, 3 de julho de 2012

POSTAIS SEM SELO


Um girassol não é uma flor, são milhares de flores: aquela comunidade de flores tornou-se uma flor grande para atrair os insectos. É uma metáfora também daquilo que somos: milhares de cabeças.