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sexta-feira, 11 de março de 2022

ROSA DO MUNDO

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?

Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,

Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,

Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,

E morreram os filhos de Usna.

 

Nós passamos e passa o trabalho do mundo:

Entre humanas almas, que se agitam e quebram

Como as pálidas águas em seu fluxo invernal,

Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,

Vive este solitário rosto.

 

Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:

Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,

Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;

Ele fez do mundo um caminho de erva

Para os seus errantes pés.

 

W.B.Yeats

 Tradução de José Agostinho Baptista em Rosa do Mundo

domingo, 30 de janeiro de 2022

AO SER-ME SOLICITADO UM POEMA DE GUERRA


Em tempos como estes parece-me melhor que

A boca de um poeta tudo cale, pois na verdade

Não nos cabe o dom de corrigir um estadista;

Já se intromete bastante quem logra agradar

A uma rapariga na indolência da sua juventude

Ou a um velho numa noite de inverno.

W.B. Yeats em Poemas Escolhidos, tradução de Frederico Pedreira, Relógio d’Água

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

QUANDO ESTIVERES VELHA E GRISALHA


Quando estiveres velha e grisalha e cheia de sono

E sentires a cabeça a cair diante da lareira

Levanta-te e traz este livro para o teu colo

E lê-o devagarinho, sonhando com o suave olhar

Que tinham os teus olhos e as suas sombras sem fim:


Tantos amaram os teus momentos de graça e felicidade

E amaram a tua beleza com amor falso ou verdadeiro;

Mas só amou em ti a alma peregrina

E amou as mágoas do teu rosto enquanto mudava;

 

E debruçando-te sobre o brilho da lenha a arder,

Lembra-te em voz baixa, de como o Amor fugiu

E passeou sobre as montanhas

Escondendo o rosto entre uma multidão de estrelas.

W. B. Yeats

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O GATO E A LUA


O gato passeava aqui, ali
E a lua girava como um pião,
E, parente próximo da lua,
O furtivo gato, contemplava o céu.

O negro Minnaloushe admirava fixamente a lua,
Pois, embora miasse, vagueando,
A pura e fria luz no céu
Conturbava o seu sangue animal.
Minnaloushe corre pela erva
Erguendo as delicadas patas.
Danças, Minnaloushe, danças?
Quando dois parentes se encontram
Haverá coisa melhor do que dançar?
Talvez a lua possa aprender,
Cansada dessa moda cortesã,
Um novo passo de dança.
Minnaloushe desliza pela erva
De um lugar enluarado a outro,
E a sagrada lua nas alturas
Entrou agora numa nova fase.
Saberá Minnaloushe que as suas pupilas
Passarão de mudança em mudança,
E que da lua cheia à minguante,
Da minguante à cheia elas irão mudar?
Minnaloushe desliza pela erva
Sozinho, importante e sábio,
E ergue até a lua em transição
Os olhos em mudança.

W. B. Yeats, tradução de Ana Luísa Amaral em Assinar a Pele

Legenda: imagem Pinterest