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sábado, 17 de outubro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

«Este mundo é essencialmente antidemocrático, conflitual, com exclusão do “outro”, e legitimador da violência. Os direitos constitucionais da greve, da manifestação, não valem nada. E, mesmo quando há violação da lei por parte dos manifestantes, há uma completa duplicidade em relação às violações da lei, por exemplo, por parte do Chega. O que provocaria uma fúria nestes comentadores se o que fez Rita Matias ilegalmente em Coimbra, invadindo uma estação de rádio, fosse feito por um “esquerdalho”, ou se se vier a concluir que o “alegado” assalto ao gabinete de Ventura fosse mesmo “alegado”?

Este mundo é pobre, ignorante, agressivo, violento e muitas vezes cruel. É um mundo antipatriótico, anticristão, mas encontra pouca resposta numa denúncia clara do que ele significa. É só esperar algum tempo para percebermos a metáfora do “ovo da serpente”.

José Pacheco Pereira no Público


«Mais do que a liquidação progressiva – já de si criminosa – das liberdades e dos direitos das democracias liberais, é a violência que marca a extrema-direita como anunciadora de futuros fascismos. Por mais que Milei, Trump, Bolsonaro, Abascal ou Ventura se reclamem defensores da democracia (exigindo liberdade de expressão, moralidade política, justiça anticorrupção, etc., e procurando apresentar-se como verdadeiros democratas), eles destacam-se sempre no uso desbragado da violência, no insulto, no apelo à força excessiva na aplicação das leis e, por vezes, até à supressão física – de múltiplas maneiras – dos adversários (ou melhor, dos inimigos, porque, para eles, só existem inimigos)».


José Gil no Público

sábado, 10 de outubro de 2026

TRUMPALHADAS


 A Pena de Morte não devia ser possível em qualquer país do Mundo.

Em 1 de Julho de 1867, foi promulgada, no reinado de D.Luís, a carta de lei que abolia a pena de morte em Portugal, o que levaria o escritor Victor Hugo a escrever à Academia das Ciências de Lisboa, em 15 de Julho de 1867:

«Realizar este progresso é dar um grande passo na civilização.Desde hoje, Portugal está à cabeça da Europa.»

Nos Estados Unidos, em alguns estados, não só é permitida a pena de morte, como a é promovida a espectáculo de circo.

Copiamos da crónica de José Pacheco Pereira, hoje no Público:

«E Trump é o padrão para toda a direita radical na Europa — sabemos bem quem andou a mexer os cordelinhos para estar lá atrás na assistência da tomada de posse de Trump —, e tem o beneplácito dos ditadores como Putin, vários pequenos e obscuros ditadores asiáticos que colocou no Board of Peace, Kim Jong-un​ e Netanyahu. Não incluo o ditador chinês Xi Jinping​ porque desse ele tem medo e inveja.
Escrevo este artigo quando Trump permitiu a execução por fuzilamento de um criminoso militar. É verdade que a pena de morte é comum nos EUA, em particular nos estados republicanos, mas, depois de um ligeiro declínio, está outra vez na moda. As cenas de crueldade com a execução falhada de uma mulher já nos tinham mostrado como a violência está inscrita na sociedade americana, antes de Trump, mas agora transformada num espectáculo nestes dias de “demónios”.
Mas a decisão de transmitir em directo o fuzilamento do militar é talvez o melhor exemplo desta banalização do mal, da transformação da morte num espectáculo para educação das massas. E o mais grave é que não tenho dúvidas sobre as audiências no dia do fuzilamento, 3 de Dezembro.
Pode ser que haja recuo, porque o único motivo para Trump é o medo eleitoral na sua base de apoio, mas o mal já está feito, a intenção de Hegseth, o gnomo da guerra de Trump, foi expressa num tom quase jocoso, e cruel. Não esqueçamos que o major criminoso tem um nome árabe e presume-se que era muçulmano, o que é hoje uma garantia da majoração da pena para educação das massas MAGA dominadas hoje pelos anjos do mal, ou seja, pelos demónios.»

terça-feira, 29 de setembro de 2026

SOLTAS


Ao longo dos tempos a Casa onde viveu António Sérgio sempre viveu momentos difíceis, desde ser vendida, ao abandono a que diversas entidades a submeteram.

Há dias lia-se no Público que a Casa António Sérgio, em Lisboa, tem futuro incerto.

«Numa cave de uma moradia na Lapa, na freguesia lisboeta da Estrela, guardam-se à volta de 7500 livros que pertenciam ao pensador e ensaísta António Sérgio (1883-1969). “Aqui há de tudo: desde química até filosofia”, nota a técnica documentalista Sónia Queiroga. “Muitos têm dedicatória ou anotações e vários eram oferecidos.” Uma sala ao lado reveste-se de diversas publicações sobre cooperativismo e economia social ou de obras da autoria do próprio António Sérgio. Neste depósito, há ainda espólios de outros autores.

Com um acervo único, a Casa António Sérgio, em Lisboa, tem um futuro incerto
Neste momento, a Casa António Sérgio tem o seu destino em aberto. Nos últimos anos, este tem sido um espaço gerido pela CASES, cuja dissolução foi recentemente aprovada, após a saída do Estado como seu membro. Funcionários e direcção alertam para um património “único” que se pode perder. Em relação ao seu proprietário, a Câmara de Lisboa, que o tem cedido desde 1982, refere que possíveis mudanças ou desenvolvimentos serão analisados em “momento oportuno”.».

A imagem em cima, mostra um recorte do Diário de Lisboa de 5 de Janeiro de 1980 em que se noticiava que um incêndio,dado o abandono que rodeava o edifício, ocorreu na casa onde viveu António Sérgio. 

1.

«A amizade é uma coisa muito complexa… É-se amigo de alguém, na minha opinião, quando se cria uma exigência em relação a essa pessoa extremamente utópica. Isto é: quando se pretende que essa pessoa seja o próprio em melhor. Eu sou amigo de alguém, exigindo dele coisas que não sei que não sei capaz de fazer.»

José Cardoso Pires

2.

Os cortes orçamentais estão a levar as organizações de apoio aos refugiados ao "ponto de rutura" em áreas cruciais, onde cerca de 8,3 milhões de pessoas arriscam ficar sem ajuda este ano, alertou esta terça-feira a ONU.

"A proteção não pode ser reduzida indefinidamente sem provocar o colapso dos sistemas", disse o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Abaixo de um determinado limiar, os serviços não se limitam a atingir menos pessoas, alertou.

"Podem deixar de funcionar por completo, deixando os mais vulneráveis sem a proteção de que necessitam", sublinhou Dominique Hyde, diretora de relações externas do ACNUR, por ocasião da publicação de um relatório da organização, sedeada em Genebra, na Suíça.

3.

Desde que os EUA iniciaram a onda de ataques ao Irão, a 28 de fevereiro deste ano, não foram só o preço dos combustíveis e a conta do supermercado que passaram a pesar mais no orçamento das famílias. O Banco Central Europeu aumentou por duas vezes as taxas de juro, a última das quais a 10 de setembro, em 0,25 pontos percentuais. Quem tem crédito à habitação com taxa variável - quase um milhão de famílias, segundo dados oficiais do Banco Portugal -, viu as prestações escalarem, para lá, em alguns casos, dos 100 euros.

4.

«Mussolini era mau, mas fazia chegar os comboios a horas), passaram a servir de inspiração e legitimação sem qualquer pudor, nem rigor.»

José Pacheco Pereira no Público

5.

São mais de 32,5 milhões por ano para pagar as 381 novas reformas acima de cinco mil euros da Função Pública até setembro. Médicos, administradores hospitalares e juízes lideram a lista de reformados e aposentados pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) este ano, onde estão nomes como Carmona Rodrigues, Maria de Lurdes Rodrigues, Barradas Leitão ou José João Abrantes.

O número de novas reformas acima de cinco mil euros brutos na Função Pública caiu ligeiramente face a 2025, mas os gastos subiram. As reformas de 381 novos pensionistas dariam para pagar aos 3212 recém-reformados com menos de mil euros.

sábado, 13 de junho de 2026

A PROVA DE QUE O RIDÍCULO NÃO MATA


«Esta imagem é uma imitação das que Trump publica todos os dias e em que se apresenta com diferentes trajes e posturas, desde Jesus Cristo ao Capitão América. Se vivêssemos num mundo normal, o narcisismo patológico de Trump já o teria levado a ser internado numa instituição para doentes mentais. O homem mais poderoso do mundo está louco, certificado por muitos médicos e psiquiatras, e a sua loucura tem aberto um caminho perigoso para tornar os EUA uma ditadura, e dado origem a muitas mortes, destruição de vidas e famílias, invasões, vinganças, ameaças e uma perturbação mundial dos equilíbrios geoestratégicos sem qualquer ideia de fundo, mas apenas caos e errância. O pior retrato dos anos que vivemos é esse homem poder continuar a estragar as poucas coisas que as democracias e o primado da lei e do direito tinham adquirido, poucas coisas, mas raras e boas, no meio de um mundo que já era, em si mesmo, muito mau. Trump valorizou todas as coisas más e está a destruir as boas.

André Ventura é o nosso discípulo de Trump. Tem muito de comum com Trump, a violência, a crueldade, o conteúdo vingativo contra os mais fracos, o combate à empatia, nos dias de hoje, um programa anticristão, criticado com severidade pelos bispos portugueses e pelos Papas. O “Deus” da legenda no cavalo é mais o do Jeová do Antigo Testamento e menos o de Cristo no Novo, ou melhor ainda não é Deus nenhum, porque o “Deus” é o que está a montar o cavalo.

O título que dei a este artigo, a prova de que o ridículo não mata, aplica-se à letra. Para além da enorme prosápia, tudo está errado nesta imagem. O grande anacronismo é obviamente a bandeira jacobina, que, mesmo sendo a nossa bandeira nacional, tem uma história e um conteúdo totalmente incongruentes com o cavaleiro e cavalo, as duas imagens mais fortes. Convém lembrar que, quando a República escolheu a actual bandeira, muitos republicanos e monárquicos ficaram furiosos pelo abandono do branco e azul. Não tenho nenhuma dúvida de que, se esse debate fosse hoje, Ventura estaria com os monárquicos contra a bandeira “ideológica” da República.
 
Compreende-se, a actual bandeira nacional recupera a bandeira revolucionária do 31 de Janeiro e do 5 de Outubro, com origem na Carbonária, escolhendo o verde, a “cor que, segundo Augusto Comte, mais convém aos homens do porvir”, como se diz no relatório oficial da bandeira. Comte e o positivismo, Carbonária, República revolucionária, pouco têm que ver com o “Deus, Pátria e Família" e com o programa político do cavaleiro medieval que a segura. Na verdade, valia mais usar a bandeira da Mocidade Portuguesa.

Como a imagem foi feita com inteligência artificial e ninguém tinha a cultura mínima para a rever, os erros abundam. O castelo de fundo nada tem que ver com os castelos medievais, mas sim com os pastiches românticos que vão desde Sintra à Penitenciária de Lisboa. Mas, na verdade, a ideia dos pastiches, se calhar, tem todo o sentido. A procissão que aparece ao lado tem também anacronismos semelhantes. Liderada pela bandeira jacobina, atrás vão as cruzes. Pode ser liberdade poético-política, mas estas falsificações têm um significado.

O “Deus, Pátria e Família” também tem uma história maldita e de novo convém lembrar que os mais recentes Papas criticaram essa trilogia, a começar por Bento XVI, falando da “Família” como sendo a “família universal”, ou seja, ciganos, monhés, banglas, etc., acima do nacionalismo.

Mas é Salazar a sua inspiração, como se vê nesta imagem, toda ela um programa: homem a regressar do trabalho no campo, a mulher a cozinhar, o filho vestido da Mocidade Portuguesa e a cómoda com um pequeno altar. Este é o mundo imaginário do Chega e de Ventura, e mais valia admiti-lo na sua inspiração salazarista sem rodeios.

Quanto ao significado do conjunto da imagem de Ventura, tenho mais sugestões para novas imagens: D. Miguel, um Inquisidor, Salazar, Silva Pais, e muitos outros, dos protagonistas da ditadura aos Integralistas Lusitanos, os cavaleiros da Monarquia do Norte, etc., etc. Hesitei em sugerir Miguel de Vasconcelos, em parte uma provocação que não vale a pena, mas por outro lado mais certeira, porque Miguel de Vasconcelos era um patriota dos espanhóis, e Ventura e o Chega são patriotas dos americanos de Trump e fecharam os olhos à nossa soberania teórica da base das Lajes.

O que isto tudo revela é que esta política do cavaleiro branco vai ao mais fundo da nossa ignorância e que, se Ventura quer fazer de cavaleiro medieval, talvez se arranje uma máquina de viajar no tempo para o enviar para o século XIV, uma época, apesar de tudo, complicada pelas jacqueries que não gostavam deste tipo de cenas. Essa máquina chama-se crítica política, voto e primado da lei, democracia.»

José Pacheco Pereira no Público de hoje.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


O Partido e a guerracolonial, pág. 293 do 4º volume da Biografia de Álvaro Cunhal:

«Onde melhor poderemos lutar contra a guerra é lá onde ela se faz e junto daqueles que a fazem e junto dos milhares de jovens soldados que nessa guerra estão envolvidos. É aí, dentro dos quartéis, nos momentos de embarque e no próprio campo de batalha, que os comunistas e todos os jovens progressivos podem mobilizar os soldados para acções a atitudes objectivamente contra a guerra e neutralizar a influência e as ordens dos comandos e oficiais fascistas. Podem agir de modo que, onde as tropas fascistas poderiam obter uma vitória, tenham uma derrota». 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 Da pág. 412 do 3º volume da Biografia de Álvaro Cunhal :

Das janelas das celas pouco se via, embora num poema de Borges Coelho se diga que «em dias claros vê-se a Nazaré.»  A presença do mar era uma constante e os poemas escritos pelos presos de Peniche fazem-lhe constante referência, quer como uma metáfora de liberdade, quer como fonte de perturbação, pelo seu ruído regular, do estado de espírito dos presos. A ambivalência de registos é ainda maior quando o texto é escrito por alguém do «exterior», como é o caso do poema de David Mourão Ferreira,

 

Abandono

 

Por teu livre pensamento

Foram-te longe encerrar

Tão longe que o meu lamento

Não te consegue alcançar

E apenas ouves o vento

E apenas ouves o mar

Levaram-te a meio da noite

A treva tudo cobria

Foi de noite numa noite

De todas a mais sombria

Foi de noite, foi de noite

E nunca mais se fez dia.

 

Ai! Dessa noite o veneno

Persiste em me envenenar

Oiço apenas o silêncio

Que ficou em teu lugar

E ao menos ouves o vento

E ao menos ouves o mar!

 

Este poema, cantado por Amália Rodrigues ficou conhecido como «Fado Peniche», e aqui o mar e o vento são vistos como sinal de vida e esperança.

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal

O Prisioneiro

(1949-1960)

Volume III

José Pacheco Pereira

Capa: António Rochinha Diogo

Temas e Debates, Lisboa, Fevereiro de 2006

Uma «biografia política de Álvaro Cunhal não pode ser feita apenas dos eventos directamente relacionados com o prisioneiro, porque o biografado associou como poucos a sua vida pessoal com a história do comunismo português. Não há na sua visa adulta uma frase que tenha escrito, um desenho que tenha feito, um acto de que tenha sido responsável que não tivessem como interlocutor privilegiado o PCP. Por isso, não pode compreender Cunhal, mesmo nos seus anos de maior isolamento, sem relação total com o partido de que fazia parte.

terça-feira, 2 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Staline nunca percebeu  porque razão é que Shostakovich não lhe dedicou uma das suas obras principais e insistia em passar em claro todas as sua vitórias políticas sem uma sinfonia, ou um quarteto, ou uma ópera, ou mesmo uma canção.

Vladimir Zak citado por José Pacheco no 2º volume da biografia de Álvaro Cunhal.

Legenda: Dimitri Shostakovich

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Página 558 do 2º volume da Biografia de Álvaro Cunhal:   

«E foram também intelectuais comunistas que traduziram esteticamente o carácter «heróico» do momento. O conjunto de canções que Fernando Lopes-Graça compôs, no entusiasmo dos dias iniciais do MUD, foram talvez a mais importante herança simbólica de um movimento que parecia imparável e em que tudo parecia possível.

Vieram a ser publicadas na Seara Nova, nos finais de 1945 com poemas de José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira e Arquimedes da Silva Santos, todos militantes ou simpatizantes comunistas. Uma canção intitulada «Companheiros, Unidos!» era apresentada como «hino do MUD», falava de «um combate que vença e que mate – servidão, reacção, escuridão!». Mas a que ficou mais célebre foi «Jornada», com letra de José Gomes Ferreira, que se tornou o verdadeiro hino da oposição portuguesa popularizado que foi pelo MUDJ».

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Página 462 do 1º volume da Biografia de Álvaro Cunhal, carta de Cunhal a Mário Soares (27.12.1941) agradecendo os votos natalícios e de Ano Novo:

«Caro Mário Soares

Muito obrigado pela sua gentileza.

Espero que o ano de 42 traga uma nova felicidade aos homens de todos os países.

É, acima de tudo, esta felicidade geral que as pessoas dignas podem desejar. Entretanto, cada qual tem a possibilidade de encontrar satisfações no esforço próprio, no trabalh, e num comportamento honrado.

Pedindo-lhe que transmita os meus cumprimentos a seu Ex.mo Pai,

Saúdo-o cordialmente

Álvaro Cunhal»

quinta-feira, 28 de maio de 2026

O QU'É QUE VAI NO PIOLHO?


 

 José Pacheco Pereira sobre O Evangelho Segundo S. Mateus de Pasolini, publicado no Diário de Lisboa-Juvenil 7 de Março de 1967.

sábado, 25 de abril de 2026

COMEMORAR A "REVOLUÇÂO MISERÁVEL"


 O 25 de Abril, “essa revolução miserável”

André Ventura


«Cada pessoa na rua hoje vai mais do que comemorar, resistir. Resistir a quê? À manipulação da memória da revolução do 25 de Abril, à cuidadosa transformação da guerra colonial numa designação geográfica, a “guerra da África”, ou na “guerra no Ultramar”, a comparações absurdas entre abusos pontuais e muitos milhares de actos de violência e humilhação dia após dia, ano após ano, que duraram 48 anos. Já para não falar dos massacres, execuções sumárias, “heróis” assassinos que se especializaram em atirar granadas incendiárias contra mulheres e crianças.

Resistir a quê? Ao Chega. As manifestações do 25 de Abril este ano serão contra o Chega, contra o novo ambiente político de crueldade e agressão, e contra o ataque à “revolução miserável” feito por aqueles que gostavam da ditadura e das suas violências, por uma série de motivos, nenhum nobre e que esconderam pela censura, corrupção e prepotências quotidianas.»

José Pacheco Pereira no Público

sexta-feira, 24 de abril de 2026

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


De 22 de Abril e até 30 de Junho, de sexta a domingo, das 10h às 18 horas, com entrada gratuita, nos Pavilhões da Mitra, espaço da Santa Casa, a exposição “Armas de Papel – Imprensa e Publicações Clandestinas (1926-1974)” . Esta mostra do arquivo da Associação Cultural Ephemera cobre todo o período da ditadura e todas as correntes políticas e ideológicas perseguidas, como o republicanismo democrático, o anarquismo, o comunismo, o socialismo, o catolicismo progressista ou o esquerdismo.

A exposição revela a comunicação clandestina na luta contra o regime através de uma coleção com origem em doações e aquisições, quer de instituições, quer de pessoas individuais, algumas das quais tiveram um papel relevante na própria produção e distribuição de materiais clandestinos. Presentes na Mitra estão documentos do espólio de Carlos da Fonseca (doados pela Fundação Gulbenkian), de Francisco Martins Rodrigues, de José Miguel Carvalho, de José Pacheco Pereira, aquisições de coleções do Avante!, entre outros.

Armas de Papel também é um livro que José Pacheco Pereira publicou, em Março de 2013 na Temas e Debates/Círculo de Leitores.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

À LUPA

«A propósito do absurdo momento televisivo entre Pacheco Pereira e André Ventura, tem sido recordada a recomendação de George Bernard Shaw: não se deve lutar com um porco, pois enquanto este gosta, quem entra na peleja fica inapelavelmente enlameado. Infelizmente, já estamos num tempo diferente, no qual a sujidade se expande em ondas incontroláveis, que nos envolvem a todos. A explicação está num equívoco sobre o que é ser democrático.»

Pedro Adão e Silva no Público

segunda-feira, 6 de abril de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

José Pacheco Pereira, ontem, no programa Princípio da Incerteza na CNN, abordando o lamentável discurso do presidente «daquela coisa», por ocasião do 50º Aniversário da Constituição de Abril, acusou André Ventura de recorrer a “todas as formas de mentira” - desde a falsidade direta à omissão e à sugestão enganosa -, rejeitando a ideia de que o discurso possa passar sem resposta.

“Eu tenho uma regra que é um insulto não se leva para casa, que é uma regra básica e como gosto do meu país e gosto de Portugal, não gosto, evidentemente, das pessoas que são moles. E o insulto aqui é de todas as pessoas que lutaram contra a ditadura antes do 25 de abril. Na intervenção do André Ventura, ele utilizou todas as formas de mentira”, afirmou.

Ao mesmo tempo lançou um repto a André Ventura:

«Organizemos um debate sobre estas coisas com as seguintes características. Duas eu acho fundamentais. Um debate dura pelo menos uma hora e a segunda é que cada afirmação que cada um de nós faça tem que ser documentada. Tem que ser documentada, porque não adianta estar a vir com coisas. Se eu disser que morreu este por causa daquilo, eu documento. Se eu disser que a violência nas colónias tem estas características, eu documento. E a mesma coisa espero que o André Ventura faça. Claro que havia uma outra regra que valorizava, eu termino já, que valorizava no fundo o debate, que era que não houvesse ataques pessoais, mas eu aceitarei essa regra se o André Ventura aceitar igualmente esta regra".

Muitos e variados são os que ajudaram «aquela coisa» ao que despudoradamente são. 

Alexandra Leitão, no mesmo programa da CNN:

«O Chega nem sequer mente ao que vem. Querem acabar com o regime que saiu do 25 de Abril e que está hoje consagrado na nossa Constituição. Querem outro regime e querem outra Constituição. E, portanto, é nestas três linhas que se insere o discurso e quebrando até um consenso que havia relativamente à Constituição de 76. Claro, teve sete revisões constitucionais, todas elas melhoraram o texto constitucional, é evidente que a revisão constitucional de 82 foi fundamental para por fim há aquele período transitório com o Conselho da Revolução. Isso é tudo verdade. Mas até o CDS, que agora se radicalizou para ser uma espécie de Chega 2, mas até o CDS sempre teve, sempre viveu neste regime, sem pôr em causa a Constituição de 76, apesar de originalmente ter votado contra ela. Agora é que se radicalizou a achar que a receita do Chega lhes vai servir a eles também. E quebram este consenso em torno da Constituição em nome da criação de uma quarta república, que eu duvido muito que se for algo gizado pelo Chega seja uma república democrática. Duvido muito".»

Muitos e variados são os que ajudaram «aquela coisa» ao que despudoradamente

são.»

Ficamos à espera, sem muita esperança, que resposta o presidente «daquela coisa»

irá dar!

sábado, 7 de março de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

A semana, prestes a terminar, foi marcada pela loucura trumpiana, pela tentativa do passismo, não se sabe bem como, a morte física de António Lobo Antunes, sim porque os livros estão ali, naquela parte da estante, apenas à espera de serem relidos uns, lidos outros.

Sobre o passismo deverá ler-se o artigo de José Pacheco Pereira no Público de hoje.

«Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo».

Atente-se nesta frase que marca os nossos dias:

«O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita».

sábado, 21 de fevereiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


 «Se o Governo quer agradar a Trump, pode fazê-lo de muitas maneiras. Por exemplo, cria um Prémio Nobel da Paz das capoeiras, com um galo de Barcelos de ouro, cheio de coraçõezinhos, e vai lá entregá-lo, com pompa e circunstância, ao imperador do mundo, dizendo-lhe que ele é “rei” das capoeiras. Ele ficará excitado com o tratamento de “rei” e… agradecerá a Espanha.»


Na sua crónica semanal no Público, José Pacheco Pereira indigna-se com a vergonha que o nosso governo lhe dá.

Portugal vai fazer parte “como observador” do Conselho da Paz de Trump? Que vergonha! E vai ao beija-mão de Trump em Washington? Parece que não vai ao primeiro, mas vai aos outros. Será que Portugal vai pagar a senha de entrada que Trump exigiu de 800 milhões de euros? Já nada me admira.

O nosso “observador” não viu anteontem Trump adormecer, trocar os nomes todos, e fazer vários comentários sobre o aspecto do Presidente do Paraguai, que considerou “bonito”? Depois especificou que não gosta de homens mas de mulheres, para não ser mal interpretado… E foi assim.

Na Europa, os países que ainda têm uma réstia de dignidade como a Espanha, a França e a Suécia, pelo menos, disseram que não, a Hungria disse obviamente que sim, e Itália, Roménia, Bulgária, Grécia, Eslováquia e Chipre aceitaram estar como observadores. Olhem para os países que são membros-fundadores e percebe-se logo de que lado Portugal está: Albânia, Argentina, Arménia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Camboja, Egipto, El Salvador, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Vietname…»

domingo, 7 de dezembro de 2025

ASSIM ERA E NÃO O QUE HOJE É...


Para Luís Montenegro e seus acompanhantes, recorda-se o que Sá Carneiro quis que o então P.P.D. fosse.

Legenda: folheto da exposição que a Ephemera tem patente na Mitra em Lisboa até 31 de Janeiro de 2026

sábado, 6 de dezembro de 2025

PORTUGAL É O MELHOR PAíS DO MUNDO? NÃO É!

«Comecemos pelo nacionalismo, que é no caso actual exactamente igual no discurso, no tempo e no modo, ao do Estado Novo. A frase de que “Portugal é o melhor país do mundo” é falsa. Não é, é um país pobre, em que muitos portugueses vivem na pobreza, com elites sem coragem e cada vez mais ignorantes, distraído dos seus problemas pelo futebol e pelos reality shows, com criminalidade assente na violência doméstica e na corrupção, com uma política do grau zero. Tudo isto não é fruto de cinquenta anos de democracia, bem pelo contrário, o que há de melhor na nossa história recente deve-se ao 25 de Abril, à liberdade, à democracia, ao enorme desenvolvimento que uma fotografia aérea revela melhor do que quaisquer palavras, e que todas as estatísticas mostram.»

José Pacheco Pereira no Público