Ensaios
Tomo IV
António Sérgio
Guimarães Editores, Lisboa, Fevereiro de 1959
Por sacrificarmos o desgraçado agrícola (só o Mouzinho da Silveira é que pensou nele) e por não corrigirmos o ambiente geográfico como nosso «sacrifício e diligência», não colhemos da terra o que se deveria colher; por não cooperativizarmos os pescadores, não tiramos da pesca o seu máximo proveito máximo; por carência de um bom sistema de educação, por falta de difusão de instrução primária (pois não está o povo, desde que existe, «deixado à disposição da natureza»?) não tiramos partido dos dotes inatos, de numerosas aptidões que a natureza pródiga faz surgir nas ladeias de Portugal. Assim é agora, como já era então. Quase não há cultura, não é só um escol de catividades mentais (filósofos, cientistas, escritores, artistas) que vem falar à comunidade: são os próprios homens de objectivos práticos, desde os piedosos aos capitães.

Sem comentários:
Enviar um comentário