Alberto
de Lacerda e Exílio veio naquela vaga em
que pedi ao meu pai que me ajudasse a encontrar os novos poetas portugueses. O
meu pai não era um conhecedor dessa poesia, mas tentou encontrar quem o
ajudasse. Disseram-lhe que o melhor caminho era a Colecção Poetas de Hoje,
editada pela Portugália Editora.
A
vantagem desta colecção única, para além da qualidade dos poetas, residia no
facto de a Portugália convidar um poeta para fazer a apresentação do autor.
A
Alberto Lacerda calhou o grande poeta e amigo António Ramos Rosa.
Exílio é o nº 13 da Colecção Poetas de Hoje.
Lembro que a poesia de Alberto Lacerda trouxe-me dificuldades, só muito mais tarde
debeladas. Nem todas.
Nascido
na Ilha de Moçambique, passou pelo Brasil, pelos Estados Unidos e viveu mais de
50 anos em Londres.
O
poeta, crítico, e seu grande amigo, Eduardo Pitta, escreveu que Alberto de
Lacerda «nunca acertou contas com Portugal que não passou de um intervalo na
sua vida.»
Alberto
de Lacerda é uma das grandes vozes da poesia portuguesa da segunda metade do
século XX.
Poucos repararam. Muitos, oh! tantos, tantos, continuam sem reparar.
Morreu
em Londres, tinha 78 anos, a 26 de Agosto de 2007.
John
McEwen, o crítico de arte com quem tinha combinado almoçar nesse domingo,
estranhou o atraso e acabou por arrombar a porta.
Escreveu
Eduardo Pitta:
«Alberto de Lacerda
ainda estava vivo, porém em coma. Morreria horas depois. Conhecendo-o como
conheci, sei que teria apreciado o detalhe final.»