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quarta-feira, 11 de março de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Quem não nos deu amor não nos deu nada.

João Rui de Sousa

Legenda: pintura de Nikolay Bogdanov

domingo, 28 de janeiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Jorge de Sena Vinte Anos Depois

Edições Cosmos, Lisboa, Março de 2001

 A Câmara Municipal de Lisboa organizou, através das suas Bibliotecas Municipais, um Colóquio para assinalar os vinte anos da morte de Jorge de Sena. As actas deste Colóquio deram origem ao presente volume. Integrado neste encontro tiveram lugar outras manifestações como o visionamento dos filmes «Os Salteadores» de Abi Feijó, e «Sinais de Fogo», um recital de poesia dita por Luís Lucas, música tocada por Nuno Vieira de Almeida, baseado no livro «A Arte Da Música», livro de Jorge de Sena publicado em 1968 e mais tarde incluído em «Poesia II» editado em 1988.

Colaborações, entre outros:

Joaquim-Francisco Coelho, Almeida Faria, Fernando Guimarães, João Rui de Sousa, Eugénia Vasquies, Luís Francisco Rebello, Jorge Fazenda Lourenço, Eugénio Lisboa, José-Augusto França.

«À morte de Jorge de Sena, em 1979, fiz uma aula de História da Arte na minha Universidade, com a leitura deste poemas, uns atrás dos outros, e projecção das obras referidas – e foi,  assim somente, uma lição com certeza mais útil do que todas  as mais que dei na minha cadeira. Pela emoção intelectual e sensitiva que nenhum outro poeta português poderia assim provocar, em conhecimento vivido ou convivido, de obras de arte ao longo de mais de dois mil anos…»

 

Do texto de José Augusto França.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

É SEMPRE DE UM OUTRO PARA UM OUTRO


 

A João Rui de Sousa pelo seu aniversário


Il ne se passe pas grand - chose... mais à condition d´être suffisamment attentif,

on trouve toujours des petits détails à raconter

Patrick Deville (Longue Vue)


...é sempre de um outro para um outro

no vazio numa distância

num espaço branco

propício à imagem

a uma metamorfose talvez

talvez porque

não perdemos a possibilidade de admirar

o simples insignificante na singularidade indizível

talvez o espaço a cor o gosto

de respirar através de uma sombra

o gosto de um fruto

um fragmento do indivisível

e a ignorância de ver

no ébrio entusiasmo paciente

de sermos nada

na lentidão vaga da visão

entre duas cores ou dois matizes de uma cor

o amarelo e o dourado

a música de uma sombra diluída

fronteira flutuante entre duas sílabas

um pequeno pormenor a génese indecisa

de um começo

de uma outra sintaxe

que respira

como o azul no cinzento

a cor viva de um enigma amoroso

 

 Não sei se respondo ou se pergunto.

Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.

Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.

De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.

A minha tristeza é a da sede e a da chama.

Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.

O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.

Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.

Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.

Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.

Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.

Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.

Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

António Ramos Rosa

Desenho pintado por Aida Santos

sábado, 7 de setembro de 2019

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Neste número 7 das Notícias do Bloqueio encontramos poemas de:

Joaquim Namorado
João Rui de Sousa
Alexandre O’ Neill
Jean Todrani, poemas traduzidos por Egito Gonçalves

Em separata, um desenho de Domingos Pinho a ilustrar o poema Ode de Mário Dionísio.



domingo, 9 de julho de 2017

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Cada vez me espanto mais com os recortes que guardei ao longo dos anos sobre as coisas mais variadas e muitas – hoje – inexplicáveis.

Não é o caso do Suplemento Literário de A Capital dos dias 20 e 27 de Agosto de 1969.

Bons tempos em que havia suplementos literários, havia divulgação cultural, havia, boa ou má, crítica literária.

Esta é a apresentação que Maria Teresa Horta escreveu para o suplemento de 20 de Agosto:


Poemas e poetas antologiados:

Identidade – Miguel Torga
A Bicicleta pela Lua Dentro – Herberto Helder
XXVII – José Gomes Ferreira
Renúncia – Florbela Espanca
Fado para a Lua de Lisboa – David Mourão-Ferreira
Noite de Verão – Manuel da Fonseca
Noite Fechada – Cesário Verde
17 – João Apolinário
Apolo – Sebastião da Gama
Quando a Lua Vier Tocar-me o Rosto – Ana Hatherly
Lua – Sophia de Mello Breyner Andersen

Do poema de Manuel da Fonseca os Trovante fizeram uma canção que consta do álbum «Terra Firme» de 1987:



 Esta é a apresentação que Maria Teresa Horta escreveu para os depoimentos que solicitou:


Responderam ao inquérito:

José Gomes Ferreira, João Rui de Sousa, E,M, de Melo e Castro, David Morão-Ferreira, Maria Alberta Meneres, Manuel da Fonseca, Ana Hatherly.

Do depoimento de Maria Alberta Meneres:

«Nunca me preocupei com o lugar que a Lua tem ou não ocupado na minha poesia. Mas hoje, 14 de Agosto de 1969, lembrei-me de me preocupar. E descobri esta coisa espantosa, de perfeitamente inesperada: em vez de me ter sentido atraída, parece que devo ter tido sempre um certo medo da Lua!
Para mim agora a Lua é essencialmente um lugar. Não sei se os poetas continuarão a falar nos seus poemas da Lua de que falavam, ou de outra Lua de nunca falaram, nem sei mesmo se seria da Lua que eles falavam quando falavam da Lua. Eles o saberão ou não.
Eu apenas sei de mim: porque hei-de deixar de falar da Lua nos meus poemas, quando me apetecer, se a Lua sendo um lugar, pode ser meu caminho de passagem para outros lugares?»

Este é o depoimento escrito que José Gomes Ferreira enviou para Maria Teresa Horta:

terça-feira, 25 de maio de 2010

SOCIEDADE PORTUGUESA DE ESCRITORES (07)

Aproveitando aquela floresta de enganos que ficou conhecida na história como “primavera marcelista”, Urbano Tavares Rodrigues escreveu no “República” de 28 de Outubro de 1968, um artigo em que falava da “urgente necessidade do restabelecimento da Sociedade Portuguesa de Escritores.”

O apelo teve eco e os escritores mobilizaram-se para que voltassem a ter uma casa que os representasse.

A 13 de Março de 1970 o “Diário De Lisboa” noticiava:

“Cerca de 125 escritores presentes (ou representados) numa reunião, ontem à noite, realizada na Casa do Alentejo, aprovaram unanimemente, na generalidade, o projecto de estatutos da Associação de Escritores Portugueses (ou Associação Portuguesa de Escritores: a escolha ficou deferida para final). “

Em 28 de Setembro de 1972 o “República” noticiava:

“A novel Associação Portuguesa de Escritores, cuja criação foi agora autorizada por despacho do Ministro da Educação Nacional, nasce ao fim de três anos de esforços e cerca de treze meses volvidos sobre a Assembleia-geral que determinou a sua formação. Nos fins prosseguidos sucede à Sociedade Portuguesa de Escritores, dissolvida em 1965”O escritor Manuel Ferreira diria:
“Foi ganha a penas a primeira batalha”.Na tarde de 13 de Abril de 1973, no 13º Cartório Notarial de Lisboa, à Rua das Portas de Santo Antão, quinze sócios oficializaram a fundação da Associação Portuguesa de Escritores.

A 7 de Junho desse mesmo ano, eram eleitos os primeiros corpos gerentes da Associação Portuguesa de Escritores.

Direcção:
Presidente: José Gomes Ferreira
Vice-Presidente: Manuel Ferreira
Vogais: Casimiro de Brito, José Saramago, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen e Rogério Fernandes
Suplentes
Álvaro Guerra, António Modesto Navarro, Gastão Cruz, Isabel da Nóbrega, Maria Alberta Meneres, Maria Amélia Neto e Nuno Júdice
Assembleia-geral
Presidente: Sophia de Mello Breyner Andresen
Vice-Presidente: Alexandre Babo
Vogais: E.M. de Melo e Castro e Fernando Assis Pacheco
Suplentes: Eduardo Prado Coelho e Maria Isabel Barreno
Conselho Fiscal
Presidente: Faure da Rosa
Vogais: João Rui de Sousa e Mário Ventura
Suplentes: Armando da Silva Carvalho e Vasco Miranda

A 14 de Junho de 1973, em cerimónia realizada na Casa da Imprensa, tomavam posse, para o triénio 1973-1975, os Corpos Gerentes da Associação Portuguesa de Escritores.

“Devo declarar que considero a aceitação do cargo em que fui agora empossado o primeiro acto verdadeiramente poético da minha vida.”, disse José Gomes Ferreira no seu discurso de tomada de posse.

Só um poeta ousaria ser presidente de uma associação sem sede, sem dinheiro, sem nada.
A sede da Associação situou-se na Rua do Loreto, num 2º andar, bem por cima do velho piolho que toda a Lisboa conhecia: o "Loreto"