Diário de Notícias, 2 de Março de 2011.
domingo, 22 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 16 de setembro de 2024
DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO
«Ritz» foi a marca dos últimos cigarros que o pai fumou.
Já o disse:
um dia apanhou um susto, colocou o maço de lado e nunca mais lhe tocou. Um
gesto que lhe permitiu viver mais uns anos do que aqueles que não teria vivido,
se não cortasse com os cigarros. Cigarros que, como ele dizia, lhe poderiam
provocar a morte, mas também o ajudaram a viver. Lembra-se que fumava três
maços de cigarros «Unic», tabaco negro, a bela conta de três maços por
dia
Quando deixou
de fumar permitiu sempre que fumassem junto dele.
Há dias na
sua crónica do Público de 30 de Agosto, Ana Cristina
Leonardo conta esta história:
«Dou
por mim a recordar uma viagem a Madrid (tudo por conta do madrileno Javier
Marías, mesmo se infeliz e prematuramente morto). Num restaurante, um amigo
acende um cigarro após a refeição. Discretamente, assinalo-lhe um velho muito
velho que almoça numa mesa perto de nós. Percebendo o meu gesto, logo o
velhíssimo espanhol comenta: “No se preocupe! Fume usted lo que quiera. Yo ya
no puedo fumar pero el humo me estimula...”. Era ainda o tempo do Madrid me
mata. E o tempo continua a matar-me (nos), embora com muito menos graça (basta
pensar em Pedro Sánchez).»
1.
Na breve
proximidade do 5 de Novembro, quando ficaremos a saber que presidente querem os
americanos escolher, lembremos o que há alguns anos disse Woody Allen:
«Jamais imaginei que Donald Trump
quisesse ser presidente dos Estados Unidos. Jamais imaginei que ele o
conseguisse.»
Serão os
americanos que têm, no boletim a depositar nas urnas, o desfecho do que irá
acontecer.
Entretanto,
pelo mundo fora, vamos sabendo o que determinados líderes estrangeiros
querem que aconteça: a eleição de Donald Trump:
Os que
seguem, já sabemos o que querem, mas há mais:
Vladimir
Putin, presidente da Rússia
Benjamin
Netanyahu, chefe do governo de Israel
Viktor Orbán,
primeiro ministro da Hungria
Javier Milei,
presidente da Argentina
Kim Jong-Lin
– líder da Coreia do Norte
No meio do
carrossel pode ser que Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, se bem que não
tenha direito a voto, afine a pontaria e deixe de estar na dúvida para onde vai
a sua preferência.
2.
Por cada dois
professores que se aposentam só se forma um. Em cinco anos formaram-se
7755 professores, aposentaram-se 11 mil e saem mais quatro mil só em 2024
3.
Lisboa é a
terceira cidade da Europa a abrir mais hotéis.
Até 2026 terá
36 novos hotéis, com 4.425 quartos.
4.
Uma
reportagem publicada no Expresso de 23 de Agosto perguntava:
«Porque engorda o preço da bola de
Berlim na praia?
Na
generalidade a bola de Berlim é vendida a 2,00 euros
5.
Quase 3
mil trabalhadores ficaram sem emprego nos primeiros meses do ano.
6.
Enfim, ter cães dentro de um apartamento dá uma trabalheira dos demónios. Mas ir passeá-los às sete da manhã e depois mais tarde, viver numa casa atulhada de pêlos de cão e ainda partilhar – quantas vezes – a cama com o cão, é hoje considerado um ideal perfeito de vida. Os cães e gatos silenciosos passaram a filhos de substituição e são tratados como tal. Acho que não sou só eu que acha isto uma loucura colectiva em que os valores estão todos trocados.»
7.
No obituário da morte de Ana Faria , publicado no Público, podia ler-se:
«Numa entrevista ao Jornal de Notícias (JN) em
2004, disse:
"Trauteava músicas eruditas com letras minhas em português e isso
despertou a atenção dos meus filhos e dos seus amigos. Todos queriam ouvir-me
cantar. Depois, dava-lhes a ouvir o original." E daí nasceu Brincando
aos Clássicos (1982), um disco cheio de adaptações de
temas de compositores clássicos como Beethoven, Mozart, Chopin ou Verdi,
transformados em canções para um Luís que "nunca foi a Paris", uma
Clara com medo das pombas, uma Catarina tão tagarela que até "dá dores de
cabeça" ou um Miguel "de olhos de mel".
João Carlos Calixto não tem dúvidas de que estes álbuns foram
"importantíssimos para a educação do gosto de tantas e tantas crianças de
então". Ana Faria democratizou estes compositores, combatendo o elitismo
que caracterizara o acesso à educação e à fruição musical durante o Estado
Novo.»
Também comprou para os filhos, para os amigos dos filhos, Brincando aso Clássicos e tem poucas dúvidas que isso não lhes tenha sido útil.
sexta-feira, 11 de março de 2022
PACIÊNCIA DE CHINÊS
Volta e meia ouvia a minha avó: «Para o aturar é preciso ter paciência de chinês.»
Quem ela tinha que aturar era o meu avô que sempre persistiu em fumar, no primeiro acordar da manhã e ainda deitado, os seus Definitivos.
Lá longe, a China avisa que o pacote de sanções à Rússia
só agravará a situação que se vive na Ucrânia.
E adianta que a Rússia é um cliente como outro qualquer,
donde o País do Sol Nascente necessitar de clientes, pelo que manterão todas as
relações económicas com os russos, ao mesmo tempo, tomarão todas as medidas necessárias para
salvaguardar energicamente os direitos e interesses legítimos das empresas e
cidadãos chineses.
Se há coisa que os chineses têm, é paciência.
Já dizia a minha avó!
terça-feira, 8 de março de 2022
NÃO FUMAR MATA!
Deixei de fumar há
uma semana. Embora contemple ocasionalmente o suicídio e tenha espancado três
tipos no metropolitano (estavam a passar à frente), julgo que enfrento o
desconforto com equanimidade. O que me choca é a mentira. Apesar das garantias,
já contraí uma gripe e pedras no rim. Quando fumava tinha uma saúde de ferro,
agora estou às portas da morte. Isto deve fazer parte de um plano para me fazer
deixar o álcool.
Luis M. Jorge
Carlos Quevedo escreveu um dia, na extinta revista K:
«Eu deixei de fumar e arrependi-me.»
Torcato Sepúlveda em crónica assinada num velho Público:
«Uma amiga deixou de fumar. Pede-me que vos comunique as angustiantes
saudades do tabaco.»
SEM VÍCIOS A VIDA É UMA CHATICE!
Manuel António Pina e as suas inseparáveis cigarrilhas.
Continuo com a leitura, lenta e saborosa, da biografia de Manuel António Pina, «Para Quê Tudo Isto?», escrita por Álvaro Magalhães.
«Uma vez, com o
carro também cheio de amigos, queixou-se do nevoeiro, que não o deixava ver a estrada.
«Não está nevoeiro, é o fumo aqui dentro», explicou Germano Silva, que ia ao lado
dele. O Honda verde cheirava tanto a tabaco que ele o mandava lavar na véspera
dos encontros com o poeta Eugénio de Andrade, que detestava esse cheiro.»
Quando apagaram os cigarros icónicos de livros e filmes,
numa crónica, o Pina denunciou que tinham tirado o cachimbo a Tati, o charuto a Groucho
Marx, o cigarro a Humphrey Bogart, a boquilha a Marlene Dietrich.
Também lhe tocou a ele o estalinismo antitabagista.
Na
crónica que, quinzenalmente, publicava na revista Notícias Magazine, da
fotografia que ilustrava a crónica, tiraram-lhe a cigarrilha que exibia entre
os dedos.
Seis anos após a sua morte, numas
jornadas dedicadas à sua obra, «Desimaginar o Mundo», o irmão de Manuel António
Pina também queria que retirassem a cigarrilha da fotografia do cartaz que
publicitava o evento.
«Ana, a filha mais nova de Pina, insistiu para que a mantivessem e fez bem. Não estivesse ali a cigarrilha e como poderíamos nós ter a certeza de que ele era ele.»
Legenda: cartaz de «Desimaginar
o Mundo», Porto de 16 a 21 de Novembro de 2018.
quarta-feira, 2 de junho de 2021
PRAZERES QUE MATAM!
Ritz foi a marca dos últimos cigarros que o meu pai fumou.
Um dia, apanhou um
susto, colocou o maço de lado e nunca mais lhe tocou.
O gesto permitiu-lhe
viver mais uns anos do que aqueles que não teria vivido, se não cortasse com os
cigarros.
O velhote que vendia
os livros da Colecção Vampiro ao meu pai, morreu antes dele. As causas da morte
não fizeram parte das conversas do bairro.
Há uns 20 anos
Nicolau Santos escreveu este texto:
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
CONHECER UM PAÍS
Um fascinante disco Pagani A
Bobino é o registo ao vivo de um espectáculo realizado em Paris no ano
de 1976, e que Pagani repetiu em diversas cidades, Lisboa incluída, 24 de Abril
de 1980, no velho Coliseu dos Recreios.
Vítima de uma leucemia galopante,
Herbert Pagani, morreu a 16 de Agosto de 1988 tinha 44 anos.
Quando em Abril de 1978 esteve em Lisboa, deu uma entrevista ao semanário Sete. Disse que levava na mala de viagem, um pacote de tabaco português, «porque um país para se conhecer, também se tem que fumar».
quarta-feira, 17 de junho de 2020
O FÓSFORO
o pau de fósforo que o acenda e justifique
Nesse preciso instante a garantia
do teu futuro ou a salvação da tua
alma não são, se é que alguma vez
foram, o problema crucial da tua vida
sequer uma questão prioritária, o magno
problema é o fósforo, mas onde pus eu
a caixa?, e quando por fim a encontras
se a encontras, extrais dela o almejado
couto de madeira, esfregas não tarda
a cabeça vermelha na lixa da caixa,
aproximas a chama do cigarro, sorves
com avidez e deleite – e essa coisa frágil
absurda, milagrosa, que uma vida
sempre é – e por que raio havia a tua
de ser diferente? – está nesse preciso
momento plenamente justificada.
sábado, 23 de maio de 2020
ANTOLOGIA DO CAIS
Legenda: imagem tirada de Tododcoleccion
sábado, 2 de junho de 2018
PRAZERES
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
POSTAIS SEM SELO
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
QUOTIDIANOS
Legenda: imagem tirada de Tododcoleccion
segunda-feira, 24 de julho de 2017
DE FAZER CORAR O MAIS LIBERAL DOS FUNDAMENTALISTAS
Depois virou-se para o lesionado e perguntou-lhe sibilino: «Não fuma, pois não?» «Nunca fumei um cigarro na vida, Senhor Dr., respondeu, em auto-estima, o jovem atleta. «Já calculava», grunhiu o médico, enquanto a maca atravessava a enfermaria no seu inexorável caminho para o teatro de operações. «Também não bebe, pois não?», tornou o clínico, com um tom de voz crescentemente áspero. «É muito raro», disse o jovem, «algumas festas, alguns dias de anos». «Pois, pois. Do que gosta mesmo é de desporto, ar livre e musculação, não é?», interrogou o médico agora quase ríspido. Aflito com dores, mas controlando-se bem, o padecente sorriu com enlevo e confirmou a nobre paixão pelo desporto a que se consagrava todos os fins-de-semana.
Foi aí que o clínico explodiu. Apontando-lhe as camas cheias de corpos envolvidos em ligaduras, com braços e pernas suspensos de arames, disse-lhe mal dominando a voz: «Não fuma, não bebe e faz desporto. Corpo são em mente sã, não é? Pois olhe bem esses que estão todos aí. Também não fumavam nem bebiam e só praticavam desporto todos os santos fins-de-semana. Olhe bem para eles e continue. Saltos aparatosos, nada de cigarros, nada de álcool!...».
À entrada da sala de operações, ainda foi mais explícito: «Fumem, bebam, mas não me caiam para aí todos os dias com essa maldita mania do desporto, que enche mil vezes mais os hospitais do que o tabaco ou os copos!»
João Bénard da Costa em Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, 2º volume.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
POSTAIS SEM SELO
terça-feira, 29 de março de 2016
OLHAR AS CAPAS
- Fazes o favor, dizes-me o que é que eu faço às mãos e à boca, quando não estou a mexer na Conceição, a comer bacalhau com batatas ou a chupar rebuçados do Dr. Centazzi? Fazes favor, dizes-me?
quinta-feira, 24 de março de 2016
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
TÉNIS & CIGARROS
Uma fotografia que só poderia ser de outro século.
Duas tenistas inglesas, antes ou depois, de uma partida de ténis, tratam de fumar a sua ganza.
sábado, 5 de dezembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
POSTAIS SEM SELO
... e sei não houvera de saber que há um caixão desconhecido que espera por mim...
Vitor Silva Tavares em Para Já Para Já
.jpg)















