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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

TEMPOS DIFÍCEIS


Carta de Óscar Lopes, datada do Porto 15 de Janeiro de 1979, para António José Saraiva:

Estamos a caminhar para uma crise grave, de grande desemprego estrutural. Nenhum especialista acredita a sério na integração no Mercado Comum Europeu, com osmose livre do mercado de trabalho e viabilização das potencialidades portuguesas económicas. O MCE é um pretexto para voltar a nova tentativa de acumulação capitalista, em que as multinacionais levam a aperte de leão. Tempos difíceis que nós, os da Esquerda, encaramos como dizem (ou cantam) os negros da América: We shall overcome. Há uma contradição viva entre o teu nacionalismo histórico- cultural e a tua complacência com o neo-capitalismo. A CIP não tem como pátria Portugal, mas a defesa da taxa de supervalia.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

OS NEO-REALISTAS DE LISBOA NÃO ME GRAMAM


Carta de Óscar Lopes para António José Saraiva, enviada do Porto em 2 de Setembro de 1969:

Ninguém em Portugal criticou mais desassombradamente os neo-realistas do que eu. O próprio E.L. parece valorizar muito mais o Carlos de Oliveira, o Cochofel, o Joaquim Namorado do que eu! Eu seria incapaz de consagrar um ensaio à poesia de Namorado, com quem aliás me dou bem. Os neo-realistas de Lisboa, em geral, não me gramam, e, como sabes, há uns 11 anos cozinharam um artigo bota-abaixo que o Alexandre Pinheiro Torres assinou. E nunca fui grande admirados do Ferreira de Castro, como creio que tu.
                                 

Legenda: Ferreira de Castro

terça-feira, 31 de julho de 2018

DISSE E DESDISSE-SE VÁRIAS VEZES


Carta de Óscar Lopes, datada do Porto de 6 de Setembro de 1969 para António José Saraiva:

Primeiro tema: valor paradigmático e profético do Marx. O Marx (ou, melhor, o duo Marx-Engels) não escreveu um evangelho. Disse e desdisse-se várias vezes, ao longo de um enriquecimento constante de reflexão e experiência histórica. Quando uma pessoa hoje se declara marxista assume logo a responsabilidade de uma interpretação histórica e de uma interpretação estrutural do marxismo. Neste
sentido, sou e não sou marxista, como aliás o próprio Marx chegou a dizer de si mesmo.. Mas se insistir mais nos aspectos e interpretações em que não sou marxista, perco uma arma importante, que é o prestígio do próprio nome de marxista. Também sou e não sou democrata, kantista, cartesiano e até mesmo religiosos, A opção por rótulos como democrata, socialista e marxista, que são os que, por razões conexamente históricas e estruturalmente doutrinárias prefiro, significa a minha aceitação de certos fellowtravellers. Mas sou dos intelectuais portugueses que até hoje melhor conseguiram salvaguardar a sua independência judicativa.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

OLHAR AS CAPAS


Correspondência

António José Saraiva e Óscar Lopes
Prefácio e notas: Leonor Curado Neves
Capa: Armando Lopes
Gradiva, Lisboa, Novembro de 2004

A CEE não é um espaço de lógica do mercado: a Alemanha vai acabar por ditar a lei, com algum contrapeso da França, da Grã-Bretanha e da Itália (e um pouco menos da Espanha). As grandes decisões são tomadas em gabinete de Primeiros-Ministros, ou seus representantes, muito dependentes dos interesses criados (ou que têm força para se impor). Os parlamentos nacionais não chegam lá. O Parlamento Europeu pouquíssimo pode.



(De uma carta de Óscar Lopes para António José Saraiva em Setembro de 1991.).