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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

ROBERTA FLACK (1937-2025)


Ei-los que partem, estão todos a partir…

Depois dizemos que as lendas partem, mas ficam os livros, as músicas, os filmes, mas não sei bem porquê – ou sei? – fica sempre o que quer que seja, algo parecido como uma melancolia angustiante…

RobertaFlack deixou-nos na passada segunda-feira.

Cantora, pianista, chegou a aproximar-se da música clássica mas, para ganhar a vida, acabou a cantar em clubes de Washington.

Em 2022 revelou que sofria de esclerose lateral amiotrófica, e agora partiu.

Como ela canta em Conversation Love, é preciso atirar reflexões tristes ao vento que é onde elas pertencem e que toda a dor tem de encontrar o seu espaço.

No LP  Killing Me Softy, a segunda faixa do Lado 2 é «Conversation Love» que Roberta dedica a Rabsaan Roland Kirk:

«Throw sad reflections to the wind where they belong

Surprising things will rise to the top
And hand-painted dreams flow
All of the pain has to go and find a space
For love will come and take its place

Full time illusions always hurt you in the end
And haunting ghosts can replay their part
To keep tender smiles down
Don't let them turn you around
The answer's clear your love has always been right here.»

Legenda: pormenor da capa do LP Killing Me Softy que pertence à Biblioteca da Casa, comprado em 31 de Março de 1977.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

O PORMENOR


Hoje, no Público, o crítico Luís Miguel Oliveira classifica o último filme de Clint Eastwood, como «um gigantesco filme», arrepiante, que não poderá ser visto nas salas de cinema, apenas poderá ser na plataforma Max.

Miguel Oliveira, na crítica que faz ao filme realça este pormenor:

«…quando o advogado pergunta ao único jurado negro do painel se ele já esteve envolvido em situações de violência familiar e o homem lhe responde “vai perguntar isso a todos ou só a mim?”.»


terça-feira, 14 de setembro de 2021

POSTAIS SEM SELO


 Olha para onde vais e vai para onde olhas.

Clint Eastwood

quarta-feira, 8 de abril de 2020

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A frase é de Woody Allen:

«O melhor de cada novo filme é o momento em que me fecho numa sala a selecionar clássicos de jazz para a banda sonora. E ainda existem várias «american great songs» que gostaria de usar.»

O mesmo poderia dizer Clint Eastwood.

Quem vê os filmes de Woody e Clint, não fica com qualquer dúvida de que estes rapazes sabem mesmo daquelas músicas.

Para acompanhar a crónica do Luís Miguel Mira, fomos em busca de algumas das canções de Johnny Mercer utilizadas por Clint Eastwood nas suas deambulações pela obra do compositor.


Em vão se procurou a imagem que o Luís Mira refere e que mostra John Cusak e Alison Eastwood, acompanhados pela espantosa “drag queen” Lady Chablis a bambolear-se, caminhando pela álea junto à fonte.

É provável que exista, mas os dedos não souberam tocar a guitarra pelo que deixamos uma provocante Lady Chablis, a sorrir e vestida de vermelho.





O JARDIM DO BEM E DO MAL


 Se tive vontade de ir conhecer a maravilhosa cidade de Savannah, na Georgia, com os seus largos, as suas belas casas coloniais e as suas ruas bordejadas de árvores centenárias, devo-a a Clint Eastwood, Marguerite Duras e Johnny Mercer…

 E sim, eu sei que o livro de John Berend “Midnight in the Garden of God and Evil” (1994), no qual Clint Eastwood se baseou para fazer um dos seus melhores filmes, não se refere a nenhum jardim em particular. Esse “jardim” parece ser, para o autor do livro, uma metáfora da própria cidade de Savannah, de cuja classe alta Brend terá traçado um retrato caustico e pouco elogioso que provocou escândalo e incomodou a “fina flor” local, levando-a a considerar o autor “persona non grata” e acusando-o de difamar toda a cidade.


Mas mesmo sabendo isso, não deixa de ser verdade que o Forsyth Park assume um papel importante no filme, já que é lá que está sentada, a rir-se, a feiticeira negra que atravessa toda a história, é lá que o filme começa com o avião a descer em direção à pista e é lá mesmo que o filme acaba, com  John Cusak e Alison Eastwood, acompanhados pela espantosa “drag queen” Lady Chablis a bambolear-se, caminhando por esta álea junto à fonte que vos mostro, numa cena que sempre me fez lembrar o final de “To Have And Have Not”, do Hawks, quando o Bogart e a Laureen Bacall saem pela porta dos fundos, seguidos pelo Walter Brennan de malas na mão e a dar ao rabo…

Se o livro deu má fama à cidade eu não o senti. Pelo contrário, o filme deu-me, de imediato, vontade de a visitar, tanto mais que me trazia à memória “Savannah Bay”,   título de uma peça de teatro de Marguerite Duras que nunca li mas de cuja musicalidade sempre gostei muito, embora soubesse bem que não existe qualquer baía nesta Savannah e o mais certo é que a de Duras se trate de mais um daqueles misteriosos lugares do Oriente que não sabemos muito bem se na realidade existem ou se tudo não passa de mais uma imagem proveniente da fértil imaginação da autora de “Hiroshima Mon Amour”…


A poucos quarteirões de distância do Forsyth Park, em Monterey Square, fica a Mercer Williams House que aqui vos mostro, onde decorre uma boa parte da ação do filme e que é hoje um museu.

Mandada construir em 1860 por um bisavô de Johnny Mercer, o conhecido compositor, intérprete e  letrista de alguns dos maiores “standards” da música americana, esta casa manteve o nome mas nunca seria propriedade da família Mercer. A sua construção foi interrompida devido à Guerra Civil e, uma vez concluído, o edifício  ficou em poder de um outro proprietário, até  vir a ser adquirido, em 1969, por  Jim Williams, um barão local do imobiliário (daí o duplo nome da casa).

E  foi precisamente Jim Williams, homem de artes e de bom gosto,  que , no início dos anos 80, se viu envolvido no escândalo do assassinado de um jovem prostituto, que foi verídico e que acabaria por se tornar a base do livro e do filme de Clint Eastwood.

Quanto a Johhny Mercer, não obstante ter nascido em aqui em 1909 e ser uma figura ilustre da cidade (tem uma estátua no centro), deixou Savannah aos 19 anos e nunca regressou a não ser de passagem, tendo vivido a maior parte da sua vida em Los Angeles. Tal como toda a Família Mercer, nunca habitou a Mercer House, e pouco viveu na cidade...


Mas Clint Eastwood não parece ter ficado muito preocupado com isso e instala o filme sob a égide de Johnny Mercer. Uma das primeiras imagens é a do túmulo de Mercer que se encontra no Bonaventure Cemetery, numa das entradas da cidade, e são várias as referências a Mercer e à sua música que são feitas ao longo do filme.

É evidente que Eastwood quis aproveitar esta oportunidade para fazer uma homenagem ao autor de “Laura” e de “Skylark”, de que tanto gosta, e foi mais longe complementando o filme com uma fabulosa “banda sonora” só com músicas de Johnny Mercer.

E parece não ter ficado satisfeito porque,  12 anos depois e por ocasião da celebração do centenário do nascimento de Mercer, voltaria a carga e seria o produtor executivo do documentário de homenagem  que lhe foi dedicado, “Johhny Mercer: The Dream’s on Me”.
Midnight in the Garden of God and Evil”  balanceia entre o drama e a comédia, com uma atmosfera de mistério muito “deep south” a que não falta uma sessão de “voodoo” à noite num cemitério,  orquestrada por aquela velhota feiticeira que vemos sentada no jardim, que  parece mexer os cordelinhos de toda a história e se despede de nós, no final do filme, com uma sonora gargalhada.


Por acaso – ou talvez não… - , quando fui  visitá-lo Forsyth Park estava apinhado de velhotas e velhotes negros de grande porte, como a do filme, sentados nos bancos com os seus sacos de plástico no chão para darem de comer aos esquilos e à passarada.
 Pelo sim pelo não, passei com muito cuidado defronte deles e evitei olhá-los bem nos olhos, não fosse o diabo tecê-las naquele jardim...
  
Texto e fotos de Luís Miguel Mira

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

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Fly me To The Moon, que se ouve em Space Cowboys, está envolvida na voz de Frank Sinatra, acompanhado pela Orquestra de Count Basie e para a qual Quincy Jones fez um soberbo arranjo.
Juntam-se estas lendas da música americana e pergunta-mo-nos por que raio teremos de morrer e deixar de ouvir estas pérolas musicais.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ARRISCOU AMBAS


Um contraste com a esoteria de outro lugar de livros em Carmel by The Sea, antes de entrar no Big Sur, junto ao restaurante que pertenceu a Clint Eeastwood. Ele foi o mayor daquela cidade turística, quase um lugar de bonecas. Trouxe de lá a biografia de Jack London, o homem que se dividiu pela Califórnia e pelo Alasca, ideologicamente o contrario de Eastwood, quando ser comunista era rebeldemente proibido na América e ser lobo do mar uma aventura quase tão grande como isso. Arriscou ambas.

Isabel Lucas em Livrarias – Um Mapa Pessoal Incompleto, publicado na revista Ler, nº 146, Verão 2017.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

SOU UMA SOMA DE TODAS AS PARTES


Acerca da minha voz para começar. Não tenho lá grande voz. Tenho a força, a capacidade de alcance e a resistência de um típico cantor de bar, mas não tenho uma grande beleza a nível de timbre, ou sequer categoria. Cinco actuações por noite? Sem problema. Três horas e meia de actuação? É possível. Necessidade de aquecimento? Quase nenhuma. A minha voz cumpre as devidas funções. Mas é o instrumento de um trabalhador a prazo, e por i só, nunca me levaria a voar alto. Preciso de recorrer a todas as minhas capacidades para conseguir comunicar em profundidade. Para conseguir vender o que vocês compram, tenho de escrever, tenho de editar, tocar, dar um grande espectáculo e, sim, cantar o melhor que me é possível. Sou uma soma de todas as partes. Cedo aprendi que isto não é motivo de preocupação. Todos os artistas têm os seus pontos fracos. Parte do sucesso deve-se a saber o que fazer com o que se tem e com o que NÃO se tem. Como disse o Clint Eastwood; «Um homem tem de saber os seus limites.» Depois há os que os esquecer e seguir em frente.

Bruce Springsteen em Born to Run