Mostrar mensagens com a etiqueta Salvador Sobral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Salvador Sobral. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

MÚSICA PELA MANHÃ


Disse Salvador Sobral que  «Autumn in New York» é para mim o standard mais bonito... O Wynton Marsalis disse um dia que nunca se ouviu jazz até se escutar a Billie Holliday a cantar o «Autumn in New York».

«Autumn in New York» é um standard de 1934, letra e música de Vernon Duke.

Que raio terá o Outono m Nova Iorque para ser tão convidativo?

Diz quem viu, que é um espectáculo de extraordinária beleza, as mais variadas folhagens que imaginar se possa.

Cheguei lá pelo cinema, pelas fotografias.

Dor e amor, sonhadores com mãos cheias de nada que, mesmo esforçadamente, conseguem chegar mais longe.

É bom viver o Outono nos milhares de Parques Centrais espalhados por este mundo.

Será?

Fazer por isso mesmo que hoje, aqui, tenhamos que viver um Outono que se passeia lá fora disfarçado de Verão.

Mas o importante é a visibilidade dos afectos.

Os pássaros voltarão em Março. 

domingo, 23 de fevereiro de 2020

O MAIS PERTO DO DIVINO QUE JÁ OUVI


Depois de um concerto meu em Sevilha, saiu uma crítica que dizia: “Portugal ya encontradio su Jacques Brel.” E pensei: “Grande elogio”, vou prestar atenção a Jacques Brel e disse: “Caraças, estamos aqui na presença do maior intérprete de todos os tempos.” Comecei a perceber as suas letras, verdadeiros poemas. Não sei se ele é um poeta que canta, um cantor que escreve poema, um ator que também canta ou um cantor que também representa. Só sei que é a coisa mais sublime e mais perto do divino que já ouvi na minha vida.

Salvador Sobral

domingo, 17 de novembro de 2019

VELHAS CANÇÕES


Domingo de chuva.
Arrumações tendo em vista o Natal que se aproxima.
E de repente, cai este velho disco da Eurovisão de 1967, quando as canções da Eurovisão eram mesmo canções e não um folclore de macacadas e efeitos especiais, excepção feita ao nosso Salvador Sobral em que se chegou a pensar que o Festival poderia voltar aos velhos tempos… mas não… não voltou…
Devem lembrar-se que a Sandie Shaw apresentou-se a cantar Puppet on s String, descalça.
Conversa puxa conversa e, de repente, saltou que também existe uma canção do Elvis Presley que faz parte de um filme do Elvis que nunca vi. Também se chama Puppet on a String e, escusado será dizer, que o Elvis é sempre o Elvis e o que canta faz a sua diferença.



terça-feira, 11 de setembro de 2018

A HISTÓRIA OS JULGARÁ!


Como escreveu Rafael Alberti:

Ontem, no Chile, morreu um homem. Hoje mesmo, milhares de outros já se levantam. A morte não acaba nada!

Pablo Neruda no seu livro Confesso Que Vivi:

O meu povo foi o mais atraiçoado deste tempo. Dos desertos do nitrato, das minas submarinas do carvão, das altitudes terríveis onde jaz o cobre e o extraem com esforços sobre-humanos as mãos do meu povo, surgiu um movimento libertador de dimensão grandiosa. Esse movimento levou à presidência do Chile um homem chamado Salvador Allende, para introduzir reformas e medidas de justiça inadiáveis, a fim de resgatar as nossas riquezas nacionais das garras estrangeiras. (…).
Aqui, no Chile, estava a construir-se, entre enormes dificuldades, uma sociedade verdadeiramente justa, bem assente na base da nossa soberania, do nosso orgulho nacional, do heroísmo dos melhores habitantes do Chile. Do nosso lado, do lado da
revolução chilena, estavam a Constituição e a lei, a democracia e a esperança.

Discurso do Presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo da Unidade Popular e implantou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Pinochet.

«Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se auto designou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.
Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.
Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A história os julgará.
Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranquilizar, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.»

domingo, 22 de outubro de 2017

AUTUMN IN NEW YORK


O «Autumn in New York» é para mim o sstndard mais bonito... O Wynton Marsalis disse um dia que nunca se ouviu jazz até se escutar a Billie Holliday a cantar o «Autumn in New York».

Salvador Sobral





«Autumn in New York» é um standard de 1934, letra e música de Vernon Duke.
Que raio terá o Outono m Nova Iorque para ser tão convidativo?
Diz quem viu, que é um espectáculo de extraordinária beleza, as mais variadas folhagens que imaginar se possa.
Cheguei lá pelo cinema, pelas fotografias.
Dor e amor, sonhadores com mãos cheias de nada que, mesmo esforçadamente, conseguem chegar mais longe.
É bom viver o Outono nos milhares de Parques Centrais espalhados por este mundo.
Será?
Fazer por isso mesmo que hoje, aqui, tenhamos que viver um Outono que se passeia lá fora disfarçado de Verão.
Mas o importante é a visibilidade dos afectos.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

SALVADOR, UM RAPAZ ESPECIAL


Salvador fez-nos um vídeo e falou-nos como dois transmontanos que se dão um abraço calado porque um deles sofreu uma perda. Começa a ser rara a gente sem gatinhos no olhar e nas frases. "Olá a todos, daqui Salvador." O vídeo fixa-se nele e num desenho de garoto, pendurado por fita-cola na parede. Podia ser dele o desenho, é de homem. Fala da saúde que lhe foge: "E chegou infelizmente a altura de me entregar, de entregar, digamos, o meu corpo à ciência." Salvador desfaz a piada com nova piada: "Portanto, sair deste mundo de civis e ir para um outro onde este problema seja resolvido." Há momentos destes, redentores para a tecnologia e o progresso, falo da internet, que foi sequestrada por delambidos com pena de si próprios. Afinal, a ciência talvez nos tenha dado também uma ferramenta para gente sensível gozar com a morte e agarrar a vida. "Entregar, digamos, o meu corpo à ciência...", já tive homens e mulheres que me falaram assim, cáusticos e íntimos, mas éramos dois, já tinha desesperado que isto pudesse acontecer pela internet. Salvador acredita, não nos milhares para quem falou, mas num e outro e outro, cada um que foi tocado por um homem forte de saúde frágil. "E tudo vai correr bem", diz. No fim: "Vou tocar uma coisinha assim por brincadeira..." Pôs-se a cantar não digas adeus, diz olá. Quem percebeu soube que ele vai voltar. Que ele quer voltar. E, aqui entre nós, egoístas, precisamos que ele volte.

Ferreira Fernandes no Diário de Notícias

sábado, 20 de maio de 2017

NOTÍCIAS DO CIRCO


Ninguém o disse melhor que o senhor Presidente da República, que afirmou que “a vitória na Eurovisão deu 'mais 20 centímetros' aos portugueses”. Sim, excelente, andamos todos com mais 20 centímetros, mas onde é que está o metro e meio que perdemos como nação há 20 anos para cá, com a perda de poderes do Parlamento português, com a assinatura de tratados como o Orçamental, com a subjugação a um modelo de crescimento medíocre em nome das “regras europeias”, com acordos como o Acordo Ortográfico, que fez proliferar as normas da ortografia do português, em vez de as unificar, ficando nós com a mais pobre, com os cortes no ensino da língua e da projecção da cultura, com a ênfase na diplomacia económica e o definhar das instituições como o Instituto Camões?
O mais grave de tudo é que os 20 centímetros que o Salvador Sobral trouxe são em grande parte mérito dele, e o metro e meio que perdemos é demérito nosso. Foi o resultado de uma política de dolo que a União Europeia usou, com destaque para ao Tratado de Lisboa, que tirou às escondidas e sem debate público poderes que ninguém conscientemente deu à União, em detrimento da soberania nacional, foi o resultado dos desastres de Sócrates que nos levaram ao resgate e da política para forçar eleições em 2011 do PSD, foi o resultado da nossa apatia cívica face ao que é verdadeiramente importante, em contraste com as excitações futebolísticas. Foi o resultado de um sistema político no qual a dimensão cultural, histórica e expressiva da língua e da sua ortografia foi deitada ao lixo, por uma espécie de engenharia diplomática que se revelou um desastre, ficando todos pior do que o que estavam.


José Pacheco Pereira no Público

segunda-feira, 15 de maio de 2017

DA MINHA GALERIA


A festa continua.

domingo, 14 de maio de 2017

DIAS FELIZES


Há dias que ficam marcados para sempre.
O dia de ontem trouxe-me uma alegria esperada e uma outra completamente fora de qualquer perspectiva que assim fosse
Falo da conquista do Tetra pelo glorioso e pela vitória de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão.
A actuação do Benfica ao longo da temporada foi feita assim um pouco ao sabor de não sei bem o quê. Teremos que falar na inabitual onda de lesões, bem como exibições menos conseguidas.
Mas eu sempre acreditei que o Tetra não iria acontecer.
Acredito no treinador, acredito nos jogadores.
Gente cá da casa tinha receio do jogo com o Guimarães. Mas eu penso positivo,  que o Benfica entro em campo, sempre, para ganhar.
E assim foi.
Olhemos agora a final da Taça de Portugal.
Depois começamos a pensar no Penta.


Quando Salvador Sobral venceu o Festival da Canção, fiquei muito feliz porque Amar pelos Dois» entrou, de imediato, dentro de mim.
Daí a pensar que iria ganhar a Eurovisão jamais, e apenas aguardava uma actuação digna e uma votação algo simpática.
O Festival da Eurovisão tornou-se num circo cheio de coreografias malucas em que as canções já nada contavam, pelo que a actuação portuguesa não tinha qualquer hipótese.
Mas ambém ninguém dava nada por Portugal no Europeu do ano passado e foi o que se viu.
Mas como disse o Salvador, a música é para sentir e foi o que aconteceu.
A Europa entendeu a música e provocou uma vitória histórica.
Lembro-me de Salvador Sobral nos concursos televisivos mas não deu para o fixar.
Eu que não perco festivais, sejam eles quais forem, fiquei rendida à sua simplicidade quando actuou no Festival da Canção.
E muita pena tive de não assistir, pela televisão, ao Festival, mas outro momento me chamava e a que não queria nem podia faltar.
Ainda por cima o Salvador Sobral é adepto do Benfica e a sua canção acabou a ser cantada pelos milhares e milhares que estiveram no Marquês.
Um dia feliz.