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sexta-feira, 18 de abril de 2025

OLHAR AS CAPAS


Princípio de Sol

Pedro Tamen

Círculo de Leitores, Lisboa, 1982

 

Nem esquece o que tenho

nem no que vens

se esfuma:

das ilhas continentes donde venho

em cada dia tens

ilustrações – é uma

apenas só viagem nossa,

quer siga eu aonde eu possa

ter memória de ti,

quer venhas tu de frente,

andando simplesmente

até aqui.


E assim dos nossos pés se fica em brasa

o chão do corredor da nossa casa.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


As Palavras da Tribo

Antologia pessoal de poemas dos autores

Fernando Guimarães

Mário Cláudio

Nuno Júdice

Pedro Tamen

Desenhos de José Guimarães

Quetzal, Lisboa 1985

 

Não tenho para ti quotidiano
mais que a polpa seca ou vento grosso,
ter existido e existir ainda,
querer a mais a mola que tu sejas,
saber que te conheço e vai chegar
a mão rasa de lona para amar.

Não tenho braço livre mais que olhar
para ele, e o que faz que tu não queiras.
Tenho um tremido leito em vala aberta,
olhos maduros, cartas e certezas.

Neste comboio longo, surdo e quente,
vou lá ao fundo, marco o Ocupado.
Penso em ti, meu amor, em qualquer lado.
Batem-me à porta e digo que está gente.

 

Poema de Pedro Tamen.

segunda-feira, 13 de março de 2017

OLHAR AS CAPAS


Tábua das Matérias
(1956/1991)

Pedro Tamen
Capa: Levina Valentim
Círculo de Leitores, Lisboa, Fevereiro de 1995

Adis-Abeba tem belos eucaliptos
e quatrocentos mil abexins
ruas rasgadas para o sudoeste da cidade
e um grande leão coroado a caracóis
O sol cai sincero sobre o pó
mas eu tenho a minha mesa
à sombra onde três cubos de gelo
lentamente se transformam em John Haig
Logo à noite há um passeio até aos coqueiros
uma etíope cristã de nome Parka
e estrelas insolúveis evidentes
até que venha o sono
Com Adis-Abeba só sei falar por gestos
por isso eu sei de peles sobretudo morenas