No dia 19 de
Setembro de 1981, o Central Park em Nova Iorque foi palco de um enorme concerto
protagonizado por Art Gargunkel e Paul Simon.
Estima-se
que meio milhão de pessoas assistiram ao concerto. Para os restantes ficaram o
disco de vinil, o CD, o DVD, as memórias.
Os
lucros foram destinados à remodelação e manutenção do Central Park, que se
encontrava deteriorado devido à falta de financiamento municipal. O concerto e
o álbum marcaram o início de uma reunião de três anos entre Paul Simon e Art
Garfunkel.
A
Música pela Manhã recupera três canções do concerto.
O poeta António
Reis, dizia que «é o único dia que não repetimos e que dura menos.»
É este
enlanguescer da natureza, este vago sofrer do fim do dia. Cores fabulosas, um
fulgor que não conseguimos definir, que andam pelo cor-de-rosa, violeta,
cor-de-laranja, cor de fogo. Um deslumbramento.
O meu pai gostava
das canções do Simon and Garfunkel.
Quando íamos ao
cinema, tínhamos preferência pelo Apolo 70, pela projecção, o som, a comodidade
da sala e dava para petiscar no «snack», e sempre com um salto à livraria e à
discoteca.
Numa dessas
idas, tinha acabado de sair um «Best do Art Garfunkel» e o meu pai não
hesitou: comprou-o de imediato.
Acabou por se
apaixonar por «Bright Eyes» que não conhecia.
Logicamente «Bright
Eyes» teria de entrar numa das cassettes que lhe fui gravando.
Por «Bright
Eyes», há uma passagem deliciosa no «Alta Fidelidade» de Nick Hornby:
- Não és mesmo capaz de ver a diferença entre «Bright
Eyes» e «Got To Get You Off My Mind»?
- Claro que sou. Uma é acerca de coelhos e a outra tem
uma banda de metais a tocá-la.
- Qual banda de metais. É uma secção de instrumentos de sopro. Porra!
- Seja lá o que for. Eu percebo porque preferes o
Solomon ao Art. Eu compreendo, a sério. E se me pedissem para dizer qualquer era
o melhor dos dois escolhia o Solomon sem hesitar. É genuíno, e negro, e
lendário, e essas coisas todas. Mas gosto de «Brighr Eyes». Acho que tem uma
melodia bonita, e além disso, estou.me nas tintas. Há tantas outras coisas para
nos preocuparmos. Bem sei que pareço a tua mãe a falar, mas isto são apenas
discos de música pop, e quem é que se importa realmente que um seja melhor do que
o outro, tirando tu e o Barry e o Dick? Para mim, é como discutir a diferença
entre o McDonalds e o Burger King. Tenho a certeza que há-de haver uma
diferença, mas quem é que vai ralar-se a descobrir qual é?
A canção do Solomon Burke não entrou em nenhuma cassette para o meu pai, fugia um tanto ou quanto aos seus padrões de gosto musical.
O meu pai, essencialmente, tinha gosto pela música clássica,
daí que a esmagadora maioria da sua discoteca tivessem esse toque.
Gostava de outras músicas, tinha algumas dessas músicas, mas
eram uma mera excepção.
Gostava de algumas canções que, tanto eu como o Luís Miguel Mira, volta e meia, lhe dávamos a ouvir.
Um dia pediu-me se lhe gravava umas cassettes com essas
músicas.
Assim aconteceu.
O tempo adulterou todo esse material gravado, hoje completamente
inaudível, aontecendo também que algumas dessas cassettes perderam-se.
Há dias lembrei-me que seria gratificante voltar a buscar
essas canções e colocá-las por aqui.
Será uma escolha aleatória, baseada nos apontamentos que
deixei na contra capa das cassettes, também na hoje curta memória das canções que
gravei para o meu pai.
Começarei por aquela canção que acabou por dar origem ao pedido:
El Condor Pasa ,que pertence ao folclore peruano e para a qual Paul Simon escreveu um poema.
Prefiro ser um pardal do que um caracol, prefiro ser um martelo do que
um prego, se eu apenas pudesse certamente o faria.