Uma Época no Inferno
Jean-Arthur
Rimbaud
Versão
Portuguesa, prefácio e notas de Mário Cesariny de Vasconcelos
Colecção
Documento Humanos nº 9
Portugália
Editora, Lisboa, Junho de 1960
Outrora, se estou bem lembrado, a minha vida era um
festim em que todos os corações se abriam, em que todos os vinhos cintilavam.
Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos.
E vi que era amarga. E injuriei-a.
Armei-me contra a justiça.
Fugi. Ó feiticeiras, ó mistério, ó ódio, éreis vós a guarda
do meu tesoiro?
Consegui destruir em mim toda a esperança. Contra toda
a alegria lancei o bote cego da besta feroz. Estranguladas!
E chamei os carrascos para morder, na agonia, a
corunha dos fuzis. Conjurei as pragas para sufocar na areia, mergulhar em
sangue. O infortúnio foi meu vero deus. Estiracei-me na lama. Sequei ao ar do
crime. E preguei boas partidas à loucura.
E a primavera trouxe-me a terrível risada do idiota.
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