A minha vida é sempre ontem
E o meu desejo, amanhã.
Hoje é uma coisa
parada.
Nada sei nem faço nada.
Certeza é palavra vã.
Não sou. Ou fui ou
serei.
Se ao menos tivesse fé!
Corro atrás duma
quimera.
Ou então fico-me à
espera,
Porém à espera de quê?
Porque abri as minhas
mãos
E deixei fugir o
instante
Que havia nelas ainda?
Agora o nada não finda
E o tudo é sempre
distante!
Virás tu ao meu
encontro,
Ou sou eu que devo
achar-te?
Quem pudera descansar!
Ver, ouvir e não
pensar!
Ser aqui e em toda a
parte!
Chego tarde ou muito
cedo.
Ou paro aquém ou além.
Houvesse algo para mim
Sem ter principio nem
fim,
Sem ser o mal nem o
bem!
Cabral do Nascimento
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