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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

OLHAR AS CAPAS


De Poema Em Riste

José Carlos de Vasconcelos

Capa:  Tóssan

Edição do Autor, Lisboa, Janeiro de 1970

 

A Foice pelo Ombro

 

Dos campos regressam

a foice pelo ombro    violada

e o lenço vermelho    sujo

incendiado ainda     de sol

 

E já a lua se ergue no horizonte

com seu limpo olhar de terra

olham a terra que não é sua

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

NÃO É POSSÍVEL MAIS A SOLIDÃO


Não é possível mais a solidão.

Ainda que apartados do amor e dos amigos,

ainda que, por sombras não,

por grossos muros separados,

longe do lugar da festa e do tempo dos trigos.

 

Ah!, vive o nosso coração

dum sangue sem igual,

e em cada coração se continua

numa ponte de ferro matinal.

 

Seja um deserto mesmo sem areia,

sejam noites escuras sobre noites

sem a promessa doutras noites de lua cheia,

seja uma ilha ou o segredo sem um passo

do mais vigiado e longínquo forte.


Não é possível mais a solidão.

Não mais é possível a morte.

José Carlos de Vasconcelos em Corpo de Esperança

quinta-feira, 26 de abril de 2018

OLHAR AS CAPAS


Poemas para a Revolução

José Carlos de Vasconcelos
Colecção Universidade do Povo nº 7
Capa: Dorindo de Carvalho
Diabril Editora, Lisboa, Julho de 1975

Acordo na Manhã de Abril

Acordo na manhã de Abril
acordo  na manhã de rosas
acordo e tenho uma face
- é mais do que um filho
É minha pátria que nasce

Acordo e tenho uma face
natural  à nossa medida
tão de terra e tão de povo
- é mais que uma nova vida
É uma vida num mundo novo

Acordo ma manhã de Abril
acordo na manhã de rosas
com a voz livre do meu país
- e berro sofro mordo canto
e choro choro de tão feliz

sexta-feira, 21 de março de 2014

OLHAR AS CAPAS


Corpo de Esperança

José Carlos de Vasconcelos
Cancioneiro Vértice, Coimbra, 1964

Proibir, podem. Ferir, podem também.
Matar, podem ainda.
Seguiremos mais cheios de glória,
e cada proibição será um alento,
cada ferimento uma canção,
cada morte uma vitória.

Proibir, podem. Ferir, podem também.
Matar, podem ainda.
Almas entrelaçadas nas outras almas,
mãos esmagadas nas outras mãos,
seremos donos de todos os povos
e senhores de toadas as estradas.

Proibir, podem. Ferir, podem também.
Matar, podem ainda.
Nenhum coração verdadeiramente
jovem se cerra.
E pelo seu sangue de amor e de terra
A luta continua, a esperança não finda.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

NÃO HÁ MACHADO QUE CORTE

TAGUS TG 112
Acompanhamento viola: Fernando Alvim

Dedicatória - Fernando Miguel Bernardes/Manuel Freire
Livre - Carlos Oliveira - Manuel Freire
Eles - Manuel Freire
Pedro O Soldado - Manuel Alegre/Manuel Freire

TAGUS TG 121
Acompanhamento viola: Fernando Alvim

Lutaremos Meu Amor - Daniel Filipe/Manuel Freire

Trova do Emigrante - Manuel Alegre/Manuel Freire
Trova - Manuel Alegre/Manuel Freire
O Sangue Não Dá Flor - Manuel Freire


ZIP ZIP  30.001/S
Arranjos e Supervisão - Thilo Krasmann

Pedra Filosofal - António Gedeão/Manuel Freire
Menina dos Olhos Tristes - Reynaldo Ferreira/Manuel Freire

Quando, em 1969, Manuel Freire aparece no “Zip-Zip”, a cantar “Pedra Filosofal” de António Gedeão, não era totalmente um desconhecido. Era um companheiro de viagem, dos que, país fora, andavam por sociedades recreativas a dizer, a quem os quisesse ouvir, que haveria de chegar o dia das surpresas.
Em 1969 publicara o EP “Manuel Freire Canta Manuel Freire”, que inclui “Livre”, poema de Carlos de Oliveira, que passámos a saber de cor e que, por aqueles dias, em qualquer circunstância, se cantava ou murmurava.
Depois um outro EP, “Trovas,Trovas,Trovas”, que inclui o belíssimo poema de Daniel Filipe, "Lutaremos Meu Amor" disco que, de imediato, foi apreendido pela PIDE.
Uma simples mensagem: “na aparência sozinhos multidão na verdade, lutaremos meu amor", punha o regime a tremer.
Claro que a passagem pelo “Zip-Zip” projecta Manuel Freire para um outro tipo de público, e muito mais gente ficará, então, a saber que o sonho comanda a vida, que o mundo pula e avança.
Uma mera curiosidade: Manuel Freire nasceu a 25 de Abril de 1942.

“Livre”

“Não há machado que corte
a raíz ao pensamento:
não há morte para o vento,
não há morte.

Se ao morrer o coração

morresse a luz que lhe é querida,
sem razão seria a vida
sem razão.

Nada apaga a luz que vive

num amor num pensamento,
porque é livre como o vento
porque é livre”.