Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago Morte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Saramago Morte. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de março de 2011

SARAMAGUEANDO


Há nove meses, José Saramago não subiu para as estrelas porque à terra pertencia.

Registando a efeméride, em Tias, Lanzarote, é hoje aberta ao público, “A Casa”, complexo que integra a casa e a biblioteca de José Saramago.

Num quarto do “Hotel Bragança”, no decorrer de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, Fernando Pessoa e Ricardo Reis filosofam. Saramago coloca na boca de Fernando Pessoa que demoramos nove meses a sair do ventre da mãe e nove meses para sermos esquecidos.

“Soube que me foi visitar, eu não estava mas disseram-me quando cheguei, e Ricardo reis respondeu assim, Pensei que estivesse, pensei que nunca de lá saísse, Por enquanto saio, ainda tenho unas oito meses para circular à vontade, explicou Fernando Pessoa, Oito meses porquê, perguntou Ricardo reis e Fernando Pessoa esclareceu a informação, Contas certas, no geral e em média, são nove meses, tantos quantos os que andámos na barriga das nossas mães, acho que é por uma questão de equilíbrio, antes de nascermos ainda não nos podem ver mas todos os dias pensam em nós, depois de morrermos deixam de poder ver-nos e todos os dias nos vão esquecendo um pouco, salvo casos excepcionais nove meses é quanto basta para o total olvido, e agora diga-me você que é que o trouxe a Portugal.”

Acontece que, nove meses depois, continuamos a recordar quem não queremos esquecer.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PRESIDENCIAIS 2011


Aníbal Cavaco Silva proclamou-se "Presidente de todos os portugueses". Obviamente, também dos portugueses que se assumem como comunistas. Obviamente, também dos portugueses que nada têm a ver com o comunismo mas sempre apreciaram a obra literária de José Saramago. Obviamente, também daqueles que, não apreciando a figura nem a obra de Saramago, consideraram prestigiante que este cidadão português em concreto tenha sido distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, nunca antes ou depois confiado a outro representante do nosso idioma. Nenhum destes portugueses se sentiu representado por Cavaco Silva quando o Presidente da República entendeu faltar às exéquias oficiais de Saramago em Lisboa. Um Presidente não deve agir à mercê de estados de alma: a dignidade da função que desempenha e a notoriedade do escritor impunham a presença de Cavaco no funeral de um homem que em vida nunca deixou de o criticar. Pior ainda foi o pretexto invocado para a ausência: uma deslocação aos Açores, anteriormente prometida pelo avô Aníbal aos seus netos. Como se as conveniências pessoais ou familiares devessem sobrepor-se aos gestos de cidadania e às missões de serviço público”

Pedro Correia em “Delito de Opinião” 18 de Outubro de 2010.

CAVAQUICES

Na entrevista que deu a Judite de Sousa, e transmitida pelo canal público de televisão,, Cavaco Silva disse não estar provado que Portugal não consiga obter financiamentos nos mercados e que há alternativas à União Europeia e ao FMI.

"O País tem sempre a venda de activos ao estrangeiro."

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DO VATICANO A BELÉM

Crónica de Manuel António Pina no “Jornal de Notícias” de hoje:

“O oficioso "Osservatore romano", que o Vaticano costuma usar para atirar pedras escondendo a mão, achou que a morte de Saramago seria boa altura para o apedrejar, tanto mais que, agora, ele já não pode defender-se. O apedrejador de serviço meteu, por isso, mãos à vaticana obra e, mesmo não percebendo por que motivo terá Deus deixado Saramago viver até à "respeitável idade de 87 anos" e andar por aí a exibir uma "crença obstinada" não nos dogmas da Igreja mas nos do materialismo histórico, condenou-o às chamas do Inferno (infelizmente a Igreja já não tem poder para condenar gente como Saramago à fogueira na Terra). Também Cavaco tem queixas de Saramago mas, no seu caso, só protocolares pois, ao contrário do Vaticano, Cavaco não é rancoroso. Saramago não teve, de facto, o cuidado de acertar a data da morte com a agenda da Presidência, o que impediu o presidente de ir ao funeral. Saramago devia saber que Cavaco "gosta de cumprir promessas" e que prometera "à família que no dia 17 partiria com eles para a ilha de S. Miguel". Ora regras de concordância gramatical podem interromper-se, férias não”.

Legenda: Caricatura de Rui Pimentel, publicada na “Visão”, 17 de Dezembro de 1998.
Faz parte de um conjunto de postais comprado, em Julho de 2008, aquando da Exposição "José Saramago: A Consistência dos Sonhos", que esteve patente no Palácio da Ajuda.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)


A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.

José Saramago em As Intermitências da Morte