domingo, 16 de fevereiro de 2025
sábado, 24 de julho de 2021
DOS REBOTALHOS E COISAS ASSIM...
Nesta semana,
discutiu-se, na Assembleia da República, o Estado da Nação.
O governo que
nos assiste diz-se de centro-esquerda, é mais centro que esquerda, mas é
preferível a um governo de direita.
O governo tem
ministros que não lembrariam ao careca, mas António Costa já disse que «não
está prevista nenhuma remodelação no horizonte».
Penso que não
será bem assim e, mais dia menos dia, teremos por aí remodelação, provavelmente
para depois das eleições autárquicas.
Diga-se, no
entanto, que a oposição, que tão mal diz do governo e dos ministros, é um
perfeito desastre.
Rolava a bola há
alguns minutos e Adão e Silva, líder parlamentar do PSD, saiu-se com esta
pérola:
«No âmbito da saúde, senhor primeiro-ministro, que fique claro: nós, PSD, somos fundadores do Serviço Nacional de Saúde [SNS]. Estamos no SNS. E senhor primeiro-ministro, não é uma questão ideológica, é uma questão prática. É uma questão de sentido prático das coisas.»
Em Setembro de
1979, a lei do Serviço Nacional de Saúde foi aprovada na Assembleia da
República com os votos do PS, do PCP, da UDP e do deputado independente Brás
Pinto tendo votado contra todos aqueles que já, então, estavam contra o espírito
da socialização da saúde, preconizado pelo deputado socialista António Arnaut:
o PS, o CDS e os deputados independentes do PSD.
O governo pode
ser a coisa terrível que as direitas dizem que é, ou querem que seja, mas, como
oposição, são um perfeito desastre.
António Costa bem pode estar de cadeirinha a olhar.
1.
Bonita e justa
homenagem.
O Auditório do
Museu do Fado passou a chamar-se Auditório Ruben de Carvalho.
2.
No mínimo dos
mínimos, deveria haver um médico e um enfermeiro de saúde pública por cada 20
mil habitantes.
3.
O Cardeal Angelo
Becciu, ex-responsável pelas finanças, e afastado pelo Papa Francisco em
Setembro do ano passado, é a figura mais alta do Vaticano a ser acusada de
crimes financeiros: desvio de fundos, fraude e abusos do poder. Em causa estão
350 milhões de euros da Santa Sé,
aplicados num negócio de imobiliário em Londres.
4.
A Câmara Municipal de Lisboa tem cerca de 13.000
funcionários, ou seja um por cada 38 habitantes da cidade. Entre os
funcionários da CML contam-se 381 advogados, 159 relações públicas, 443
arquitectos e 168 historiadores, entre muitas outras profissões.
5.
«Eu então vivo sozinho, absolutamente sozinho. Nunca
falo a ninguém; não me dão, não dou nada a ninguém. O Autodidacta não conta. É
verdade que há Françoise, a patroa do Rendez-vous dos Ferroviários. Mas pode
dizer-se que falo com ela? Às vezes, depois do jantar, quando vem servir-me uma
cerveja, pergunto-lhe:
«Esta noite você tem tempo?»
Nunca diz que não, e então sigo-a a um dos quartos
grandes do 1º andar, que ela aluga à hora ou ao dia. Não lhe pago senão o
quarto. Ela goza (precisa dum homem por dia, e além de mim, tem muitos outros)
e eu purgo-me assim de certas melancolias cuja causa conheço perfeitamente. Mas
mal trocamos algumas palavras. Para quê? Cada um por si; aos olhos dela, de
resto, continuo a ser, antes de mais um freguês do café. Diz-me assim, ao
despir o vestido:
«Ouça lá, você conhece um aperitivo chamado Bricot? É
que houve dois fregueses, esta semana, que pediram. A rapariga não sabia, veio
prevenir-me. Eram caixeiros viajantes; foi coisa que beberam em Paris, com
certeza. Mas não gosto de comprar sem saber. Se não se importa, não tiro as
meias.»
Jean-Paul Sartre
em A Náusea
terça-feira, 30 de março de 2021
OLHAR AS CAPAS
Nenhum Homem é Estrangeiro
Joseph North
Tradução:
Fernanda Pinto Rodrigues
Posfácio: Ruben
de Carvalho
Notas: António
Belmiro Guimarães
Edições Avante,
Lisboa, Fevereiro de 1981
Desde que, em garoto, ia levar o almoço ao meu pai, à
fábrica, não me lembro de nenhuma greve em que não me tenha sentido do lado dos
trabalhadores. Isso mantém-se sem alteração. Os marxistas chamam a tal facto
«consciência de classe», isto é, a compreensão de que pertencemos à classe
operária e que as suas aspirações são sagradas. Mesmo antes de pertencer ao
movimento da classe operária, já considerava os piquetes grevistas sagrados, o
«fura» detestável e o patrão o inimigo irrevogável.
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
RECORDAR RUBEN DE CARVALHO
Começou
ontem a ser transmitido, pela Antena 1, de segunda a sexta-feira, o programa
Panfletos.
Copio do site da Antena 1:
«As palavras-chave deste projeto são estas: música-política, canções-poder,
criatividade-resistência, cultura-opressão, talento-censura, poesia-liberdade,
arte-causas.
Panfletos foi um programa de Ruben de Carvalho na antiga Telefonia de Lisboa.
Recriado agora por Pedro Tadeu, na Antena 1, trata da relação íntima, ao longo
dos tempos, da arte musical com a vida e a luta dos povos.
Diariamente: uma canção na História.»
A
canção transmitida no primeiro programa foi Sixteen
Tons, gravada em 1946 por Merle Travis, mais tarde, em 1955, Tennessee
Ernie Ford gravou uma versão, que é a que foi utilizada no programa.
Reproduzo
a versão de Ernie Ford mas também a de Frankie Laine.
O
meu pai gostava muito de Frankie Laine e, particularmente desta canção, que
estava incluída num Popular Favourites
LPs da Philips, discos que reuniam diversas
cantores interpretando standards. Muitas vezes ouvi essa canção, mas só mais
tarde o meu pai contou-me a história e o que se lá cantava.
A
canção narra a vida de um mineiro nos Estados Unidos: carregas 16 toneladas e o
que ganhas?, outro dia mais velho, mais endividado e não podes morrer porque
deves a tua alma à companhia.
De
acordo com Merle Travis o verso, devo a
minha alma à loja da companhia, refere
o sistema imposto aos trabalhadores, não recebiam salário em dinheiro mas
crédito na loja da companhia, assim como o custo do alojamento em barracões
cedidos pelos patrões, uma prática generalizada nos Estados Unidos que, só após
árduas lutas dos trabalhadores, tiveram o seu fim.
A
canção, ao longo dos tempos, conheceu muitas versões e popularizou-se entre os
mineiros espalhados pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra.
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!
domingo, 16 de junho de 2019
CARVALHESA
No Cemitério do Alto de S. João, decorreu hoje a cremação de Ruben de Carvalho.
terça-feira, 11 de junho de 2019
RUBEN DE CARVALHO (1944-2019)
segunda-feira, 27 de março de 2017
MIKE SEEGER, ARES DE DUQUE E DE CAVALEIRO ERRANTE
terça-feira, 4 de outubro de 2016
À CONVERSA
Ouça, se alguma vez alguém lhe disser que nunca teve medo, mande-o dar uma volta de bicicleta. Eu estive na guerra, estive na atividade política na clandestinidade, fui preso. É evidente que tive medo.
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