terça-feira, 15 de setembro de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Não há livros inúteis.

Este retrato de Marcelo Caetano deixa-nos perante aquilo, após a morte do ditador de Santa Comba, a que se chamou «primavera», uma espécie de esperança que, como teria que ser, durou breves fogachos de tempo.

Foi um mito e por ali residiram frustradas expectativas liberalizantes mas Marcelo Caetano não conseguiu, limitações pessoais acima de tudo, libertar-se da teia de oportunistas e corruptos que constituíam

que Salazar deixou constituir à sua volta e de que tanto necessitava.

Tudo começou com a sua posição perante a guerra colonial:

 «Portugal não pode ceder, não pode transigir na luta que se trava no Ultramar.»

Ao tomar posse não fez qualquer ruptura com a política salazarista, talvez por não estar preparado ou porque não a desejar.

Fazer depender a sobrevivência do regime com a continuação da guerra, iniciou o caminho sem qualquer saída.

Aparentemente, não esperava suceder a Salazar, outros serviriam para isso.

Um dia terá confidenciado à sua filha Ana Maria Cardoso:

«A pessoa que suceder a Salazar é para abater».

Palavras finais do Retrato de Salazar escrito por António Araújo:

«No final da manhã de 26 de Outubro de 1980, domingo, por volta das 12,30 horas, enquanto lavava as mãos na casa de banho do seu apartamento na Rua Cruz de lima, nº 8, aguardando que a irmã Olga o chamasse para o almoço, Marcello Caetano foi acometido de uma violenta dor no peito, que em minutos o matou.»

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