Não
há livros inúteis.
Este retrato de Marcelo Caetano deixa-nos perante aquilo, após a morte do ditador de
Santa Comba, a que se chamou «primavera», uma espécie de esperança que, como
teria que ser, durou breves fogachos de tempo.
Foi
um mito e por ali residiram frustradas expectativas liberalizantes mas Marcelo
Caetano não conseguiu, limitações pessoais acima de tudo, libertar-se da teia
de oportunistas e corruptos que constituíam
que
Salazar deixou constituir à sua volta e de que tanto necessitava.
Tudo
começou com a sua posição perante a guerra colonial:
«Portugal não pode ceder, não pode transigir na
luta que se trava no Ultramar.»
Ao
tomar posse não fez qualquer ruptura com a política salazarista, talvez por não
estar preparado ou porque não a desejar.
Fazer
depender a sobrevivência do regime com a continuação da guerra, iniciou o
caminho sem qualquer saída.
Aparentemente,
não esperava suceder a Salazar, outros serviriam para isso.
Um
dia terá confidenciado à sua filha Ana Maria Cardoso:
«A pessoa que suceder a
Salazar é para abater».
Palavras
finais do Retrato de Salazar escrito por António Araújo:
«No final da manhã de 26 de Outubro de 1980, domingo, por volta das 12,30 horas, enquanto lavava as mãos na casa de banho do seu apartamento na Rua Cruz de lima, nº 8, aguardando que a irmã Olga o chamasse para o almoço, Marcello Caetano foi acometido de uma violenta dor no peito, que em minutos o matou.»
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