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terça-feira, 29 de julho de 2025

OLHAR AS CAPAS

As Estátuas Volantes

Jean-Paul Sartre

Prefácio: Lionel de Roulet

Tradução: Adolfo Casais Monteiro

Colecção: Novelas Inquérito nº 26

Editorial Inquérito, Lisboa, Fevereiro de 1941

Era uma coisa que a preocupava. Mal Pedro adormecia, tinha de pensar naquilo, não o podia evitar. Tinha que ele acordasse com os olhos turvos e ele começasse a tartamudear. «Sou estúpida, pensou ela: isso não deve começar antes dum ano; foi o que Franchot disse». Mas a angustia não a deixava; um ano: um inverno, uma primavera, um verão, o começo doutro outono. Um dia, aquelas feições ficariam deformadas; Pedro deixaria pender o queijo e entreabriria uns olhos lacrimejantes. Eva inclinou-se sobre a mão de Pedro e pousou nela os lábios: «Hei-de matar-te antes que isso aconteça».

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

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O Homem Esse Desconhecido

Alexis Carrel

Tradução: Adolfo Casais Monteiro

Editora Educação Nacional, Porto s/d

Pela primeira vez na história do mundo, uma civilização, ao atingir o começo do seu declínio, pode discernir as causas da sua doença. Talvez saiba servir-se desse saber, e evitar, graças à maravilhosa força da ciência, o destino comum a todos os grandes povos do passado. O nosso destino está nas nossas mãos. Precisamos de seguir avante pelo novo caminho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

OLHAR AS CAPAS


História da Filosofia

August Messer

Tradução: Adolfo Casais Monteiro

Colecção: Dúvidas e Conquistas da Humanidade nº 5

Editorial Inquérito, Lisboa, Dezembro de 1946

Era habitual e frequente, nas exposições de história da filosofia do século XIX, omitir-se inteiramente a filosofia católica, ou «liquidá-la» em meia dúzia de observações, declarando-a «antiquada». Não obstante, tal como a própria Igreja católica, a tendência filosófica aprovada pela Igreja é uma força activa da nossa vida espiritual.

quinta-feira, 25 de março de 2021

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O Duelo

Anton Tcheckoff

Tradução: Cordeiro de Brito

Prefácio; Adolfo Casais Monteiro

Capa: Augusto Gomes

Vasco Rodrigues, Editor, Porto 1938

- Minha querida, estou comovida e consternada. O nosso bondoso e querido doutor disse ontem ao meu Nikodine Alexandreitch que o seu marido morreu. Diga-me, minha querida! Mas há males que vem por bem. O seu marido era sem dúvida nenhuma um homem nobre, excepcional; um santo. E os homens como êle são mais precisos no céu do que na terra.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

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Gosto de livros que reúnem a correspondência entre personalidades da cultura.

Ajuda-nos, para além dos livros, dos filmes, das exposições, a compreender melhor os personagens.

Jorge de Sena é o intelectual de que conheço mais correspondência publicada.

Devemos esse trabalho a sua mulher Mécia de Sousa que, amorosa e ferreamente, se dedicou a esse extraordinário trabalho.

«E está longe de ser tudo, mesmo sem infindável arca. Assim eu tenha vida, saúde e lucidez para realizar essa monstruosa tarefa»

(Carta de Mécia de Sousa a João Gaspar Simões.).

Por alturas da Feira do Livro do ano passado o Luís Eme perguntava-me sobre a Correspondência entre Jorge de Sena e João Gaspar Simões, se já tinha lido o livro.

Não tinha lido nem comprado.

Entendia que, apesar de amigos, acabaram por se desentender, e detestavam-se.

Não sabia que raio de correspondência existiria entre os dois.

Falava-lhe também de que os livros da «Guerra e Paz» atingiam preços algo pesados. As coisas são o que são e os livros saem caros. Resta-nos fazer uma gestão do orçamento mensal e por aí fora.

Mas a pergunta do Luís deixara  pozinhos a bailar por mim dentro.

Numa última ida à Feira, acabei por comprar o livro.

Folheado em casa, não me entusiasmou e acabou por ir para a secção de «Livros a Ler».

Em tempo de pandemia, a obra foi lida.

Não é daqueles livros imprescindíveis, mas não lamento o tempo que lhe dediquei.

Através da introdução de Filipe Delfim Santos, das cartas trocadas entre Gaspar Simões e Mécia de Sena, que a determinada altura, dado o grave ataque de coração que Sena sofreu, passa a responder às cartas que são dirigidas ao marido, se fica a perceber, um pouco mais, de como foram as relações, pessoais e de escrita, entre Sena e Gaspar Simões.

Pessoalmente, nunca apreciei o cidadão João Gaspar Simões, como crítico nada digo porque me falta tudo, e mais alguma coisa, para poder dizer o que quer que seja.

Mas entre as diversas referências que tenho sobre/de Gaspar Simões, apresento três, cada uma a seu modo:

Uma de JoséGomes Ferreira, no IX volume dos seus Dias Comuns, realçando a camaradagem de Gaspar Simões:

«2 de Julho de 1970
O João Gaspar Simões disse-me ontem pelo telefone que se vira obrigado a emendar algumas palavras na minha última crónica, para a gente de O Primeiro de Janeiro a deixar sair.
Que palavras?
Estas: tipa, macha, pernas, etc. (Incrível), consideradas impróprias por um energúmeno velhorro da redacção que as sublinhou com lápis vermelho.
Fiquei furioso. Duas censuras ( a oficial e a do velhorro paralítico cerebral) parecem-me cadeias demais para poder dançar!
Quanto à atitude de João Gaspar Simões – seria uma covardia escrever aqui o que não ousei dizer-lhe por delicadeza… Aliás, estou convencido de que da parte dele houve apenas camaradagem jornalística. Custava-lhe que eu perdesse os 400 paus do artigo – como me confessou.
Agradeci-lhe a camaradagem.»

Outra é a espantação de Mário-Henrique Leiria, numa carta à sua «querida menina», contando-lhe que o Gaspar Simões dissera bem de um seu livro:

Sabes que o Gaspar Simões botou elogio grosso aos CONTOS DO GIN-TÓNICO na página literária do “Diário de Notícias”? Pois foi: Só tenho coisas que me ralem; só me faltava o Gaspar Simões a dizer bem de mim. Ele há cada coisa!

Por fim, o passo de uma crítica de João Gaspar Simões ao livro As Solicitações e Emboscadas  de Mário Dionísio:

O que nos fica, finda a leitura deste livro, não é a imagem de um homem fazendo gestos para que o vejam: é a imagem de uma alma segredando aos outros qualquer coisa impossível de calar.

Não quero terminar este apontamento, sem referir uma frase de Adolfo Casais Monteiro que Filipe Delfim Santos coloca a abrir a introdução sobre a Correspondência de Sena e GasparSimões:

«… é muito difícil fazer crítica a um livro do Sena».

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

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A Estrada do Tabaco

Erskine Calwell
Tradução: Adolfo Casais Monteiro
Capa: José Cadete
Editorial Inquérito, Lisboa, s/d

- Não me dão mais de um dólar por dia na mina. A renda da casa, a comida e o resto levam-me tudo.
- Pois sim, Lov. Não tenho cinco réis e tu tens alguma coisa.
- Não tenho culpa disso. O Senhor tem o mesmo respeito a todos, segundo dizem. Ele dá-me o que é meu, e se não de ti é com Ele que tens de te entender. Esse cuidado não é comigo. Bastam os meus, que são muitos, para me preocupar.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

OLHAR AS CAPAS



O Adeus às Armas

Ernest Hemingway
Tradução e prefácio de Adolfo Casais Monteiro
Editora Ulisseia, Lisboa s/d

Para o fim do Verão daquele ano vivíamos numa aldeia que, para lá do rio e da planície, confrontava as montanhas. No leito do rio havia seixos e pedregulhos secos e brancos ao sol e a água clara corria suavemente pelos canais. Passavam tropas em frente da casa e desciam a estrada, e a poeirada que levantavam cobria as folhas das árvores. Os troncos das árvores estavam também cobertos de pó e as folhas caíram cedo naquele ano e víamos as tropas marchando pela estrada fora e o pó que se levantava e as folhas levantadas pela brisa caíam sobre os soldados em marcha e depois a estrada deserta e branca sem nada além das folhas.