É de todo
incompreensível que um pobre país, rodeado de gravíssimos problemas de
sobrevivência, assista a horas e horas e horas seguidas de discussão nas
televisões, nos jornais, nas rádios, do que se terá passado entre um jogador e
um treinador de futebol.
Jorge Jesus terá dito o
elementar: «sou eu que mando na equipa!»
Cristiniano Ronaldo não
gostou e, em vez de ficar para discutir o que ele pensa ser um problema, chamou
o seu jacto particular e regressou a casa, abandonando o estágio da selecção.
Agora enfrentamos uma
verdadeira novela mexicana.
Soube-se, entretanto, que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, sempre a trabalhar, já se movimenta nos bastidores da crise da selecção nacional, após a saída de Cristiano Ronaldo.
Facto:
Durante anos e anos,
Cristiano Ronaldo jogava sempre. Quando fazia sentido, jogava. Quando não
fazia, jogava também.
Opiniões:
«Obrigado, Cristiano,
mas agora deixa a Seleção jogar. Deixa Jorge Jesus ser treinador. Deixa os
outros jogadores crescerem. E deixa que a tua vida seja aquilo que merece ser:
uma história extraordinária, não uma guerra pelo direito a continuar a ser aquilo
que já foste.
Porque o futebol não é
uma cerimónia de homenagem. É um jogo. E o jogo seguinte nunca se joga ontem.
Talvez tenha sido o dia
em que Jesus percebeu isto, que pôs fim ao Cristianismo.»
Nuno Saraiva em A Bola
«Só Ronaldo não quis
ver que o tempo do esplendor da glória desportiva era passado e que se iniciara
a sua caminhada em direção ao esquecimento.»
Pedro Adão e Silva no Público
Voltar, sempre, ao poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade:
«Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.»

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