sexta-feira, 2 de outubro de 2026

NOTÍCIAS DA CRISE

É de todo incompreensível que um pobre país, rodeado de gravíssimos problemas de sobrevivência, assista a horas e horas e horas seguidas de discussão nas televisões, nos jornais, nas rádios, do que se terá passado entre um jogador e um treinador de futebol.

Jorge Jesus terá dito o elementar: «sou eu que mando na equipa!»

Cristiniano Ronaldo não gostou e, em vez de ficar para discutir o que ele pensa ser um problema, chamou o seu jacto particular e regressou a casa, abandonando o estágio da selecção.

Agora enfrentamos uma verdadeira novela mexicana.

Soube-se, entretanto, que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, sempre a trabalhar, já se movimenta nos bastidores da crise da selecção nacional, após a saída de Cristiano Ronaldo.

Facto:

Durante anos e anos, Cristiano Ronaldo jogava sempre. Quando fazia sentido, jogava. Quando não fazia, jogava também.

Opiniões:

«Obrigado, Cristiano, mas agora deixa a Seleção jogar. Deixa Jorge Jesus ser treinador. Deixa os outros jogadores crescerem. E deixa que a tua vida seja aquilo que merece ser: uma história extraordinária, não uma guerra pelo direito a continuar a ser aquilo que já foste.

Porque o futebol não é uma cerimónia de homenagem. É um jogo. E o jogo seguinte nunca se joga ontem.

Talvez tenha sido o dia em que Jesus percebeu isto, que pôs fim ao Cristianismo.»

Nuno Saraiva em A Bola

«Só Ronaldo não quis ver que o tempo do esplendor da glória desportiva era passado e que se iniciara a sua caminhada em direção ao esquecimento.»

Pedro Adão e Silva no Público

Voltar, sempre, ao poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade:

«Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.»

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