«Este mundo é essencialmente antidemocrático, conflitual, com exclusão do “outro”, e legitimador da violência. Os direitos constitucionais da greve, da manifestação, não valem nada. E, mesmo quando há violação da lei por parte dos manifestantes, há uma completa duplicidade em relação às violações da lei, por exemplo, por parte do Chega. O que provocaria uma fúria nestes comentadores se o que fez Rita Matias ilegalmente em Coimbra, invadindo uma estação de rádio, fosse feito por um “esquerdalho”, ou se se vier a concluir que o “alegado” assalto ao gabinete de Ventura fosse mesmo “alegado”?
Este mundo é pobre, ignorante, agressivo, violento e muitas vezes cruel. É um
mundo antipatriótico, anticristão, mas encontra pouca resposta numa denúncia
clara do que ele significa. É só esperar algum tempo para percebermos a
metáfora do “ovo da serpente”.
José
Pacheco Pereira no Público
«Mais do que a liquidação progressiva –
já de si criminosa – das liberdades e dos direitos das democracias liberais, é
a violência que marca a extrema-direita como anunciadora de futuros fascismos.
Por mais que Milei, Trump, Bolsonaro, Abascal ou Ventura se reclamem defensores
da democracia (exigindo liberdade de expressão, moralidade política, justiça
anticorrupção, etc., e procurando apresentar-se como verdadeiros democratas),
eles destacam-se sempre no uso desbragado da violência, no insulto, no apelo à
força excessiva na aplicação das leis e, por vezes, até à supressão física – de
múltiplas maneiras – dos adversários (ou melhor, dos inimigos, porque, para
eles, só existem inimigos)».
José Gil no Público
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