Ando cansado, amargurado, sem um sorriso, e os olhos
doem-me
ao cair da tarde. Como um anjo aborrecido,
lento,
aproximo-me dos livros, dos papéis e tento acender
um
fósforo inutilmente. Já não conheço a literatura, meu amor.
A
literatura não vem nos jornais, embora tropece nos silêncios,
nos
degraus, nos bancos do jardim, embora tenha nascido
nocturna.
Ando perdido, e nas pedras negras da costa
vejo
o último atalho, a garrafa dos apelos finais abandonada.
José Viale Moutinho, tirado daqui
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