sexta-feira, 9 de outubro de 2026

ANDO CANSADO

Ando cansado, amargurado, sem um sorriso, e os olhos

doem-me ao cair da tarde. Como um anjo aborrecido,

lento, aproximo-me dos livros, dos papéis e tento acender

um fósforo inutilmente. Já não conheço a literatura, meu amor.

 

A literatura não vem nos jornais, embora tropece nos silêncios,

nos degraus, nos bancos do jardim, embora tenha nascido

nocturna. Ando perdido, e nas pedras negras da costa

vejo o último atalho, a garrafa dos apelos finais abandonada.

 

José Viale Moutinho, tirado daqui

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