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terça-feira, 26 de dezembro de 2023

OUTROS NATAIS


«Entre aquilo que Portugal deixou neste país africano, podemos destacar o costume de se comer bacalhau na noite de Natal. E não se pense que é hábito de reduzida elite urbana, nostálgica de tempos coloniais, que alguns estudiosos gostam de impropriamente chamar “crioula”. Para já, a população urbana é metade da de Angola e vai servindo de matriz cada vez mais avassaladora da cultura angolana. E o costume está absolutamente espalhado, pelo menos por todas as cidades.»

- Pepetela, escritor angolano.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

NOTÍCIAS DO CIRCO


Os portugueses consomem 70.000 toneladas de bacalhau por ano, sendo cinco toneladas pelo Natal.

« Entre aquilo que Portugal deixou neste país africano, podemos destacar o costume de se comer bacalhau na noite de Natal. E não se pense que é hábito de reduzida elite urbana, nostálgica de tempos coloniais, que alguns estudiosos gostam de impropriamente chamar “crioula”. Para já, a população urbana é metade da de Angola e vai servindo de matriz cada vez mais avassaladora da cultura angolana. E o costume está absolutamente espalhado, pelo menos por todas as cidades.»
- Pepetela

sábado, 16 de janeiro de 2021

OLHAR AS CAPAS


Mayombe

Pepetela

Capa: Alceu Saldanha Coutinho

Ilustrações extraídas de um desenho de Henrique Abranches

Colecção Autores Angolanos nº 25

Edições 70, Lisboa, Junho de 1980

- É pouco – disse Sem Medo. – E este aqui é novo de mais, devia ficar a estudar ainda. É mesmo um miúdo! Precisamos de  guerrilheiros, mandam-nos miúdos sem treino. Só servem para fazer guarda-

- Formam-se aqui – disse o Comissário.

- E entretanto? Vão causar-nos problemas. Quer-se engrossar o efectivo à toa, não se olha à qualidade. Há outros no exterior, com suficiente experiência, mas como são primos de tal ou tal responsável, não podem vir para a guerrilha. Os que não têm primos é que aguentam…

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

OLHAR AS CAPAS

 

Mayombe

Pepetela

Edição da União dos Escritores Angolanos, Luanda, Abril de 1981

Sem Medo mudou o carregador, no momento em que apercebeu o soldado à sua frente, deitado na borda da estrada, tentando febrilmente desencravar a culatra da G3. O soldado tinha-o visto, mas a arma encravara. Sem Medo apontou a AKA. O soldado era um miúdo aterrorizado à sua frente, a uns quatro metros, as mãos fincadas na culatra que não safara a bala usada. Os dois sabiam o que se ia passar. Necessariamente, como qualquer tragédia. A bala de Sem Medo abriu um buraquinho na testa do rapaz e o olhar aterrorizado desapareceu. Necessariamente, sem qualquer dos sois pensasse na possibilidade contrária.                                            

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Entre aquilo que Portugal deixou neste país africano, podemos destacar o costume de se comer bacalhau na noite de Natal. E não se pense que é hábito de reduzida elite urbana, nostálgica de tempos coloniais, que alguns estudiosos gostam de impropriamente chamar “crioula”. Para já, a população urbana é metade da de Angola e vai servindo de matriz cada vez mais avassaladora da cultura angolana. E o costume está absolutamente espalhado, pelo menos por todas as cidades.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O BACALHAU DO NATAL




Excerto de uma crónica de Pepetela publicada no Público s/d