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quinta-feira, 23 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Petisquinhos de Lisboa

Eduardo Fernades (Esculápio)

Prefácio Carlos Consiglieri

Compendium, Lisboa 1995

O gosto de comer vem desde a imemorial hora em que o nosso antepassado deu conta do paladar e o repetiu.

Se a mão talhou o homem, a boca fez os sabores – os sentidos do gosto, em cada época do ano e ao longo do fluir da vida.

Talvez desde sempre, o comer fora um acto colectivo, quando mesmo não partilhado ou sublimado no silêncio de recordações. Saber repetir qual sabor, o travo único, o instante suspenso, o efémero da diferença que agita o subconsciente em regresso emotivo.

Aliás o percurso do homem é, em grande parte, identificado com o comer. Sem cairmos em determinismos fáceis – mas no sentido de partir de um dado momento -, um dos grandes saltos qualitativos da humanidade dá-se, depois do domínio do fogo, quando se estratifica a família  e se originou o Estado. Este processo inclui inevitavelmente a comida – na quantidade (nos excedentes em poder de unas), na qualidade e na diversidade.

sábado, 27 de setembro de 2025

OLHAR AS CAPAS


À Mesa Com a História

Manuel Guimarães

Prefácio: Carlos Consiglieri

Capa: Sarah Goes

Colares Editora, Sintra, Maio de 2001

Também já não há malgas de marmelada nos Outonos das nossas cidades. A vida moderna encarrega-se de destruir, no espaço de duas ou três décadas, uma assistência familiar personalizada, assente na figura da “Mãe” que, entre outras coisas, garantia uma alimentação diferente em cada casa de família.
Os mais velhos recordam, por certo, os comeres da infância. Aqueles dias perfumados de fazer marmelada. A cor, a transparência e o mistério da gelei que os mais pequenos perguntavam, intrigados, donde vinha e como era possível.
Mas tudo isso se foi, num ápice, na voragem da industrialização.
E nem por isso somos mais felizes.

Colaboração de Aida Santos