100 Poemas nos Cem Anos de António Aleixo
Manuel Antunes Marques
Capa e ilustrações de Lourenço
Maria
Editorial Minerva, Lisboa Maio
de 2003
A Fartura ao Pé da Fome
A fartura ao pé da fome
Raramente se dão bem
Quase sempre quem tem come
À custa de quem não tem
António Aleixo
Casas lindas e casas feias
Ruas com nome e sem nome
Já vivem paredes meias
A fartura ao pé da fome
Têm uma vida diferente
Uma tem muito, outra não tem
Morando perto, esta gente
Raramente se dá bem
É a pobreza quem cria
O que a riqueza consome
E do pão que sobra, a fatia
Quase sempre que tem come
Come o rico, jejua o pobre
Como à riqueza convém
Come o pão sem que sobre
À custa de quem não tem.
Colaboração de Aida Santos
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