«Há pessoas que gostam de livros. Há pessoas que vendem livros. Conheço uma única pessoa que, por amor deles, os vende, os edita, os coleciona, os lê e, coisa ainda mais incomum, não sendo rico os oferece àqueles que considera partilharem da sua paixão: chama-se José Ribeiro, José Antunes Ribeiro e tem a inocência generosa de um menino por baixo dos caracóis grisalhos, do sorriso largo, dos óculos quase tão transparentes como os olhos, do dedinho minucioso a inventariar lombadas. Fez a Assírio & Alvim, fez a Ulmeiro e tirando os momentos em que surge por acaso à superfície da terra, alegre de uma timidez enternecida, habita uma cavezinha de Benfica, três ou quatro compartimentos pequenos semelhantes a corredores, a copas, a casulos, a nichozitos de abelha onde o seu grande corpo se move numa agilidade insuspeitada entre páginas e páginas e páginas impressas, mostrando, procurando dando
- Tens isto?
- Conheces?
- Já leste?
no orgulho humilde, fraternal, de que a
sua amizade é feita. Se não fosse o José Ribeiro detestava a Avenida do Uruguai.»
António Lobo
Antunes em Livro de Crónicas, 1º volume, «Homenagem a José Ribeiro»,
página 357.

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