Até quando
este bosque sem fim de sombra iluminante
por onde vamos sem bem saber aonde vamos
de mudança em mudança protegidos
só da mesma incerteza de mudança?
As estrelas que luzem entre os troncos e
os ramos
são janelas de lenhadores tranquilos gozando
a segurança
da lareira e dos filhos dormindo e do
pão e do vinho
a opaca segurança de nada haver à volta
de sonhador e exaltante
Estelas da lei contra o amor são eles
que ao só rumor deste outro fogo
invisível que o mundo todo muda
acorrerão aos gritos com lampiões de
raiva
e com espingardas
Para eles é crime
o que não há ainda
Mário
Dionísio em Memória dum Pintor Desconhecido
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