Pena tenho de, apesar
de reformada, não ter a possibilidade de me sentar frente ao televisor e matar
todos aqueles filmes.
É verdade que nem
todos são grandes westerns, mas pouco me importa.
Ao ouvir a canção do
filme, comentei com o parceiro do lado, que seria interessante trazer aqui as
grandes músicas e grandes canções de filmes e ainda há dias, sem ainda ter
pensado nisto, aqui apresentei o tema da Anastasia.
Isto das canções
fez-me lembrar que um dia, com o Miguel, pensámos em fazer uma cassette apenas
com grandes finais de filmes e já tinha escolhido um desses finais: «A Imitação da Vida».
Uma série de
circunstâncias não permitiram concretizar a ideia.
O Duelo de Fogo é uma enorme cowboyada.
A canção tema do
filme é Ok Corral da autoria de
Dimitri Tiomkin e é cantada por Frankie Laine.
«As palavras-chave deste projeto são estas: música-política, canções-poder,
criatividade-resistência, cultura-opressão, talento-censura, poesia-liberdade,
arte-causas.
Panfletos foi um programa de Ruben de Carvalho na antiga Telefonia de Lisboa.
Recriado agora por Pedro Tadeu, na Antena 1, trata da relação íntima, ao longo
dos tempos, da arte musical com a vida e a luta dos povos.
Diariamente: uma canção na História.»
A
canção transmitida no primeiro programa foi Sixteen
Tons, gravada em 1946 por Merle Travis, mais tarde, em 1955, Tennessee
Ernie Ford gravou uma versão, que é a que foi utilizada no programa.
Reproduzo
a versão de Ernie Ford mas também a de Frankie Laine.
O
meu pai gostava muito de Frankie Laine e, particularmente desta canção, que
estava incluída numPopular Favourites
LPs da Philips, discos que reuniam diversas
cantores interpretando standards. Muitas vezes ouvi essa canção, mas só mais
tarde o meu pai contou-me a história e o que se lá cantava.
A
canção narra a vida de um mineiro nos Estados Unidos: carregas 16 toneladas e o
que ganhas?, outro dia mais velho, mais endividado e não podes morrer porque
deves a tua alma à companhia.
De
acordo com Merle Travis o verso, devo a
minha alma à loja da companhia, refere
o sistema imposto aos trabalhadores, não recebiam salário em dinheiro mas
crédito na loja da companhia, assim como o custo do alojamento em barracões
cedidos pelos patrões, uma prática generalizada nos Estados Unidos que, só após
árduas lutas dos trabalhadores, tiveram o seu fim.
A
canção, ao longo dos tempos, conheceu muitas versões e popularizou-se entre os
mineiros espalhados pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra.
Tom Jones é um
rapaz nascido no País de Gales, filho de mineiro que fez um pouco de tudo na
vida até se tornar milionário. Segundo João Gobern privou, em longas noites de conversa e de improvisos musicais,
com Elvis Presley; ficou amigo de John Lennon depois de, num primeiro encontro,
ter querido aplicar-lhe uns murros; fez duetos com Aretha Franklin e com Janis
Joplin; viu um Michael Jackson ainda menino brincar no quintal da sua casa;
manteve Elton John como integrante de um dos coros que o acompanhou em
gravações, deteve, durante muito tempo, o recorde da assiduidade às temporadas
de concertos nos casinos de Las Vegas, que lhe valiam uns infalíveis três a
quatro meses por ano de rendimento invejável; chegou a Cavaleiro do Império
Britânico; participou em programas de TV como o Ed Sullivan Show.
Alegrou os
bailaricos caseiros dos domingos dos nossos anos 60, estão pela casa os diversos
Eps, que marcam esses dias que metiam sandes de pão de forma com queijo e
fiambre, bolos secos e uma zurrapa que dava pelo nome de «cup», vinho branco,
água castelo, açúcar amarelo, gelo.
No dia 25 de
Julho, Tom Jones esteve a actur, em Cascais no EDP Cool Jazz.
Só uma grande
dose de boa vontade pode enfiar Tom Jones no capítulo jazz. Mas dêem-se os
descontos ao rapaz, que tem 79 anos, e ao espírito comercialão da empresa que diariamente nos lixa a vida com
contas astronómicas de eletricidade.
Numa entrevista
ligeira ao Expresso contou que, nos seus primeiros tempos actuava em
clubes nocturnos e lembrou que cantava «I Believe», uma canção do Frankie Laine.
A Aida frequenta
muito esses vãos de escada que, em alguns bairros populares, vendem de tudo:
livros, discos, cassettes, toda uma série de objectos que as pessoas consideram
inutilidades e deles se desfazem.
Numa dessas incursões,
encontrou um EP de Frankie Laine, cantor que já ninguém ouve, e outros nem
sabem quem seja, e que era um dos cantores favoritos do meu pai, um dos seus
clássicos.
Recordo que lá por
casa existiam uns discos da Philips denominados “Popular Favourites”:
orquestras e cantores norte-americanos. Um pouco por aqui, o meu pai
encaminhou-me para o gosto por “crooners” e “big
bands”.
Desses “Popular
Favourites” nenhum exemplar chegou aos dias de hoje.
Por um tempo
aniversariante, de há dois anos, uma cortesia de amigos embrulhou-me
num concerto do José Cid no “Maxime”. Ainda hoje as minhas
noites são desassossegadas. Com amigos destes, os meus eventuais inimigos são
um doce de crianças.., bom, adiante.
Acontece que
numa das vitrinas do “Maxime”, mesmo ao lado do Bar,
encontravam-se, em exposição, diversos objectos de outros bons tempos e um
desses objectos, era a capa do nr. 5 dos “Popular Favourites”.
A sala escura, a
não possibilidade, por causa dos reflexos, de usar “flash”, não permitiram que a
fotografia fosse um tanto mais explícita. Mas ainda se consegue perceber que,
neste “Popular Favourites” passeavam-se, entre outros, Doris Day,
Johnny Ray, o trompetista Harry James, Rosemary Clooney, Frankie Laine, a
orquestra de Xavier Cugat.
Foi nesta
colecção que ouvi, pela primeira vez, canções que ainda hoje me
acompanham: “Mack The Knife” pelo Louis Armstrong, “Sixteen
Tons” pelo Frankie Laine, outras, muitas, que a parte adormecida do
meu cérebro já não consegue vislumbrar.
Por
terças-feiras de feira da ladra, amarguras, ilusões, trapos, cacos,
contradições, tenho procurado exemplares destes “Popular
Favourites”, até hoje sem sucesso.
Frankie Laine é
um senhor de outras músicas, de outros tempos, é ele que, nesse maravilhoso Gunfight at the O.K. Corral,que em
português se chamou Duelo de Fogo, com o Kirk Douglas, o Burt Lancaster,
a Rhonda Fleming, e o que o meu pai gostava da Rhonda Fleming, canta o tema musical composto por Dimitri Tiomkin.
Curiosamente, na de hoje, fala-se de «Sixteen Tons» uma canção que deverei ter ouvido pela
primeira vez pelos meus 15 anos, portanto há uns bons 58 anos.
A canção fazia
parte de um LP da Popular Favourites da Philips e era cantada pelo Frankie
Laine, uma voz que o meu pai muito admirava, de que passei também a gostar, ao
ponto de, há uns bons trinta anos, numa ida do Miguel a Londres, lhe ter pedido
para me trazer um LP de Frankie Laine e acabou por chegar um Duplo LP que faz
parte dos tesouros da casa e cuja capa acima se reproduz.
De «Sixteen Tons»
ficam aqui algumas versões, a de Frankie Laine incluída. Uma bela voz, diga-se.
Lá por casa existiam uns discos da Philips denominados “Popular Favourites”: orquestras e cantores norte-americanos. Um pouco por aqui, o meu pai encaminhou-me para o gosto por “crooners” e “big bands”.
Desses “Popular Favourites” nenhum exemplar chegou aos dias de hoje.
Por um tempo aniversariante, de há dois anos, uma cortesia de amigosembrulhou-me num concerto do José Cid no “Maxime”. Ainda hoje as minhas noites são desassossegadas. Com amigos destes, os meus eventuais inimigos são um doce de crianças.., bom, adiante,
Acontece que numa das vitrinas do “Maxime”, mesmo ao lado do Bar, encontravam-se, em exposição, diversos objectos de outros bons tempos e um desses objectos, era a capa do nr. 5 dos “Popular Favourites”.
A sala escura, a não possibilidade, por causa dos reflexos, de usar “flash”, não permitiram que a fotografia fosse um tanto mais explícita. Mas ainda se consegue perceber que, neste “Popular Favourites”passeavam-se, entre outros, Doris Day, Johnny Ray, o trompetista Harry James, Rosemary Clooney, Frankie Laine, a orquestra de Xavier Cugat.
Foi nesta colecção que ouvi, pela primeira vez, canções que ainda hoje me acompanham: “Mack The Knife” pelo Louis Armstrong, “Sixteen Tons” pelo Frankie Laine, outras, muitas, que a parte adormecida do meu cérebro já não consegue vislumbrar.
Por terças-feiras de feira da ladra, amarguras, ilusões, trapos, cacos, contradições, tenho procurado exemplares destes “Popular Favourites”, até hoje sem sucesso.
Já agora, a talhe não sei bem de quê, diga-se que o “Maxime” fechou portas no final de Janeiro.
O meu pai gostava dos trompetistas Harry James (“O Voo do Moscardo”) e Eddie Calvert (“Oh Mein Papa!” e “Zambezi”), da “Malaguena” cantada pelo Luis Alberto del Paraná e o seu trio “Los Paraguayos, da “Picolissima Serenata” pelo Renato Carosone, da “Granada” cantada pelo Mário Lanza, também havia uma versão do Luiz Piçarra, do "Piove" cantada pelo Domenico Modugno, "La Mamma" do Charles Aznavour.Lembro-me quando chegou a casa com o “Rock Around The Clock” do Bill Haley e os seus “Cometas”. As vezes que, nesse dia, o disco tocou. Tudo discos de 78 rotações por minuto que, ao longo dos anos, se foram partindo. Mas gostava, particularmente, do “Que Sera Será”, cantado pela Doris Day. Para quem não saiba, esta era a canção que em “O Homem Que Sabia Demais” do Hitchcock, Doris Day, no papel de Jo Mckenna, costumava cantar ao filho, e que será a chave que há-de permitir que o filho seja libertado das mãos dos raptores. Por sinal, uma canção que, também impressionou Ezra Pound, sabe-se lá bem porquê. “Que Sera, Sera, Whatever will be, will be The future's not ours, to see Que Sera, Sera will be, will be.” Ray Evans, o compositor de “Que Sera, Sera” que, com 92 anos, morreu em Fevereiro de 2007, dizia aos amigos que uma das coisas que o encantava era o facto de as suas melodias terem sobrevivido ao longo de tantas décadas. Já agora, também da autoria de Ray Evns, é o Tema Musical da celebérrima série “Bonanza”. O meu pai, em determinada altura, comprou uns LPs da "Philips” da série “Popular Favourites”, que reuniam êxitos da música norte-americana. Por lá andavam, entre outros, o Louis Armstrong a interpretar “Mack The Knife”, Rosemary Clooney a cantar “This Old House”, o Frankie Laine a cantar “Jezebel”, o Johnnie Ray a cantar “Hernand’s Hideway”.O descaminho que alguns destes discos levaram , é um mistério. Também gostava de canções napolitanas e tinha um LP, que não mais lhe pus os olhos. Lembro-me perfeitamente da capa, em tons de azul, com o mítico Vesúvio, esse monstro adormecido, em fundo. “Ver Nápoles e depois morrer”. Terá algum dia dito? Mas, acima de tudo, do que o meu pai gostava era de música clássica. Ouvir música clássica, a televisão ainda não tinha entrado porta dentro, era um ritual da casa. Volta e meia ouvia-se o no corredor: “Vamos embora que vou pôr a 9ª Sinfionia”. Não era um convite, era quase uma ordem, e eu e o meu avô avançávamos para o escritório e ali ficávamos, em profundo silêncio, a ouvir Beethoven. É uma imagem gratificante que guardo: os três sentados, rodeados de livros, a ouvir música clássica. Os discos de música clássica foram os únicos que não levaram descaminho. Aos poucos irão aparecendo por aqui. Começo com a 9ª Sinfonia de Anton Dvorak, a “Novo Mundo”. Não foi o primeiro disco de música clássica que o meu pai comprou. Simplesmente, anos mais tarde, por motivos que contarei em “Memórias”, esta sinfonia, no correr dos anos, ficou a marcar alguns dos meus dias. Para sempre. A gravação é da Deutsche Gramophon, e a Orquestra Filarmónica de Berlin é dirigida por Ferenc Fricsay.Edição alemã, Agosto de 1956.